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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Resultados Globais e Finais das Eleições Elegislativas de 2011 | Gráfico e Link

Clica nas imagens para as ampliares!
ou podes ver todos os gráficos DGAI
Direcção Geral da Administração Interna
clicando nesta hiperligação: 

Eu já tinha feito posts com e sobre os resultados das eleições. Mas faltavam os deputados eleitos pela emigração, ou seja, eleitos no estrangeiros.
De qualquer forma, se quiserem ver alguns desses posts, cliquem nas seguintes hiperligações:
 JOÃO

terça-feira, 14 de junho de 2011

Carvalho da Silva: TEMPOS DE PREOCUPAÇÃO / TEMPOS DE ACÇÃO | Vídeo

No passado dia 9 de Junho, numa conferência de imprensa na sede da CGTP, Carvalho da Silva fez uma análise bem clara e lúcida em reacção aos resultados das Eleições Legislativas 2011, de 5 de Junho, alertando para os tempos difíceis que nos esperam e pedindo uma especial sensibilização dos trabalhadores e da sociedade.
"O novo cenário exige uma acção sindical vigorosa" - esta é a verdadeira dimensão das necessidades de luta que temos que enfrentar.
Preparemo-nos, pois, para a acção e para a luta!
JOÃO

TEMPOS DE PREOCUPAÇÃO / TEMPOS DE ACÇÃO
Carregado por em 9 de Jun de 2011
A CGTP-IN manifesta profundas e sérias preocupações pelo cenário político resultante do acto eleitoral do passado dia 5 de Junho.
A CGTP-IN considera as inevitabilidades a negação da democracia e apela à imprescindível luta por alternativas no sentido do reforço da participação democrática e da construção de esperanças para os trabalhadores e população de Portugal

sábado, 11 de junho de 2011

Artigo de Opinião de Jorge Costa: "A Linha é Recta?" | Esquerda.Net

Clica na imagem para a ampliares!

Tal como os artigos de Fernando Rosas e de Pedro Filipe Soares, também este faz uma análise excelente e bastante lúcida sobre os resultados eleitorais do Bloco de Esquerda.
São diferentes e importantes contributos para uma séria reflexão que está a ser exigida por todos os bloquistas e, também, pelos adversários do Bloco de Esquerda, porquanto estes últimos têm imensa vontade que o Bloco se dilua até não lhes fazer qualquer tipo de sombra.
Como fiz com os artigos anteriores, aconselho a leres este artigo de Jorge Costa, cuja eleição como 
deputado por Setúbal eu considerava como segura.
Foi, pois, para mim, um tremendo choque a notícia da eleição de apenas um deputado por Setúbal, quando tínhamos já eleito dois deputados e os dávamos como certos e aspirávamos - acreditando mesmo! -, na eleição de três deputados.
Mas o choque maior, para mim, foi o Jorge Costa ter ficado de fora.
Ao Jorge Costa quero deixar um abraço amigo e dizer que o Bloco de Esquerda vai superar o teste.
JOÃO

A linha é recta?
Os tempos que vêm são um teste à fibra de um partido anti-capitalista cuja força é a capacidade de se abrir às esquerdas e aos movimentos que se exprimem na sociedade.

Opiniao | 10 Junho, 2011 - 02:36 | Por Jorge Costa

Nos próximos tempos, o Bloco de Esquerda será um bombo da festa. Há quem tenha razões para festejar: dominam o país, venceram as presidenciais e têm maioria para governar. Na disputa pela liderança do campo que apoia o programa do FMI, a direita esmagou o PS. O Bloco teve um mau resultado eleitoral, regressando a patamares de 2005. Ao longo destes anos, fizemos muitos inimigos poderosos. Eles tocam o bombo: quem esperar condescendência dos adversários, faz melhor em sair da luta. Quem toca o bombo não nos impressiona: discutiremos sempre resultados, o nosso trabalho, a forma de desenvolver raízes sociais e movimentos populares para uma alternativa.
O resultado destas eleições reflecte uma brusca mudança de ciclo político. Essa mudança não aconteceu no domingo passado, mas sim no pedido da intervenção externa. Esse pedido criou um consenso em grande parte do país, baseado na mentira mil vezes repetida: estamos na bancarrota, o Estado não tem dinheiro para pagar salários, a intervenção é uma ajuda, o plano de austeridade é inevitável. Este consenso comprimiu o espaço da alternativa: a esquerda fala bem mas não paga a conta a descoberto. A bancarrota é sempre uma chantagem política sobre o povo, essa chantagem não é nova na história e a esquerda paga sempre o seu efeito. O Bloco paga mais porque tem pouco voto "de sempre" (grande parte dos seus eleitores de 2009 tinham votado toda a vida no PS ou no PSD) e tem de conquistar permanentemente o seu espaço político: não garante que aguenta - pode avançar, pode recuar. Somos essa disputa por mais esquerda, para mudar a esquerda.
O Bloco fez uma campanha arriscada porque quis desmontar a mentira. Foi elogiado: a proposta de auditoria e renegociação da dívida impôs-se como centro da nossa campanha, ganhou credibilidade em sectores mais informados e vai ser a política da esquerda nos tempos difíceis que aí estão. Mas essa proposta está ainda longe de ter (e não era possível consegui-lo nas poucas semanas da campanha) a força necessária para ser mobilizadora na sociedade. Está a começar o seu caminho e será cada vez mais importante, porque é a que pode defender a população da bancarrota contra os salários e as pensões.
Neste quadro de fundo, é claro que houve opções controversas e que desagradaram a alguns dos eleitores de 2009 que optaram agora por outras paragens. Como escreveu o Pedro Filipe Soares, o curso da candidatura de Manuel Alegre expôs os riscos de uma opção necessária (não havia outro candidato para enfrentar Cavaco Silva numa segunda volta), e muitos dos que premiaram em 2009 a abertura do Bloco a convergências contra a política liberal, castigaram-no depois, quando Sócrates se veio colar a uma candidatura que tinha de ser autonóma. A moção de censura a José Sócrates quando se previa a escalada da austeridade foi coerente com opções semelhantes feitas pelo Bloco no passado, mas surgiu para muita gente, pela forma da sua apresentação e pelos acontecimentos posteriores, como mera manobra tática. A recusa em simular negociações com o FMI foi talvez o mais grave incidente de percurso do Bloco nos últimos meses, como refere o José Gusmão nesta opinião que partilho. Em algumas destas motivos, houve quem encontrasse justificação para deslocar o seu voto para os partidos da troika. Mas nenhum destes incidentes se sobrepõe à dinâmica de fundo, uma enorme viragem popular à direita, de acordo com o que se passa em toda a Europa e ao ritmo da chantagem da intervenção externa.
Os próximos tempos são portanto um teste à fibra de um partido anti-capitalista cuja força é a capacidade de se abrir às esquerdas e aos movimentos que se exprimem na sociedade. Nos próximos dias, os bloquistas vão encontram-se por todo o país, reuniões locais e assembleias de balanço eleitoral e debate da intervenção futura. A Mesa Nacional, eleita há um mês, reúne-se pela primeira vez dentro de uma semana. Tem um mandato político claro, aprovado na Convenção:
Quem vencer esta meta, que diga se a linha é recta. (José Afonso)

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Miguel Portas: Bloco I: A Questão da Liderança

A minha admiração pelo Miguel Portas não pode aumentar porque já atingiu o máximo.
Este artigo - o primeiro de outros que virão sobre o pós eleições legislativas 2011 -, é muito elucidativo do homem sensato e de bem que Miguel Portas é.
É um artigo de uma lucidez que sempre o caracterizou. Por isso o admiro tanto!
Gostes ou não do Bloco de Esquerda, estamos perante mais outra excelente análise excelente sobre os resultados eleitorais do Bloco de Esquerda.
Não deixes de a ler!
JOÃO



Notas de
Miguel Portas

no Facebook




Bloco I: a questão da liderança

por Miguel Portas a quinta-feira, 8 de Junho de 2011 às 12:41

 Se é verdade que o debate se faz nos orgãos próprios, também é certo que o bloco existe no espaço público e os seus assuntos interessam a quantos e quantas o têm apoiado. Arranco pelo mais "espinhoso" dos assuntos - a liderança: porque os orgãos de comunicação me massacram com ele e me perguntam por disponibilidades; e porque, também por aqui, várias pessoas têm exposto esse desejo. Esta nota começa com um post de Rui Bebiano - que não é militante do bloco, embora nele vote. É uma opinião sensata. Depois acrescento de minha lavra 5 notas breves.
"Quem veja a política, e em particular a política partidária, como uma experiência fundada no modelo unipessoal do líder que determina a linha, tem, visivelmente, uma grande dificuldade em dizer o quer que seja de razoável em relação à encruzilhada na qual se encontra neste momento o Bloco de Esquerda.

O BE, convém lembrar, não funciona como o PS, o PSD ou o CDS, partidos nos quais a verdadeira força propulsora não é o programa ou a moção de orientação aprovada em congresso, mas sim a rédea e a retórica do líder e do seu pequeno grupo, que moldam a paisagem à sua volta para a adaptarem a uma intervenção carismática de tipo messiânico e a uma direcção centralizada. Foi este, aliás, um dos motivos que levou o Partido Socialista a um processo de descaracterização política que o fez perder a marca identitária de partido popular e de convicções.

Mas o Bloco também não é o PCP, com uma direcção sedimentada, um corpo de funcionários profissionais e uma base social estável, que o autorizam a mudar alguns rostos e vozes sem com isso alterar significativamente a linha e o discurso. O Bloco é antes um partido de aproximações e de vontades, de convergências num ambiente de razoável liberdade, onde toda a gente fala com toda a gente, sem caciquismo instituído ou «centralismo democrático», que transforma cada militante, e mesmo cada dirigente, numa peça indispensável.

Isto significa que pedir demissões a toque de caixa equivale a quebrar este clima razoavelmente aberto e democrático. E equivale também, dada a real escassez dos quadros, a propor a sua liquidação a médio prazo, eventualmente antecedida da tomada do poder por uma qualquer facção ultra-militante que o radicalize e faça sangrar até que retorne ao estado grupuscular de onde há mais de uma década partiu".
O meu comentário:

1. Concordo no essencial com o post, em particular com a sua conclusão. Uma convenção extraordinária, realizada a correr, para "ajustar contas" e "substituir a liderança", é o pior que o bloco poderia fazer a si próprio. Se Francisco Louçã se tivesse demitido na noite dos resultados, eu tê-lo-ia criticado por irresponsabilidade, por muito que ele tivesse o direito de o fazer e, mais ainda, o pudesse compreender.

2. Todos os partidos têm a sua cultura. Sócrates ou Passos Coelho teriam que se demitir desde que perdessem expressivamente. Porque esses partidos estão preparados para processos de substituição em concorrência aberta. Não critico o procedimento, apenas sustento que não serve para o bloco. O PCP, pelo contrário, é um colectivo que viveu, durante décadas, com um secretário-geral invulgar e que, depois da sua partida, vem renovando a equipa dirigente e os protagonistas de acordo com uma linha de continuidade. É um método que funciona quando as divergências políticas são menores ou inexistentes.

3. A cultura do bloco está ainda em formação. Ela mistura o direito democrático de concorrência com uma construção política onde o o consenso e o discenso se doseiam no interior de um colectivo dirigente que, para o melhor e o pior, trouxe o bloco até onde ele se encontra. Expús em entrevista anterior à Convenção a minha opinião: é tempo do bloco preparar a passagem de testemunho dos fundadores para as gerações mais novas de quadros dirigentes. Disse-o bem antes dos resultados e eles não alteraram a minha convicção.

4. Bem pelo contrário. A expressividade da derrota coloca, queira-se ou não, um problema de credibilidade à actual direcção que é, embora com renovações significativas, a da fundação. Assumir que existe um problema de "refresh" na direcção bloquista não é "pecado". Isso envolve tanto o Francisco Louçã, como o Luís Fazenda, o Fernando Rosas ou eu próprio. E isto para não falar de um conjunto alargado de quadros que deram a este partido os melhores anos das suas vidas em distritais e concelhias e nos movimentos e organizações sociais. Temos, enquanto partido, várias questões de orientação e de prática política para resolver. É no contexto deste debate - e não fora dele - que se coloca o problema do "refresh": estamos 13 anos mais velhos e não fizémos tudo o que podíamos para distribuir responsabilidades às gerações que já nasceram para o combate político no bloco. Não sou favorável a um ajuste de contas por causa de maus resultados. Sou favorável a uma renovação legitimada da equipa dirigente, feita em tempo útil, com soluções criativas e mantendo unida a articulação que tem dirigido o partido.

5. Integro a Mesa Nacional do BE e cumprirei, se a saúde o permitir, o mandato parlamentar para que fui eleito, mas já não farei parte da próxima Comissão Política. Actuo em coerência com o que defendo. Isto responde a todas as perguntas que me façam sobre putativas lideranças. Não sou candidato a substituir ninguém, muito menos Francisco Louçã, que conheço de antes do 25 de Abril, com quem muitas vezes me entendi e excepcionalmente me desentendi, e de quem, acima de tudo, sou amigo.

Artigo de Opinião de Pedro Filipe Soares: "Criar Raízes" | Esquerda.Net

Tal como o artigo de Fernando Rosas, este de Pedro Filipe Soares também faz uma análise excelente e bastante lúcida sobre os resultados eleitorais do Bloco de Esquerda.
São dois importantes contributos para uma séria reflexão que me parece estar a ser exigida por todos os bloquistas e por todos aqueles que querem ver o Bloco de Esquerda derrubado.
Portanto, aconselho a leres este artigo, como aconselhei o artigo de Fernando Rosas.

Cada opinião individual contribui para o debate colectivo que se impõe. Mas não podemos esquecer que não há um Bloco de Esquerda para cada opinião. Há um bloco para todos, mas com aquilo que os une e trabalhando as diferenças que podem existir.
Mas, afinal, não é o Bloco o partido da Esquerda Grande e de Confiança?!
Claro que é!
JOÃO



Criar raízes

O contexto político exigirá do Bloco que se supere em defesa das pessoas, do trabalho com direitos, dos salários, das pensões e dos direitos.
Opiniao | 7 Junho, 2011 opiniao | Por Pedro Filipe Soares

Reduzir as vitórias apenas a um determinado facto costuma ser uma simplificação redutora, que muito pouco traz a qualquer tentativa de reflexão. Por outro lado, reduzir as derrotas a apenas um aspecto será, porventura, uma fuga maior a qualquer aprofundamento.
Os resultados eleitorais do Bloco de Esquerda nestas legislativas não foram os desejados. O Bloco viu quebrado o crescimento até agora conhecido, o grupo parlamentar reduzido e a fuga de um quinhão importante de votos. Este resultado foi uma derrota mas, como referido logo na noite eleitoral, saímos derrotados, mas não vencidos. Os motivos para estes resultados eleitorais são vários. Não tenho a intenção de ser exaustivo nesta análise, mas sobretudo realçar alguns aspectos políticos que terão sido factores maiores neste panorama.
Parece claro que em 2009 o Bloco beneficiou de votos motivados pelo afastamento entre Manuel Alegre e um PS mergulhado numa maioria absoluta autocrática. Este afastamento de Manuel Alegre em relação à política do Código de Trabalho de Vieira da Silva e às privatizações de Sócrates, bem como o seu diálogo com o Bloco de Esquerda, deram mais força ao principal argumento da campanha de então: o voto no BE é o mais certeiro para retirar a maioria absoluta a José Sócrates. Com a direita esvaziada e uma Ferreira Leite que criava anticorpos mesmo entre as suas hostes, a mensagem do BE passou e deu frutos. Não havia voto útil a que José Sócrates pudesse apelar, porque a direita não representava qualquer ameaça eleitoral. Este cenário político sofreu profundas alterações.
A reaproximação entre Manuel Alegre e José Sócrates, particularmente no debate sobre as medidas da troika que vão condicionar os próximos anos, reforçou a pressão para o regresso de muitos desses eleitores ao voto no PS. Este processo foi agudizado pelo reforço da direita, com um discurso mais extremado, o que deu ainda mais espaço para o discurso do voto útil. Este terá sido um factor importante para o recuo na votação no BE.
A votação entre os jovens já tinha sido afectada em 2009, com alguma perda de eleitorado. Nas eleições recentes, apesar de não se percepcionar perda de votação jovem para a direita, a verdade é que a influência do BE entre os jovens diminuiu, sobretudo perdendo para a abstenção. Este será o segundo pilar na quebra de votação e igualmente merecedor de atenção redobrada para o futuro próximo.
As razões apresentadas não pretendem esgotar esta análise. Contudo, dão a tónica sobre os principais motivos, apontando algumas perspectivas para o futuro próximo. O contexto político exigirá do BE que se supere em defesa das pessoas, do trabalho com direitos, dos salários, das pensões e dos direitos. Com o PS umbilicalmente ligado às medidas da troika, os socialistas procurarão alternativas e o Bloco será esse rosto, tanto mais que o debate sobre a necessidade da auditoria à dívida e da sua renegociação para proteger salários e pensões será o nosso dia a dia a partir de agora.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Artigo de Opinião de Fernando Rosas: "Seis Notas Pessoais Sobre os Resultados do Bloco de Esquerda" | Esquerda.Net

Aqui está um sensacional artigo de opinião com uma análise excelente e bastante lúcida.
Bibi cada frase e concordei com cada um dos pontos tratados.
Melhor era impossível!

Não percas um dos mais ponderados e sensatos artigos sobre os resultados eleitorais do Bloco de Esquerda.
Fe4rnando Rosas acaba assim:
«Quem vem de longe e quer ir para mais longe ainda, não desfalece.»
Há mjuita vida no Bloco de Esquerda para lá dos resultados de Domingo!
JOÃO



Seis notas pessoais sobre os resultados do Bloco de Esquerda

As derrotas, quando bem analisadas, ensinam-nos seguramente mais do que as vitórias.

Opiniao | 7 Junho, 2011 - 13:23 | Por Fernando Rosas

1. A derrota do Bloco nas eleições legislativas é suficientemente expressiva para dispensar tergiversações. Ela é da responsabilidade da direcção do BE no seu conjunto e devemos discuti-la colectivamente com seriedade, dentro do Bloco e com os seus simpatizantes, com o espírito de reforçar a nossa unidade em torno das políticas que nos habilitem para os duríssimos combates que temos pela frente. O BE perdeu uma batalha e deve preparar-se para vencer na guerra. As derrotas, quando bem analisadas, ensinam-nos seguramente mais do que as vitórias.

2. Do meu ponto de vista, a esquerda portuguesa e o BE em particular, à semelhança de situações similares em outros países europeus em crise, não conseguiu contrariar a vaga do voto do pânico, do voto na ilusão de uma solução, de um acordo, que, mesmo com algum sacrifício, há-de trazer, ao fim e ao cabo, o regresso à normalidade do emprego, do salário, da pensão, da renda da casa. Um voto que quer ver no acordo com a Troika – cujo significado foi deliberadamente ocultado na campanha pelos partidos seus subscritores – uma tábua de salvação face ao desastre iminente. E que puniu os que “ficaram de fora”, os que “não podiam influenciar”, os que pareciam não ter nada para lhes dar quando – dizia-se – a partir de Junho nem dinheiro para os ordenados havia. Esta visão foi, aliás, massivamente difundida pelos media numa campanha ideológica sem precedentes de “irresponsibilização” (“caloteiros”, marginais da política, radicais, indignos da confiança do povo aflito…) do BE e das suas propostas alternativas, aliás por nós sistematicamente apresentadas e bem defendidas.

3. Apesar de o BE, na minha opinião, ter conduzido, do ponto de vista do discurso político, uma das melhores campanhas políticas eleitorais da sua curta história (propositiva, pedagógica, realista, contida), e apesar do empenho dos seus militantes e apoiantes por todo o país, isso não foi suficiente para conter a vaga do voto na “segurança” e no mal menor. E por aí perdemos milhares de votos populares até para o PSD e alguns para o PP. A gravidade e extensão catastrófica da presente crise empurraram o voto do eleitorado popular flutuante para o refúgio aparente da “segurança” e da “protecção” da direita e dos seus tutores externos da Troika. A impopularidade imensa de Sócrates e do governo PS fez o resto.

4. O voto útil no PS, alimentado pelas sondagens que durante semanas davam um “empate técnico” com o PSD, naturalmente também funcionou, sobretudo em certas margens mais politizadas do nosso eleitorado flutuante. Não me parece, contudo, que tenha sido o factor determinante. Tal como a abstenção, igualmente, penalizou sobretudo a esquerda. O PCP, escorado no seu aparelho sindical e autárquico, com um eleitorado tradicionalmente fixado, defendeu com mais eficácia o seu espaço social e político de sempre e até algum voto de protesto. Mas creio que a situação que originou esta grande viragem à direita respeita a algo de mais vasto e profundo. É claro que podemos agarrar-nos, também, à discussão de algumas decisões tácticas que o BE nos últimos meses (presidenciais, moção de censura) e da sua possível influência nestes resultados. Sei que uma ou outra opção originaram dúvidas e oposições de militantes e votantes no BE. Mas creio que a extensão das deslocações de votos indicam com segurança que elas são movidas por opções que em muito ultrapassam os círculos mais politizados e informado em redor do Bloco eventualmente influenciáveis por tais escolhas. É para a natureza política e social do novo ciclo político que devemos olhar. E aprender.

5. O coro dos comentadores da direita parece querer transformar o rescaldo eleitoral num ajuste de contas raivoso com Francisco Louçã. Não se iludam. A direita quer duas coisas: silenciar o porta-voz desta esquerda subversiva e firme na denúncia da ordem estabelecida e, com isso, sonha mudar a cor do BE. Fingem não perceber que neste partido, em lutas desta envergadura, não há responsabilidades individuais. Nem nas vitórias, nem nas derrotas. Creio que é preciso sabermos ser nós, colectivamente, a fazer este balanço sempre com o objectivo de atingir uma unidade superior em torno de uma política adequada. O balanço das eleições tem de se fazer não nos jornais mas nos órgãos democraticamente eleitos pela Convenção. É a diferença entre ser a direita a fazê-lo ou o nosso colectivo do BE.

6. Mesmo nesta situação excepcionalmente difícil e complexa, alvo de um ataque ad odium e concertado sem precedentes, o resultado do BE demonstra que é um partido seguramente enraizado em sectores importantes do povo que de Norte a Sul do país continuaram a fazer dele o seu partido e a sua voz. Ao contrário do que os plumitivos e comentadores da direita voltaram excitadamente a anunciar, o BE perdeu, recuou, mas aguentou o embate. Tem raízes que esta tempestade não quebrou nem romperá. É agora altura de balanço e de luta. Com uma certeza. Nos duros combates que se avizinham, nas difíceis condições que temos pela frente, os trabalhadores, os jovens, os desempregados, os pensionistas, os precários, sabem onde nos encontrar: na primeira linha, dentro e fora do parlamento, a defender os seus direitos, a combater a barbárie neoliberal, a batalhar pelo socialismo. É assim. Quem vem de longe e quer ir para mais longe ainda, não desfalece.
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Dirigente do Bloco de Esquerda, historiador, professor universitário

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Artigo: Resultados Eleitorais do Bloco de Esquerda | Legislativas 2011 | Esquerda.Net

Grupo Parlamentar 2011


Os melhores deputados da Assembleia da República sempre foram e serão os do Bloco de Esquerda!
Todos, sem excepção, têm feito uma extraordinário e incansável trabalho, com uma dedicação, profundo sentido do dever público, abnegação, entrega...
Nas legislativas de 2005 foi com imensa alegria e emoção que o Bloco de Esquerda conseguiu eleger 8 deputados. Eu senti-me nas nuvens!
Nas legislativas de 2009 dobrámos o número de deputados e eu considerei como que um milagre. Fiquei completamente orgulhosa do nosso Grupo Parlamentar! Eram tantos...
Nas legislativas de 2011 voltámos aos 8 deputados. Fiquei completamente de rastos e ainda estou muito em baixo. Mas eu sentia que isto iria acontecer. Assim como sabia que Pedro Passos Coelho seria o próximo primeiro-ministro.
Só há uma pessoa com culpas: José Sócrates! Ele sabia que ninguém, da esquerda à direita, o queria de novo como primeiro-ministro. A maioria dos eleitores iria cair na artimanha do VOTO ÚTIL, só para correr com o Sócrates.
Como democrata, aceito os resultados democraticamente. Mas isso não impede a dor da perda dos meus 8 deputado e a preocupação com os anos de sacrifícios e mudanças que ai vêm!
Aos deputados do Bloco de esquerda que não foram eleitos, eu deixo o meu agradecimento pelo seu trabalho tão meritório, desempenhado nesta última legislatura, que foi bem difícil, e fica a minha eterna admiração.
Eu sei que voltaremos a tê-los na Assembleia da República.
A luta continuará com eles - como sempre aconteceu -, mesmo que eles estejam fora dos trabalhos parlamentares.
JOÃO

Resultados eleitorais do Bloco de Esquerda

Nas eleições legislativas, realizadas neste domingo, o Bloco de Esquerda obteve 288.076 votos – 5,19%, e elegeu 8 deputados, tantos como tinha alcançado em 2005. Em 2009, o Bloco tinha conseguido 557.091 votos, 9,85% e 16 deputados.
Os oito deputados eleitos pelo Bloco de Esquerda são Ana Drago (Lisboa), Catarina Martins (Porto), Cecília Honório (Faro), João Semedo (Porto), Francisco Louçã (Lisboa), Luís Fazenda (Lisboa), Mariana Aiveca (Setúbal) e Pedro Filipe Soares (Aveiro).
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Termos relacionados:
Grupo Parlamentar 2009

Resultados Eleitorais 2011 | Resultados Desde 1976 | Publico.pt

Para veres todos os resultados de 2011, clica AQUI e, depois, numa imagem como esta:

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Para veres todos os resultados 1976-2011, clica AQUI e, depois, numa imagem como esta:

Clica nas imagens para as impliares!

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Fontes: Comissão Nacional de Eleições; Assembleia da República
            PÚBLICO

Artigo: “É a Luta Que Nos Faz Fortes”, Diz Louçã | Esquerda.Net

Francisco Louçã é um grande político e não é culpado do resultado que o Bloco de Esquerda teve.
Voltámos aos oito deputados, que valem por o dobro ou o triplo. Sempre os deputados do Bloco de Esquerda - mesmo quando eram dois ou três -, valeram por muitos mais deputados...
Voltaremos a crescer!
Ontem, pelas 18 e tal, comecei a ficar tão angustiada, mas tão angustiada que às 19 e tal já soluçava. Tinha a noção certa que o Bloco de Esquerda tinha perdido metade dos deputados ou ainda mais...
Não aguentei e não vou aguentar mais ouvir falar nas responsabilidades do Louçã e do resto da direcção. É muito injusto!
O Bloco perdeu votos para o PS para que o PSD não ganhasse. Sei que muitas pessoas pensaram fazer isso e fizeram-no. O horror de terem o PSD e as suas políticas, piores que as da Troika, tiveram esse efeito nas pessoas, até nas mais esclarecidas, inteligentes e cultas. Falei com muitas que me disseram o que pensavam fazer.
No PS muitos dos socialistas não votaram. Esses queriam era o Sócrates fora. E ter políticas de direita por políticas de direita, preferiram arriscar numa cara nova.
Sócrates devia ter-se afastado da liderança do PS quando decidiu se demitir. Agora ele diz que vai ser feliz! Mas deixou muita gente infeliz com a sua política dos últimos anos e com esta direita no governo, por culpa inteiramente da sua teimosia em ver que não o queriam mais à frente da governação do país.
Estou desolada. Perdi deputados que adorava e que faziam um excelente trabalho. Os melhores deputados da Assembleia da República eram os do Bloco de Esquerda!
Eu tinha orgulho neles! Em todos!
Sinto a dor da perda!
Aos deputados que não foram eleitos, eu deixo a minha admiração e convicção que voltarão... e se calhar antes dos 4 anos passarem.

E voltaremos a crescer!A abstenção e os votos nulos e brancos reflectem a falta de maturidade democrática do povo português. Opções havia muitas. Só que dão trabalho! Ter que sair, estar em filas...
Os portugueses, que gostam de se meter em tudo, detestam meter-se naquilo que é um dever, para além do direito: VOTAR!
Não há desculpas! E a abstenção sempre favoreceu a direita.
O Bloco de Esquerda perdeu votos, sim! Mas não eram votos de eleitorado fixo.
Não vale a pena verem crises onde não existem!
O Bloco vai continuar a ser o Bloco de Esquerda, da Esquerda Grande e de Confiança e quem não quer estar com o Bloco não faz falta alguma.
Não se pode querer transformar o Bloco num partido para o qual não tem vocação e para o qual não foi criado. Se quiséssemos estar num partido comunista, sectário, estávamos no PCP!
Desculpem, eu estou muito perturbada. O desgosto foi muito, mas mais pelos dirigentes do Bloco que eu admiro muito e que sei devem estar a sofrer tanto ou mais do que eu.
JOÃO



“É a luta que nos faz fortes”, diz Louçã

Ao reconhecer a derrota nas eleições, o coordenador do Bloco de Esquerda afirma que se aprende sempre nestas situações e que não tem qualquer ressentimento para com os eleitores que escolheram votar noutros partidos. E promete luta contra os planos que os partidos que assinaram os acordos da troika vão querer aplicar.

Francisco Louçã começou o discurso da noite eleitoral do Bloco de Esquerda afirmando que estas eleições marcam o início de um novo ciclo político, que de facto começara já com o pedido de intervenção externa, “com o empréstimo que hipoteca Portugal nos próximos anos”.

Esta intervenção impõe “condições políticas que vão ser discutidas ao longo da legislatura que temos pela frente”. Estas condições configuram um programa económico e financeiro que não foi discutido pelos portugueses.

O Bloco de Esquerda, afirmou Louçã, esforçou-se por trazer aos portugueses o debate da Segurança Social, do emprego, da renegociação da dívida, mas “encontrámos do outro lado um fortíssimo muro de silêncio”.

Por outro lado, registou o coordenador do Bloco, o Partido Socialista “amarrou-se para os próximos anos a cumprir estas medidas que agravam o rendimento dos portugueses, prejudicam o emprego, diminuem a economia”. E destacou que em duas questões essas ameaças são importantíssimas para a vida das pessoas: “O código do trabalho proposto pelo acordo da troika que o governo certamente tornará no ponto um da sua agenda”, e que é uma “ofensiva anticonstitucional contra os direitos dos trabalhadores.” Por outro lado, os ataques aos salários, às pensões, os ataques à segurança social “têm de encontrar a opor-se-lhes uma força, um combate e uma determinação que o Bloco de Esquerda não deixará de ter e que serão decisivos para o futuro da esquerda”, reconhecendo embora que, diante dos resultados eleitorais, este combate é certamente mais difícil.

Passando a comentar os resultados do Bloco, Louçã reconheceu o partido não atingiu os seus objectivos e assumiu-se como o principal responsável por isso. O Bloco obteve um resultado eleitoral ao nível do de 2005, elegendo oito deputados. “O recuo é, em qualquer caso, uma derrota, e eu quero chamar as coisas pelo seu nome.” Mas aprende-se sempre mais com as derrotas, ponderou o coordenador do Bloco, afirmando que não tem qualquer ressentimento para com os eleitores que escolheram votar noutros partidos.

Mas o deputado eleito por Lisboa afirmou que o Bloco fez uma grande campanha e que demonstrou que a renegociação da dívida tem de começar já, e que o governo agora eleito não poderá deixar de a fazer, Apontou porém uma diferença entre os que querem renegociar para que a dívida continue a escalar cada vez mais, e aqueles que querem proteger os salários, proteger as pensões, o Estado Social e o respeito das pessoas.

“Mesmo na noite da derrota, nós não estamos vencidos”, garantiu o coordenador do Bloco. “Uma esquerda mais forte, mais determinada, capaz de responder pelos reformados, essa esquerda faz a diferença”. Nos próximos anos, essa esquerda irá aprender mais e vai à luta. “É essa esquerda que vai à luta, é essa luta que nos fará fortes”.