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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Miguel Portas | Comentário da Semana | «Conselho Europeu: Mais Austeridade, “Mais Policiamento”, Mais Crise, Menos Democracia…»

Esta entrevista de Miguel Portas ao programa “Conselho Superior" da Antena 1, em que o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, faz o seu comentário semanal sobre a actualidade política, desta vez não está em vídeo, mas pode ser ouvida, clicando AQUI. Um dos temas é, como seria óbvio, a redução de 50% da dívida grega.
Mais uma sábia e imperdivél entrevista de Miguel Portas!
JOÃO

Miguel Portas no programa "Conselho Superior"
Antena 1 - 2011/10/28
Comentário da semana
Conselho Europeu: mais austeridade, “mais policiamento”, mais crise, menos democracia…
Sexta, 28 Outubro 2011 12:35
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No Conselho Europeu desta semana não foram os bancos que perderam; quem perdeu foram os mesmos de sempre, os que são vítimas da austeridade, ainda agora agravada com a “tarracha” de novas medidas de policiamento através dos quais os países com maiores dificuldades entregam a gestão das suas finanças à troika, demonstrou o eurodeputado Miguel Portas.

Na sua intervenção semanal no espaço Conselho Superior da Antena Um, O eurodeputado da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleito pelo Bloco de Esquerda afirmou que, apesar das manifestações de satisfação, no Conselho Europeu “tomaram-se menos decisões do que parece”, o perdão da dívida grega “não é exactamente um perdão” e não foram adoptadas quaisquer medidas de estímulo ao crescimento económico porque o agravamento da austeridade é exactamente o contrário disso.
Miguel Portas enumerou as “medidas de policiamento” adoptadas: os governos dos países com maiores dificuldades terão que entregar os seus projectos de orçamento em primeiro lugar à troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) para que esta o examine, ponha a sua chancela e só depois os disponibilizarão aos partidos, ao Parlamento, o que desde logo avilta o processo democrático; em segundo lugar, e por enquanto só no caso da Grécia, a troika instala-se mesmo em Atenas, pelo que o primeiro ministro e o ministro das Finanças só governarão “indo a despacho” com esta; a terceira medida, “a mais estúpida de todas”, segundo Miguel Portas, é a “tentativa de constitucionalizar o nível máximo de défice e de dívida” dos países membros da União Europeia.
Três medidas, resumiu o eurodeputado, “todas más para a democracia, para as responsabilidades dos países”.
Quando ao “perdão da dívida grega”, Miguel Portas sublinhou que não é bem isso mas sim “o reconhecimento de uma forma clara de que a dívida grega era impagável e tinha que ser reestruturada”, o que ele próprio já afirmava há cerca de ano e meio.
Além disso, esse “perdão” não é imperativo, por exemplo o maior credor, o Banco Central Europeu, fica de fora e está tudo “ainda muito complicado” porque no Conselho “houve acordo sobre tudo e sobre nada porque ninguém tratou dos detalhes”.
Mas admitindo, prosseguiu Miguel Portas, que os bancos principais credores vão perder 100 mil milhões de euros na Grécia, esse é exactamente o valor de recapitalização dos bancos decidido pelo Conselho Europeu. “Na verdade os bancos não se perdem”, disse o eurodeputado, “livram-se de títulos que já não valiam nada e ganham capitais de boa qualidade”.
Quem perdeu mesmo, acrescentou, “são os mesmos que continuam a sofrer a austeridade” e vão ver a sua situação agravada “com o apertar de tarracha através dos mecanismos de prevenção e policiamento em matéria de coordenação económica”.
Assim sendo, deduziu Miguel Portas, vê-se que o Conselho Europeu percebeu com ano e meio de atraso que a dívida grega era impagável, a seguir vai descobrir que a dívida portuguesa é impagável e não tomou nenhuma medida, antes pelo contrário, para estimular a economia.
“Ora um pobre nunca paga melhor uma dívida que um menos pobre ou um rico”, sublinhou o eurodeputado. Por isso “enquanto os governos não reconhecerem esta contradição”, ou seja, que o verdadeiro problema está na “via do empobrecimento”, está na austeridade, que não pode por a economia a crescer, “a crise vai continuar e cada cimeira será mais complicada do que a anterior”.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Miguel Portas | Comentário da Semana | «As "boas e más" notícias de uma semana agitada»

Tenho andado adoentada. Mas não me esqueci da entrevista de Miguel Portas ao programa “Conselho Superior" da Antena 1, em que o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, faz o seu comentário semanal sobre a actualidade política.
Miguel Portas comentou o nselho Europeu que teria lugar nesse fim-de-semana - que já passou, entrentanto -, comentou a execução "sumária" de Muamar Khadafi, na Líbia, e o anúncio do fim da ETA, no País Basco.
Já com uns dias, esta entrevista, mas sempre imperdível, como todas as entrevistas que Miguel Portas dá, cheia de bom senso e sabedoria.
JOÃO
Miguel Portas no programa "Conselho Superior"
Antena 1 - 2011/10/21
Comentário da semana
Carregado por em 21/10/2011


Segunda,  24 Outubro 2011 10:47

No Conselho Superior da Antena Um, Miguel Portas antecipou o Conselho Europeu, disse que as circunstâncias da “execução sumária" de Khaddafi “podem levar à Líbia muitos problemas durante muito tempo" e saudou “o adeus às armas” da ETA.
“No meio da desordem” em que vive a União Europeia, Miguel Portas sublinhou uma “boa notícia”. A de que a Comissão Europeia vai propor aos governos que ponderem a possibilidade de retirar as dívidas soberanas dos países sob resgate das classificações das agências de notação. “Em Maio fiz essa proposta aqui no Parlamento Europeu e quase que fui considerado maluco”, lembrou o eurodeputado.
Em relação ao linchamento de Khaddafi, Miguel Portas lamentou que, com algumas excepções entre as quais a do caso português, os ministros dos Negócios Estrangeiros “tenham conseguido expressar satisfação por uma morte naquelas condições”, uma atitude “que não é muito boa para o mundo”. Segundo o eurodeputado, o que este agora em causa é o futuro da Líbia: “ou consegue a reconciliação nacional numa sociedade profundamente tribalizada ou então a morte do líder enquanto mártir vai obviamente levar à Líbia muitos problemas durante muito tempo”.
O abandono das armas pela ETA é, de acordo com Miguel Portas, “uma excelente notícia”. A decisão do grupo independentista basco deve-se, segundo o eurodeputado, à combinação entre a sua debilidade militar “e a força crescente do seu braço político, que não quer continuar subjugado à lei das armas.

 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Miguel Portas | Chegou o Tempo dos Cortes Ordinários | “Indigne-se, Mas Indigne-se Já…!”

Entrevista de Miguel Portas ao programa “Conselho Superior" da Antena 1, em que o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, faz o seu comentário semanal sobre a actualidade política.
Mais uma vez um Miguel Portas muito claro, coerente e didáctico.
Imperdível!!!

JOÃO


Miguel Portas no programa "Conselho Superior"
Antena 1 - 2011/10/14
Chegou o tempo dos cortes ordinários
Carregado por em 14/10/2011


Segunda,  14 Outubro 2011 21:26
“Indigne-se, indigne-se já porque esta loucura tem que ser travada”, apelou Miguel Portas na sua intervenção semanal no Conselho Superior da Antena Um ao comentar as últimas medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro ministro, que qualificou “verdadeiras medidas pela medida grega”. Nesta situação, sublinhou o eurodeputado, a “neutralidade não nenhum sentido”, a neutralidade é uma “forma de pactuar com esta loucura” e com uma recessão que no final de 2012 “estará nos quatro a cinco por cento”.
Miguel Portas lembrou o facto de no início desta ofensiva contra a população o chefe do governo ter qualificado como “medida extraordinária” o corte no subsídio de natal de 2011, extraordinária, logo “irrepetível”. “Ora o primeiro ministro tinha razão, mas pelos piores motivos”, deduziu o eurodeputado da Esquerda Unitária eleito pelo Bloco de Esquerda. “Essa medida era extraordinária porque era pouco, o corte verdadeiramente extraordinário para 2012 e 2013 é o que temos agora, um corte de uma enorme violência”.

O eurodeputado somou os cortes em cadeia que vão atingir os salários e pensões acima dos mil euros mensais: reduções nos subsídios de natal e de férias, mais cinco por cento de baixa nos salários, estamos perante um ataque contra 20 por cento dos ordenados. E o aumento do chamado “IVA intermédio”, o que vigora na restauração, de 13 para 23 por cento vai atingir ainda “o que as pessoas que trabalham comem à hora do almoço”.
Miguel Portas recordou que a Irlanda fez exactamente o contrário com o IVA do turismo e da restauração, para estimular a economia; o que o governo de Passos Coelho anuncia agora “vai ter efeitos catastróficos sobre a economia de dezenas de milhar de pequenas empresas”.
O governo vai, pois, atacar o mercado interno. Como as previsões nos países para os quais mais exportamos são de crescimento zero na Alemanha e regresso à recessão em Espanha, a situação também irá agravar-se no mercado externo. “Isto não tem nenhum sentido”, afirma Miguel Portas, “a não ser que no final de 2012, à moda grega, estaremos com uma recessão de quatro a cinco por cento e não de 2,5 por cento como o governo agora prevê”. Por isso, recomendou o eurodeputado aos seus ouvintes, “indigne-se, mas indigne-se já porque esta loucura tem que ser travada”.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Miguel Portas | Madeira: Uma Louca Aventura de Betão | Alberto João Jardim: Um “tiranete excêntrico” sem qualquer graça e que criou um “pesadelo colectivo”

Entrevista de Miguel Portas ao programa “Conselho Superior" da Antena 1, em que o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, faz o seu comentário semanal sobre a actualidade política.
Nesta entrevista, Miguel Portas não podia fugir ao tema principal e mais quente: a MADEIRA e Alberto João Jardim.
"Miguel Portas diz que a factura da dívida da Madeira vai custar 29 mil euros a cada madeirense e que Passos Coelho está a proteger Alberto João Jardim ao esconder o programa de austeridade até depois das eleições."
Mais uma vez um Miguel Portas muito claro, coerente e didáctico.
Imperdível!!!
JOÃO

Miguel Portas no programa "Conselho Superior"
Antena 1 - 2011/10/07
Madeira: uma louca aventura de betão
Para veres este vídeo clica AQUI!

Carregado por em 07/10/2011

“Agora que chega a factura e os portugueses estão de tanga esta história do Alberto João Jardim deixou de ter graça”, advertiu Miguel Portas em vésperas das eleições regionais na Madeira. “E uma vez que, com a sua irresponsabilidade, Alberto João Jardim criou um problema novo sobre a unidade do país, para tudo isto não descambar era muito bom que os madeirenses pudessem acabar no domingo com a maioria absoluta deste homem”, acrescentou o eurodeputado do Bloco de Esquerda na sua intervenção semanal no espaço Conselho Superior da Antena Um.

Miguel Portas comentou que no caso de se confirmarem sondagens que admitem o fim da maioria absoluta do actual presidente do Governo Regional “estaríamos perante um grande acontecimento”.

O “buraco nas contas” é o principal causador desta hipótese, que poderá levar muitos madeirenses a não se absterem e a contribuírem para uma nova situação.
Quanto à situação que existe, o eurodeputado da Esquerda Unitária (GUE/NGL) lembrou-a em traços gerais: um défice de 20 por cento do PIB, que em percentagem triplica o do país, uma dívida de 29 mil euros por cada madeirense, uma “dívida pública calada” de mais de seis mil milhões de euros com parcerias público privadas que pode mesmo atingir os nove mil milhões. É um panorama “insensato, mas é assim que se arrisca a terminar uma longa e louca aventura de betão que agora na hora da factura se está a transformar num pesadelo colectivo”.

Para Miguel Portas o que importa agora saber “é como se vai resolver esta trapalhada, quem vai pagar e como vai pagar”.

E o que está em causa é o que ainda ninguém sabe, porque o Governo Central tem “falado de menos e vai obrigar os madeirenses a votar no escuro”: “serão os madeirenses ou todos os portugueses a pagar”? E “a rede de empresas beneficiárias dos contratos públicos, das derrapagens orçamentais, dos sistemas de favores organizada à volta do Governo Regional vai pelo menos devolver parte do que ganhou indevidamente ao longo destas décadas de obras públicas, muitas delas insensatas”?

E em relação ao offshore da zona franca da Madeira, “onde em escritórios de 100 metros quadrados dois advogados ditos benévolos gerem os lucros de cerca de 1500 empresas? Vai esta gente começar a pagar ou quem vai pagar serão sempre os mesmos de sempre”, na Madeira e no Continente?, perguntou Miguel Portas.

O eurodeputado chamou a atenção para o facto de se ter esgotado a “imagem benévola” de um Alberto João Jardim visto como “um tiranete excêntrico”. “Está a aumentar o número de pessoas que querem que a Madeira seja independente ou vendida a preço de saldo com Alberto João Jardim como brinde”. Mas “isto não tem graça”, acrescentou. “A irresponsabilidade de Alberto João Jardim criou um problema novo sobre a unidade do país” e para que tudo “não venha a descambar era muito bom que os madeirenses pudessem acabar com a maioria absoluta deste homem”.

sábado, 1 de outubro de 2011

Miguel Portas | O Estado da União | Durão Barroso - Uma História de Incompetência!

Entrevista de Miguel Portas ao programa “Conselho Superior" da Antena 1, em que o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, faz o seu comentário semanal sobre a actualidade política.
Nesta entrevista, Miguel Portas critica a proposta de Durão Barroso sobre a Taxa Tobin:  "Basta que um país diga que não quer uma taxa de transações financeiras na Europa, na União Europeia, para que a taxa fique chumbada".
Mais uma vez um Miguel Portas muito claro, coerente e didáctico.
JOÃO
Miguel Portas no programa "Conselho Superior"
Antena 1 - 2011/09/30
O Estado da União

Carregado por em 30/09/2011

Segunda, 03 Outubro 2011 10:38

A União Europeia está “prisioneira de si própria, de mãos atadas e à beira do precipício” por causa de histórias viciadas, de incompetência e de falta de coragem política e por isso o discurso de Durão Barroso esta semana sobre “o estado da União” foi verdadeiramente sobre “o estado das ilusões”, demonstrou o eurodeputado Miguel Portas na sua intervenção semanal no espaço Conselho Superior da Antena Um.
Um discurso sem novidades, explicou o deputado da Esquerda Unitária eleito pelo Bloco de Esquerda. A prometida taxa sobre as transacções financeiras é um assunto que já estava sobre a mesa e depende da unanimidade dos Estados membros e as perspectivas nunca são para existirem antes de 2018; as obrigações europeias, os eurobonds, já foram prometidos por Barroso no ano passado, voltaram a sê-lo e Miguel Portas aposta “dobrado contra singelo” de que voltarão a sê-lo para o ano, simplesmente porque a Alemanha não os quer.

Um discurso sem novidades? Não absolutamente: teve uma, a que confirma a regra. Coberto com o apoio dos líderes dos principais grupos parlamentares e ofendido com a “indiferença” a que tem sido votado pela Alemanha e a, França Durão Barroso ousou perguntar que se querem entregar a governação económica da União ao presidente do Conselho, “então para que querem a Comissão?”
Isto perguntou Durão Barroso no seu discurso ao cabo de sete anos em que, recordou Miguel Portas, “por ele passou uma crise, outra está passar e outra irá passar, a que está para vir e que decorrerá da recessão mundial” pelo que a pergunta própria de um deputado que “não esteja para ser seduzido por um discurso de sedução” é: “porque é que a gente há-de acreditar neste homem?”
Uma pergunta a que Durão Barroso não poderia responder porque “na EU quem manda de facto é a senhora Merkel, não é Durão Barroso”.

Este cenário, sublinhou Miguel Portas, demonstra que o verdadeiro Estado da União é o de “prisioneira de si própria e a aproximar-se de um precipício com as mãos atadas”.

E a situação decorre de culpa própria, em Bruxelas e na Alemanha. Em primeiro lugar, disse o eurodeputado, por causa da história inventada de que na Europa existem os “países virtuosos”, os do Norte, e os países “dos preguiçosos e incompetentes”, os do Sul; depois porque, atrás desta história a UE tardou em perceber que os casos da Grécia, Portugal e Irlanda não eram exclusivos destes países, tardou em ver que por detrás da árvore “estava a floresta, a floresta do euro”; e nessa altura, quando a questão da falta de solidariedade na União explodiu em força, “as opiniões públicas dos países ricos e virtuosos não estavam preparadas para soluções que tivessem a ver com essa mesma solidariedade porque lhes andaram a dizer que os do Sul eram uns preguiçosos”.

Por isso, lembrou Miguel Portas, assistimos a “tanta indecisão, tantas não decisões, tantas decisões erradas”

“É uma história de incompetência”, rematou.

 

domingo, 25 de setembro de 2011

Miguel Portas | Uma pouca vergonha inqualificável! | “Isto é Um Ataque ao Bolso dos Portugueses, ao Bolso dos Trabalhadores.”

Entrevista de Miguel Portas ao programa “Conselho Superior" da Antena 1, em que o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, faz o seu comentário semanal sobre a actualidade política.
Esta entrevista define bem o que o Governo está a tentar fazer aos trabalhadores portugueses: um ataque vergonhoso!
"É uma pouca vergonha sem qualquer tipo de qualificação!"

E é mesmo!!!
Mais palavras para quê?! Basta ver e ouvir um dos meus heróis, Miguel Portas, sempre correcto e didáctico.
JOÃO
  
Miguel Portas no programa "Conselho Superior"
Antena 1 - 2011/09/23
Uma pouca vergonha inqualificável!
 
Carregado por em 23/09/2011


Despedimentos: "Pouca vergonha inqualificável"
Produzido por The Week, 24/09/2011

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“Uma pouca vergonha sem qualificação”, é como Miguel Portas qualifica as mais recentes intenções governamentais de facilitar os despedimentos e atacar os salários dos trabalhadores”, agora numa competição desigual com a China.


Parte da crónica semanal de Miguel Portas no espaço Conselho Superior da Antena Um foi dedicada às medidas laborais previstas pelo governo para atacar os trabalhadores e beneficiar os empresários a pretexto do combate à dívida.
“O governo não quer tornar apenas mais fáceis os despedimentos, quer atacar as horas extraordinárias, as folgas e os feriados retirando-lhes metade do que valia o trabalho nestes dias”, denunciou o eurodeputado. “Isto é um ataque ao bolso dos portugueses, ao bolso dos trabalhadores”.
O eurodeputado da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleito pelo Bloco de Esquerda lembrou que as estatísticas do segundo trimestre deste ano, ainda não influenciadas pela à política do actual governo, já revelam uma baixa salarial de 1,8 por cento dos trabalhadores portugueses em 2011.
“E o que tem isto a ver com o défice?”, pergunta. “Isto não tem rigorosamente nada a ver com o défice do Estado, tem a ver com a tentativa desesperada de recuperar a chamada competitividade da economia portuguesa através das facadas nos salários”.
“Com medidas deste género”, sublinhou Miguel Portas, “o que está a tentar fazer-se não é que Portugal compita na Europa, é que Portugal comece a competir com a China em condições absolutamente desproporcionadas, isto é, quer que se agrave a divergência dos salários em relação à Europa, que não a divergência em relação aos preços dos bens”.
Segundo o eurodeputado, “isto é o pior que Portugal pode fazer à Europa e o pior que a Europa pode fazer a Portugal”. “É uma vergonha sem qualquer tipo de qualificação”, rematou.

sábado, 17 de setembro de 2011

Miguel Portas | Crise, 3 Anos: a Demissão da Política | “Quem é Que Permitiu Tanta Gula?”

Entrevista de Miguel Portas ao programa “Conselho Superior" da Antena 1, em que o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, faz o seu comentário semanal sobre a actualidade política.
Extraordinária entrevista! Miguel Portas sempre no seu melhor, com entrevistas didácticas e, por isso mesmo, imperdíveis.
Esta entrevista até os governantes e economistas deveriam ouvir.
Porque é que são os mais pobres que continuam a pagar a demissão da política face aos mercados?
Boa pergunta!
JOÃO


Miguel Portas no programa "Conselho Superior"
Antena 1 - 2011/09/16
Crise, 3 anos: a demissão da política
Carregado por em 15 de Set de 2011


“Quem é que permitiu tanta gula?”
Sexta, 16 Setembro 2011 15:29

“Quem é que permitiu tanta gula?” “Porque é que os políticos acreditaram tanto que o que era bom para os mercados financeiros teria que ser obrigatoriamente bom para as economias e para a vida das pessoas?” Perguntas do eurodeputado Miguel Portas no terceiro aniversário do início da crise em curso, contado a partir da falência do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers. “Estas são as perguntas que estabelecem a responsabilidade dos políticos perante o empobrecimento de milhões e milhões de pessoas e a existência de cerca de 30 milhões de empregos perdidos em pouco mais de dois anos”, disse.

Na sua crónica semanal no programa “Conselho Superior” da Antena Um, o eurodeputado do GUE/NGL eleito pelo Bloco de Esquerda fez a análise da crise económica, financeira e social em curso a propósito do terceiro aniversário do seu início em 2008. “A última crise que tivemos ainda aí está”, disse, “agora metamorfoseada em crise das dívidas soberanas, no caso da Europa, mas principalmente a economia não regressou ao antigamente: não só há riscos de uma nova recessão mundial mas acima de tudo as economias, recuperando alguma coisa, deixaram de criar emprego; as taxas de desemprego hoje na Europa e nos Estados Unidos estão 50 por cento acima do que estavam em 2008”.

Miguel Portas citou dados do próprio governo português segundo os quais em 2013 a riqueza criada no país será equivalente à de 2004. “Uma década perdida”, constatou. A explicação mais fácil, acrescentou, “é a gula excessiva de alguns actores financeiros”.

“Mas quem é que permitiu tanta gula?”, perguntou o eurodeputado. Na resposta entra a questão da responsabilidade dos políticos, por terem “acreditado que o que era bom para os mercados financeiros teria que ser obrigatoriamente bom para as economias e a vida das pessoas”. Esta é a pergunta, sublinhou o eurodeputado, “que estabelece a responsabilidade dos políticos perante o empobrecimento de milhões e milhões de pessoas no planeta e a existência de cerca de 30 milhões de empregos perdidos em pouco mais de dois anos”.
Miguel Portas comentou, a propósito, o anúncio feito esta semana por Durão Barroso prometendo a emissão de dívida pública europeia, os eurobonds, para fazer face ao problema das dívidas soberanas, dizendo que por enquanto “não passa de palavras” por continuar a ter a oposição alemã e que “vem pelo menos com um ou dois anos de atraso”.

Para o eurodeputado do Bloco de Esquerda a grande pergunta que remata este processo que já vai em três anos é “quem é que verdadeiramente paga, pois continuam a ser os mais pobres, os que perdem os seus empregos e que em qualquer caso nem jogam na bolsa, que continuam a pagar a demissão da política face aos mercados”.

sábado, 3 de setembro de 2011

Miguel Portas | Cortes: Quem Se Trama São As Formigas | Cortes com Consequências Directas e Drásticas Sobre as Pessoas

Uma vez mais uma excelente entrevista de Miguel Portas ao programa “Conselho Superior" da Antena 1, em que o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, faz o seu comentário semanal sobre a actualidade política.
É destas brilhantes explicações que o nós precisamos. Ficamos a perceber que os cortes anunciados pelo Governo, que vão afectar sobretudo as Prestações Sociais, a Educação e a Saúde, vão ter consequências directas e drásticas sobre as pessoas.
Quem pensa de outra forma, anda a dormir!

Não percas, pois, esta entrevista!
JOÃO


Miguel Portas no programa "Conselho Superior"
Antena 1 - 2011/09/02
Cortes: quem se trama são as formigas

Carregado por em 2 de Set de 2011


Depois dos congelamentos chegou o capítulo dos cortes, que vão atingir os mesmos de sempre. “São cortes que incidem sobre as formigas, não sobre as cigarras”, comentou o eurodeputado Miguel Portas na sua crónica semanal no espaço Conselho Superior da Antena Um. E serão estes cortes “uma inevitabilidade?”, perguntou. Isso depende das opções políticas e, a propósito das que este governo assume, lembrou a história escandalosa de um crédito ao homem mais rico de Portugal e que, por alguma razão, “passou quase despercebida”.

Miguel Portas passou em revista os principais cortes – na segurança social, na educação e na saúde – e concluiu que as consequências vão ser por exemplo, “de uma forma clara”, que serão cada vez mais os desempregados que os serviços de desemprego vão considerar como não desempregados; que as propinas universitárias vão aumentar “e de forma violenta”; que o apoio em leite no ensino básico pode estar ameaçado; que as taxas moderadoras na saúde vão aumentar, que as cirurgias e as consultas vão diminuir sendo que o “abate de 800 milhões de euros” neste sector é ainda apenas metade do que o governo pretende.

Será uma inevitabilidade estes cortes de 1500 milhões de euros de “dieta da máquina do Estado” que vão incidir “sobre os mesmos de sempre, as formigas?”, perguntou o eurodeputado.

Como resposta contou uma história. A de Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal. “Pediu 1600 milhões de euros emprestados ao BPN – a esse BPN que nos está a custar tão caro – para entrar como accionista na GALP. Esse empréstimo”, prosseguiu Miguel Portas, “nunca foi pago e não se sabe onde está. Se foi parar ao banco que comprou o BPN, é uma dívida perdida. Se está nas mãos do Estado é uma dívida que representa o conjunto dos cortes que agora estão a ser propostos”. Ora, concluiu o eurodeputado, “não é necessário ir sempre às formigas; às vezes também se pode e deve tocar nas cigarras”.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Miguel Portas Anuncia Proposta do BE de Imposto Sobre o Património dos Mais Ricos | Programa "Conselho Superior" da Antena 1 | Audio

Para ouvires a última crónica semanal de Miguel Portas no programa o "Conselho Superior" da Antena 1, clica AQUI. Serás direccionado para a página pessoal do Facebook de Miguel Portas, onde terás acesso a esta crónica.
É sensacional!
Não percas!
JOÃO


Miguel Portas anuncia proposta do BE de imposto sobre o património dos mais ricos
Sexta, 26 Agosto 2011 15:38
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Miguel Portas divulgou uma proposta do Bloco de Esquerda para a criação de um Imposto de Solidariedade, acumulado à taxa do IRS, para os rendimentos e o património superiores a 2500 salários mínimos, cerca de 1,2 milhões de euros. Esta medida é uma alternativa à intenção de aumentar a taxa mais elevada do IRS, considerada pelo eurodeputado como “a menos interessante” e, além disso, “uma ninharia, uma gota de 30 milhões de euros num oceano”.
A proposta, explicou Miguel Portas na sua crónica semanal no programa Conselho Superior da Antena Um, além de moderada não é absolutamente nova pois restaura a tradição de impostos sobre os mais ricos que já existiram em muitos países da Europa. No entanto, pretende juntar justiça e eficácia num país como Portugal que é “o terceiro mais desigual da Europa que só tem atrás a Letónia e a Lituânia”e que “sofre um programa de austeridade extremamente violento sobre as classes médias, as classes mais pobres e os desempregados”.
“O actual governo não quer tocar na questão do património”, sublinhou Miguel Portas e por isso a penalização das maiores fortunas só através do IRS não resolve qualquer problema de receitas para o Estado. Exemplificou o caso do “homem mais rico de Portugal”, Américo Amorim, que apenas declara cerca de 230 mil euros por ano para o IRS por uma simples razão: “só declara o ordenado, não declara o património, por exemplo acções da GALP, da cortiça, não declara nada daquilo que realmente constitui a sua riqueza”.
“Isso leva-nos a que em Portugal exista uma situação realmente extraordinária: uma pessoa que vive do seu salário e compra uma casa fica a pagar ainda mais um imposto sobre a casa, o IMI; mas se não comprar casa mas comprar acções, obrigações, outros títulos não paga qualquer outro tipo de imposto sobre essa sua riqueza”, explicou Miguel Portas.
O Imposto de Solidariedade apresentado pelo Bloco de Esquerda, acrescentou o eurodeputado, parte do princípio de que “a ideia de que os ricos não podem estar constantemente à margem não pode continuar”. O imposto proposto consiste numa taxa progressiva de 0,6 por cento a 1,2 por cento sobre os rendimentos incluindo património para ser aplicada a partir de 2500 salários mínimos anuais, cerca de 1,2 milhões de euros. Envolve não apenas os salários mas também o património, designadamente créditos não litigantes, as poupanças, propriedades para lá da casa principal, meios de transporte, gado, metais preciosos, ouro, “os factores de riqueza que são invariavelmente esquecidos pela fiscalidade em Portugal”. Não inclui, no entanto, valores patrimoniais como jóias de família, obras de arte, antiguidades, propriedade intelectual ou artística, habitação principal e créditos litigiosos. Acumulado á taxa do IRS, esse imposto não poderá atingir mais de 70 por cento do rendimento anual.
“Se quisermos ser justos e eficazes a ultrapassar as dificuldades”, disse Miguel Portas, “temos que ir não apenas aos ordenados mas também ao património”.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Miguel Portas | Os Mercados, os Carneiros e as Palavras Gastas de Merkel e Sarkozy | Programa "Conselho Superior" da Antena 1 | Audio

Para ouvires a última crónica semanal de Miguel Portas no programao "Conselho Superior" da Antena 1, clica AQUI. Serás direccionado para a página pessoal do Facebook de Miguel Portas, onde terás acesso a esta crónica.
É sensacional!
Não percas!
JOÃO 


Os mercados, os carneiros e as palavras gastas de Merkel e Sarkozy
Produzido por The Week, 20/08/2011
      
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Os mercados “andam agitados” porque não há nenhum horizonte de crescimento para a economia e, pelo contrário, “são cada vez mais os sinais que anunciam a chegada de uma nova crise, com retracção e recessão”, considera o eurodeputado Miguel Portas.

Na sua crónica semanal no espaço Conselho Superior da Antena Um, Miguel Portas sublinhou que a coexistência da “irracionalidade dos mercados” e da falta de respostas políticas convincentes, designadamente na última cimeira franco-alemã, faz com que a situação actual das praças financeiras “não dê estabilidade e seja pasto para operações de especulação”.
“Os mercados são como os carneiros; quando um começa a vender todos vendem; quando um começa a comprar todos compram”, comparou o eurodeputado do GUE/NGL eleito pelo Bloco de Esquerda. Em termos psicológicos, acrescentou, os mercados “são bipolares, passam da euforia ao pânico com uma mão cheia de nada em matéria política” como foi o resultado do encontro entre Merkel e Sarkozy que, “não tendo nenhuma novidade para dar, mais valia terem ficado calados”.
Miguel Portas defende que nenhuma das medidas propostas pelos dois estadistas é nova: nem a proposta, “ideológica”, de inclusão dos limites dos défices orçamentais nas Constituições; nem a criação de um governo económico da Zona Euro, mais uma instituição sem controlo porque “não existe parlamento da Zona Euro mas sim Parlamento Europeu”; nem a anunciada taxação das transacções financeiras, em tese positiva mas que além de ser de difícil aprovação – exige unanimidade dos Estados membros – não se destina a crescimento e criação de emprego. Miguel Portas explicou que o destino previsto para essas receitas, segundo a proposta em cima da mesa, é a redução das contribuições dos Estados membros para o orçamento europeu.
Daí, concluiu, que “não havendo horizonte de crescimento para a economia”, mas sim ameaça de recessão, e não havendo também respostas políticas convenientes, “os mercados andem agitados"