No debate com José Sócrates, Francisco Louçã deu a conhecer o “objectivo crítico” com que o Governo se comprometeu numa carta ao FMI.
Artigo | 11 Maio, 2011 - 22:27
Francisco Louçã deu a conhecer que o Governo escreveu na carta do Governo ao FMI, que um “objectivo crítico do nosso [do Governo Sócrates] programa é conseguir uma grande redução da contribuição patronal para a Segurança Social, mudando as estruturas ou as taxas do IVA, cortes sociais ou aumentando outros impostos”.
Francisco Louçã salientou ainda que no compromisso com a troika que o Governo assinou se comprometeu que até Outubro será proposta uma nova taxa social única para a Segurança Social.
O coordenador da comissão política do Bloco, depois de realçar que apresentou uma proposta “robusta e tecnicamente preparada sobre a Segurança Social”, sublinhou ainda que o FMI garante que o Governo se comprometeu com um corte de cinco biliões nas contribuições patronais para a Segurança Social, “três vezes o que o PSD propõe”. E questionou Sócrates, sobre como vai ser pago esse compromisso.
Sobre a proposta de reestruturação da dívida apresentada pelo Bloco, que foi fortemente atacada por José Sócrates, Francisco Louçã disse que é actualmente defendida por alguma imprensa económica internacional, lembrando que o Economist defendeu que é tempo de passar ao plano B e propõe que todos os países europeus reestruturem a dívida, e explicou que “é preciso dizer aos credores, que nos cobram 10% de juro nalgumas emissões”, que são necessários juros mais baixos e prazos mais dilatados, para “pôr a prioridade na recuperação da economia”, o que é benéfico para todos, incluindo para os credores.
Francisco Louçã defendeu que o acordo com a troika é péssimo e “não pode ser pago”, lembrou que Portugal poderá ser no próximo ano o único país europeu em recessão e que Sócrates desta vez “promete mais cem mil desempregados”, salientando que “chegarmos a 800 mil desempregados é uma certeza deste plano”.
O coordenador da comissão política do Bloco defendeu também a necessidade de uma auditoria à dívida, “para saber o que pagamos e o que não podemos pagar”, lembrando que na Alemanha estão a ser julgados administradores de uma empresa, porque terão pago 63 milhões de euros em corrupção para vender submarinos a Portugal e realçando que “temos de investigar numa auditoria todas as despesas como estas que oneram a dívida”.
Questionando para onde foi o dinheiro, Francisco Louçã afirmou: “Para auto-estradas - temos mais autoestradas em relação à população que a Alemanha; foi para estádios de futebol - alguns dos quais não funcionam; e foi para os donos de Portugal” e lembrou “as parcerias público-privadas que são 59.695 milhões de euros” e a facilidade com que o Governo entrega, por exemplo, “à Mota-Engil 151 milhões de euros acima do contrato” só neste ano.
No minuto final, Francisco Louçã fez um apelo aos eleitores e “às pessoas que estão desiludidas com o PS, aos homens e mulheres da esquerda, aos independentes, aos que procuram à esquerda valores de solidariedade”: “Para defender as pensões para proteger os salários é preciso uma economia que tenha investimento, que possa ter uma voz na Europa, que possa ter orgulho de si e eu sei que este país se pode levantar com soluções e com respostas e quero dizer que o Bloco de Esquerda está totalmente disponível para todo o compromisso pelo emprego pela solidariedade pela justiça e que este povo a 5 de Junho dará essa resposta”.
Por: Helena Oliveira 12 Maio, 2011 - 01:02
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