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domingo, 5 de janeiro de 2014

Morreu Eusébio, o Grande Eusébio | por João Semedo


João Semedo


Morreu Eusébio, o grande Eusébio

5 de Janeiro de 2014 às 16:27


As memórias que a sua extraordinária vida foi gravando na vida de cada um de nós ocupam a partir de hoje o vazio deixado pela sua morte. E são tantas e tantas.
Nas noites europeias – então às quartas feiras, aos domingos à tarde, fosse qual fosse o campo e o adversário, as arrancadas fulgurantes, os pontapés fulminantes, os golos de outro mundo, não fizeram de Eusébio apenas o maior jogador que alguma vez tínhamos visto jogar em Portugal: com Eusébio passámos a acreditar que era possível vencer os mais fortes e que, na bola como na vida, só perde quem não vai à luta, quem desiste da vitória. Devemos a Eusébio, também, essa lição de vida.
Na minha geração e entre a malta de esquerda, muito se discutiu a forma como Eusébio lidava com as tentativas do regime salazarista para se apropriar a seu favor dos seus  feitos desportivos e do clube que representou durante toda a sua vida, o glorioso SLB, o Sport Lisboa e Benfica. O regime serviu-se de Eusébio, é uma evidência. Aliás, nesse ponto, o aproveitamento para fins políticos de êxitos e carreiras desportivas, a atualidade não é muito diferente dos tempos de Eusébio. Mas nunca vi nem ouvi da boca de Eusébio qualquer declaração laudatória da ditadura e, do que me lembro bastante bem, foi da forma entusiástica com que recebeu a independência de Moçambique. E recordo, também, as suas palavras frequentes de apoio e solidariedade às vítimas das desigualdades e da extrema pobreza que mancham o mundo contemporâneo, seres humanos dos quais Eusébio nunca se esqueceu.
A última vez que cumprimentei o Eusébio foi na recente inauguração do Museu do Benfica. Recordei, nesse momento, o dia – já tão distante - em que o conheci pessoalmente. Faltei ao liceu para ir com o meu tio Artur – sim, esse mesmo, o Artur Semedo do teatro e do cinema, o mais fanático benfiquista com quem convivi -  ver o treino do Benfica, conhecer os craques do glorioso, o que se repetiu muitas outras vezes. No final, o meu tio lá me levou junto do Eusébio e disse-lhe qualquer coisa do género “ este miúdo é meu sobrinho mas tem mais jeito para doutor do que para a bola”, mais ou menos isto. Mas do que me lembro muito bem, como se tivesse sido hoje, foi da resposta do Eusébio: “se o menino quer ser doutor, tem de ter mais juízo que o tio”. Quase cinquenta anos depois, constato que ajuizado era sem dúvida o Eusébio.

Morreu Eusébio da Silva Ferreira, O "PANTERA NEGRA" [1942-2014]


Eusébio
O "PANTERA NEGRA"
[1942-2014]

É verdade! Eusébio morreu!
Não posso deixar de prestar a minha singela homenagem a este homem que foi - por um jornalista britânico -, apelidado por "PANTERA NEGRA", designação que o tornou conhecido no Mundo inteiro.
Senti-me emocionada ao saber que o Eusébio tinha partido. Partiu cedo, como o meu pai, e com os mesmos problemas de saúde.
O futebol é considerado, por muito, o desporto menor, por ser o "desporto das massas". Para mim, é o desporto maior, porquanto levou e leva o nome de Portugal para outros mundos. E o seu primeiro expoente máximo foi, sem dúvida alguma, Eusébio!
Tudo o que há para dizer e escrever sobre Eusébio, já foi dito e escrito. Mas, para mim, sportinguista desde criança, quero sublinhar que tenho uma dívida de gratidão para com Eusébio e, consequentemente, para com o Benfica.
Quando me encontrei sozinha, a viver e a estudar, num país estrangeiro, senti-me muito triste porque as colegas, de várias nações, não conheciam o meu país como uma nação independente.
Valeu-me, para me aquecer o ego, a figura genial do desporto em Portugal: Eusébio da Silva Ferreira!
Eu devo-lhe muito! Só era reconhecida - em Inglaterra, onde estudei, vivi , casei e fui mãe -, cidadã de Portugal - país independente e autónomo da Espanha -, quando me perguntavam se era do país do Eusébio!
Grande símbolo da minha nacionalidade! Para quase todos, eu não passava de uma espanhola, vinda de uma província chamada Portugal.
Eusébio e Benfica eram, no mundo, onde quer que fossemos, o nosso cartão de cidadão português.
Para os mais cultos, mais informados, Portugal não era um país bem visto e bem aceite no resto da Europa. A causa era o facto de termos uma longa ditadura, de mantermos as "nossas" colónias e alimentarmos a guerra colonial.
O único símbolo de prestígio e reconhecido de Portugal, no mundo, não era Camões, tema que escolhi para um exame final em Inglaterra, mas sim Eusébio!
Partiu o homem que em Portugal, até hoje, foi conhecido por o REI e mesmo tratado por "King" pelos seus pares. Ficou a lenda e o símbolo! Aquele que me fez sentir com pátria no estrangeiro, no tempo do fascismo!
Que descanse em PAZ!





JOÃO





Aqui ficam os links de algumas recordações do enorme e mais valioso jogador que alguma vez passou pelas nossas terras. O verdadeiro HOMEM GOLO

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=3615712

http://www.youtube.com/watch?v=P6SXasvx8_g

http://www.youtube.com/watch?v=7FOYyd6d4uU — com Eusébio da Silva Ferreira em Estádio da Luz (Benfica Stadium).