Mostrar mensagens com a etiqueta Discurso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Discurso. Mostrar todas as mensagens

sábado, 26 de abril de 2014

ESQUERDA.NET | Ser e Não Ser – Notas Sobre a Revolução Portuguesa de 74/75 no Seu 40º Aniversário | Artigo do Historiador Fernando Rosas




Deixo este excelente artigo pelo brilhante historiador português, Fernando Rosas, nascido em Lisboa, em 1946, e douturado em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Estas notas relatam factos reais e não invenções ficcionadas para branqueamento da Revolução de 25 de Abril de 1974.
Vale a pena conhecer a História da Revolução dos Cravos por um historiador de excelência, como é Fernando Rosas.

VIVA o 25 de ABRIL, SEMPRE!
JOÃO



Ser e não ser – Notas sobre a Revolução portuguesa de 74/75 no seu 40º aniversário

A democracia política em Portugal não foi uma outorga do poder. Foi uma conquista imposta ao poder. O mesmo quanto à democratização social, o direito à greve, a liberdade sindical, o salário mínimo, as férias pagas, a redução do horário do trabalho e os fundamentos de um sistema universal de segurança social. Artigo publicado no nº 5 da revista Vírus.
Foto Victor Valente/Direitos reservados.

  1. O movimento militar vitorioso a 25 de Abril de 1974 deu origem, desde o próprio dia, à explosão de um movimento revolucionário de massa, um verdadeiro abalo telúrico que subverteu a ordem estabelecida a todos os níveis da sociedade. Ele tentou criar e articular novas formas democráticas de organização e expressão da vontade popular em milhares de empresas, nos bairros populares das periferias das cidades, nos campos do sul, nas escolas, nos hospitais, nos órgãos locais e centrais do Estado e até nas Forças Armadas. Um movimento revolucionário de massas que no seu processo, nos seus distintos períodos ofensivos, ocupou fábricas, as terras do latifúndio, as casas de habitação devolutas, descobriu a autogestão e o controlo operário, impôs a nacionalização da banca e dos principais sectores estratégicos da economia, saneou patrões e administrações, criou Unidade Coletivas de Produção para a Reforma Agrária e geriu a vida de milhares de moradores pobres de Norte a Sul do país. Um movimento que no seu ímpeto impôs na rua, pela sua própria força e iniciativa, como conquistas suas, as liberdades públicas, a democratização política do Estado, a destruição do núcleo duro do aparelho repressivo do anterior regime e a perseguição dos seus responsáveis, o direito à greve, a liberdade sindical, as bases de uma nova justiça social. Um mundo voltado de pernas para o ar, os 19 meses em que o futura era agora, um curto e raro instante em que as mulheres e os homens comuns, o povo do trabalho e da exploração, sonhou poder tomar o destino nas suas próprias mãos. A isso se tem chamado, e a meu ver bem, a Revolução portuguesa de 1974/1975.
  2. Esta Revolução tem uma primeira e essencial particularidade a que normalmente se dá pouca atenção. É que ela é detonada por um golpe militar de características singulares na longa história dos golpes militares dos séculos XIX e XX em Portugal. Um movimento militar fruto do cansaço da guerra colonial que se arrastava há 13 anos, sem vitória possível e com graves derrotas à vista, travada contra os ventos da história, injusta e a prazo breve ruinosa. Num país impedido pela ditadura de se expressar e decidir livremente sobre este assunto, o descontentamento contra a guerra, numa dessas ironias em que a história é fértil, vai ser interpretado pelos jovens oficiais que a conduzem no terreno, os capitães e majores que comandavam as companhias, unidades matriciais da quadricula da ocupação militar colonial. Ou seja, não é um complot de generais, almirantes e coronéis (até ao fim fiéis ao regime e ao esforço de guerra, salvo raras exceções. É um movimento de oficiais intermédios a que, no processo, aderirão oficiais subalternos e milicianos. Uma conspiração que, no contexto de descontentamento popular crescente e no ambiente político e ideológico da época, rapidamente evolui dos objetivos corporativo-profissionais (que, aliás, o Governo satisfaz em Outubro de 1973) para um propósito político subversivo: de Setembro a Dezembro de 1973, dos plenários de oficiais de Évora ao de Óbidos, o movimento assumira claramente a consciência da necessidade de derrubar o regime. Sem democratização não haveria solução política para acabar com a guerra.
  3. A rápida extensão e politização da conspiração dos oficiais intermédios, o seu controlo ou neutralização da maioria das principais unidades operacionais dos três ramos das FA no país, criava, assim, uma situação não imediatamente percetível mas decisiva: privava drasticamente o Estado e a hierarquia de força militar, ou seja, transformava-a, na realidade, e ao seu juramento de obediência ao regime, numa patética e inútil “brigada do reumático”. Numa cabeça sem corpo e sem consciência de o não ter. Mas retirava esse poder operacional, também, aos raros generais dissidentes convencidos que tinham na mão um golpe militar. As primeiras horas do “25 de Abril” e do seu rescaldo foram uma amarga surpresa tanto para os comandantes hierárquicos como para o general Spínola e os oficiais que o seguiam.
  4. Disto decorre uma segunda característica central: a neutralização/anulação do papel tradicional das FA. A vitória do movimento dos oficiais intermédios, na realidade, rompe a cadeia hierárquica de comando das FA, subtrai-as ao controlo tradicional do Estado e das chefias por ele designadas, dessa forma paralisando a função das FA como órgão central da violência organizada do Estado. Nesse sentido, em rigor deixa de haver FA, sucedendo-lhe – o que era coisa bem distinta -, o MFA, que a breve trecho controlará o essencial do poder militar operacional mais relevante através do COPCON. Neste inicial período spinolista, até à sua derrota em 28 de Setembro de 1974, quando muito, há a luta desesperada dos restos da velha hierarquia (aliás largamente saneada na “noite dos generais” pelos oficiais do revoltosos, logo a 6 de Maio) para eliminar o MFA. A derrota do spinolismo consagra assim essa espécie de anulação das FA como espinha dorsal da violência do Estado.
  5. Convém acrescentar que essa circunstância tem ainda uma outra consequência relevante: a paralisação, pulverização e enfraquecimento geral do poder e autoridade do Estado. O que emerge do golpe militar é um poder poliédrico de competências conflituantes e debilitadas: uma Junta de Salvação Nacional sem poder real nas FA, um Governo provisório sem poderes sobre as FA e com as forças policiais e ministérios paralisados, um Conselho de Estado de competências largamente retóricas e, fora desta lógica institucional (ainda que representada no Conselho de Estado), a Coordenadora do Programa do MFA, única sede de poder efetivo, mas em forte disputa com a fação spinolista nas FA e nos demais órgãos. O velho poder caíra, já não ameaçava ninguém, e deixava um campo indefinido e vulnerável a uma drástica alteração da relação de forças no plano social e político.
  6. Finalmente, assunto que não desenvolverei aqui, o processo que se vem descrevendo tem um outro efeito: a cessação a curto prazo da guerra colonial nas três frentes e a formação, quer nos contingentes em África, quer na opinião pública portuguesa, de um forte movimento recusando novos embarques de tropas para as colónias, exigindo a litoralização do dispositivo militar e o regresso das tropas, pressionando pela imediata abertura de negociações com os movimentos de libertação nos termos por eles apresentados, ou, nas zonas de guerra, substituindo o combate pela confraternização com o “inimigo”. O exército colonial e a opinião pública recusavam-se a continuar a guerra. A descolonização irá ser negociada pelo MFA e o Governo Provisório, sem opinião pública, sem FA e sem apoio internacional para algo que não fosse a autodeterminação e a independência para os povos das colónias.
  7. A conjugação dos fatores acima indicados (o apagamento da função das FA como garante central da “ordem” e a deliquescência do poder do Estado) com a forte tensão política e social acumulada no período final do regime marcelista, origina a explosão revolucionária. O movimento de massas, largamente espontâneo, por virtude de um desses “mistérios” que caracterizam as situações revolucionárias maduras para a ação, teve, na própria manhã do golpe – o emblemático desenlace do confronto na Rua do Arsenal terá tido nisso o seu papel1 – a dupla intuição que podia e devia tomar a iniciativa. A intuição do momento e a intuição da força própria: “é agora, porque agora somos mais fortes do que eles”. A compreensão quase intuitiva de que a correlação de forças, naquele momento indesperdiçável, era favorável à iniciativa popular. E de espectador, o movimento de massas passa a actor principal. Antes do golpe militar, por si só, não obstante a sua força e radicalidade, não conseguiria derrubar o regime. Mas agora agarrava a oportunidade que esse particular movimento militar lhe facultava, entrando de rompante pelas “portas que Abril abriu”. O golpe, ao contrário do que pretendeu a tentativa de A. Cunhal o recuperar para a velha narrativa do “levantamento nacional”2, não era a expressão armada da “insurreição popular” (inicialmente quereria mesmo evitá-la…), não era a explosão revolucionária, todavia, pelas suas características particulares, contribuiria decisivamente para a desencadear.
  8. Na sua imparável dinâmica inicial, entre Maio e Setembro de 1974, o movimento popular revolucionário conquista na rua, nas fábricas, nos bairros populares, nas escolas, nas zonas rurais, muito do essencial: os fundamentos da democratização política, as liberdades fundamentais, a liquidação dos órgãos de repressão e censura política e das milícias fascistas, muito antes de tudo isso ter consagração legal. A democracia política em Portugal não foi uma outorga do poder. Foi uma conquista imposta ao poder. O mesmo quanto à democratização social, o direito à greve, a liberdade sindical, o salário mínimo, as férias pagas, a redução do horário do trabalho e os fundamentos de um sistema universal de segurança social. O movimento de massas fez tudo isso enfrentando com os seus órgãos de vontade popular eleitos em plenários de fábricas ou assembleias de moradores, a oposição sistemática da Junta de Salvação Nacional (JSN), do Governo Provisório (GP) e do PCP e da Intersindical nessa fase investidos em guardiões da “ordem democrática” contra o “esquerdismo irresponsável” (ao jeito da I República, chegaram a convocar manifestações contra as greves). No entanto, foi a força desse movimento que se mostrou decisiva na derrota da 1ª tentativa contra-revolucionária do spinolismo, em Setembro, de alguma forma impondo o MFA como força político-militar hegemónica no processo
  9. A partir de Outubro de 1974, a crise económica, o encerramento ou a pilhagem de muitas empresas pelos patrões em fuga, o disparar do desemprego, alteram e radicalizam os padrões de ação: os trabalhadores ocupam as empresas, e, a partir de Janeiro, as herdades dos agrários alentejanos e do Baixo Ribatejo, experimentam a autogestão ou exigem a intervenção do Estado ou do MFA, ensaiam várias formas de controlo operário e fazem-no através de Comissões de Trabalhadores ou de moradores por si eleitas. Manter as empresas a funcionar, derrotar a sabotagem económica, assegurar o emprego, cedo coloca a questão da nacionalização dos sectores estratégicos da economia (a começar pela banca). O propósito é conquistado no rescaldo da derrota da segunda tentativa contrarrevolucionária dos spinolistas, em 11 de Março de 1975. Aprova-se a nacionalização da banca (na prática dos grandes grupos financeiros) e legaliza-se a Reforma Agrária já em curso. O controlo operário está na ordem do dia. O processo revolucionário parecia dar um passo em frente. Na realidade, era o último.
  10. Efetivamente, o heteróclito campo da revolução iria sofrer, nos meses seguintes, três derrotas sucessivas e determinantes. A primeira, com as eleições de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte. Não são só os modestos resultados do PCP (12,5%), do MDP (4,1%) e da UDP (0,7%): é alteração do critério legitimador do poder em redefinição. Na realidade, com as eleições de Abril 1975 legitimidade eleitoral impõe-se definitivamente sobre a legitimidade revolucionária. E a verdade é que o PS vencera as eleições constituintes com 37,8% dos votos. A revolução não tivera nem a capacidade de as adiar/anular como na Rússia de 1917 (o que era difícil num país onde a oposição fizera das eleições livres a sua bandeira de sempre), nem a força de as ganhar (como o chavismo venezuelano dos nossos dias). É precisamente a partir daqui, desta crise de legitimidade que nem a retórica tutelar do I Pacto MFA/Partidos consegue minimizar, que se inicia a rotura dos sectores intermédios com o processo revolucionário, argumentando contra a hegemonia totalizante que nele tendia a assumir o papel do PCP. Rompe-se o Governo Provisório com a saída do PS e do PSD (unicidade sindical, caso República) e explicita-se a crescente e já indisfarçável desagregação do MFA. A extrema-direita terrorista passa à ação em todo o país contra as sedes e militantes de esquerda e a hierarquia católica distancia-se do PREC a pretexto da ocupação da Rádio Renascença. Inicia-se a mobilização de massa contra o processo revolucionário com os grandes comícios e manifestações convocados pelo PS a favor de uma democracia parlamentar e “europeia” e as concentrações de apoio ao episcopado no Norte e Centro do país. Na realidade, em Julho de 1975, com a formalização do “Grupo dos 9”, está constituído, tendo como eixo os “Nove” e o PS, um campo político-militar de oposição e alternativo ao dividido campo revolucionário que lhe vai disputar, palmo a palmo, as posições-chave no aparelho militar e no Governo, como primeiro passo para o derrotar no plano da mobilização social. Um campo apoiado abertamente pela direita política e dos interesses, por sectores maoistas que reificavam o perigo de um regime tutelado pelo PCP e, mais na sombra, pelas, sabemos hoje melhor, largas ramificações da extrema-direita fascista e terrorista do ELP/MDLP e grupos afins.
  11. Precisamente, a segunda derrota do campo da revolução socialista, em Agosto/Setembro de 1974, é o afastamento generalizado da “esquerda militar”, sobretudo da mais próxima de Vasco Gonçalves e do PCP, não só da liderança do Governo provisório como das fortes posições detidas no aparelho militar: é encerrada a v Divisão, Vasco Gonçalves é afastado de 1º Ministro e impedido de assumir o cargo de CEMGFA, Eurico Corvelo é demitido da chefia do RMN, os “gonçalvistas” são colocados em minoria no Conselho da Revolução perdendo 9 conselheiros, são readmitidos os conselheiros do “grupo dos 9”, o VI Governo é uma clara guinada à direita. Sobram Otelo e o COPCON, mas o cerco a este último núcleo do revolucionarismo militar começa de imediato. O que sai deste embate é uma substancial alteração da correlação de forças a nível político e militar: nas chefias e no Governo, instalam-se agora opositores ao curso revolucionário. Não era o fim, mas era o prefácio do fim
  12. Com o processo revolucionário em curso, deter as cúpulas do poder político e até das chefias militares não era resolver a situação. Havia um movimento de massas disposto a lutar pelo que tinha conquistado. A “contra ofensiva das lutas populares”, como lhe chamará o PCP, será forte e prolongada, mas representa já, não obstante a sua capacidade de mobilização entre Setembro e Novembro, um processo claramente defensivo contra o “avanço da reação” e a iminência de um golpe militar, na realidade, em preparação a partir do “grupo dos 9” e desde a” limpeza” desse Verão. Considerar essa radicalização terminal, quase desesperada e sem orientação clara, como o “momento insurrecional” ou o “assalto final” ao poder do Estado3, parece-me ser uma abordagem que nada tem a ver com a realidade. As importantes mobilizações desse período, de uma forma geral, não colocavam a questão da tomada do poder: reclamavam as posições perdidas (demissão de Corvacho, desativação do CICAP, silenciamento à bomba da Renascença, atentados bombistas…), denunciavam os planos político-militares, esses, sim, ofensivos, do campo contra-revolucionário, em suma, estavam à defesa e tentavam segurar o que tinham obtido. Isso não é incompatível, na ausência de um movimento de massas unificado e de uma direção política clara, com o deixar-se arrastar para a aventura golpista incipiente protagonizada pelos paraquedistas e as unidades do COPCON da Região Militar de Lisboa (RML) com o apoio de certos sectores sindicais afetos ao PCP e da militância da extrema-esquerda (ocupação das bases aéreas, de alguns pontos estratégicos da capital, da RTP e da EN). A 25 de Novembro, isso constituiu o pretexto há muito esperado para se desencadear o contra-golpe militar a sério. O que precisamente é revelador neste contexto é a surpreendente facilidade com que, praticamente sem resistência (excetuando o breve confronto na Polícia Militar), o Regimento dos Comandos subjugou, uma a uma, as unidades rebeldes. As escassas centenas de pessoas que as "defendiam" dispersaram e os seus chefes, disciplinadamente, se foram entregar ao Palácio de Belém. A terceira derrota era, agora, definitiva para o processo revolucionário.
  13. O novembrismo está para a contra-revolução, como o movimento militar de 25 de Abril estive para a revolução. Ele não era a contra-revolução, mas a alteração da correlação de forças que impôs, abriu o campo a que ela paulatina, progressiva e constitucionalmente se instalasse como política dominante da situação pós-revolucionária. Dissimulada e prudente ela entrava pelas portas que Novembro abrira. A 25 de Novembro, o golpe ordena a prisão de 118 militares, saneava da RTP e da EN 82 trabalhadores e demitia as administrações e direções da imprensa estatizada, substituídas por gente do PS e PSD ou militares afins. Ao contrário do que pretendiam a extrema direita e certos sectores da direita, não houve prisões massivas de “vermelhos”, anulação das liberdades públicas, dissolução de partidos ou encerramento de sindicatos ou das suas publicações, O PCP manteve-se no Governo Provisório e a Constituição de 1976 consagraria o objetivo do socialismo, a irreversibilidade das nacionalizações, a Reforma Agrária, o controlo operário e o papel das CT.
  14. Na realidade, o Grupo dos 9 negociara discretamente com o PCP uma contenção pactuada do processo revolucionário (o PCP travara no terreno os ativistas sindicais, os militantes civis e os militares arrastados para a aventura iniciada pelos paraquedistas) o que resultaria num processo obviamente distinto de uma clássica e violenta resposta contra-revolucionária. Um acordo que fazia a economia de uma contra-revolução sangrenta, mas em que os vencedores alteravam as regras do jogo em dois aspetos cruciais: impunham a consagração da legitimidade eleitoral sobre a legitimidade revolucionária e, sobretudo, liquidavam o MFA, repunham a hierarquia tradicional dos FA e, nesse sentido, anulavam a aliança essencial com esse braço armado de que dispusera o movimento popular no processo revolucionário. Regressavam as FA como espinha dorsal da violência legal do Estado. É certo que a revolução terminava. Mas deixava na democracia parlamentar que lhe sucedia a marca genética das suas conquistas políticas e sociais, dos direitos e liberdades que arrancara na luta revolucionária e cuja continuação impusera e defendia na nova situação política. É por isso que a equiparação esquemática que por vezes se faz entre a contra-revolução e a democracia parlamentar4 desconhece que, no caso português, ela é fruto do compromisso com um processo revolucionário que profundamente a marcou. Ao contrário do que afirma a direita política e historiográfica – em curiosa aproximação com o citado ponto de vista – a democracia política não existe em Portugal apesar da revolução, mas porque houve a revolução.
  15. Há, portanto, e um ser e um não ser na revolução portuguesa de 1974/75. Ela teve a força de subverter a ordem estabelecida atingindo os fundamentos do próprio sistema capitalista, mas não conseguiu segurar e, menos ainda, aprofundar essas aquisições num poder socialista durável. Foi travada a meio caminho e perdeu boa parte das suas conquistas mais avançadas na contrarrevolução mansa que se estabeleceu com a “normalização democrática”. Ou seja, foi derrotada pelas formidáveis reações que despertou tanto nacional como internacionalmente. O que conduz à necessidade de tentar analisar, ainda que sumariamente, algumas das suas principais dificuldades de fundo.
  16. Em primeiro lugar, a situação de “duplo poder” criada pelos milhares de órgãos de vontade popular eleitos nas empresas, nos bairros e nos campos do Sul pelos trabalhadores e moradores, nunca se constituiu numa organização nacional una e articulada. Muito menos, na sua dispersão, assumiu maioritariamente uma orientação política clara ou se colocou a questão da tomada do poder. Ao contrário do que acontece nos sovietes da Rússia de 1917 ou na revolução conselhista alemã de 1918/19, não há na revolução portuguesa um “poder popular” paralelo unificado, por isso se não colocou nunca, na prática, a questão de “todo o poder aos órgãos de vontade popular”. Até Julho de 1975 o PCP e a sua estrutura sindical opõem-se às CT e, antes e depois disso, cada grupo político da esquerda radical tem as “suas” CT e CM, as “suas” estruturas de articulação parcial, frequentemente guerreando-se entre si e com as que o PCP cria, finalmente, nesse Verão.
  17. Em segundo lugar, na revolução portuguesa, os órgãos de vontade popular não estão armados, novamente num contraste essencial com as citadas experiências soviética e conselhista. Eles são apoiados por um aliado externo a si próprios, um movimento militar, ou parte dele, ou até por algumas unidades dessa parte, à medida que a esquerda do MFA se vai dividindo e subdividindo. Não há operários, camponeses e soldados em armas como alguns sectores da esquerda radical reclamavam. Aliás, o PCP e as organizações radicais de esquerda mantiveram organizações nas FA mais para influenciar os oficiais do MFA do que para promover o insurrecionalismo dos soldados. Nestes termos, há um processo revolucionário dos trabalhadores externamente apoiado, quando foi, por um movimento de oficiais crescentemente dividido e debilitado. A vulnerabilidade era evidente: se e quando a reação ao processo revolucionário lograsse reenquadrar o MFA na cadeia de comando das FA, eliminando-o, o movimento de massas, mesmo se se mantivesse, perdia a sua indireta expressão armada e subversora, retomando a natureza de movimento reivindicativo sem capacidade de colocar a questão do poder. Passava à defesa. Foi precisamente isso o que aconteceu
  18. Em terceiro lugar, o campo político da revolução estava profundamente dividido sobre a natureza do poder a construir e os caminhos para lá chegar. E não houve, nem uma força claramente hegemónica susceptível de marginalizar as demais, nem a capacidade de encontrar uma plataforma mínima de ação comum (a própria FUP, Frente de Unidade Popular, constituída em 25 de Agosto de 1975 entre o PC e outros 7 grupos, já com propósitos claramente defensivos e sem parte dos maoistas, começa a desfazer-se 3 dias depois com a saída do PCP). A divergência central seria entre a estratégia cunhalista de progressiva ocupação do aparelho civil e militar do Estado, do MFA, das direções dos sindicatos e dos jornais/rádio/RTP, das autarquias, etc… quase sempre à margem de qualquer escrutínio democrático, de “cima para baixo”, e a orientação comum à esquerda radical de criar na luta de classes um “poder popular” capaz de partir ao assalto revolucionário do Estado. Mas mesmo no subcampo da extrema-esquerda, a guerra dos sectarismos em torno da “pureza” revolucionária era generalizada. E tudo isso, claro está, se reflete em cheio na coesão do MFA mais à esquerda, já em rotura com o “Grupo dos 9”.
  19. Na realidade, uma das singularidades da revolução portuguesa que o preconceito ideológico de boa parte da historiografia sobre este período tende a ocultar, é que a extrema-esquerda, mesmo pulverizada e em guerra interna, teve a força social e política suficiente para impedir a hegemonia político-ideológica do PCP no processo, sem, todavia, lograr impor um caminho alternativo. Este impasse no campo da revolução abriu uma guerra no seu seio onde a violência sectária, frequentemente, não foi só verbal, dando lugar a agressões, saneamentos, manipulações e até a repressões massivas na tentativa de eliminar politicamente o campo maoista mais hostil ao PCP5 Este conflituoso bloqueio afastou, naturalmente, aliados sociais instáveis ou desiludidos, evidenciou impotência na resposta, exprimiu desunião e fraqueza, isolou o campo em si mesmo, e nele se hão-de buscar algumas das razões que levam à incapacidade de resistir com sucesso a contra-ofensiva no Verão de 1975 e ao que se lhe seguiu.
  20. Concluindo, pode dizer-se com segurança que a revolução portuguesa não foi um assunto encerrado pelo novembrismo de 1975. A força telúrica que explodiu nesse “dia inicial inteiro e limpo” não bastou para vencer, mas permitiu-lhe, todavia, recuar lutando e condicionar fortemente o que se seguiu. É a partir da defesa, consolidação e alargamento desse património que ainda hoje se define a esquerda portuguesa.

Artigo publicado na revista Vírus nº 5
  • 1.Na manhã do dia 25 de Abril de 1974, na Rua do Arsenal, em Lisboa, tanques da Escola Prática de Cavalaria, de Santarém, aderente ao movimento militar, enfrentou os da Cavalaria 7, comandados pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, fiel ao regime. Depois de várias tentativas de conversações, o brigadeiro dá ordem de fogo contra o capitão Salgueiro Maia que comandava a força do RC7. O alferes que chefiava a guarnição do tanque recusa-se a obedecer e recebe voz de prisão. O cabo que, em seguida, recebe ordem idêntica, também desobedece. Parte da força passa-se para os revoltosos e os outros voltam para trás. Tornou-se claro que o regime não tinha força militar que o defendesse.
  • 2.Cf. Álvaro Cunhal, A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril (a contra-revolução confessa-se), ed Avante, Lx, 1999, pag. 101 e segs
  • 3.Cf. Raquel Varela, História do Povo na Revolução Portuguesa (1974-1975), Bertrand editora, Lx, 2014, pag. 421 e segs e pags 496 a 498.
  • 4.Ibidem, pag. 482 e segs.
  • 5.A 28 de Maio de 1975, forças do COPCON, sob proposta dos oficiais mais próximos do PCP no MFA, ataca as sedes do movimento maoista MRPP na Região Militar de Lisboa e prende várias centenas de militantes e ativistas, encerrados nas cadeias de Caxias e Pinheiro da Cruz onde serão sujeitos a um tratamento brutal, denunciado pela opinião pública. Serão libertados progressivamente até 18 de Julho de 1975.
Sobre o/a autor(a)
Dirigente do Bloco de Esquerda, historiador, professor universitário.


sexta-feira, 25 de abril de 2014

ESQUERDA.NET | “Um Futuro Feito de Inevitabilidades é Uma Fraude” | Intervenção de MARIANA MORTÁGUA na Sessão Solene na AR | Vídeo


Não posso deixar de postar este artigo e pedir, a quem não ouviu a Mariana Mortágua na Sessão Solene na AR, que o leia e ouça o vídeo. 
Com muito orgulho fui de um partido que está na génese do BE e foi com muito orgulho e emoção que ouvi a Mariana Mortágua. Foi uma óptima escolha a de ser uma deputada nascida após o 25 de Abril a discursar sobre esta data histórica. E a sua intervenção deixou-me de tal modo emocionada que, mesmo muito tempo depois de ela ter cessado, eu continuei a soluçar e, a esta hora, ainda sinto os olhos rasos de lágrimas.
Se eu conseguisse expressar tudo o que eu sinto, seriam as suas palavras que eu escolheria.
Obrigada, Mariana Mortágua!
Obrigada ao meu querido Bloco de Esquerda por não me desiludir, nunca!
Obrigada aos Capitães de Abril pela maravilhosa revolução que nos conduziu à Liberdade e à Democracia! Tudo o resto está no poder do povo!
É tempo de o povo português ganhar maturidade política e sair da mediocridade em que vive, ao ponto de se alienar de tudo o que realmente é importante, como ir às urnas e dar um cartão bem vermelho a quem nos tem governado.
25 de ABRIL, SEMPRE!!!
JOÃO



“Um futuro feito de inevitabilidades é uma fraude”

Na sessão solene na Assembleia da República, Mariana Mortágua criticou a “rendição da democracia” vigente em Portugal 40 anos depois da Revolução, “em que toda a governação é feita a pensar nos mercados e avaliada por eles”.
25 de Abril, 2014 - 10:55h
Mariana Mortágua discursou na sessão solene dos 40 anos do 25 de Abril 
na Assembleia da República.
A intervenção da deputada bloquista começou por falar da dívida da sua geração que “não conheceu outro regime que não a democracia de Abril” para quem se opôs à ditadura e “trouxe para Portugal o século XX”. Numa saudação aos Capitães de Abril, que à mesma hora realizaram uma comemoração no Largo do Carmo, Mariana Mortágua defendeu que “a vossa voz merecia ser ouvida, aqui e hoje, porque é a voz de todos os que vos devem a voz”. “Assim se faria a mais notável democracia, sem tutelas nem complexos, juntando o passado e o presente de um país que nos exige a responsabilidade da memória”, prosseguiu a deputada.
“Renderam a nossa democracia à ditadura dos mercados”
40 anos depois do 25 de Abril, Mariana Mortágua enalteceu as suas principais conquistas, hoje em perigo pelas políticas seguidas pelo Governo. “renderam a nossa democracia à ditadura dos mercados e é em seu nome que governam. Merkel locuta est, causa finita est: se Merkel falou, a conversa acabou. Se Berlim manda, o governo cumpre. Se os mercados murmuram, o país treme”, resumiu a deputada do Bloco.   
A deputada não poupou palavras para atacar o “moralismo sinistro de quem diz a Portugal que governa para punir, sacrificar e redimir” e que ao mesmo tempo “rejeita a existência de qualquer alternativa a este fanatismo austeritário destruidor”. “Estranha forma de democracia esta em que toda a governação é feita a pensar nos mercados e avaliada por eles”, prosseguiu.
“Chamam consenso à passagem do tempo da Troika para o tempo do Tratado Orçamental. Um salto limpo da panela para a frigideira”, prevê a deputada do Bloco.





O “consenso do arco da governação” representa uma vontade de eternização do poder dos que governam para os mercados financeiros, argumentou a deputada do Bloco, fazendo o balanço da austeridade, que “não é um remédio, é uma peçonha”, como provam os resultados dos últimos anos. 
“Passar da troika para o Tratado Orçamental é saltar da panela para a frigideira”
A oposição firme ao consenso do pós-troika em torno do Tratado Orçamental foi o tema forte da intervenção do Bloco nos 40 anos do 25 de Abril. Mariana Mortágua contrariou esse “refrão”, chamando-lhe “o embuste dos governantes que querem silenciar o país para continuarem a governar para os mercados”.
“Chamam consenso à passagem do tempo da Troika para o tempo do Tratado Orçamental. Um salto limpo da panela para a frigideira”, prevê a deputada do Bloco, para quem o Tratado apoiado por PS, CDS e PSD “é a lei dos credores, dos mercados, que querem sobrepor à constituição de Abril” uma “outra Constituição, não escrita, não votada, não escrutinada”.
“As pessoas valem mais que os mercados, a democracia vale contra o empobrecimento, Portugal vale mais que a Goldman Sachs”.  





“Um futuro feito de inevitabilidades é uma fraude. Não há democracia sem escolha. Quando nos dizem que, independentemente do que escolhermos, o nosso futuro a 20 ou 30 anos já está decidido, é a própria democracia que está em causa”, lamentou Mariana Mortágua, depois de lançar o desafio: “não nos respondam com ameaças, com os afobos da comissão europeia ou os trovões dos mercados. Falem de soluções”.
A deputada do Bloco lembrou que existem alternativas, como ficou bem patente na apresentação do manifesto pela reestruturação da dívida. “As soluções são difíceis, mas existem”, defendeu, concluindo que “a solução é coragem: as pensões dos idosos valem mais que as rendas garantidas, as pessoas valem mais que os mercados, a democracia vale contra o empobrecimento, Portugal vale mais que a Goldman Sachs”.

"Renderam a nossa democracia à ditadura dos mercados"


Imperdível! A (re)ver...
Vamos todos exercer a cidadania como um direito e um dever!
Vamos deixar de ser um povo mediocre!
Viva o 25 de Abril, SEMPRE!
JOÃO

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Info Esquerda.Net | "É Preciso Devolver A Voz Ao Povo Para Que Ele Inaugure Uma Nova Madrugada"

Amiguinhos, 
Não tenho sido muito participativa nos meus Blogues ou no Facebook.
Contudo, sempre que vou podendo, tento encaixar o que me parece mais importante, mesmo que venha com algum atraso...
"Vale mais tarde do que nunca"!
Saudações da
JOÃO


     Tem dificuldade em ver este Email?
    
Dirija-se para o esquerda.net.

"É preciso devolver a voz ao Povo para que ele inaugure uma nova madrugada"


Catarina Martins diz que o 25 de Abril rompeu com o fardo cultural do país isolado e condenado ao empobrecimento, e criou o consenso em torno do Estado social. Ao pôr em causa este consenso, a direita fez do revanchismo social a sua imagem de marca e põe em causa a própria liberdade. "Mais do que nunca, é preciso devolver a voz ao Povo português para que ele seja senhor do seu destino e inaugure uma nova madrugada", conclui a coordenadora do Bloco de Esquerda. Leia na íntegra a intervenção na sessão de comemoração do 25 de Abril.
Ler mais.

Porto: lançada candidatura autárquica do Bloco

O sociólogo José Soeiro e a poeta Ana Luísa Amaral são os primeiros candidatos do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal do Porto, respetivamente, depois de um processo assembleário promovido pelo Bloco e por um conjunto de ativistas de movimentos sociais que têm na última década lutado contra a política da direita instalada no governo da cidade.Ler mais.

25 Abril: Até os cravos caíram, tal foi o choque com o discurso do Presidente

João Semedo diz que Cavaco Silva fez um discurso de fação, que reconheceu o insucesso da política de austeridade mas apelou a mais austeridade e sobretudo à resignação dos portugueses perante essa política.Ler mais.

Parabéns Nuno Crato, implosão quase concluída

Rita Gorgulho
Dois anos volvidos, parece que caminhamos a passos largos para a implosão; não do Ministério, mas da escola pública. Crato também quer cortar nas Atividades de Enriquecimento Curricular, tornando-as num encargo financeiro suportado pelas famílias.Ler mais.

Manifestantes desfilam ao som de Grândola Vila Morena

Mais uma vez, a música de José Afonso foi escolhida pelos manifestantes para dar início ao desfile que marcou o 39.º aniversário do 25 de Abril de 1974. O governo e o presidente da República e as medidas de austeridade impostas ao país foram alvo do descontentamento popular.Ler mais.

O Miguel no Bloco

Vídeo realizado para a sessão evocativa de Miguel Portas, com o registo de intervenções políticas do eurodeputado e fundador do Bloco de Esquerda.Ler mais.



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Catarina Martins | “É Preciso Devolver A Voz Ao Povo Para Que Ele Inaugure Uma Nova Madrugada” | Esquerda.Net | Vídeo





É PRECISO, MESMO!!!

O POVO merece muito mais...!

JOÃO


“É preciso devolver a voz ao Povo para que ele inaugure uma nova madrugada”

"Nunca, como hoje, um governo fez do revanchismo social a sua imagem de marca."

Catarina Martins

"O Estado Social lembra-nos o que somos: orgulhosamente solidários"  




AR - 25 de Abril de 2013

sábado, 10 de novembro de 2012

Francisco Louçã: Intervenção de Abertura da VIII Convenção do BE | Ontem | Vídeo

Na entrada do Pavilhão onde decorre a 
VIII Convenção do Bloco de Esquerda
Foto de Rosinda Beltrão



Francisco Louçã abriu, ontem, a VIII Convenção do Bloco de Esquerda, com homenagem aos camaradas que recentemente partiram, mas com uma especial referência a Miguel Portas que foi um dos 4 (quarto) cofundadores do Bloco de Esquerda.
Foi um momento terno, generoso, solidário... Uma homenagem sentida e merecida que é, creio, de todos nós, aderentes, militantes, simpatizantes e, acredito, da grande maioria do povo português.
Fiquei arrepiada! Já tinha ouvido bocados desta intervenção de Louçã, pelas reportagens nos canais de notícias da televisão, mas não tinha, até ontem à noite, ouvido o início! Só tinha lido alguma coisa...
Toda esta intervenção que te deixo, em vídeo, é extraordinária!
Ouvi tudo e, muitas partes, ouvi mais do que uma vez.
Sei partes de cor. Outras andam perto!
Destaco algumas das frases que Francisco Louçã disse, na hora da despedida de coordenador do BE:
"Este partido foi levantado com as mãos"
“Tive no Bloco e vocês também. O princípio do melhor tempo das nossas vidas. E vem ai a vida toda. Que ninguém se engane: este é o partido de emoções fortes! Gostei da cada momento e da cada emoção!”
"Dei-vos tudo e deram tudo. Continuamos tudo! Hoje tenho uma certeza: Não há despedidas aqui! A mim ninguém me vai perguntar por onde vou, porque eu estou aqui... Porque sou daqui! Foi aqui que encontrei gente de confiança!”
“Aqui estou sem qualquer questão pessoal com qualquer destes militantes que aqui luta pelo socialismo. Aqui estou! Aqui estamos!”“Sabemos o que quer dizer a luta toda. Nós somos a luta toda! Somos construtores!”
Para mais, vê e ouve o vídeo. É uma intervenção daquelas que não podemos perder.
Obrigada, Francisco Louçã!
Até já, na luta toda!
JOÃO


 Intervenção de abertura da VIII Convenção 


Publicado em 10/11/2012 por
Francisco Louçã abriu a VIII Convenção do Bloco, recordando o percurso político da organização nos últimos treze anos e os desafios do combate atual contra o governo da troika.

Marisa Matias: "Vamos Receber Angela Merkel Como Ela Merece!" | Ontem no Comício Internacional


Marisa Matias no Parlamento Europeu no 
Dia da Visita de Angela Merkel

Uma intervenção extraordinária e de fibra da Eurodeputada Marisa Matias que, com o seu gesto muito especial, diz-nos para que recebamos a Merkel muito bem, como ela merece.
E explica tudo o que a Merkel representa para Portugal e para os portugueses.
Não se deixem enganar! Á Eurodeputada Marisa Matias explica tudo muito bem sobre a "ajuda" que a Alemanha nos presta.
Estamos a alimentar a Banca Alemã muito acima das nossas possibilidades! A verdade é esta!
Uma intervenção genial, clara e forte, como forte é a motivação do Bloco de Esquerda para que o nosso país saia da crise. E não será com as opções do Governo.
Fala de esquerdas juntas! É possível juntarem-se as esquerdas democráticas? Claro que é!
Temos que ser fortes e exigirmos outras condições...
Vejam e ouçam este fantástico - "fabulástico", mesmo! - discurso desta incrível Eurodeputada que é um exemplo no Parlamento Europeu!
Tenho muito orgulho na Marisa Matias!
Tenho muito orgulho em ser Bloquista desde sempre!
"Nós somos a luta toda!"
JOÃO

"Vamos receber Angela Merkel como ela merece!"


Publicado em 10/11/2012 por
A eurodeputada Marisa Matias interveio no comício internacional "Vencer a troika", garantindo que os contribuintes alemães são quem mais tem a perder com os empréstimos da troika a troco de austeridade para o Sul da Europa.

Francisco Louçã Abre a VIII Convenção do Bloco de Esquerda Com Homenagem a Miguel Portas


Francisco Louçã abriu a VIII Convenção do Bloco de Esquerda com uma homenagem a Miguel Portas, ao Eurodeputado recentemente falecido, uma homenagem sentida e merecida que é, creio, de todos nós, aderentes, militantes, simpatizantes e, acredito, da grande maioria do povo português.
Miguel Portas nunca será esquecido. E terá o seu nome escrito na História de Portugal!
O Bloco de Esquerda ainda será governo e os seus criadores nunca serão esquecidos!
SAUDADE!
JOÃO



Convenção do BE abre com homenagem
a Miguel Portas

"Este partido foi levantado com as mãos", afirmou Francisco Louçã no discurso de abertura da VIII Convenção do Bloco de Esquerda (BE).

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)
11:44 Sábado, 10 de novembro de 2012

Louçã lembrou o falecido dirigente Miguel Portas
Foto:  Alberto Frias

Francisco Louçã começou o discurso de abertura da VIII Convenção do Bloco de Esquerda (BE).
"Este partido foi levantado com as mãos", disse lembrando os dirigentes mortos nos últimos dois anos. A sindicalista Valentina, o engenheiro Fernando Silveira Ramos e Miguel Portas.
"Um partido que se respeita, homenageia os seus", disse Francisco Louçã que vai deixar a direcção do BE 13 anos depois de o ter ajudar a fundar-se.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cartoon do Bartoon | Quando Será o Próximo Jogo da Selecção Nacional?!





Agora, em dia de jogos de selecção portuguesa de futebol, dão-nos, por parte dos governantes, murros do estômago...
Eu não quero é levar murros no estômago em dia de selecção.
Eu acho que escolhem estes dias porque pensam que o povo está adormecido com o futebol. Mas enganam-se!
O Povo já não é sereno e já não aguenta tanta prepotência e tanta injustiça social.

Será que Gaspar foi, depois, a algum espectáculo para se divertir? E será que nos escreveu no Facebook, chamando-nos "Amigos"?!
Passos Coelho foi a um espectáculo, divertir-se. Depois foi-nos escrever no Facebook! Eu teria vergonha, depois daquele discurso, de escrever aos portugueses no FB e, com a maior lata, dirigir-se-nos como "Amigos"!!!
Estive a ler o que ele escreveu e alguns dos comentários.
Penso que nada merece resposta.
A resposta tem que ser nas ruas, já que a esquerda, no Parlamento, não se consegue unir! E tem que ser a doer!
Este governo tem que ser demitido! Se não é através das formas democráticas, terá que ser pela luta do povo, que não aguenta mais sacrifícios.

São medidas e mais medidas de austeridade pura e dura, sempre para os mesmos! É um Blá, BláBlá, insensível e desprovido de justiça social. 
Bolas, quem anda a governar e a roubar e/ou deixar roubar os portugueses?!
JOÃO
_____________

PUBLICO.PT - Bartoon - 12/Setembro/2012


Clica na imagem para a ampliares!