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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

MADRID - CONCENTRAÇÃO MANTEM-SE "Para comemorar o retorno de Aminetu Haidar ao Sahara Ocidental"


No site da "Coordenadora Estadual das Associações de Solidariedade com o Sahara", na página
vem um comunicado a manter a Manifestação/Concentração pela Aminetu Haidar.
Por isso, eu fiz uma tradução livre de parte do comunicado, que vos deixo, e que já é suficiente para perceberem a razão da manutenção da Manifestação/Concentração.
Também pode ir ao site ler todo o comunicado em Espanhol.
Espero que muitos de vós consigam ir ao evento que eu penso, também, dever ser mentido para dar vivas ao Povo Saharaui, aos seus direitos humanos, à Aminetu Haidar, à sua dignidade humana, Já para não falar do dar VIVAS! à luta ganha por uma mulher maravilhosa: Aminetu Haidar!

COMUNICADO URGENTE SOBRE A MOBILIZAÇÃO PARA O DIA 19 DE DEZEMBRO

URGENTE Dia da Imprensa na mobilização de 19 de Dezembro

A previsão que tínhamos cumpriu-se. Alcançado o objetivo fundamental da manifestação, que era "Para o regresso de Aminetu Haidar ao Sahara Ocidental", algumas das organizações convocantes (partidos políticos, organizações sociais e sindicatos), a princípio pensaram já não haver objectivo na convocação para a manifestação. Contudo, a partir do CEAS-Sahara propusemo-nos a manter a manifestação e aproveitar a autorização já concedida para a manifestação.

A fim de manter a boa vontade de todas as organizações fundadoras, (...)

(…) Por tudo isto, convidamos e encorajáramos todas aquela pessoas e grupos partidários e colectividades para participarem na concentração de Madrid, onde todos serão bem-vindos a juntarem-se e compartilharem esta vitória, que é de todos, conjuntamente com com outros grupos, e especialmente, com a Plataforma de Apoio à Aminetu Haidar, em Lanzarote.

Viva o Povo Saharaui! Viva a Sua Dignidade!
Aminetu Venceu!!! Hurra Sahara!!!

A Lutadora Saharaui, Aminetu Haidar, regressa ao Sahara Ocidental, a El Aiún - Ganhou a sua LUTA!

Eu estou imensamente feliz e muito comovida!
JOÃO

"Isto é uma vitória para o direito internacional, para a justiça internacional e para a causa saharauí", declarou a activista saharauí antes de sair do hospital rumo ao aeroporto, de onde partiu para El Aiún.


Ver mais no clicando aqui:

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Parlamento Europeu cancela Debate sobre Aminetu Haidar que foi hospitalizada


Após 32 dias em greve de fome, Aminetu Haidar foi hospitalizada…
Uma delegação da JS portuguesa seguiu já viagem para Lanzarote, em solidariedade com Aminetu Haidar. Os jovens do PS levavam com eles uma carta de Ana Gomes, Eurodeputada pelo PS, e ainda uma faixa da vigília que, esta semana, se realizou em Lisboa em nome da lutadora Aminetu Haidar.
Enquanto isto, o Parlamento Europeu cancelou o debate sobre a luta da activista saharaui, que apenas já quer só ir morrer na sua cama.
Onde estão os defensores dos Direitos Humanos no Parlamento Europeu?!
Ana Gomes, segundo percebi numa reportagem rápida na TV, indignada com o comportamento do Parlamento Europeu e com os Governo Espanhol e Marroquino, vai, também, para Lanzarote…
Neste vídeo que vos deixo, Rui Tavares, o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda, critica o cancelamento do debate… O som está mau. Mas dá para ver e ouvir a reacção deste Europdeputado do BE.
JOÃO

Eurodeputados manifestam-se à porta da sessão plenária

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

MANIFESTAÇÃO IBÉRICA por Aminetu Haidar há um mês em greve da fome...


Manifestação Ibérica por Aminetu Haidar que está há um mês em greve da fome pelo direito de voltar a casa e, por isso, em perigo de vida.
Recordo que Aminetu Haidar é uma activista saharauí, nascida no Sahara Ocidental, e que se encontra desde o dia 15 de Novembro p.p. em greve de fome, no aeroporto de Lanzarote, Canárias.
Se puderes vai à manifestação que é já no próximo dia 19 de Dezembro. Podes ir com o Bloco de Esquerda.

A Manifestação de Solidariedade é em Madrid, pelas 12h na Praça Cibeles.
As inscrições para autocarro podem ser feitas por mail para
ou para o telemóvel 969891050.

Se quiseres ir, mas não com o Bloco de Esquerda, clica no link em baixo

JOÃO


MANIFESTAÇÃO IBÉRICA POR AMINETU HAIDAR
Madrid, Sábado 19 de Dezembro
às 12.00 horas na Praça das Cibeles

TODOS COM AMINETU!
Obrigado por ajudar-nos a a difundir esta convocatária.

Portugueses e Portuguesas: quem quiser ir a Madrid participar na grande manifestação de apoio e solidariedade a AMINETU HAIDAR façam-nos chegar essa manifestação de vontade a fim de podermos organizar o número de autocarros que se deslocarão à capital de Espanha.

O horário será, em príncipio este: PARTIDA de Lisboa e/ou Porto e /ou Coimbra pelas 23H00 de Sexta-Feira, dia 18 de Dezembro; REGRESSO, Sábado, dia 19 de Dezembro, pelas 16 horas locais.

Amanhã saberemos informar qual o custo da deslocação.

Enviem-nos email e telemóvel!

Favor contactar - Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Aminetu Haidar: o 29º Dia em Greve de Fome!

Não consigo ficar indiferente e mesmo sofrer pela Aminetu Haidar.
Aos que lerem textos escritos sobre esta estraordinária mulher, mãe de duas crianças, activista saharaui, que está em greve de fome desde meados de Novembro por uma causa mais do que justa, perante a indiferença de quem a poderia autorizar a voltar para casa, peço que reenviem esses textos para todos os vossos conhecimentos, para que todas as caixas de correio se encham e as mensagens darem várias voltas ao mundo.
Este texto que vos deixo, de José Goulão, li-o no novo site do Portal Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu conhecido por:
" be internacional".

JOÃO


Aminetu Haidar: o 28º Dia
Domingo, 13 Dezembro 2009 22:43

28º dia de greve da fome de Aminetu Haidar. Só a resistência física, moral e humanista da combatente saraui resiste. Os políticos e diplomatas que poderiam fazer alguma coisa permanecem tão alheios ao drama como sempre. Terça-feira, vigília em Lisboa às 18 e 30 frente ao Centro Jean Monnet.

Chamam-lhe já a “Gandhi do Saara”, mas estes títulos servem principalmente para a História, para testemunhar respeito pelos vultos que fazem a diferença, mas não quebram o gelo dos que se guiam pelo GPS dos interesses económicos e estratégicos. Títulos como esse motivam milhões de pessoas através do mundo inteiro, como aquelas que vão estar esta terça-feira na vigília de Lisboa, mas os senhores que por tudo e por nada invocam o Estado de Direito democrático são incapazes de se comover com o a coragem de uma mulher que pretende ver respeitado o direito de viver na sua terra, com a sua família, identificada por um passaporte que corresponda de facto à sua nacionalidade. Parece simples, mas os senhores que todos os dias fazem o “sacrifício” de enviar mais soldados para o Afeganistão, a Bósnia ou o Kosovo não são capazes de olhar nos olhos dessa mulher e salvar a sua vida.

Das Canárias chega a notícia de que os socialistas canários, através do seu coordenador, Arcadio Dias Tejero, testemunharam o seu “carinho e apoio” a Aminetu Haidar, que jaz num cubículo do aeroporto de Lanzarote. Para eles “será um fracasso da comunidade internacional e do Estado de Direito permitir que uma situação como esta não chegue a bom termo”. Tejero revolta-se contra aqueles que querem aproveitar o caso com intuitos partidários e certamente lá terá as suas razões. Ninguém pode esquecer-se, porém, de que é um chefe de governo socialista que em Espanha tem a faca e o queixo na mão para fazer chegar a situação ao tal “bom termo” mas que é incapaz de enfrentar as autoridades de Marrocos com uma parte ínfima da coragem com que Aminetu enfrenta a morte, se calhar iminente.

Tejero e os companheiros socialistas canários têm a tragédia dentro de casa e provavelmente a sua consciência está mais sensível com o drama sob os seus olhos. Mas ao 28º dia, tal como no primeiro, nenhum chefe de governo da União Europeia, de Espanha, Portugal (sim, Portugal) ou dos outros 25 mexeu uma palha para salvar Aminetu, que apenas quer viver em casa, com a família, no seu país livre. A submissão à intransigência de Marrocos continua a prevalecer.

Deputados da Esquerda Unitária Europeia estiveram com Aminetu Haidar em Lanzarote para lhe testemunhar uma solidariedade dos cidadãos europeus, se calhar maioritários, que não se reconhecem na violência exercida sobre a resistente saraui. Ao fim da tarde de terça-feira, os portugueses que acorrerem à vigília manifestarão simbolicamente à União Europeia o seu desencanto por uma entidade que tantos e tão altos princípios invoca não ser capaz de salvar uma vida humana.

Escrito por José Goulão

domingo, 13 de dezembro de 2009

Carta aberta de Aminetu Haidar à Sociedade Espanhola no Día Internacional dos Direitos Humanos




Carta abierta de Aminetu Haidar a la sociedad española en el Día Internacional de los Derechos Humanos

Hoy es 10 de Diciembre, Día Internacional de los Derechos Humanos. En estos momentos en los que se conmemora un día sagrado para la Humanidad, un día de ideales y de principios que garantizan los derechos básicos; yo, que soy defensora de Derechos Humanos, estoy en huelga de hambre desde hace 25 días a causa de la injusticia y de la falta de respeto a los Derechos Humanos.

Hoy, después de mi expulsión ilegal de mi tierra por las autoridades marroquíes, después de ser retenida ilegalmente en este aeropuerto de Lanzarote por el Gobierno español y de ser separada de mis hijos contra mi voluntad, siento más que nunca el dolor de las familias saharauis separadas desde hace más de 35 años por un muro de más de 2.600 kilómetros.

Hoy, como cada día, sufro pensando en mis compañeros encarcelados, sufro pensando en los siete activistas de Derechos Humanos que, por decisión arbitraria del gobierno marroquí, van a comparecer ante un tribunal militar y son amenazados con la pena de muerte. Pienso también en la población saharaui, oprimida y reprimida diariamente por la policía marroquí en el Sahara Occidental. Y pienso en su futuro.

En este Día Internacional de los Derechos Humanos felicito a todas las personas libres que defienden los derechos elementales y se sacrifican para lograr paz en el mundo, y al mismo tiempo les lanzo un llamamiento urgente para la protección de los derechos de mi pueblo, el pueblo saharaui.

Hoy es también un buen día para la esperanza, un día que aprovecho para pedir al mundo y especialmente a las madres, que apoyen mi reivindicación, que es el regreso al Sahara Occidental. Deseo abrazar a mis hijos, deseo vivir con ellos y con mi madre, pero con dignidad.

Hoy quiero agradecer a la sociedad española su solidaridad y su defensa continua de los derechos legítimos del pueblo saharaui y también, su solidaridad conmigo en estos duros momentos.

Aminetu Haidar
Aeropuerto de Lanzarote, 10 de Diciembre de 2009

José Manuel Pureza, Deputado do BE: Intervenção na Assembleia da República em 10 de Dezembro de 2009

Aminetu Haidar, a activista saráui em greve de fome desde meados de Novembro, depois de Marrocos lhe ter confiscado o seu passaporte e a expulsar para Lanzarote, nas Canárias, acusando-a de ter renegado a sua nacionalidade marroquina.
Aminetu Haidar, é presidente de uma ONG que luta pelos direitos dos sarauís e escreveu no seu boletim de desembarque a morada “Sara Ocidental” em vez de “Marrocos”. Esse foi o seu "grande crime"!
Há 28 dias em greve de fome, com a sua saúde muito debilitada, ela recusa ser alimentada à força como as entidades espalholas desejariam para evitarem a sua morte.
Ontem, pela televisão, eu via-a e senti que é uma vergonha o mundo assistir a um assassinato político de um mulher sem conseguir fazer nada, por muito que alguns já tenham tentado... Eu sinto e sofro por essa mulher ainda jovem, com 42 anos, com dois filhos…
Desesperadamente peço a uma entidade superior a nós que a salve, pois não é justo não podermos fazer nada por ela e assistirmos ao seu fim, via televisão.
Deixo-vos a intervenção de José Manuel Pureza, na AR, no dia10 de Dez., 61.º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
JOÃO
No aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos
12-Dez-2009
Celebramos o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos quando aqui, à nossa porta, há uma mulher cuja firmeza de convicções a faz pôr em risco a sua vida como penhor da defesa intransigente dos seus direitos e dos do seu povo. Nada do que aqui dissermos hoje estará à altura da importância desta data se Aminetu Haidar morrer pelos direitos humanos.

A celebração do aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser uma revisitação da sua razão de ser antes de ser uma festa auto-satisfeita. Muito mais do que a codificação de um modelo de organização social, a Declaração Universal é um desafio ao reconhecimento de que a dignidade nunca está plenamente respeitada e que o caminho dos direitos está sempre incompleto.

Este não é, portanto, um dia para jurar fidelidade a nenhum credo social a não ser o da imperfeição permanente de todos os credos sociais. Este não é um dia para jurar fidelidade a nenhuma ordem jurídica mas sim para reconhecer que antes de serem lei (e tantas vezes depois de o serem), os direitos são sempre desordem e valeram sempre aos que por eles lutaram a desqualificação social, o estigma e a marginalização. Hoje é o dia para nos curvarmos diante dos dissidentes de todos os tempos - os escravos que escandalizaram os senhores, os trabalhadores assassinados em Chicago e explorados em todo o lado, as mulheres tidas como histéricas por reivindicarem o direito de votar, os defensores do ambiente apelidados de fundamentalistas pelos zeladores do business as usual e, mais que tudo, os milhões de anónimos lutadores contra as ditaduras, sejam as das polícias políticas nas ruas sejam as das polícias de costumes em casa. Este é o dia em que, mais do que orgulho por um património jurídico somos desafiados a ter vergonha por um património de práticas que amesquinham a dignidade e insistem em negar direitos e em discriminar pessoas - como continua a acontecer entre nós com, entre tantas outras, as discriminações civis associadas à orientação sexual ou as discriminações no acesso a bens públicos determinadas pela pobreza. A discriminação que nos inferioriza e a pobreza que nos discrimina são duas violações grosseiras dos direitos humanos - e não o reconhecer é provar que a Declaração Universal está longe, muito longe de ter encontrado raiz no nosso quotidiano.

A grande lição do Conselho da Europa foi a de testemunhar que o grande património dos europeus não é a construção de um mercado mas sim uma democracia sempre insatisfeita consigo mesma e uma abertura permanente ao primado dos direitos de todos. Não é outro o desafio que aqui queremos assumir ao celebrarmos o aniversário do Conselho da Europa: o de combater uma visão mesquinha e auto-glorificadora da Europa que prevalece em Portugal e de lhe contrapor um permanente juízo crítico que torne prático e não retórico o primado da democracia e dos direitos em Portugal e na Europa.

Também aqui, portanto, é de práticas e não de direitos abstractos que se impõe falar. E o teste à validade de todos os discursos sobre o património da Europa em matéria de direitos humanos faz-se hoje em Lanzarote: se deixarmos morrer Aminetu Haidar, invocando a razão de estado e a conveniência do bom relacionamento económico, não estaremos à altura do património europeu de direitos humanos. E esta celebração não terá passado dos discursos convenientes e de circunstância.

José Manuel Pureza, intervenção na Assembleia da República em 10 de Dezembro de 2009

Aminetu Haidar, Activista Saharauí, em Greve de Fome - Carta Aberta de Miguel Portal - 27 Novembro


Aminetu Haidar é uma activista saharauí nascida no Sahara Ocidental e que se encontra desde o dia 15 de Novembro p.p. em greve de fome, no aeroporto de Lanzarote, Canárias.

Aminetu Haidar está em protesto contra as autoridades marroquinas, que a impedem de regressar à sua terra natal, região ocupada por Marrocos desde 1991.

O Sahara Ocidental é uma Nação que vive uma situação dramática com algumas semelhanças à vivida por Timor-Leste, há anos atrás, quando a Comunidade Internacional se juntou numa luta intensa pela libertação do povo Timorense.

A causa desta mulher saharauí e do seu povo é de uma enorme importância e merece muitos apelos, muitas intervenções, muitas acções e, também, uma luta organizadamente desorganizada, a nível internacional, como o povo de Timor teve.

Deixo-vos com uma carta aberta de Miguel Portas, publicada no jornal, Sol no passado dia 27 de Novembro. Um extraordinário texto! Leiam-no se o não conhecerem já.

JOÃO

Carta aberta no Jornal SOL

Dirijo esta carta em primeiro lugar à nova embaixadora do reino de Marrocos. Só a urgência da circunstância me leva a torná-la pública. No aeroporto de Lanzarote encontra-se uma mulher que hoje entrará no seu 14.º dia de greve de fome. Conheci-a em Bruxelas e acompanhei-a durante a semana que esteve em Portugal. Essa mulher chama-se Aminetu Haidar. Vive em El Ayoun com a sua mãe, dois filhos e um irmão. Vive? Vivia. Até ter sido deportada no passado dia 12 de Novembro.

Eu sei que o Rei de Marrocos declarou recentemente que não renunciaria a um grão de areia do Sahara e que considera a sua parte ocidental como território do reino. Não é sobre isso que pretendo argumentar. O meu ponto é outro: sei que Aminetu Haidar levará o seu gesto até às últimas consequências e quero fazer o que puder para o evitar.

Como sabe, Aminetu Haidar foi detida pelas autoridades no aeroporto de El Ayoun porque no formulário de entrada escreveu ‘Sahara ocidental' onde se esperava que escrevesse ‘Marrocos'. Saiba, senhora embaixadora, que ela sempre assim procedeu antes. Mas mesmo que assim não tivesse sido, tal atitude não justifica detenção, confisco de passaporte marroquino e deportação. O que as autoridades do seu país, de que tanto gosto, fizeram, foi usar de um pretexto administrativo para impedir esta activista de regressar à sua cidade e à sua família sem terem que a prender de novo. Nem liberdade nem prisão, deportação. Porque Aminetu preencheu indevidamente os formulários de entrada...

Sem discutir a questão Sahara ocidental, reconhecerá que a causa de Aminetu Haidar - acreditar que os sarauís têm direito ao seu Estado - é pelo menos tão respeitável quanto a sua. Acresce que o activismo deste rosto da resistência saharauí é pacífico e decorre num contexto em que o diferendo se procura resolver pela via do diálogo mediado por instâncias internacionais. Invocar um procedimento administrativo para expulsar o símbolo de um povo da sua própria terra é algo que não honra quem o pratica. Por isso apelo. A morte de Aminetu Haidar pode ser evitada desde que ela possa regressar a sua casa.

Dirijo-me agora ao embaixador espanhol em Lisboa. Não é razoável que um país que não reconheceu a ocupação do Sahara ocidental pelo reino de Marrocos aceite a entrada contrariada de Aminetu Haidar em Lanzarote e lhe ofereça a condição de refugiada - porque ela não quer tal estatuto, mas ser cidadã na sua própria terra; e porque não é compreensível que Espanha aceite o papel que o reino de Marrocos lhe destinou - resolver o problema que ele próprio criou.

As linhas finais desta carta dirigem-se ao primeiro-ministro português e a Luís Amado: o que nos idos de 74 ocorreu nas areias do Sahara - a entrada de Marrocos após a saída dos espanhóis - lembra demasiadamente os acontecimentos de Timor Leste. Portugal só pode ter uma posição pró-activa neste caso porque nenhum negócio justifica o silêncio em matéria de Direitos Humanos. A realpolitik tem limites.

Miguel Portas, Jornal Sol de 27 de Novembro


Leia também a notícia no


10 de Dezembro foi 61.º Dia Internacional dos Direitos Humanos - Aminetu Haidar 25 Dias em Greve de Fome...

Quinta-Feira, dia 10 de Dezembro, celebrou-se mais um Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Foi há 61 anos que a Assembleia-Geral das Nações Unidas, na sua 183.ª sessão, realizada em Paris, em 10 de Dezembro de 1948, aprovou a «Declaração Universal dos Direitos do Homem».

Foi, então, proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) o dia 10 de Dezembro como o "Dia Internacional dos Direitos Humanos".
A Declaração Universal dos Direitos Humanos tinha como objectivo alertar os governantes do mundo inteiro para o cumprimento dessa mesma Declaração Universal, a fim de assegurar o direito à igualdade de todos os cidadãos, quer fossem homens quer fossem mulheres, os direitos a uma vida digna, ao trabalho e segurança, à saúde e à educação, ao respeito pela diversidade e pela dignidade de todas as pessoas… Era um sonho, com uma luta difícil pela frente, para todos os direitos serem concretizados; levaria o seu tempo, mas ano após ano, o mundo acabaria por se tornar um local mais justo, mais digno, mais saudável, mais educado, mais solidário, mais igual e mais livre.

Infelizmente, em 2009 todos nós constatamos que para milhões de seres humanos em quase todo o Mundo, são desrespeitados os mais básicos e elementares direitos e que, até em Portugal, os direitos já adquiridos, tem sido desprezados e a sociedade portuguesa está cada vez mais desnivelada e onde as desigualdades sociais são cada vez maiores, tendentes a tornarem a geração do meu filho, por exemplo, em licenciados sem emprego, sem direitos e vivendo numa pobreza envergonhada e nós, da minha geração, sufocados por vermos que trabalhámos uma vida inteira investindo na educação e formação dos nossos filhos para, chegada a hora da reforma, estarmos, aqueles que ainda vamos podendo, apenas sobrevivendo para que os nossos filhos possam ser ajudados… E depois, quando nos formos?! O que vai ser deles?!

O tempo está bom para os corruptos e corruptores, enquanto os cidadãos vêm sempre adiada a legislação que torne em crime o enriquecimento ilícito da classe política…

Pelo resto do Mundo, proliferam os países onde nem a democracia foi um bem adquirido e onde os atropelos aos direitos humanos são a regra e não a excepção.

A igualdade tão desejada entre as pessoas neste nosso mundo é, assim, uma miragem num deserto de intenções que ficaram por ser cumpridas, apesar de o dia ser celebrado anualmente e das imensas conferências de líderes, cimeiras internacionais e outras.

Este ano a data ficou marcada pelos então 25 dias de greve de fome da corajosa mulher, Aminetu Haidar, a activista saharauí, que luta pelo direito de voltar a casa, para junto dos seus dois filhos…

Temo pela vida dessa mulher. Mas louvo a sua determinação! E condeno aqueles que lhe negam o direito à diferença: sentir-se e ser Saharauí, visto ter nascido no Sahara Ocidental.
Mas o caso é conhecido. E eu vou colocar, aqui, depoimentos referentes à luta da Aminetu Haidar, que eu espero ainda consiga ser salva pelos apelos da comunidade internacional.

Não podemos ficar, NUNCA, indiferentes a quem tem a coragem de lutar e enfrentar a prepotência de um líder que vai levar esta mulher à morte se ela não puder voltar á sua casa.

Hoje cumprem-se 28 dias de greve de fome!

JOÃO