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domingo, 9 de setembro de 2012

Carlos Santos: «Contra a Impostura» | Esquerda.Net



Carlos Santos: "A mentira não é novidade deste governo, o que é novo é que toda a política governamental é um colossal embuste. A governação brutal e impostora tornará a política muito mais dura e violenta."

Não deixes de ler este artigo que coloca o dedo nas feridas.
E as nossas feridas são muitas!

JOÃO

   
                            

Contra a impostura

Sobre o autor

Carlos Santos
Carlos Santos

Dirigente do Bloco de Esquerda.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Dossier 157: 15 de Outubro - Protesto Global | Esquerda.Net


Vê o dossier sobre o "Protesto Internacional" do passado dia 15 de Outubro, organizado pelo meu camarada e amigo Carlos Santos.
JOÃO




15 de Outubro - Protesto Global
Outubro 16, 2011
“Nós somos os 99%”, escrito e cantado em diversos idiomas, e “A rua é nossa” foram lemas que ecoaram pelas manifestações do 15 de Outubro, um pouco por todo o mundo. Centenas de milhares participaram neste protesto global, nomeadamente em muitos países da Europa e nos Estados Unidos, mas ecoou também em alguns países da Ásia.

Neste dossier incluímos as notícias, artigos e opiniões diversas que o esquerda.net foi publicando ao longo dos dias sobre o Protesto Global. Incluímos também o material variado que fomos publicando sobre o movimento “Occupy Wall Street” e as suas acções em Nova Iorque e, um pouco por todos os EUA.

Dossier organizado por Carlos Santos

Info Esquerda.Net | Dossier 15 de Outubro - Protesto Global | Outros Temas

Tem dificuldade em ver este Email?

Dossier 15 de Outubro
- Protesto Global


Neste dossier incluímos as notícias, artigos e opiniões diversas que o esquerda.net foi publicando ao longo dos dias sobre o Protesto Global. Incluímos também o diferente material que temos publicado sobre o movimento "Occupy Wall Street" e as suas acções em Nova Iorque e, um pouco por todos os EUA.
Dossier organizado por Carlos Santos.
Ver dossier.


Assembleia Popular convoca manifestação para dia do Orçamento
Um dia depois do protesto global, que viu dezenas de milhares de manifestantes descerem as ruas de Lisboa, a Assembleia Popular convocada pelos subscritores do manifesto 15 de Outubro juntou várias centenas de pessoas em frente ao Parlamento e convocou uma concentração para o dia do Orçamento de Estado.
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A mistificação dos rankings
Francisco Louçã
Os resultados desmentem a superioridade da escola privada. E isso acontece tanto nas avaliações nacionais como nas suas comparações com resultados internacionais.
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Governo "ainda não revelou segredo das conclusões das negociações com a banca"
"Para que é que é imposta toda esta austeridade, quando ela vai conduzir a uma recapitalização da banca para restaurar nestes bancos prejudicados pela especulação e pelas suas próprias estratégias, o dinheiro que tanta falta faz aos portugueses, aos seus salários e às suas pensões?", questionou ainda Francisco Louçã neste domingo.
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Massacre de 17 de Outubro de 1961 em Paris

Há cinquenta anos, 300 argelinos foram mortos na "Batalha de Paris", comandada por Maurice Papon. O presidente francês Nicolas Sarkozy prepara-se para ignorar o aniversário deste massacre. Artigo de Robert Zaretsky, professor de história na universidade de Houston.
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15-O Concentração junto à AR em Lisboa
No final da manifestação de 15 de Outubro em Lisboa, milhares de pessoas concentraram-se junto à Assembleia da República. Imagens e sons dessa concentração.
Ver vídeo.


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Artigo de Carlos Santos: COLOSSAL | ESQUERDA


AGOSTO
2011 





Pois é, estamos num tempo de enormidades. Passos Coelho disse à porta fechada algo que alguns conselheiros nacionais do PSD vieram publicamente interpretar que ele considerara que as contas públicas tinham um desvio colossal. Porém, uma tal afirmação, se confirmada, desdiria as promessas anteriores do líder do PSD e, pior que isso, alertava os “mercados” e a troika que a situação das contas públicas era ainda pior, dando base a novos ratings lixo e a reforçadas pressões de todo o género. O ministro de Finanças de plantão reinterpretou e, com aval reforçado de Cavaco, o desvio colossal tornou-se trabalho governamental gigantesco. Uma crítica a outrem passava a auto-elogio e a dúvida ficava: dois em um, através de um jeito de pequena manobra.

Não é por acaso que o governo teve necessidade de adjectivar fortemente, assim procura criar a ideia que a realidade é uma enormidade, de que todos padecemos e para cujo tratamento todos teremos de sofrer.

Entretanto, o governo anunciou o corte drástico do 13º mês. Mas esta redução no rendimento da maioria das pessoas não atingirá depósitos bancários, nem dividendos, nem lucros, nem a maioria das mais-valias, que em cerca de 70% são recebidas por não residentes e por pessoas colectivas. O enorme corte nos rendimentos não é para todos, os mais ricos, as empresas e os bancos são poupados.

Depois do corte no subsídio de Natal, o governo divulgou aumentos dos transportes colectivos em mais de 15%, de novo é a maioria da população a pagar, enquanto o governo já prepara a redução das contribuições patronais para a segurança social. Novamente, mais ricos, empresas e bancos ganharão e quem trabalha será prejudicado.

E não ficam por aqui as novidades governamentais. Um ilustrativo exemplo está na nomeação da nova administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), com destaque para a ida de Nogueira Leite para vice-presidente do banco público. Provindo do grupo Mello, o novo vice-presidente da CGD é conselheiro nacional do PSD e conselheiro do seu líder Passos Coelho. Em 2010, o destacado economista do PSD era membro de, nem mais nem menos, 17 administrações de empresas, bancos e institutos. A administração da CGD é um job luxuoso para destacados boys do PSD e do CDS.

Colossal! O adjectivo ganha propriedade, mas... para ilustrar o brutal corte no rendimento dos trabalhadores portugueses e a gigantesca redistribuição de rendimentos a favor dos mais ricos e, prenuncia-se, dos amigos do governo. Para combater esta enormidade todos teremos de nos preparar para dignas mobilizações sociais.

Nota: Este número do jornal Esquerda não será impresso e enviado para casa de assinantes e aderentes do Bloco de Esquerda. Uma medida de contenção financeira decidida pelo direcção do partido. Por isso, este número tem um novo arranjo gráfico que facilita a sua visualização.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Artigo de Carlos Santos: PALAVRAS DE FERRO | ESQUERDA


MAiO
2011




Ferro Rodrigues não é José Sócrates. Para este já se sabe que “uma redução substancial” da taxa social única, com que se comprometeu com o FMI, significa “talvez uma pequena redução” antes das eleições e tudo o que FMI quiser no dia seguinte às eleições. Mas o antigo secretário-geral do PS fala mais claro e por isso vale a pena ouvi-lo.

Em sucessivas declarações, Ferro Rodrigues vem defendendo, com grande preocupação, um governo de maioria PS/PSD. Disse ele ao Diário Económico de 19 de Maio que [para aplicar o acordo com a troika] “vai ser necessário um governo de maioria” e acrescenta mesmo “e tudo está a caminhar para que um governo de maioria tenha de reunir o PS e o PSD ou o PSD e o PS”. Declarações semelhantes fez no debate com o cabeça de lista do PSD por Lisboa, realizado na TVI24.

Ou seja, a proposta de Ferro Rodrigues é aplicar o acordo com a troika e constituir um Governo de bloco central com o PSD. Não coloca nenhuma questão a um acordo que significa um tremendo agravamento das condições de vida da maioria do povo português e o empobrecimento do país, lançado na recessão. Apenas expressa uma vaga esperança que a UE e o FMI “tenham apreendido” com os fracassos da Irlanda e da Grécia. Ele que sabe bem que o acordo para Portugal é a repetição do mesmo tipo de planos. E a alternativa política é... levar o PSD para o Governo. Para quê? Para aumentar no executivo a pressão “radical de direita” de que se queixa?

Sabe-se que pôr em causa o acordo com a troika, defender uma auditoria da dívida e a sua renegociação não é simples e tem riscos políticos, perante a forte chantagem da UE e dos poderosos do país. Mas é a única opção séria para combater a bancarrota social e enfrentar uma reestruturação inevitável imposta pelos credores, mais tarde e em muito piores condições para o país, empobrecido pelo aprofundamento da crise.

Para um país que já tem um desemprego brutal e vive sob a ameaça do seu agravamento, ultrapassando o milhão de desempregados, aceitar um acordo que lança a economia numa maior recessão é um suicídio, sobretudo se o desemprego jovem for levado, como é o caso do nosso país.

O desemprego pode ser enfrentado, a precariedade pode ser combatida, o país pode enfrentar a situação difícil em que se encontra, mas para isso precisa de soluções de justiça fiscal, de justiça social, de justiça económica e isso só se consegue em rotura com o acordo com a troika e com as políticas dos que assinaram o acordo sejam eles o PS, o PSD ou o CDS.

Nestas eleições é preciso dar continuidade ao protesto que se fez ouvir em 12 de Março contra a precariedade, dar força ao combate de quem não quer viver pior que os seus pais, lutar por um futuro que não seja a emigração forçada, de quem é obrigado a fugir do país por falta de saída profissional e de emprego, por ausência de perspectivas e de esperança. O voto no Bloco é isso mesmo: a esperança de mudar de futuro.



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Artigo de Opinião de Carlos Santos: "Duas Troikas: A Exigência de 4 Banqueiros Mais Um Empresário" | Esquerda.Net


Um bom artigo de opinião de Carlos Santos, Dirigente do Bloco de Esquerda.
Importante o seu conteúdo. Vale a pena ler e pensar!...
JOÃO
Duas troikas: A exigência de 4 banqueiros mais um empresário

4 banqueiros impuseram a troika externa ao país, o grupo Jerónimo Martins tratou de lançar o marketing da troika interna, composta por PS, PSD e CDS.
Opiniao | 22 Abril, 2011 - 00:10
Por CARLOS SANTOS
Desde o 25 de Abril que não temos umas eleições assim. Vamos votar, mas o resultado já está decidido: teremos um programa único imposto pelo FMI, pela Comissão Europeia e pelo BCE. No entanto, no dia 5 de Junho o povo português votará e poderá recusar o diktat da troika do FMI.
E sabe-se também o que estas entidades “supra-nacionais” dizem e querem. Proclamam que os trabalhadores ganham de mais e querem impor-nos não só o PEC 4, mas novos cortes e em síntese: baixa de salários e privatizações aceleradas.
Tal como na Grécia e na Irlanda é um programa que não vai melhorar a situação do país, pelo contrário vai agravar e prolongar a crise económica e social. Não é um programa para cuidar do país, mas sim para impor a baixa dos salários (o aumento da exploração) e a entrega de bens e serviços públicos aos privados. É igualmente um programa destinado a garantir lucros elevados à banca nacional e europeia. No fundo, é um programa de pilhagem desenfreada, à boa maneira da tradição imperial e colonial das potências europeias e norte-americana, apoiado pelos “donos de Portugal”.
Chegámos aqui porque Sócrates seguiu uma política de facilitismo para com os poderosos e de cortes sobre a maioria, aprofundando a crise e a dívida. Perante uma forte dívida externa, os credores decidiram de repente impor unilateralmente uma subida brutal e galopante de juros.
No momento oportuno, os presidentes de BCP, BES, BPI e Santander-Totta reuniram e ditaram ao Governo a sentença, impondo publicamente o pedido de resgate.
Garantida a troika externa, foi organizado um manifesto a pedir uma troika interna: um compromisso entre o PR e “os principais partidos” para no imediato “assegurar a credibilidade externa” e que o futuro Governo seja apoiado por “uma maioria inequívoca”.
Sabe-se hoje (pelo Expresso de 16 de Abril) que esse manifesto foi decidido e escrito pelo presidente do Conselho de Administração do grupo Jerónimo Martins, mais um vogal do mesmo conselho e o presidente da fundação do mesmo grupo. Depois recrutaram Mário Soares para uma militância determinada na angariação das assinaturas.
Ou seja, 4 banqueiros impuseram a troika externa ao país, o grupo Jerónimo Martins tratou de lançar o marketing da troika interna, composta por PS, PSD e CDS, os tais “principais partidos”.
No dia 5 de Junho o povo português fará escolhas. Poderá submeter-se, como tem acontecido regularmente, aos ditames dos senhores do país e votar nas duas troikas. Mas pode também escolher romper com o costume e procurar outras soluções, começando por exigir uma rigorosa auditoria à fabulosa dívida externa pública e privada.
Portugal é um país pobre e pequeno, tem possibilidade de vencer as dificuldades com rigor e exigência, para o que é necessário, em primeiro lugar, recusar o esbanjamento e a sobre-exploração dos “donos de Portugal”.

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Sobre o autor

Carlos Santos
Dirigente do Bloco de Esquerda

quinta-feira, 10 de março de 2011

Artigo de Carlos Santos: A VAGA DE PROTESTOS | ESQUERDA


MARÇO
2011





A crise financeira continua a abalar o mundo. Em 2008, os Estados foram obrigados a intervir rapidamente, doando muitos milhões de euros e dólares para evitar o colapso iminente da finança mundial. Os prejuízos foram socializados nas contas públicas.

Depois de receber as ajudas dos Estados, a finança mundial lançou-se ao ataque às dívidas públicas para lançar os prejuízos sobre a maioria da população e assim continuar a acumular lucros chorudos. É por isso que estamos a enfrentar dolorosos planos de austeridade, que atingem a maioria da população, um pouco por todo o mundo. Mas é também por isso que vemos populações a lutar e a mudar a realidade existente, como acontece no mundo árabe.

No nosso país, o governo Sócrates, apoiado pelo PSD, impõe sucessivas medidas de cortes salariais, de redução brutal do investimento público, de limitações severas nos serviços públicos, degradando-os significativamente e provocando a catástrofe do desemprego. União Europeia, FMI, governos francês e alemão exigem ainda mais cortes na despesa pública portuguesa, ou seja querem agravar ainda mais a vida dos mais pobres, para que os bancos continuem a fazer disparar os juros. E, perante esta chantagem inaceitável, Sócrates e Teixeira dos Santos declaram solenemente que estão dispostos a impor mais austeridade.

Como deveria reagir o Bloco de Esquerda, face a uma situação destas que ameaça tornar-se ainda mais grave? Naturalmente, apresentando no parlamento a mais importante iniciativa contra tal política: uma moção de censura ao Governo.

No dia 10 de Março, a moção será debatida na Assembleia da República e já se sabe que não será aprovada, porque a direita ajudará o governo. Nada de novo no comportamento de PS, PSD e CDS. O governo impõe o agravamento das condições de vida, enquanto PSD e CDS suportam essa política, procurando que o PS se desgaste para tentarem captar eleitores para uma alternância, que garanta a continuidade das políticas de austeridade.

A censura ao governo, para além do parlamento, já começou e vai prolongar-se nas ruas. Para dia 12 de Março, um pequeno grupo de jovens tomou a corajosa iniciativa de convocar um protesto (apartidário, laico e pacífico) da “Geração à Rasca”. A 19 de Março terá lugar uma manifestação nacional convocada pela CGTP. Trabalhadores de diversas empresas e sectores, nomeadamente nos transportes, têm vindo a realizar sucessivas paralisações de protesto contra a política de cortes salariais. O sector da educação prepara-se para voltar à luta, estando convocada uma marcha para o dia 2 de Abril, em defesa da escola pública.

É este o caminho que os povos seguem. Na Irlanda, o partido que estava no governo sofreu uma monumental derrota e a esquerda teve uma subida significativa. Na Grécia, os trabalhadores já realizaram uma nova greve geral em 2011, depois de terem feito sete em 2010. No Wisconsin e no Ohio, funcionários públicos e estudantes realizam poderosos protestos, como há décadas se não viam. É nesta corrente de luta que nos integramos.

É por aqui que passa a mudança social.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Artigo de Carlos Santos: O TELEFONEMA DE SÓCRATES | ESQUERDA


FEVEREIRO

2011




Na semana anterior às últimas eleições presidenciais, o jornal britânico “Guardian” noticiou que Sócrates tinha telefonado a Angela Merkel pedindo-lhe ajuda e dispondo-se a “tudo fazer”, para que não fosse necessário pedir resgate ao chamado fundo europeu de estabilização e ao FMI. O jornal referia que uma testemunha disse que “Sócrates parecia desesperado e desejoso de agradar”. Posteriormente, o gabinete do primeiro ministro negou ao jornal britânico que o telefonema tivesse sido feito.

O telefonema pode não ter existido, mas a notícia não pareceu estranha a ninguém e não é por acaso. Na verdade, a preocupação do Governo é aplicar as exigências do FMI, do directório da União Europeia e da finança, sob o pretexto de evitar o pedido de resgate. Ou seja, aplicar a política do FMI com ou sem a presença do FMI.

Sob a chantagem de taxas de juro altíssimas que visam a salvação dos bancos europeus e que a longo prazo são impossíveis de pagar, o Governo está de facto disposto a “tudo fazer”. Procura que a China e países árabes comprem dívida, mas também tenta vender-lhes importantes empresas públicas portuguesas. Mas, sobretudo, o Governo segue uma política de dura austeridade contra a maioria da população, de cortes sucessivos e cada vez maiores nos serviços públicos, na saúde, na educação, na cultura. As mais recentes notícias apontam, por exemplo, o abandono do ensino superior por milhares de estudantes universitários, devido aos drásticos cortes na atribuição de bolsas de estudo.

Numa entrevista à agência Lusa, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos alertava que há um “retrocesso nas conquistas democráticas” que provocará uma profunda crise social, salientando mesmo que a crise social já existe só que “é um pouco surda, porque as pessoas ainda estão num estado de choque, não se deram conta de todas as consequências desta crise”.

É desse “estado de choque” que urge sair. Com ou sem a presença do FMI, o Governo vai prosseguir nos cortes, pretende agora facilitar os despedimentos e que os trabalhadores passem a financiar os seus próprios despedimentos, descontando dos seus salários para um fundo com esse objectivo. Se não reagirmos a esta ofensiva contra os nossos direitos sociais, enfrentaremos uma situação e medidas cada vez piores. A Comissão Europeia e o directório da União Europeia estão a pressionar os Estados para aplicar uma política de ataque ao chamado modelo social europeu, procuram que a maioria da população pague a crise para beneficiar os bancos e a finança.

É preciso que o povo português faça ouvir nas ruas o seu protesto contra esta política de austeridade. Só a multiplicação dos protestos contra este desastre social, em Portugal e na Europa, pode abrir caminho à mudança política necessária, contra a chantagem da dívida e em defesa dos serviços públicos.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Artigo de Carlos Santos: UM PRESIDENTE CONTRA A AUSTERIDADE E O FMI | ESQUERDA


JANEIRO

2011




Portugal continua a ser alvo de uma poderosa campanha para pedir o resgate financeiro e a entrada do FMI.

Quem desenvolve esta campanha são, em primeiro lugar, os grandes bancos especuladores europeus, como o Deutsche Bank, o maior banco privado alemão e um dos maiores da Europa e do mundo. Um alto quadro desse banco, Thomas Mayer, veio declarar ublicamente que os mercados financeiros levantam “grandes interrogações sobre Portugal, e esperam que, mais cedo ou mais tarde, o País tenha de recorrer ao fundo de resgate europeu, e acham que devia fazê-lo rapidamente”. O Deutsche Bank joga um papel chave nos mercados financeiros e quer garantir a subida dos juros da dívida portuguesa. Aliados aos seus grandes bancos especuladores estão os Governos de direita da Alemanha e da França, assim como a Comissão Europeia igualmente de direita, com os seus programas de mais privatizações e de ataque à Europa social. Com a entrada do FMI e o recurso ao fundo de resgate financeiro europeu, a política de austeridade para a maioria do povo seria prolongada e seriam impostas novas e mais gravosas medidas, assim como assistiríamos a renovados ataques aos direitos dos trabalhadores e aos serviços públicos, como vimos acontecer na Grécia e na Irlanda.

Perante as constantes pressões, chantagens e ameaças, o Governo, com o apoio do PSD, tem vindo a aplicar as medidas de austeridade, os aumentos de impostos e os cortes sociais reclamados pela banca, pela comissão europeia e pelos governos francês e alemão. O Governo do PS tenta provar que aplica a receita imposta, sem ser preciso o FMI. O PSD, como não está no Governo e quer para lá voltar rapidamente, procura por todos os meios que o FMI entre, para com essa muleta impor o seu programa, que anunciou nas propostas de revisão constitucional, nomeadamente a liberalização dos despedimentos e a ofensiva deliberada contra o Serviço Nacional de Saúde.

Cavaco Silva, que apoiou fortemente a política de austeridade do Governo, é na Presidência um defensor do conservadorismo e um grande apoio a todas as medidas contra o Estado Social.

Manuel Alegre, pelo contrário, defende o Estado Social e os serviços públicos, é contra a política de austeridade e contra a entrada do FMI. Opõe-se à liberalização dos despedimentos, como se opôs aos Códigos de Trabalho de Bagão Félix e Vieira da Silva. Na Presidência, Alegre seria um elemento chave na resistência à política neoliberal.

O voto em Alegre é, pois, um voto em defesa dos direitos sociais, um voto contra a austeridade, um voto contra o FMI. É ainda um passo importante na luta por uma esquerda grande, por uma ampla frente de luta contra o neoliberalismo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Artigo de Opinião de Carlos Santos: "Um Presidente Contra a Austeridade e o FMI" | Esquerda.Net


«O voto em Alegre é um voto em defesa dos direitos sociais, um voto contra a austeridade, um voto contra o FMI.»
Esta é a opinião de Carlos Santos, Dirigente do Bloco de Esquerda, e de muitos dos portugueses conscientes que só Manuel Alegre poderá ser o Presidente de todos os portugueses e para todos os cxenários possíveis em Portugal.
Faz como eu e Carlos Santos: Vota em Manuel Alegre!
JOÃO

Um Presidente contra a austeridade e o FMI

O voto em Alegre é um voto em defesa dos direitos sociais, um voto contra a austeridade, um voto contra o FMI.

Opiniao | 12 Janeiro, 2011 - 01:05
Por CARLOS SANTOS

Portugal continua a ser alvo de uma poderosa campanha para pedir o resgate financeiro e a entrada do FMI.

Quem desenvolve esta campanha são, em primeiro lugar, os grandes bancos especuladores europeus, como o Deutsche Bank, o maior banco privado alemão e um dos maiores da Europa e do mundo. Um alto quadro desse banco, Thomas Mayer, veio declarar publicamente que os mercados financeiros levantam "grandes interrogações sobre Portugal, e esperam que, mais cedo ou mais tarde, o País tenha de recorrer ao fundo de resgate europeu, e acham que devia fazê-lo rapidamente". O Deutsche Bank joga um papel chave nos mercados financeiros e quer garantir a subida dos juros da dívida portuguesa. Aliados aos seus grandes bancos especuladores estão os Governos de direita da Alemanha e da França, assim como a Comissão Europeia igualmente de direita, com os seus programas de mais privatizações e de ataque à Europa social.

Com a entrada do FMI e o recurso ao fundo de resgate financeiro europeu, a política de austeridade para a maioria do povo seria prolongada e seriam impostas novas e mais gravosas medidas, assim como assistiríamos a renovados ataques aos direitos dos trabalhadores e aos serviços públicos, como vimos acontecer na Grécia e na Irlanda.

Perante as constantes pressões, chantagens e ameaças, o Governo, com o apoio do PSD, tem vindo a aplicar as medidas de austeridade, os aumentos de impostos e os cortes sociais reclamados pela banca, pela comissão europeia e pelos governos francês e alemão. O Governo do PS tenta provar que aplica a receita imposta, sem ser preciso o FMI. O PSD, como não está no Governo e quer para lá voltar rapidamente, procura por todos os meios que o FMI entre, para com essa muleta impor o seu programa, que anunciou nas propostas de revisão constitucional, nomeadamente a liberalização dos despedimentos e a ofensiva deliberada contra o Serviço Nacional de Saúde.

Cavaco Silva, que apoiou fortemente a política de austeridade do Governo, é na Presidência um defensor do conservadorismo e um grande apoio a todas as medidas contra o Estado Social.

Manuel Alegre, pelo contrário, defende o Estado Social e os serviços públicos, é contra a política de austeridade e contra a entrada do FMI. Opõe-se à liberalização dos despedimentos, como se opôs aos Códigos de Trabalho de Bagão Félix e Vieira da Silva. Na Presidência, Alegre seria um elemento chave na resistência à política neoliberal.

O voto em Alegre é, pois, um voto em defesa dos direitos sociais, um voto contra a austeridade, um voto contra o FMI. É ainda um passo importante na luta por uma esquerda grande, por uma ampla frente de luta contra o neoliberalismo.

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Sobre o autor


Carlos Santos

Dirigente do Bloco de Esquerda

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Artigo de Carlos Santos: GOVERNAÇÃO À FMI


DEZEMBRO
2010




O próximo ano não promete, à partida, boas novidades para a esmagadora maioria da população portuguesa. Logo em Janeiro o IVA vai aumentar e a retenção na fonte do IRS também, o que agravará drasticamente as condições de vida, reduzindo o rendimento da maioria.

O orçamento de Estado, recentemente aprovado por PS e PSD, vai trazer mais dificuldades, provocando o aumento do desemprego e o alastrar da crise.

Mas o Governo PS não está a pensar parar por aqui nas medidas de austeridade contra a maioria da população. Sócrates prepara-se para rasgar o acordo assinado em 2006 com os parceiros sociais, que prevê 500 euros para o salário mínimo em 2011, e anuncia encapotadamente a revisão da legislação laboral, para facilitar despedimentos individuais e diminuir drasticamente as indemnizações. O ministro das Finanças alemão assegurou mesmo, depois de uma reunião dos ministros europeus das finanças, que Portugal vai rever a lei laboral, no que diz respeito aos despedimentos, vai fazer alterações na saúde pública, ou seja ainda mais cortes no Serviço Nacional de Saúde, e “reformas” nos transportes, que veremos no futuro o que significa. Teixeira dos Santos não prestou declarações no final desta reunião e, como “quem cala consente”, deu o aval às atoardas lançadas pelo ministro alemão.

O Governo Sócrates, apoiado pelo PSD, está assim a aplicar o plano do FMI, para tentar mostrar que cumpre todas as ordens e, por isso, não é necessário que aquela nefasta instituição regresse a Portugal.

Em simultâneo com as medidas de austeridade para a maioria da população, PS, PSD e PP garantiram na Assembleia da República que para os bancos e as grandes empresas não há austeridade: podem antecipar o pagamento de dividendos para fugir ao fisco e têm igualmente garantidos benefícios fiscais e isenção de mais valias bolsistas.

Só na PT, com a venda da Vivo, PS, PSD e PP garantiram o não pagamento de cerca de 1.100 milhões de euros de imposto sobre as mais valias. O Governo desdisse-se mesmo e depois de afirmar, pelas vozes do primeiro ministro e do ministro das Finanças, que a decisão da PT era “imoral”, tratou de garantir o aval parlamentar à imoralidade.

Foi contra esta governação à FMI e para proteger os interesses da finança mundial que a maioria dos trabalhadores portugueses parou no dia 24 de Novembro em greve geral. Foi sem dúvida um grande sucesso de luta, com uma participação massiva, a convocação conjunta pelas duas centrais sindicais, o que não acontecia há 20 anos, e com a novidade de se terem realizado mais acções de rua e um concerto/festa no centro de Lisboa.

O combate a esta política vai continuar em 2011, exigindo novas e inovadoras mobilizações sociais. E passa também pelo combate à candidatura de Cavaco Silva, o candidato da política de austeridade, e o apoio à candidatura de Manuel Alegre, o candidato que vem combatendo a presidência favorável ao FMI.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Artigo de Carlos Santos: HÁ ALTERNATIVA

NOVEMBRO
2010






Os quatro maiores bancos privados, que actuam em Portugal, tiveram nos primeiros nove meses deste ano lucros no montante de 1.122 milhões de euros, ou seja mais de quatro milhões por dia. A crise que o país vive tem dois lados: aumento do desemprego e agravamento das condições de vida da maioria dos portugueses, por um lado, aumento dos lucros da banca, por outro. É esta a realidade, que o orçamento e as medidas votadas por PS e PSD ainda agravam brutalmente, com os cortes em salários, serviços públicos e apoios sociais e com o aumento de impostos. A banca, o sector mais privilegiado entre os privilegiados, sempre tem pago impostos reduzidos, abaixo da lei, e o orçamento do bloco central garante a continuidade dessa situação.

Porém, apesar de todas as medidas apontadas pelos “intérpretes”, ou porta-vozes, dos chamados mercados financeiros estarem a ser aprovadas pelo Governo, com o apoio do PSD, os juros da dívida portuguesa não descem. Diziam que era preciso tomar medidas dolorosas para “acalmar” os mercados - o Governo anunciou o PEC3; passaram a reclamar a aprovação de um orçamento - depois de aprovado na generalidade os mercados afinal não se “acalmaram” e os juros da dívida continuaram altos e mesmo a subir. Há quem defenda a necessidade de intervenção do FMI, mas basta ver a situação da Grécia para perceber que essa intervenção imporá medidas ainda mais gravosas contra quem trabalha, mas não garante qualquer baixa dos juros da dívida. Como se sabe a mentira tem perna curta...

Os mercados financeiros são os bancos e são eles que estão a impor a subida dos juros, a qual é apenas um objectivo em si e pouco tem a ver com a credibilidade dos países devedores. E os bancos nos mercados financeiros só podem continuar a impor a subida porque a União Europeia, sob o comando da direita de Merkel, Sarkozy e Cameron, está a aplicar uma política para fazer recair a crise sobre quem trabalha e salvar os fabulosos lucros da banca. A Comissão Europeia, presidida pelo amigo de Bush e Aznar, é a cara dessa política e a instituição que mais fomenta a especulação e a chantagem.

A esta política de austeridade para os pobres, imposta à força e difundida como inevitável, há que responder que há alternativa. O Bloco de Esquerda apresentou 15 medidas alternativas ao OE 2011, que garantiriam o crescimento económico e a diminuição de despesas e aumento de receitas públicas. A mudança fundamental é atacar interesses instalados e que estão a ser privilegiados pelo bloco central.

O caminho para conquistar essa mudança depende da cidadania. Depende do protesto e da rejeição da política do Governo e do bloco central, por parte de quem trabalha. Por isso, é tão importante a greve geral de 24 de Novembro. Se as cidadãs e os cidadãos se calarem e submeterem passivamente, então ao PEC3 seguir-se-á o PEC 4, com mais cortes nos direitos e nos serviços públicos...

sábado, 16 de outubro de 2010

Editorial de Carlos Santos: «Nova Comuna: Um Novo Tema na Eurocrise» | A COMUNA

Saiu mais uma revista "A Comuna", a nº 23.

Destaque para:
  • A abordagem à Eurocrise com artigos de Luís Fazenda, Pedro Filipe Soares e Moisés Ferreira, Bruno Góis e Ana Cansado;
  • Joana Mortágua aborda a NATO em tempos de cimeira em Portugal;
  • Mário Tomé aborda José Saramago.
Fica o Editorial, de Carlos Santos.

JOÃO
 Nova Comuna: Um novo tema na Eurocrise
15-Out-2010
Por toda a Europa os temas centrais da política têm sido a crise da dívida pública e os pacotes de austeridade. Na verdade, vive-se uma nova fase da crise e assiste-se a enorme disputa sobre como sair dela e quem paga as suas consequências.

A crise atingiu profundamente a Europa, nomeadamente o sector financeiro, muito envolvido no subprime norte-americano e nas bolhas do imobiliário em diversos países do continente. Já por várias vezes foi decretada a “boa” saúde do sector financeiro, nomeadamente da banca. Mas tardam a ser digeridas as dívidas tóxicas e regularmente mais um banco qualquer necessita da intervenção urgente do respectivo Estado. Viu-se no caso da Islândia, falida pela aventura financeira. Depois da Islândia muitos países tiveram de socorrer os seus bancos, o último caso conhecido é o da Irlanda. O “tigre celta” está com mais de 30% de défice, devido ao extraordinário auxílio que o Estado irlandês teve de prestar à sua banca.

Da crise dos bancos deixou de se falar, o centro foi transferido para as dívidas públicas. Mas estas dispararam em consequência da crise, após os auxílios à banca e depois de anos de desregulação, de privatizações e de financiarização da economia.

Os pacotes de austeridade garantem que os povos pagam os juros da dívida, através de reduções salariais, de cortes nos serviços públicos e nos sectores sociais e por aumentos de impostos sobre quem trabalha. Trata-se do maior ataque ao modelo social europeu, por um lado, e da maior redistribuição a favor do capital financeiro, por outro. Estado social e financiarização excluem-se a prazo.

No entanto, um novo tema surge à força, apesar da má vontade dos media e dos governos: as greves gerais e os protestos massivos. Sete greves gerais na Grécia, várias manifestações e greves prolongadas em França, diversas manifestações e protestos em países do leste, greve geral em Espanha a 29 de Setembro - dia de protesto europeu contra a austeridade.

A 24 de Novembro, Portugal vai também ter uma greve geral, que será certamente o maior protesto social, desde há muitos anos.

Nesta Europa em crise, o debate político e o combate ao pensamento único da inevitabilidade das políticas à FMI são essenciais. Este número da Comuna pretende ser um pequeno contributo para esse debate.

Carlos Santos

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Artigo de Carlos Santos: UM IMENSO PROTESTO SOCIAL




OUTUBRO
2010




Nunca uma greve geral teve um objectivo tão simples: resistir ao roubo dos rendimentos da maioria da população. Protestar contra os cortes nos apoios sociais, nos serviços públicos, no abono de família. Combater o abaixamento dos salários, o aumento do IVA e dos impostos que atingem a maioria da população.

Nunca uma greve geral teve um inimigo tão claro: os bancos. Quando é noticiado que os “mercados financeiros” estão “nervosos” e não têm confiança no nosso país o que isso significa é que os bancos, que são quem compõe os mercados financeiros, exigem mais dinheiro à maioria da população portuguesa e europeia, para tapar os buracos que têm nas suas contas e garantirem o aumento constante dos lucros.

O governo Sócrates ao decretar os sucessivos pacotes de austeridade, cada vez mais brutais, apenas faz o inverso do Zé de Telhado: Este roubava aos ricos para dar aos pobres, o Governo faz o contrário.

Dois exemplos para mostrar que as coisas são assim tão simples. Primeiro, o Governo português e o banco público já enterraram no BPN mais de 4.000 milhões de euros, mas continua sem se saber quanto é que os contribuintes vão pagar em definitivo. Se de facto estivessem preocupados com o défice público este era o primeiro caso a tratar, pois pode fazer o défice disparar significativamente. Mas Governo, Presidente da República, Banco de Portugal, PS e PSD nem querem falar do assunto. E além do BPN ainda existe o BPP e o seu enorme buraco financeiro...

Segundo caso, a Irlanda terá este ano um défice público superior a 30% do PIB, porque o país teve de enterrar 50.000 milhões de euros em bancos falidos crivados de dívidas impagáveis. A Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, sempre tão zelosos contra a subida dos défices públicos, estão de acordo, “apenas” exigem que a população irlandesa pague rapidamente o dinheiro enterrado nos bancos.

Quando Sócrates veio anunciar os cortes brutais do PEC3 assumiu a capitulação perante as exigências da banca. A esta enorme pressão da aristocracia financeira só se pode responder com a força, por isso a greve geral a 24 de Novembro. E a greve geral tem condições para ser um imenso protesto social.

Tem grande capacidade de unir amplos sectores da população, porque as medidas afectam a esmagadora maioria e a convocatória junta as duas centrais sindicais.

Integra-nos na corrente de protesto europeu, que se manifesta em quase todos os países: na Grécia já existiram sete greves gerais este ano, na França as greves e manifestações têm-se multiplicado, na Espanha realizou-se uma greve geral a 29 de Setembro que teve mais de 70% de adesão, em vários países do leste estão a realizar-se os maiores protestos desde a queda do muro de Berlim.

E tal como na restante Europa, a greve geral certamente terá piquetes em sua defesa e será acompanhada de concentrações e manifestações por todo o país.

24 de Novembro pode ser o dia da grande mobilização em defesa do Estado Social.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

China, o Império dos Baixos Salários e a Onda Grevista de 2010 | Tema em Debate no Fórum "Socialismo 2010"

Já era tempo de algo "mexer" na China! Os trabalhadores do resto do Mundo ficarão gratos se o trabalho, na China, for mais bem pago e os trabalhadores mais dignificados.

Levará o seu tempo... Mas ficaremos todos a ganhar!

JOÃO


 Onda grevista na China

Diversos analistas internacionais consideram que estas greves marcam o fim da era dos baixos salários na China. Será assim? O tema estará em debate no Fórum Socialismo 2010, apresentado por Carlos Santos, sob o título: China, o império dos baixos salários e a onda grevista de 2010.
Artigo | 25 Agosto, 2010 - 00:20

No primeiro semestre de 2010, um conjunto de greves em fábricas chinesas foram notícia em todo o mundo, destacando-se pelo seu ineditismo e pela circulação da informação em todo o mundo.

O movimento ficou marcado pela greve na fábrica da Honda em Foshan, Guangdong, onde os trabalhadores pararam a produção durante mais de quinze dias, exigindo melhores salários. No final, os trabalhadores tinham conseguido importantes vitórias e deixado um caderno reivindicativo para o futuro.

A greve iniciou-se quando Tan Guocheng, um jovem operário de 23 anos migrante da província de Hunan, carregou no alarme provocando a paragem da linha de montagem. A seguir à sua acção, Xiao Lang, outro jovem operário de 20 anos também migrante de Hunan, provocou a paragem de outra linha de montagem. Com as linhas paradas, mais de cem operários foram abandonando os locais de trabalho, percorrendo a fábrica, fazendo saber à administração que exigiam aumento de salários. A greve começou a 17 de Maio, foi interrompida por 4 dias, recomeçando depois a 21 de Maio já com a participação dos cerca de 1800 trabalhadores da empresa e levando à paragem de toda a produção das diversas fábricas da Honda na China. Após diversas peripécias e confrontos, os trabalhadores chegaram a um acordo com a empresa, em que esta aceitou um aumento de 35% nos salários dos trabalhadores e de 70% dos estagiários (estudantes do secundário, que eram a maioria dos trabalhadores da fábrica).

A greve foi dirigida por um conjunto de trabalhadores escolhidos pelos operários contra a vontade da direcção do sindicato e em aberto conflito com ela. Das reivindicações dos trabalhadores ficou para o futuro a exigência da reorganização sindical e da eleição dos seus representantes na empresa pelos trabalhadores, além de outras reivindicações como o subsídio de antiguidade.

À greve da fábrica de Foshan, seguiram-se outras greves em fábricas da Honda e também noutras empresas privadas, nomeadamente na Toyota.

Desta onda grevista, o jornal Guardian concluía, no dia 17 de Junho num artigo assinado pelo seu correspondente na Ásia, que as “greves na China [são] o sinal do fim da era dos baixos salários”. A mesma conclusão foi repetida por diversos órgãos de informação de outros países, nomeadamente dos Estados Unidos, e noticiada pela própria comunicação social oficial chinesa.

Esta conclusão estará certa? A ser verdade, terá repercussões mundiais importantes, nomeadamente para os trabalhadores de todo o mundo. Mas para chegar a essa conclusão será necessário ir mais longe do que a simples análise do movimento grevista deste 2010. Em qualquer caso, tudo aponta para que algo está a mudar no império dos baixos salários.

Estas questões estarão em debate no próximo Domingo em Braga, no Fórum Socialismo 2010.
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do Fórum Socialismo 2010 para a aumentares e a poderes ler.