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sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Info ESQUERDA.NET | Diretora-Geral do FMI Sob Investigação em Caso de Fraude Multimilionária | Outros...
quinta-feira, 27 de março de 2014
A COMUNA | Independência da Escócia, Direito à Água, Austeridade, União Operária Nacional, Educação
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
Daniel Oliveira: Antes pelo contrário | FALTA-NOS O ARROJO DE OUTUBRO E DE ABRIL
Deixo um bom artigo do Daniel Oliveira, jornalista e um dos comentadores do programa da SIC Notícias "Eixo do Mal", que eu nunca perco, sobre o que se comemora hoje: 100 Anos de República!
O artigo é da rubrica "Daniel Oliveira: Antes pelo contrário" do Expresso.
JOÃO
Falta-nos o arrojo de outubro e de abril
Em outubro um Portugal atrevido revoltou-se com a cobardia da sua elite política. Em abril voltámos a ter um rasgo de ousadia. Faz-nos falta o arrojo de 1910 e a esperança de 1974. Aqueles momentos em que nos superámos.
Daniel Oliveira (www.arrastao.org)
Terça feira, 5 de Outubro de 2010
A implantação da República não representou apenas uma mudança de regime. Correspondeu a uma revolta contra um país agachado e uma classe política de cobardes. Apoiada por uma pequena burguesia farta da pequenez nacional e por um povo urbano, ainda minoritário mas com horizontes para lá do campanário da Igreja, ela foi uma explosão contra a tacanhez nacional. Não foi a primeira. Não foi a última.
Sabemos o que aconteceu depois. Sabemos do falhanço político, do desastroso envolvimento na Grande Guerra, do caos financeiros e dos golpes e contragolpes. Das promessas por cumprir de uma elite impreparada. Ainda assim, foi um raro momento de coragem colectiva. Num país fechado e conservador, foi um momento de ousadia.
Depois veio a ditadura. Veio o país de quase sempre: rural, católico, pobre, medroso, conservador, mesquinho, obediente. Foi meio século que marcou muito do que somos hoje. Foi preciso o Estado Novo cair de podre para que voltasse a explodir esse outro Portugal. Só que há um bloqueio qualquer, talvez determinado por estarmos na periferia da Europa e nunca termos ultrapassado a nostalgia do Império perdido, que nos voltou a acabrunhar. A aceitar. A calar.
Cem anos depois da República, falta-nos essa revolta cíclica contra uma elite política e económica incompetente e habituada a viver do ouro do Brasil, do condicionalismo industrial ou dos fundos europeus. Falta-nos o orgulho, já não nacionalista mas pelo menos com alguma dignidade, de não aceitar como inevitáveis os ditames das potências europeias. Falta-nos um povo que não se julgue fadado a carregar o peso de uma elite parasitária da Nação. Falta-nos algum do arrojo de 1910 e muita da esperança de 1974.
O artigo é da rubrica "Daniel Oliveira: Antes pelo contrário" do Expresso.
JOÃO
Falta-nos o arrojo de outubro e de abril
Em outubro um Portugal atrevido revoltou-se com a cobardia da sua elite política. Em abril voltámos a ter um rasgo de ousadia. Faz-nos falta o arrojo de 1910 e a esperança de 1974. Aqueles momentos em que nos superámos.
Daniel Oliveira (www.arrastao.org)
Terça feira, 5 de Outubro de 2010
A implantação da República não representou apenas uma mudança de regime. Correspondeu a uma revolta contra um país agachado e uma classe política de cobardes. Apoiada por uma pequena burguesia farta da pequenez nacional e por um povo urbano, ainda minoritário mas com horizontes para lá do campanário da Igreja, ela foi uma explosão contra a tacanhez nacional. Não foi a primeira. Não foi a última.
Sabemos o que aconteceu depois. Sabemos do falhanço político, do desastroso envolvimento na Grande Guerra, do caos financeiros e dos golpes e contragolpes. Das promessas por cumprir de uma elite impreparada. Ainda assim, foi um raro momento de coragem colectiva. Num país fechado e conservador, foi um momento de ousadia.
Depois veio a ditadura. Veio o país de quase sempre: rural, católico, pobre, medroso, conservador, mesquinho, obediente. Foi meio século que marcou muito do que somos hoje. Foi preciso o Estado Novo cair de podre para que voltasse a explodir esse outro Portugal. Só que há um bloqueio qualquer, talvez determinado por estarmos na periferia da Europa e nunca termos ultrapassado a nostalgia do Império perdido, que nos voltou a acabrunhar. A aceitar. A calar.
Cem anos depois da República, falta-nos essa revolta cíclica contra uma elite política e económica incompetente e habituada a viver do ouro do Brasil, do condicionalismo industrial ou dos fundos europeus. Falta-nos o orgulho, já não nacionalista mas pelo menos com alguma dignidade, de não aceitar como inevitáveis os ditames das potências europeias. Falta-nos um povo que não se julgue fadado a carregar o peso de uma elite parasitária da Nação. Falta-nos algum do arrojo de 1910 e muita da esperança de 1974.
5 de Outubro | Primeiro Centenário da República em Portugal (1910-2010)
Hoje completam-se 100 anos sobre a implantação da República em Portugal.
Eu sou republicana, neta de republicanos - cujo avô paterno foi preso político exactamente por se dizer republicano! -, e continuo a sonhar pela essência dos valores e ideias republicanos, nem todos ainda conquistados e/ou completamente alicerçados. E a república foi conquistada por um golpe de Estado que nasceu de uma vontade para Portugal se tornar num país com um regime democrático, onde o seu atraso e as desigualdades dos portugueses fossem combatidos.
Estou ainda à espera que todos os políticos e responsáveis de cargos públicos sejam pessoas com ética e com sentido de responsabilidade. Estou, também, desejosa de ver a maioria dos cidadãos do meu país exercendo os deveres e direitos de cidadania e deixando para trás a apetência para a corrupção e para o "chico-espertismo", pautando a sua postura na vida com os valores de ética e de responsabilidade que desejo para os que nos governam.
Desprezo o folclore do espectáculo das inaugurações das 100 escolas, quando ainda há meses se fecharam mais de 700 escolas pelo país inteiro. A comemoração do Centenário da República com este espectáculo mediático é uma hipocrisia das muitas que vivemos e uma prova que o que conta para este governo é o mediatismo demagógico e não as pessoas, crianças, professores e famílias, que prejudicaram com a política educativa e as escolhas que foram feitas pelo Ministério da Educação e pelo Governo que retirou verbas às autarquias, impossibilitando, assim, que as escolas funcionem capazmente a ponto de, muitas delas, nem papel higiénico poderem comprar...
Fico com uma frase que retirei de uma entrevista a Francisco Louçã, dirigente do Bloco de Esquerda, e que dá sentido ao meu sonho e ao acreditar no BE, na política e em alguns políticos:
"(...) Temos que ser fortes contra a desigualdade."
É este o meu anseio e esta a minha luta!
JOÃO
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Primeiro Centenário da República em Portugal
Cem anos de República em Portugal!
Eu prezo muito o ideal republicano. A República é a democratização de uma sociedade.
Mas, apesar de a República estar a celebrar o seu primeiro centenário, ela nem sempre honrou os ideais de democracia e liberdade que são os pilares para uma verdadeira república democrática.
Eu considero que a 1.ª República foi um processo de intenções, mas não completamente concretizado. E considero que durante a ditadura do Estado Novo não se viveu numa República.
Eu vivi, pois, num Portugal “republicano”, com ditadura, onde não se podia gritar “Viva a República!” e não havia democracia nem liberdade. E vivi numa Inglaterra monárquica onde a democracia e a liberdade eram os alicerces do regime governamental.
Presentemente vivo num Portugal com uma República que está alicerçada na mentira, na desigualdade e na injustiça.
Sonho com a República que todos sempre ansiámos e que já vivemos depois do 25 de Abril. E espero que os portugueses saibam rejeitar os políticos sem valores de ética, de verdade, de justiça, de lealdade, de igualdade, de fraternidade e de liberdade, e que possamos, muito em breve, ter políticos eleitos com esses grandes valores democráticos, que nos façam sentir que a corrupção é combatida e que o povo pode viver em liberdade, sem medos e temores, como vive presentemente.
JOÃO
terça-feira, 15 de junho de 2010
Autobiografia de Mark Twain Publicada Cem Anos Após a Sua Morte (1835-1910)
Eu sou fã de Mark Twain, pseudónimo para Samuel Langhorne Clemens, um importante Escritor, Humorista e Romancista cujo centenário da sua morte aconteceu este ano, em Abril.
Nessa altura eu fiz um "post" com algumas notas:
Centenário da Morte do Autor Samuel Langhorne Clemens conhecido por MARK TWAIN (1835 -1910)
Para o veres clica AQUI.
Entretanto deixo uma matéria que saiu no Público.pt, que me surpreendeu e me fez vibrar e desejar conseguir viver um pouco mais para poder ler a sua Autobiografia só autorizada a ser publicada 100 anos após a sua morte.
JOÃO
Autobiografia de Mark Twain publicada cem anos após a sua morte
Por Luís Miguel Queirós
Mark Twain (1835-1910) passou os últimos dez anos de vida a escrever uma gigantesca autobiografia, tendo deixado instruções para que o livro, recheado de observações cruéis dirigidas a amigos e contemporâneos, só fosse publicado cem anos após a sua morte.
"Ele era certamente um homem que sabia como levar as pessoas a querer comprar um livro", diz Robert Hirst, responsável pela edição da autobiografia de Mark Twain, que a Universidade da Califórnia irá começar a publicar em Novembro, e que ocupará três grossos volumes. A ironia de Hirst até se adapta bem ao instinto publicitário de que o autor de Huckleberry Finn sempre deu provas, mas a verdade é que ninguém sabe ao certo o que levou Twain a deixar, junto às cinco mil páginas da sua autobiografia, uma folha manuscrita com instruções para que esta só fosse publicada um século após a sua morte.
Que não a tivesse querido publicar em vida, percebe-se facilmente, porque está cheia de apreciações nada lisonjeiras, quer de figuras públicas - uma das vítimas é o próprio Presidente Theodore Roosevelt, que deixara o cargo um ano antes da morte de Twain -, quer de pessoas da sua roda de conhecimentos pessoais, incluindo amigos, governantas, e, muito particularmente, a sua secretária Isabel Van Kleek Lyon, à qual dedica nada menos de 400 páginas.
Como Twain expressa com inteira franqueza as suas opiniões em matéria de política e religião - critica o imperialismo dos Estados Unidos em Cuba, Porto Rico e nas Filipinas, diz que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas, e sugere aos cristãos americanos que, em vez de irem missionar para África, fariam melhor em dedicar-se a converter os ateus esclavagistas que continuavam a linchar negros nos estados sulistas -, vários académicos têm sugerido que o autor protelou por um século a publicação de livro para se sentir à vontade para dizer tudo o que pensava.
Parece mais plausível, contudo, que a verdadeira explicação resida nas venenosas observações que Twain faz a respeito de muitos amigos e contemporâneos. É provável que queira ter tido a certeza de que os atingidos, e seus descendentes imediatos, que seguramente se ofenderiam com as "farpas", já não iriam ler o livro. Em todo o caso, o que é talvez mais surpreendente é a sua aparente convicção de que os leitores do século XXI iriam interessar-se o suficiente por ele para querer conhecer os mais ínfimos detalhes da sua existência. E, muito provavelmente, tinha razão.
Das muitas figuras que Twain maltrata no livro, Isabel Van Kleek Lyon é um caso à parte. As 400 páginas que lhe dedicou, todas elas escritas pouco antes de morrer, constituem uma espécie de adenda à sua autobiografia. Twain contratou-a em 1902, pouco depois de regressar aos EUA e de se instalar em Greenwich Village, em Nova Iorque, após se ter visto obrigado a andar alguns anos em digressões pela Europa, tentando recuperar as suas abaladas finanças. Isabel, filha do escritor e empresário Charles Lyon, que morrera quando ela tinha 19 anos, vivia um momento difícil após o suicídio de um irmão. Tinha 38 anos, era solteira e estava desempregada.
Quando Samuel Langhorne Clemens, que já então todos conheciam pelo pseudónimo literário de Mark Twain - Faulkner considerava-o "o pai da literatura americana" -, a contratou para que lhe tratasse da correspondência, Isabel Lyon não hesitou em aceitar. No diário que escreveu enquanto viveu sob o mesmo tecto que Twain, a secretária começa por lhe chamar "o rei" e considera-o "a mais gentil, respeitosa e adorável criatura sobre a Terra". Mas até 1909, quando o escritor a despede, terá tempo mais do que suficiente para ficar a conhecer o lado negro do bem-humorado autor de Tom Sawyer ou de Um Americano na Corte do Rei Artur.
Amizades com raparigas
Twain perdera uma filha em 1896 - Suzy Clemens, que morrera de meningite aos 31 anos - e, em 1902, quando Lyon foi viver para a casa de Greenwich Village, também a sua mulher, Olivia, estava já gravemente doente. Veio a morrer em 1904, e a sua morte provocou um esgotamento nervoso a outra filha, Clara, que passou um ano internada num sanatório. A terceira filha do casal, Jean, sofria de epilepsia desde os dez anos e viria a morrer em 1909, com 29 anos.
Afectado por esta sucessão de tragédias, Twain, que sempre revelara uma notável capacidade de trabalho, estava incapaz de esforços criativos prolongados, fumava vários maços de tabaco por dia, bebia muito, e passava o tempo a jogar bilhar e a implicar com todos os que o rodeavam. É este, pelo menos, o retrato que Isabel traça nas páginas do seu diário relativas aos últimos anos de vida do escritor. O círculo íntimo de Twain também se preocupava com as amizades que ele vinha desenvolvendo com uma dúzia de raparigas entre os 10 e os 16 anos - uma delas chegou a viver em sua casa -, embora não existam indícios de quaisquer tentativas de abuso sexual.
Em Fevereiro de 1909, Isabel casou-se com o encarregado de negócios de Twain, Ralph Ashcroft, e, pouco depois, o escritor despediu-a. Na sua autobiografia, Twain chama a Isabel "mentirosa, falsária, traidora e conspiradora", e acusa-a de o ter tentado seduzir para ficar de posse dos direitos sobre a sua obra literária.
Se muitas das páginas da sua autobiografia já eram conhecidas - o próprio Twain enviou excertos para revistas, quando estava mais necessitado de dinheiro, e a Universidade da Califórnia, que detém o original e respectivos direitos de publicação, foi permitindo a vários biógrafos do escritor que citassem algumas partes -, a secção relativa à secretária é quase integralmente inédita. Laura Trombley, autora de um livro sobre Lyon - Mark Twain"s Other Woman -, descreve-as como "quatrocentas páginas de bílis".
Nessa altura eu fiz um "post" com algumas notas:
Centenário da Morte do Autor Samuel Langhorne Clemens conhecido por MARK TWAIN (1835 -1910)
Para o veres clica AQUI.
Entretanto deixo uma matéria que saiu no Público.pt, que me surpreendeu e me fez vibrar e desejar conseguir viver um pouco mais para poder ler a sua Autobiografia só autorizada a ser publicada 100 anos após a sua morte.
JOÃO
Autobiografia de Mark Twain publicada cem anos após a sua morte
Por Luís Miguel Queirós
Mark Twain (1835-1910) passou os últimos dez anos de vida a escrever uma gigantesca autobiografia, tendo deixado instruções para que o livro, recheado de observações cruéis dirigidas a amigos e contemporâneos, só fosse publicado cem anos após a sua morte.
"Ele era certamente um homem que sabia como levar as pessoas a querer comprar um livro", diz Robert Hirst, responsável pela edição da autobiografia de Mark Twain, que a Universidade da Califórnia irá começar a publicar em Novembro, e que ocupará três grossos volumes. A ironia de Hirst até se adapta bem ao instinto publicitário de que o autor de Huckleberry Finn sempre deu provas, mas a verdade é que ninguém sabe ao certo o que levou Twain a deixar, junto às cinco mil páginas da sua autobiografia, uma folha manuscrita com instruções para que esta só fosse publicada um século após a sua morte.
Que não a tivesse querido publicar em vida, percebe-se facilmente, porque está cheia de apreciações nada lisonjeiras, quer de figuras públicas - uma das vítimas é o próprio Presidente Theodore Roosevelt, que deixara o cargo um ano antes da morte de Twain -, quer de pessoas da sua roda de conhecimentos pessoais, incluindo amigos, governantas, e, muito particularmente, a sua secretária Isabel Van Kleek Lyon, à qual dedica nada menos de 400 páginas.
Como Twain expressa com inteira franqueza as suas opiniões em matéria de política e religião - critica o imperialismo dos Estados Unidos em Cuba, Porto Rico e nas Filipinas, diz que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas, e sugere aos cristãos americanos que, em vez de irem missionar para África, fariam melhor em dedicar-se a converter os ateus esclavagistas que continuavam a linchar negros nos estados sulistas -, vários académicos têm sugerido que o autor protelou por um século a publicação de livro para se sentir à vontade para dizer tudo o que pensava.
Parece mais plausível, contudo, que a verdadeira explicação resida nas venenosas observações que Twain faz a respeito de muitos amigos e contemporâneos. É provável que queira ter tido a certeza de que os atingidos, e seus descendentes imediatos, que seguramente se ofenderiam com as "farpas", já não iriam ler o livro. Em todo o caso, o que é talvez mais surpreendente é a sua aparente convicção de que os leitores do século XXI iriam interessar-se o suficiente por ele para querer conhecer os mais ínfimos detalhes da sua existência. E, muito provavelmente, tinha razão.
Das muitas figuras que Twain maltrata no livro, Isabel Van Kleek Lyon é um caso à parte. As 400 páginas que lhe dedicou, todas elas escritas pouco antes de morrer, constituem uma espécie de adenda à sua autobiografia. Twain contratou-a em 1902, pouco depois de regressar aos EUA e de se instalar em Greenwich Village, em Nova Iorque, após se ter visto obrigado a andar alguns anos em digressões pela Europa, tentando recuperar as suas abaladas finanças. Isabel, filha do escritor e empresário Charles Lyon, que morrera quando ela tinha 19 anos, vivia um momento difícil após o suicídio de um irmão. Tinha 38 anos, era solteira e estava desempregada.
Quando Samuel Langhorne Clemens, que já então todos conheciam pelo pseudónimo literário de Mark Twain - Faulkner considerava-o "o pai da literatura americana" -, a contratou para que lhe tratasse da correspondência, Isabel Lyon não hesitou em aceitar. No diário que escreveu enquanto viveu sob o mesmo tecto que Twain, a secretária começa por lhe chamar "o rei" e considera-o "a mais gentil, respeitosa e adorável criatura sobre a Terra". Mas até 1909, quando o escritor a despede, terá tempo mais do que suficiente para ficar a conhecer o lado negro do bem-humorado autor de Tom Sawyer ou de Um Americano na Corte do Rei Artur.
Amizades com raparigas
Twain perdera uma filha em 1896 - Suzy Clemens, que morrera de meningite aos 31 anos - e, em 1902, quando Lyon foi viver para a casa de Greenwich Village, também a sua mulher, Olivia, estava já gravemente doente. Veio a morrer em 1904, e a sua morte provocou um esgotamento nervoso a outra filha, Clara, que passou um ano internada num sanatório. A terceira filha do casal, Jean, sofria de epilepsia desde os dez anos e viria a morrer em 1909, com 29 anos.
Afectado por esta sucessão de tragédias, Twain, que sempre revelara uma notável capacidade de trabalho, estava incapaz de esforços criativos prolongados, fumava vários maços de tabaco por dia, bebia muito, e passava o tempo a jogar bilhar e a implicar com todos os que o rodeavam. É este, pelo menos, o retrato que Isabel traça nas páginas do seu diário relativas aos últimos anos de vida do escritor. O círculo íntimo de Twain também se preocupava com as amizades que ele vinha desenvolvendo com uma dúzia de raparigas entre os 10 e os 16 anos - uma delas chegou a viver em sua casa -, embora não existam indícios de quaisquer tentativas de abuso sexual.
Em Fevereiro de 1909, Isabel casou-se com o encarregado de negócios de Twain, Ralph Ashcroft, e, pouco depois, o escritor despediu-a. Na sua autobiografia, Twain chama a Isabel "mentirosa, falsária, traidora e conspiradora", e acusa-a de o ter tentado seduzir para ficar de posse dos direitos sobre a sua obra literária.
Se muitas das páginas da sua autobiografia já eram conhecidas - o próprio Twain enviou excertos para revistas, quando estava mais necessitado de dinheiro, e a Universidade da Califórnia, que detém o original e respectivos direitos de publicação, foi permitindo a vários biógrafos do escritor que citassem algumas partes -, a secção relativa à secretária é quase integralmente inédita. Laura Trombley, autora de um livro sobre Lyon - Mark Twain"s Other Woman -, descreve-as como "quatrocentas páginas de bílis".
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
Clube Recreativo Charnequense | Entrega de Medalha de Ouro | 100 Anos
No dia 31 de Janeiro de 2010, o Clube Recreativo Charnequense completou 100 Anos de existência com uma Sessão Solene Comemorativa do seu Centenário.
No dia 30 de Maio de 2010, o Clube Recreativo Charnequense recebeu da Câmara Municioal de Almada, uma Medalha de Ouro, numa cerimónia que publicitei aqui no Blog num "post" com o título "100 Anos | Clube Recreativo Charnequense: Convite aos Charnequenses |30-Maio-2010" e que podes consultar clicando AQUI.
Agora deixo-te com a notícia da Entrega da Medalha de Ouro, ao C.R.C., pela Presidente da C.M.A., que saíu no Jornal da Região de Almada, N.º 223, de 1 a 7 de Junho 2010.
Pela leitura da notícia, ficamos a saber das dificuldades que o Clube Centenário enfrenta, pois as receitas que tem dos sócios são muito poucas e nem sempre chegam na sua totalidade.
Vamos, pois, tentar, cada um dos Charnequenses que ler esta notícia, passar a palavra e fazermo-nos sócios, pagando as quotas todos os meses, pois o sacrifício é pouco, considerando o muito que este Clube faz pela população Charnequenses. Ajudemos o C.R.C.!
Deixo-vos o site do Clube Recreativo Charnequense:
http://crcharnequense.weebly.com/
JOÃO
Agora deixo-te com a notícia da Entrega da Medalha de Ouro, ao C.R.C., pela Presidente da C.M.A., que saíu no Jornal da Região de Almada, N.º 223, de 1 a 7 de Junho 2010.Vamos, pois, tentar, cada um dos Charnequenses que ler esta notícia, passar a palavra e fazermo-nos sócios, pagando as quotas todos os meses, pois o sacrifício é pouco, considerando o muito que este Clube faz pela população Charnequenses. Ajudemos o C.R.C.!
Deixo-vos o site do Clube Recreativo Charnequense:
http://crcharnequense.weebly.com/
JOÃO
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
100 Anos | Clube Recreativo Charnequense: Convite aos Charnequenses | 30-Maio-2010 | 15h30
Apesar de nascida em Lisboa, vivo há 36 anos na Charneca de Caparica.
Para mais detalhes, clica aqui.
No dia 31 de Janeiro de 2010, o Clube Recreativo Charnequense completou, portanto, 100 Anos de existência com uma Sessão Solene Comemorativa do seu Centenário.
O evento teve lugar, pelas 17 horas, na sede da colectividade, com a entrega de emblemas de 25 anos e de 50 anos de dedicação ao Clube, bem como um esquema feito pelos alunos de todas as modalidades do C.R.C. referente ao CENTENÁRIO.
Centenário do Clube
(1910 - 2010)
Notícia no Jornal
"Notícias de Almada"
de 5 de Fevereiro de 2010
Clica 2 vezes sobre as imagens
para as aumentares!
É, por isso, com imenso prazer que te deixo um convite feito a todos pela Comissão Promotora da Homenagem ao Clube Recreativo Charnequense para o desfile e Concentração das Colectividades, Clubes e Associações e que deixo umas notas sobre este Clube já centenário.
O Clube Recreativo Charnequense, fundado em 31 de Janeiro de 1910, tornou-se em Instituição de Utilidade Pública desde 22 de Junho de 1996.
Situa-se em Palhais, perto da Igreja da Charneca de Caparica, uma das 11 freguesias do concelho de Almada.
Para mais detalhes, clica aqui.No dia 31 de Janeiro de 2010, o Clube Recreativo Charnequense completou, portanto, 100 Anos de existência com uma Sessão Solene Comemorativa do seu Centenário.
O evento teve lugar, pelas 17 horas, na sede da colectividade, com a entrega de emblemas de 25 anos e de 50 anos de dedicação ao Clube, bem como um esquema feito pelos alunos de todas as modalidades do C.R.C. referente ao CENTENÁRIO.
Centenário do Clube
(1910 - 2010)
Notícia no Jornal
"Notícias de Almada"
de 5 de Fevereiro de 2010
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Centenário da Morte do Autor Samuel Langhorne Clemens conhecido por MARK TWAIN (1835 -1910)
Mark Twain, pseudónimo para Samuel Langhorne Clemens, foi e continua a ser um importante Escritor, Humorista e Romancista, embora tendo nascido nos Estados Unidos da América, é lido em todos os países de língua Inglesa com muito apreço e agrado.
Aprendi muito com toda a sua obra que conheci e li na sua língua original, quando estive a viver e estudar em Inglaterra de 1968 a 1973.
Por isso mesmo, e como saiu uma matéria sobre o fascinante Mark Twain no Esquerda.Net, vou tentar aproveitar esses dados para homenagear o homem que me fez viver aventuras tão emocionantes através dos seus livros e os seus principais personagens, como Huckleberry Finn, Tom Sawyer, o Índio Joe, etc., e me deu a conhecer tão bem o Rio Mississipi como se eu o tivesse navegado...
Os dados são, na sua maioria, da Wikipédia, que é uma enciclopédia on-line e que, como uma comunidade virtual formada por pessoas interessadas na construção de uma enciclopédia de alta qualidade, há factos que podem não estar completamente certos pois falta a confirmação de alguns dados e de algumas fontes. Mas, na sua maioria, os factos podem ser considerados fidedignos.
JOÃO
25-Abr-2010
"Sorte", de Mark Twain, é o e-book que oferecemos esta semana aos leitores, na semana em que se assinala o centenário da morte do autor. Samuel Langhorne Clemens (1835 - 1910) é um dos mais populares escritores, humoristas e romancistas norte-americanos.
Clique para fazer o download de "Sorte" em formato pdf
Biografia de Mark Twain
Citações de Mark Twain
Em torno de Mark Twain, autor no controle de sua imagem
O Mundo de Mark Twain
Aprendi muito com toda a sua obra que conheci e li na sua língua original, quando estive a viver e estudar em Inglaterra de 1968 a 1973.
Por isso mesmo, e como saiu uma matéria sobre o fascinante Mark Twain no Esquerda.Net, vou tentar aproveitar esses dados para homenagear o homem que me fez viver aventuras tão emocionantes através dos seus livros e os seus principais personagens, como Huckleberry Finn, Tom Sawyer, o Índio Joe, etc., e me deu a conhecer tão bem o Rio Mississipi como se eu o tivesse navegado...
Os dados são, na sua maioria, da Wikipédia, que é uma enciclopédia on-line e que, como uma comunidade virtual formada por pessoas interessadas na construção de uma enciclopédia de alta qualidade, há factos que podem não estar completamente certos pois falta a confirmação de alguns dados e de algumas fontes. Mas, na sua maioria, os factos podem ser considerados fidedignos.
JOÃO
Um conto de Mark Twain
25-Abr-2010
"Sorte", de Mark Twain, é o e-book que oferecemos esta semana aos leitores, na semana em que se assinala o centenário da morte do autor. Samuel Langhorne Clemens (1835 - 1910) é um dos mais populares escritores, humoristas e romancistas norte-americanos.
Clique para fazer o download de "Sorte" em formato pdf
Biografia de Mark Twain
Citações de Mark Twain
Em torno de Mark Twain, autor no controle de sua imagem
O Mundo de Mark Twain
Cena do Filme "As Aventuras de Mark Twain"
(The Adventures of Mark Twain)
PAFFMED — 30 de outubro de 2009 — Cena do Filme "As Aventuras de Mark Twain" (The Adventures of Mark Twain)
segunda-feira, 8 de março de 2010
Centenário da proclamação do Dia Internacional da Mulher – Conclusão: faltam homens
C/conhecimento a "Desfazer Nós, Criar Laços!..."
Olá pessoal!
O dia 8 de Março é um símbolo de lutas revolucionárias orquestradas por mulheres de fibra que não aceitavam as discriminações de que eram alvo. Muitas deram a vida nessas lutas. Muito devemos a essas mulheres e a muitos homens que estiveram ao seu lado nessas lutas.
No dia 8 de Março de 1910 foi proclamado o Dia Internacional da Mulher para que todos os anos se fizesse uma jornada mundial de acção em prol das mulheres oprimidas, pelos seus próprios direitos e contra todas as formas de discriminação a que as mulheres sempre estiveram sujeitas. Nunca devemos esquecer aquelas que, em muito países, ainda se encontram tão discriminadas que são levadas a uma submissão total perante pais, familiares, sociedade e marido, pela completa dominação masculina.
Basta! Todas nós, mulheres, temos que ajudar as que ainda se encontram em situações semelhantes.
E como eu já vi que a Maria João não colocou o seu querido Bartoon de hoje, deixo-o eu com a resposta à sua pergunta "mulheres a menos ou homens a mais?"
Resposta: homens a menos. Queremos mais homens! E já!
Aqui na Charneca de Caparica City está a chover a bué. Cheguei a casa a pingar. Nem o São Pedro é simpático com as mulheres. Vê-se mesmo que é homem!
Abraço
Sara Antunes
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Sara Antunes
No Dia Internacional da Mulher deixo a Autobiografia de Rosa Lobato Faria publicada no Jornal de Letras
O dia 8 de Março tem sido, de há 100 anos para cá, para comemoração do Dia Internacional da Mulher e não deve ser uma data festiva, para as mulheres receberem flores ou presentes simbólicos, mas para recordar e homenagear as mulheres que têm lutado por um mundo para que a diferença de sexo não sirva como pretexto para a mulher ser considerada inferior ao homem e subordinada a ele, merecendo ser tratada com igualdade, liberdade e justiça social.
Este dia deve, também, servir para informar as mulheres, por esse mundo fora, que muitos avanços já foram conquistados e que cabe às mulheres continuarem a sua luta, sabendo que em muitas civilizações há muito caminho para percorrer e que as mais informadas e com direitos já adquiridos podem ajudar essas que vivem como que completamente abandonadas pelas sociedades onde estão inseridas, através das suas experiências e exemplos.
Para comemorar este dia, trago-vos o exemplo que uma mulher exemplar, que eu muito admiro e que nos deixou recentemente:
A escritora, letrista e actriz Rosa Lobato Faria, que partiu no dia 2, aos 77 anos.
Há cerca de dois anos Rosa Lobato Faria escreveu uma pequena "autobiografia" que foi publicada pelo Jornal de Letras e que copio para este Blogue.
Com afecto,
Joaninha
Autobiografia
de Rosa Lobato Faria
Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo. Encontramo-nos no meu próximo romance.
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Rosa Lobato Faria
Centenário do Dia Internacional da Mulher
É um lugar-comum referir-se que não deviam existir Dias Internacionais de X e/ou Y. Mas a importância deles, de facto, fazerem parte de uma agenda anual, é inquestionável.
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. E nem é um Dia Internacional qualquer. É o Centenário do Dia Internacional da Mulher. Há cem anos que este dia, uma vez por ano, se celebra e se fazem alertas e apelos para as desigualdades, crueldades e outras brutalidades que a mulher sofre e que a faz ser descriminada em relação ao homem.
Cem anos de luta e tantos objectivos ainda não conseguidos. No inconsciente colectivo de muitos de nós há uma desvalorização destes dias e, por outro lado, há aqueles que dizem que todos os dias são dias da mulher e, depois, tratam-nas como se elas não tivessem direito a direitos próprios e iguais aos homens.
Num mundo imperfeito, onde os valores básicos da mulher não são, em muitas partes do mundo, sequer contemplados, tem que existir o Dia Internacional da Mulher!
Para bem da mulher, para bem da sociedade, para bem do mundo, para bem da VIDA!
JOÃO
Centenário do Dia Internacional da Mulher
Cem anos passam desde que Clara Zetkin propôs o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher, na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas. Leia o Dossier aqui.
Muitas histórias se contam sobre a origem deste dia e muitas lutas importantes se seguiram. O Esquerda.net publica um dossier com o relato e a análise destes acontecimentos.
Cem anos passam desde que Clara Zetkin propôs o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher, aquando da II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas.
Muitas histórias se contam sobre a origem deste dia, mas “Em busca da memória perdida”, recontam-se os acontecimentos que marcaram o início da luta feminista desde o séc. XIX, que antecedem e são consequência da proclamação de um “Dia da Mulher”.
Na altura, dava-se início à organização política das mulheres, das mulheres socialistas e é sobre isso que Alexandra Kollontai, a famosa feminista russa, nos conta no seu texto publicado em 1920 - Uma celebração militante.
Uma sucessão de convulsões políticas entrelaça-se com os acontecimentos que dão origem ao 8 de Março como Dia (de luta) Internacional da Mulher. Em Estes caminhos que vão dar a Março… Helena Neves faz a análise política deste percurso e apresenta-nos uma cronologia das Memórias de alguns Marços.
Este é também o ano da III Acção Internacional da Marcha Mundial de Mulheres. Nadia Demond, entrevistada pelo Esquerda.net, conta-nos o que irá acontecer, fazendo um balanço nestes cem anos de luta contra o patriarcado – exemplo de uma vitória: “Agora há mulheres em todo o mundo que se reconhecem como feministas”. Violência contra as mulheres e Paz e desmilitarização são dois dos eixos principais da intervenção política desta III Acção Internacional.
No início deste mês de Março, reúne a Comissão das Nações Unidas sobre a Condição Jurídica e Social da Mulher, onde se fará o balanço dos 15 anos da última Conferência Mundial da Mulher, que teve lugar em Pequim. Sobre o balanço a fazer-se, Thoraya Obaid adianta já que “Temos de fazer o que está escrito”.
Invocando um balanço actual da evolução das políticas de género na Europa, Eva-Britt Svensson escreve sobre O Tratado de Lisboa e a (ausente) perspectiva de género na EU.
Como exemplo da diversificação e aprofundamento da reflexão feminista que tem vindo a acompanhar as mudanças da realidade social e o desenvolvimento do conceito de género, cruzando opressões, Carmen Gregorio Gil reflecte sobre a condição das Mulheres imigrantes.
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. E nem é um Dia Internacional qualquer. É o Centenário do Dia Internacional da Mulher. Há cem anos que este dia, uma vez por ano, se celebra e se fazem alertas e apelos para as desigualdades, crueldades e outras brutalidades que a mulher sofre e que a faz ser descriminada em relação ao homem.
Cem anos de luta e tantos objectivos ainda não conseguidos. No inconsciente colectivo de muitos de nós há uma desvalorização destes dias e, por outro lado, há aqueles que dizem que todos os dias são dias da mulher e, depois, tratam-nas como se elas não tivessem direito a direitos próprios e iguais aos homens.
Num mundo imperfeito, onde os valores básicos da mulher não são, em muitas partes do mundo, sequer contemplados, tem que existir o Dia Internacional da Mulher!
Para bem da mulher, para bem da sociedade, para bem do mundo, para bem da VIDA!
JOÃO
Centenário do Dia Internacional da Mulher
Cem anos passam desde que Clara Zetkin propôs o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher, na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas. Leia o Dossier aqui.
Muitas histórias se contam sobre a origem deste dia e muitas lutas importantes se seguiram. O Esquerda.net publica um dossier com o relato e a análise destes acontecimentos.
Cem anos passam desde que Clara Zetkin propôs o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher, aquando da II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas.
Muitas histórias se contam sobre a origem deste dia, mas “Em busca da memória perdida”, recontam-se os acontecimentos que marcaram o início da luta feminista desde o séc. XIX, que antecedem e são consequência da proclamação de um “Dia da Mulher”.
Na altura, dava-se início à organização política das mulheres, das mulheres socialistas e é sobre isso que Alexandra Kollontai, a famosa feminista russa, nos conta no seu texto publicado em 1920 - Uma celebração militante.
Uma sucessão de convulsões políticas entrelaça-se com os acontecimentos que dão origem ao 8 de Março como Dia (de luta) Internacional da Mulher. Em Estes caminhos que vão dar a Março… Helena Neves faz a análise política deste percurso e apresenta-nos uma cronologia das Memórias de alguns Marços.
Este é também o ano da III Acção Internacional da Marcha Mundial de Mulheres. Nadia Demond, entrevistada pelo Esquerda.net, conta-nos o que irá acontecer, fazendo um balanço nestes cem anos de luta contra o patriarcado – exemplo de uma vitória: “Agora há mulheres em todo o mundo que se reconhecem como feministas”. Violência contra as mulheres e Paz e desmilitarização são dois dos eixos principais da intervenção política desta III Acção Internacional.
No início deste mês de Março, reúne a Comissão das Nações Unidas sobre a Condição Jurídica e Social da Mulher, onde se fará o balanço dos 15 anos da última Conferência Mundial da Mulher, que teve lugar em Pequim. Sobre o balanço a fazer-se, Thoraya Obaid adianta já que “Temos de fazer o que está escrito”.
Invocando um balanço actual da evolução das políticas de género na Europa, Eva-Britt Svensson escreve sobre O Tratado de Lisboa e a (ausente) perspectiva de género na EU.
Como exemplo da diversificação e aprofundamento da reflexão feminista que tem vindo a acompanhar as mudanças da realidade social e o desenvolvimento do conceito de género, cruzando opressões, Carmen Gregorio Gil reflecte sobre a condição das Mulheres imigrantes.
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