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sábado, 31 de maio de 2014

Aa Minhas Leituras | Contos Que Qualquer Criança Entende






Contos que qualquer criança entende


No Reino da Rosa havia um Rei garboso. Tinha sido coroado com a aclamação do povo do reino após o anterior Rei ter perdido uma boa parte da floresta para os reinos rivais numa grande batalha de má memória, tendo por isso abdicado e partido para o exílio em terras distantes.
O novo Rei não perdeu tempo na reconstrução do reino e preparação das próximas batalhas com ajuda do seu povo e dos seus bravos cavaleiros. Todos sabiam que um reino sem floresta não sobrevive muito tempo, e para além disso a floresta estava a ser destruída pelos reinos vizinhos, para angústia do povo que nela vivia e que dela dependia.

Como Rei prudente que era, a primeira coisa que fez foi reforçar o seu castelo. Aumentou as muralhas, reforçou as portas e cavou um fosso profundo. Ninguém, pensou o Rei, ali entraria sem a sua expressa autorização.

Para animar as suas hostes, nunca falava das anteriores batalhas nem dos feitos do anterior Rei, caído em desgraça e zombado pelos inimigos do reino. A história, pensou, não era boa conselheira, e em breve os seus feitos a fariam esquecer. Alguns cavaleiros não gostaram muito, é certo, sobretudo os que tinham travado essas batalhas, e alguns até protestaram, mas quando chegasse a hora todos se reuniriam em volta do seu Rei.

A primeira batalha foi ganha, apesar de ter sido sobretudo combatida pelos nobres nos seus ducados e condados, alguns importantes terem sido perdidos, e os conspiradores da corte (porque todos os reinos os têm) segredassem entre si que a vitória se devia sobretudo à bravura dos nobres e à fraqueza do inimigo. No entanto, e como era seu real privilégio, o Rei apressou-se a recolher os louros e despojos da vitória, e o seu prestígio por entre o povo do Reino da Rosa, pensou, aumentava.

A segunda batalha, no entanto, não correu assim tão bem. Enquanto os seus inimigos recuavam em toda a linha na floresta, o garboso Rei apenas conseguiu conquistar uma pequena parte do que tinha sido abandonado, deixando o resto nos braços de salteadores, pequenos reinos atrevidos que surgiam aqui e acolá, ou pior ainda, deixando a floresta ao abandono, numa imensa terra de ninguém.

O que não o impediu, no entanto, de proclamar aos sete ventos a sua grande vitória, e de como os inimigos tinham fugido apavorados à mera menção do seu nome. Ao ouvir isto, o povo já de si algo desalentado por tão magra vitória agitava-se e murmurava, cada vez mais alto, que talvez este Rei não fosse tão bravo como se supunha.

Foi então que do meio dos clamores surgiu o Cavaleiro Branco, que se dirigiu ao povo do Reino dizendo: vejam os magros proveitos da nossa batalha, sabem a pouco. Vejam tanta floresta abandonada e por conquistar, a que temos agora sabe a pouco. Esta vitória que o nosso Rei proclama, sabei-lo bem minha boa gente, sabe a pouco, e os nossos inimigos preparam-se para o grande confronto que se avizinha. Pois se el-Rei não é capaz de a travar, serei eu Rei em seu lugar. Quem está comigo?
Ao ouvir estas palavras, o garboso Rei empalideceu. Como se atrevia o Cavaleiro Branco a desafiar a sua autoridade, a pôr em dúvida os seus feitos, a menorizar assim a sua bravura que sabia por todo o povo reconhecida? Foi então que se encerrou no seu castelo, de altas muralhas, fortes portas e fosso profundo, e lhe disse: falas bem Cavaleiro Branco, mas aqui não entrarás tu enquanto eu não quiser, ou não convenceres os guardas a abrirem a porta.

E assim ficou o garboso Rei, no alto das muralhas do seu castelo, a observar o Cavaleiro Branco lá em baixo, no meio do povo, desafiando-o. Em breve, pensou, se fartará e se irá embora. Basta para isso ficar na segurança do castelo e esperar. E todo o reino terá a prova que ele, o legítimo Rei, é realmente o mais bravo. E se reunirão sob sua liderança para a grande batalha da próxima Primavera.

Porque o futuro, como qualquer criança sabe, aos bravos e destemidos reis pertence.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Gabriel García Márquez (1917 – 2014) | Vídeo

Gabriel García Márquez [1917 – 2014]

Gabriel García Márquez, o notável escritor colombiano, faleceu na passada Quinta-Feira, dia 17, com 86 anos de idade.

Deixou uma impressionante obra literária conhecida e apreciada em todos os cantos do Mundo.

Um homem sábio que deixou frases que traduzem um pensador por excelência.

Gosto particularmente desta, já que alcancei a terceira idade e acredito que se pode ser agradavelmente feliz se não sentirmos solidão ao estarmos sós:

"O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão."

Fica um vídeo com alguns trechos da obra do escritor.

Desejo que descanse em Paz!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Aristides de Sousa Mendes [Viseu, 19 Julho 1885/Lisboa, 3 Abril 1954] | Encontrada Carta de Aristides de Sousa Mendes para o Papa



Aristides de Sousa Mendes
Viseu, 19 Julho 1885/Lisboa, 3 Abril 1954


Em 1940, Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches, o Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e Cônsul de Portugal em Bordéus, no ano da invasão da França pela Alemanha Nazi, na Segunda Guerra Mundial, ousou desafiar as ordens de António de Oliveira Salazar, então Ministro dos Negócios Estrangeiros e Chefe do Governo de Portugal, para o não envolvimento na ajuda humanitária e a não atribuição de vistos de entrada em Portugal.
Contrariando essas ordens expressas e bem claras, Aristides de Sousa Mendes, como mais ficou conhecido, passou cinco dias a conceder, indiscriminadamente, vistos de entrada em Portugal, a refugiados de todas as nacionalidades que queriam fugir de França.
Não se sabe, ao certo, o número de vistos concedidos pelo destemido e desobediente Cônsul de Portugal. Sabe-se, contudo, que este homem foi um herói do Holocausto. Só ele terá salvo dezenas de milhares de pessoas, entre elas pensa-se que mais de dez mil eram judeus.
Fica, assim, na História conhecido pelo «Schindler Português».´
Em 9 de Outubro de 2009, foi o lançamento de um Romance sobre a vida de Aristides Sousa Mendes. O Cônsul Desobediente, de Sónia Louro, é a história do homem que, para salvar, pelo menos 30.000 vidas, desafiou Salazar e foi perseguido para o resto da sua vida.
Aristides de Sousa Mendes foi um Cônsul brilhante, um cidadão de excelência e um Português de eleição.
Foi um Homem Grande! Um dos meus Seres Únicos!
Deixo referência a este artigo de Dezembro do passado ano. Gostaria de ter um "feedback" do Papa.
Aguardemos, pois.
JOÃO


Encontrada carta de Aristides de Sousa Mendes para o Papa

O cônsul português Aristides de Sousa Mendes, que na Segunda Guerra Mundial salvou a vida de milhares de refugiados contrariando ordens de Lisboa, escreveu uma carta ao Papa mas nunca teve resposta. Uma cópia da carta foi agora descoberta por um neto e entregue ao Papa.


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