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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Carta Aberta ao Dr. Miguel Sousa Tavares | Bastonário da Ordem dos Médicos Responde


MIGUEL SOUSA TAVARES
2ª FEIRA NO JORNAL DA NOITE

Eu vejo as intervenções do Miguel Sousa Tavares, no espaço de opinião que ele tem no Jornal das 20:00h na SIC, às segundas-feiras.
Na passada segunda-feira fiquei quase em choque com o comentário que fez sobre a falta de médicos. Aliás, fico muitas vezes em choque. Eu penso que ele levou um injecção de... É melhor nem dizer o que penso.
Sem mais comentários, aconselho a leitura desta carta aberta.
E olhos bem abertos, ouvidos bem atentos...
Não vão em cantigas! Não votem nos partidos do arco da governação!
Precisamos de mudança!
JOÃO


Carta Aberta ao Dr. Miguel Sousa Tavares
30 de Março de 2014 por

Caro Dr Miguel Sousa Tavares,
Fiquei surpreendido com as suas declarações à SIC sobre a falta de médicos e com os seus comentários depreciativos sobre a Ordem dos Médicos.
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terça-feira, 18 de março de 2014

JOSÉ VÍTOR MALHEIROS | O Sonho de Pedro Passos Coelho | Publico.pt


Escrito há 1 ano e meio, o que é realmente espantoso é que acredito profundamente em cada frase pois, o tempo decorrido desde Setembro de 2012, tem demonstrado como tudo está a bater certo. O homem Pedro Passos Coelho quer, mesmo, exterminar, discreta e paulatinamente, um terço da população que vive em Portugal.
Com esta redução, vai diminuindo a lista de desempregado, de velhos, de doentes, de analfabetos... E vai parecer que o país está a recuperar.
Acreditem! Continuem a acreditar neste Chefe de Governo e tornem a eleger os mesmos...
Raios o partam!
Raios partam quem acalenta o sonho deste monstro!...
Se não conheces este artigo de José Vítor Malheiros, então não deixes de o ler na íntegra! Tem ano e meio, mas é de não perderes.

JOÃO


O sonho de Pedro Passos Coelho




"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca- -vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.

Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Fw: NÃO É CUNHADO... É O IRMÃO DO AMANTE

Reencaminho, s
orrindo...
Mário
 
AFINAL NÃO É CUNHADO... É O IRMÃO DO AMANTE DA MINISTRA DA JUSTIÇA...
 
A ministra Paula Teixeira da Cunha, desmentiu que tivesse nomeado familiares para o seu gabinete.
 
 
 
- Resposta do Bastonário da Ordem dos Advogados:
       Publicado no Jornal de Notícias em 2011-11-21
 
'A ministra da Justiça'
 
Depois de andar a acusar-me de lhe dirigir ataques pessoais, a sra. ministra da Justiça veio agora responder à denúncia que eu fiz de ter usado o cargo para favorecer o seu cunhado, Dr. João Correia. Diz ela que não tem cunhado nenhum e que isso até se pode demonstrar com uma certidão do registo civil. Já antes, com o mesmo fito, membros do seu gabinete haviam dito à imprensa que ela é divorciada.
 
Podia explicar as coisas recorrendo à explícita linguagem popular ou até à fria terminologia jurídica que têm termos bem rigorosos para caracterizar a situação. Vou fazê-lo, porém, com a linguagem própria dos meus princípios e convicções sem deslizar para os terrenos eticamente movediços em que a sra. ministra se refugia.
 
A base moral da família não está no casamento, seja enquanto sacramento ministrado por um sacerdote, seja enquanto contrato jurídico homologado por um funcionário público. A base moral da família está na força dos sentimentos que unem os seus membros. Está na intensidade dos afectos recíprocos que levam duas pessoas a darem as mãos para procurarem juntas a felicidade; que levam duas pessoas a estabelecerem entre si um pacto de vida comum, ou seja, uma comunhão de propósitos existenciais através da qual, juntos, se realizam como seres humanos. Através dessa comunhão elas buscam em conjunto a felicidade, partilhando os momentos mais marcantes das suas vidas, nomeadamente, as adversidades, as tristezas, as alegrias, os triunfos, os fracassos, os prazeres e, naturalmente, a sexualidade.
 
O casamento, quando existe, agrega tudo isso numa síntese institucional que, muitas vezes, já nada tem a ver com sentimentos, mas tão só com meras conveniências sociais, morais, económicas ou políticas. Por isso, para mim, cunhados são os irmãos das pessoas que, por força de afectos recíprocos, partilham entre si, de forma duradoura, dimensões relevantes das suas vidas.
 
É um gesto primário de oportunismo invocar a ausência do casamento para dissimular uma relação afectiva em que se partilham dimensões fundamentais da existência, unicamente porque não se tem coragem para assumir as consequências políticas de opções que permitiram que essa relação pessoal se misturasse com o exercício de funções de estado, chegando, inclusivamente, ao ponto de influenciar decisões de grande relevância política.
 
Tal como o crime de violência doméstica pode ocorrer entre não casados também não é necessário o casamento para haver nepotismo. Basta utilizarmos os cargos públicos para favorecermos as pessoas com quem temos relações afectivas ou os seus familiares. Aliás, é, justamente, aí que o nepotismo e o compadrio são mais perniciosos, quer porque são mais intensos os afectos que o podem propiciar (diminuindo as resistências morais do autor), quer porque pode ser mais facilmente dissimulado do que no casamento, pois raramente essas relações são conhecidas do público.
 
Aqui chegados reitero todas as acusações de nepotismo e favorecimento de familiares que fiz à Sra. Ministra da Justiça. Mas acuso-a também de tentar esconder uma relação afectiva, unicamente porque não tem coragem de assumir as consequências políticas de decisões que favoreceram o seu cunhado, ou seja o irmão da pessoa com quem ela estabeleceu essa relação. Acuso publicamente a Sra. Ministra de tentar tapar o sol com a peneira, procurando dissimular uma situação de nepotismo com a invocação de inexistência de casamento, ou seja, refugiando-se nos estereótipos de uma moralidade retrógrada e decadente.
 
A sra. ministra da Justiça tem o dever republicano de explicar ao país por que é que nomeou o seu cunhado, dr. João Correia, para tarefas no seu ministério, bem como cerca de 15 pessoas mais, todas da confiança exclusiva dele, nomeadamente, amigos, antigos colaboradores e sócios da sua sociedade de advogados. Isso não é uma questão da vida pessoal da Sra. Ministra. É uma questão de estado.
 
Nota: Desorientada no labirinto das suas contradições, a sra. ministra da Justiça mandou o seu chefe de gabinete atacar-me publicamente, o que ele, obediente, logo fez, mas em termos, no mínimo, institucionalmente incorrectos. É óbvio que não respondo aos subalternos da sra. Ministra, por muito que eles se ponham em bicos de pés. 
 
(por: A. Marinho e Pinto)

sábado, 23 de julho de 2011

DN OPINIÃO | José Manuel Pureza: A Política Despolitizada

Deixo o texto da coluna de José Manuel Pureza, desta Sexta-Feira, dia 22 de Julho, do Diário de Notícias, na rubrica DN OPINIÃO.
Penso que esta coluna foi a primeira e terá  continuidade.
O artigo está extraordinário e merece ser lido por ti.
JOÃO



A estes tempos de proclamadas inevitabilidades, a sabedoria de Mia Couto contrapõe o princípio da política: "contra factos, só há argumentos". E este é um tempo em que os arautos do "there is no alternative", de Margaret Thatcher, alérgico à argumentação plural e à disputa de políticas, guiam a governação europeia e a governação nacional.
A crise é a sua política, é ela que lhes serve de ensejo para dizer que os bens comuns são atavismos - e privatizá-los ao preço da uva mijona - e que os direitos sociais são obstáculos ao progresso - e trocá-los por uma combinação perversa entre exploração (sim, exploração!) e apologia da distribuição das sobras dos restaurantes ou das farmácias. E não, claro, não é nunca por opção política - é assim porque tem de ser assim. Este nojo da política, olhada e dita como mera feira de vaidades e de abotoamentos pessoais, é o caldo de cultura em que germina o elogio da governação como mera tecnicidade onde não se joga outra coisa que não seja a optimização de uma gestão supostamente neutra dos recursos orçamentais.
Veja-se o afã da máquina de comunicação do actual Governo português em dar centralidade mediática aos "independentes" que alinham no elenco de Passos Coelho e, em especial, ao ministro das Finanças. Por ali paira a fezada de que a "independência" do responsável pelas finanças públicas é garantia sine qua non de resistência contra o desbaratar de recursos que "os políticos" inevitavelmente impõem a seu favor. Aqui está, em todo o seu esplendor, a ideologia disfarçada de neutralidade. Vítor Gaspar não tem um programa? Quando decide que o imposto extraordinário incidirá sobre os rendimentos do trabalho, ficando os dividendos isentos, não fez a mais política e ideológica das escolhas? E o mesmo vale para a governação da Europa. O Banco Central Europeu é independente de quê? Quando Trichet bane do horizonte qualquer reestruturação da dívida grega em nome de uma ortodoxia que arrasta a União Europeia para a desconstrução e perpetua uma receita de austeridade sem outro horizonte que não seja o empobrecimento dos países periféricos do euro, que dizer da sua isenção política?
É em nome dessa exterioridade à política que os programas de austeridade e privatizações vêm sendo apresentados como cura técnica para a crise e não como escolha política para embaratecer o trabalho. A lógica é, de há muito, fundada numa fezada: "para podermos recuperar, temos de nos afundar primeiro". É a versão apocalypse now da promessa de acalmia dos mercados que iria ser trazida por cada PEC. É a fezada num fogo redentor que queimará os preguiçosos, os ineficientes, os corruptos, e nos deixará, no fim, uma sociedade pura, feita de gente empreendedora, poupada e responsável. Mas nem contada às criancinhas esta história cândida convence. No fim do fogo purificador restarão apenas cinzas. Porque é de cinzas frias que se trata quando o que se quer realmente obter é uma perda irreversível de pressão dignificadora dos salários, uma privatização em massa dos bens comuns e um abate estratégico de direitos universais. Não restarão mais que cinzas frias depois do empobrecimento e do desperdício de recursos que a recessão assim alimentada provocará. E não restarão mais que cinzas frias depois da desconstrução europeia que este plano necessariamente comporta, como se tem visto.
"Até que ponto devemos continuar a experimentar as ideias que falharam?" - pergunta o insuspeito Stiglitz. E assim denuncia que esta política feita de aversão à política é a mais política das políticas. Deixemos então tudo claro: não há senão argumentos em disputa e escolhas a fazer. Contra os factos que nos desumanizam. Ou a favor deles.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Derrube do Muro de Berlim - Vinte anos passados… Voto de Saudação do BE


Na noite de 9 para 10 de Novembro de 1989 – há 20 anos -, vivi, provavelmente, senão o fenómeno mais significativo da minha existência, um dos mais, a par do 25 de Abril e do fim do Apartheid, na África do Sul. Em Berlim, o povo derrubava o muro que os dividia desde 1961, povo que já estava dividido e governado, desde o final da guerra, em 1945, por 4 países: Inglaterra, França, Rússia e Estados Unidos.

Mas há 20 anos, numa sessão do Parlamento, foi decidido que as passagens existentes no Muro iriam ser abertas. E eu penso que isso aconteceu no dia 7 de Novembro de 1989, dia em que um dos meus sobrinhos nasceu. Lembro-me de saber que iam deixar de matar as pessoas que tentavam passar o muro. E eu estava feliz!

O Muro de Berlim era derrubado, finalmente; e tudo aconteceu sem tiros, sem agressões; sem medo! Tudo aconteceu de forma pacífica, como no 25 de Abril! Era a festa de uma nova vida!

Sei que há muitos muros ainda para derrubar… E penso que a HUMANIDADE mostra que não aprende com a HISTÓRIA! Não consigo conceber nem aceitar que ainda haja tantos muros: na fronteira entre os Estados Unidos e o México; na Cisjordânia e na Faixa de Gaza; em Schengen; na Ásia, Coreia do Norte e Coreia do Sul...; África… Enfim! Tantas e tantas divisões!

A queda do Muro de Berlim, momento simbólico do início do episódio da unificação de um mesmo povo, que não está completamente resolvido, pois existem ainda muitas diferenças entre os dois lados que estiveram divididos durante 27 anos, mas está no bom caminho… É um processo gradual e natural!

Ainda que a RDA pudesse ser mais desenvolvida, mais culta, as liberdades individuais eram muito acentuadamente eliminadas. E, como eu sou contra todo o tipo de regime totalitário, não podia estar do lado da RDA. O Comunismo descambou num um sistema social de fachada onde a desigualdade imperava e os privilégios da classe dominante era uma realidade; a repressão, a censura, a opressão militar e policial, as prisões políticas… em tudo idêntico ao que se passava nos governos fascistas. Só o nome é que mudava!

RDA – República Democrática da Alemanha. Uma mentira! A democracia existe quando o socialismo - e não o comunismo! – representa a não violação dos direitos humanos, a liberdade de expressão e a liberdade individual de cada ser humano.

Deixo-vos com a matéria que saiu na ESQUERDA.NET sobre a apresentação do voto do Bloco de Esquerda pela deputada Catarina Martins, voto de saudação pela queda do Muro de Berlim, apresentação a que eu assisti pela TV AR - na passada Quarta-Feira, dia 11 de Nov -, e que me deixou de queixo caído por só os Verdes terem apoiado o Bloco neste voto.

Deixo, também, o texto do voto apresentado pelo Bloco de Esquerda.

JOÃO

PS, CDS e PCP chumbam voto sobre os 20 anos da queda do Muro
12-Nov-2009

Nesta Quarta feira na Assembleia da República, o PS, o CDS e o PCP juntaram os seus votos para chumbar uma saudação apresentada pelo Bloco de Esquerda, a respeito da queda do Muro de Berlim há 20 anos.

Saudando a mobilização popular que fez cair um regime repressivo, o voto assinalava a construção de outros muros, como na Palestina, na fronteira entre os Estados Unidos e o México ou noutros lugares do planeta, e condenava todas as restrições aos direitos democráticos.

O PS preferiu alinhar com os votos apresentados pelo PSD e CDS, que recapitulavam a teoria do fim da História. A deputada Catarina Martins lembrou à direita e ao PS que o discurso da Guerra Fria sobre o "mundo livre" era feito quando em Portugal havia uma ditadura protegida por essa Guerra Fria. O PCP opôs-se a todos os votos que se referiam aos 20 anos da queda do Muro, enquanto os Verdes votaram com o Bloco de Esquerda.

Voto n.º.../XI de Saudação pela Queda do Muro de Berlim

As imagens da alegria contagiante e autêntica vivida por milhares de berlinenses na madrugada e dia 9 de Novembro de 1989, com a queda do Muro e com a promessa de democracia e de liberdade individual, convocaram o mundo para uma poderosa promessa de liberdade.
Hoje, vinte anos passados sobre a vitória da lenta, persistente e tantas vezes ignorada resistência contra a opressão, sabemos que a liberdade de circulação de capitais suplantou largamente a liberdade política e a progressão da democracia convocada pelos acontecimentos de Berlim.
Onde caiu o muro da vergonha outros se levantaram. Na Cijordânia e em Gaza, entre os Estados Unidos e o México, em Mellilla ou Fafah, ou entre as duas Coreias. Muros e barreiras que se ergueram ignorando os apelos internacionais e as vozes de protesto que pedem o respeito pelos mais elementares direitos humanos.
Reunida em Plenário, a Assembleia da República expressa a sua congratulação pela queda do Muro de Berlim, na expectativa de que todos os muros e barreiras artificiais sejam levantados, no cumprimento do mais elementar respeito pelos direitos humanos.