Mostrar mensagens com a etiqueta Greve Fome. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Greve Fome. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Artigo de Carlos Santos: «Castro, o Arcebispo e o Ministro de Espanha» | A COMUNA

Vou deixar um artigo de Carlos Santos um tema que me é muito caro.
O artigo saiu em "A Comuna" e é um artigo que eu gostaria de ter sabido escrever.
Destaco:
"Um regime que se proclama socialista mas onde não há liberdade de expressão e de associação prejudica a luta da esquerda a nível mundial. Isso a esquerda que luta pelo socialismo não pode calar."
E não podemos mesmo calar! Eu não calo! Calas tu?!
JOÃO


  Castro, o arcebispo e o ministro de Espanha   

12-Jul-2010

Lamentavelmente, o governo cubano continua a preferir negociar com a igreja e com os governos estrangeiros, do que com os opositores cubanos na sua pátria.


Artigo de Carlos Santos

Guillermo Fariñas abandonou a greve da fome. Fê-lo na sequência do anúncio de que o Governo de Cuba vai libertar 52 presos políticos e após ter recebido a visita do bispo de Santa Clara.

O Governo cubano assumiu o compromisso após uma longa reunião de seis horas entre Raúl Castro, Jaime Ortega, arcebispo de Havana, e Miguel Moratinos, ministro dos negócios estrangeiros de Espanha. Nesse encontro, ficou assente que o regime cubano vai libertar de imediato alguns dos 52 presos e libertará os restantes nos próximos meses. Esses presos sairão da prisão directamente para Espanha. Pelas declarações públicas de Moratinos1 parece que o Governo de Espanha se terá comprometido a tentar mudar a posição da União Europeia face a Cuba.

A saída negociada deste caso tem aspectos positivos e revela algo muito importante.

O fim da greve da fome e a libertação dos presos são factos sem dúvida positivos, assim como a decisão do governo de Cuba de aceitar uma solução negociada. Como vão longe os tempos, apesar de terem passado só 4 meses, em que perante este problema a resposta era apenas: Cuba no acepta presiones ni chantajes.

Esta solução comprova que algo se vem alterando lentamente em Cuba, o que também pode ser avaliado pelas cartas ao director, na verdade um arremedo de debate, publicadas no Granma e pela existência de revistas e blogues de “dissidentes”, o mais conhecido dos quais é o Generación Y de Yoani Sánchez.

A solução encontrada e os meios para lá chegar mostram, no entanto, muito mais. Mantém-se a solução de desterrar os opositores, desta vez para Espanha, na velha senda de os classificar a todos como bandidos ou agentes estrangeiros. E a resolução só foi encontrada numa reunião “diplomática” entre o presidente, o bispo e o ministro de Espanha. Lamentavelmente, o governo cubano continua a preferir negociar com a igreja e com os governos estrangeiros, do que com os opositores cubanos na sua pátria.

O exílio e a negociação diplomática, em vez do diálogo interno, mostram que o governo cubano teme antes de mais a oposição interna e confirmam, afinal, que a evolução dos acontecimentos em Cuba, nomeadamente as marchas das “damas de branco”, teve um peso decisivo para que fosse esta a solução encontrada.

Muitas pessoas de esquerda ficam revoltadas perante as acusações e declarações dos governos dos EUA e da União Europeia contra Cuba, é justo e natural. Porém, a política do regime cubano não é de esquerda, como claramente revela esta solução provisória que encontrou para o conflito interno. Um regime que se proclama socialista mas onde não há liberdade de expressão e de associação prejudica a luta da esquerda a nível mundial. Isso a esquerda que luta pelo socialismo não pode calar.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Lutadora Saharaui, Aminetu Haidar, regressa ao Sahara Ocidental, a El Aiún - Ganhou a sua LUTA!

Eu estou imensamente feliz e muito comovida!
JOÃO

"Isto é uma vitória para o direito internacional, para a justiça internacional e para a causa saharauí", declarou a activista saharauí antes de sair do hospital rumo ao aeroporto, de onde partiu para El Aiún.


Ver mais no clicando aqui:

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Parlamento Europeu cancela Debate sobre Aminetu Haidar que foi hospitalizada


Após 32 dias em greve de fome, Aminetu Haidar foi hospitalizada…
Uma delegação da JS portuguesa seguiu já viagem para Lanzarote, em solidariedade com Aminetu Haidar. Os jovens do PS levavam com eles uma carta de Ana Gomes, Eurodeputada pelo PS, e ainda uma faixa da vigília que, esta semana, se realizou em Lisboa em nome da lutadora Aminetu Haidar.
Enquanto isto, o Parlamento Europeu cancelou o debate sobre a luta da activista saharaui, que apenas já quer só ir morrer na sua cama.
Onde estão os defensores dos Direitos Humanos no Parlamento Europeu?!
Ana Gomes, segundo percebi numa reportagem rápida na TV, indignada com o comportamento do Parlamento Europeu e com os Governo Espanhol e Marroquino, vai, também, para Lanzarote…
Neste vídeo que vos deixo, Rui Tavares, o Eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda, critica o cancelamento do debate… O som está mau. Mas dá para ver e ouvir a reacção deste Europdeputado do BE.
JOÃO

Eurodeputados manifestam-se à porta da sessão plenária

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

MANIFESTAÇÃO IBÉRICA por Aminetu Haidar há um mês em greve da fome...


Manifestação Ibérica por Aminetu Haidar que está há um mês em greve da fome pelo direito de voltar a casa e, por isso, em perigo de vida.
Recordo que Aminetu Haidar é uma activista saharauí, nascida no Sahara Ocidental, e que se encontra desde o dia 15 de Novembro p.p. em greve de fome, no aeroporto de Lanzarote, Canárias.
Se puderes vai à manifestação que é já no próximo dia 19 de Dezembro. Podes ir com o Bloco de Esquerda.

A Manifestação de Solidariedade é em Madrid, pelas 12h na Praça Cibeles.
As inscrições para autocarro podem ser feitas por mail para
ou para o telemóvel 969891050.

Se quiseres ir, mas não com o Bloco de Esquerda, clica no link em baixo

JOÃO


MANIFESTAÇÃO IBÉRICA POR AMINETU HAIDAR
Madrid, Sábado 19 de Dezembro
às 12.00 horas na Praça das Cibeles

TODOS COM AMINETU!
Obrigado por ajudar-nos a a difundir esta convocatária.

Portugueses e Portuguesas: quem quiser ir a Madrid participar na grande manifestação de apoio e solidariedade a AMINETU HAIDAR façam-nos chegar essa manifestação de vontade a fim de podermos organizar o número de autocarros que se deslocarão à capital de Espanha.

O horário será, em príncipio este: PARTIDA de Lisboa e/ou Porto e /ou Coimbra pelas 23H00 de Sexta-Feira, dia 18 de Dezembro; REGRESSO, Sábado, dia 19 de Dezembro, pelas 16 horas locais.

Amanhã saberemos informar qual o custo da deslocação.

Enviem-nos email e telemóvel!

Favor contactar - Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Aminetu Haidar: o 29º Dia em Greve de Fome!

Não consigo ficar indiferente e mesmo sofrer pela Aminetu Haidar.
Aos que lerem textos escritos sobre esta estraordinária mulher, mãe de duas crianças, activista saharaui, que está em greve de fome desde meados de Novembro por uma causa mais do que justa, perante a indiferença de quem a poderia autorizar a voltar para casa, peço que reenviem esses textos para todos os vossos conhecimentos, para que todas as caixas de correio se encham e as mensagens darem várias voltas ao mundo.
Este texto que vos deixo, de José Goulão, li-o no novo site do Portal Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu conhecido por:
" be internacional".

JOÃO


Aminetu Haidar: o 28º Dia
Domingo, 13 Dezembro 2009 22:43

28º dia de greve da fome de Aminetu Haidar. Só a resistência física, moral e humanista da combatente saraui resiste. Os políticos e diplomatas que poderiam fazer alguma coisa permanecem tão alheios ao drama como sempre. Terça-feira, vigília em Lisboa às 18 e 30 frente ao Centro Jean Monnet.

Chamam-lhe já a “Gandhi do Saara”, mas estes títulos servem principalmente para a História, para testemunhar respeito pelos vultos que fazem a diferença, mas não quebram o gelo dos que se guiam pelo GPS dos interesses económicos e estratégicos. Títulos como esse motivam milhões de pessoas através do mundo inteiro, como aquelas que vão estar esta terça-feira na vigília de Lisboa, mas os senhores que por tudo e por nada invocam o Estado de Direito democrático são incapazes de se comover com o a coragem de uma mulher que pretende ver respeitado o direito de viver na sua terra, com a sua família, identificada por um passaporte que corresponda de facto à sua nacionalidade. Parece simples, mas os senhores que todos os dias fazem o “sacrifício” de enviar mais soldados para o Afeganistão, a Bósnia ou o Kosovo não são capazes de olhar nos olhos dessa mulher e salvar a sua vida.

Das Canárias chega a notícia de que os socialistas canários, através do seu coordenador, Arcadio Dias Tejero, testemunharam o seu “carinho e apoio” a Aminetu Haidar, que jaz num cubículo do aeroporto de Lanzarote. Para eles “será um fracasso da comunidade internacional e do Estado de Direito permitir que uma situação como esta não chegue a bom termo”. Tejero revolta-se contra aqueles que querem aproveitar o caso com intuitos partidários e certamente lá terá as suas razões. Ninguém pode esquecer-se, porém, de que é um chefe de governo socialista que em Espanha tem a faca e o queixo na mão para fazer chegar a situação ao tal “bom termo” mas que é incapaz de enfrentar as autoridades de Marrocos com uma parte ínfima da coragem com que Aminetu enfrenta a morte, se calhar iminente.

Tejero e os companheiros socialistas canários têm a tragédia dentro de casa e provavelmente a sua consciência está mais sensível com o drama sob os seus olhos. Mas ao 28º dia, tal como no primeiro, nenhum chefe de governo da União Europeia, de Espanha, Portugal (sim, Portugal) ou dos outros 25 mexeu uma palha para salvar Aminetu, que apenas quer viver em casa, com a família, no seu país livre. A submissão à intransigência de Marrocos continua a prevalecer.

Deputados da Esquerda Unitária Europeia estiveram com Aminetu Haidar em Lanzarote para lhe testemunhar uma solidariedade dos cidadãos europeus, se calhar maioritários, que não se reconhecem na violência exercida sobre a resistente saraui. Ao fim da tarde de terça-feira, os portugueses que acorrerem à vigília manifestarão simbolicamente à União Europeia o seu desencanto por uma entidade que tantos e tão altos princípios invoca não ser capaz de salvar uma vida humana.

Escrito por José Goulão

domingo, 13 de dezembro de 2009

Carta aberta de Aminetu Haidar à Sociedade Espanhola no Día Internacional dos Direitos Humanos




Carta abierta de Aminetu Haidar a la sociedad española en el Día Internacional de los Derechos Humanos

Hoy es 10 de Diciembre, Día Internacional de los Derechos Humanos. En estos momentos en los que se conmemora un día sagrado para la Humanidad, un día de ideales y de principios que garantizan los derechos básicos; yo, que soy defensora de Derechos Humanos, estoy en huelga de hambre desde hace 25 días a causa de la injusticia y de la falta de respeto a los Derechos Humanos.

Hoy, después de mi expulsión ilegal de mi tierra por las autoridades marroquíes, después de ser retenida ilegalmente en este aeropuerto de Lanzarote por el Gobierno español y de ser separada de mis hijos contra mi voluntad, siento más que nunca el dolor de las familias saharauis separadas desde hace más de 35 años por un muro de más de 2.600 kilómetros.

Hoy, como cada día, sufro pensando en mis compañeros encarcelados, sufro pensando en los siete activistas de Derechos Humanos que, por decisión arbitraria del gobierno marroquí, van a comparecer ante un tribunal militar y son amenazados con la pena de muerte. Pienso también en la población saharaui, oprimida y reprimida diariamente por la policía marroquí en el Sahara Occidental. Y pienso en su futuro.

En este Día Internacional de los Derechos Humanos felicito a todas las personas libres que defienden los derechos elementales y se sacrifican para lograr paz en el mundo, y al mismo tiempo les lanzo un llamamiento urgente para la protección de los derechos de mi pueblo, el pueblo saharaui.

Hoy es también un buen día para la esperanza, un día que aprovecho para pedir al mundo y especialmente a las madres, que apoyen mi reivindicación, que es el regreso al Sahara Occidental. Deseo abrazar a mis hijos, deseo vivir con ellos y con mi madre, pero con dignidad.

Hoy quiero agradecer a la sociedad española su solidaridad y su defensa continua de los derechos legítimos del pueblo saharaui y también, su solidaridad conmigo en estos duros momentos.

Aminetu Haidar
Aeropuerto de Lanzarote, 10 de Diciembre de 2009

José Manuel Pureza, Deputado do BE: Intervenção na Assembleia da República em 10 de Dezembro de 2009

Aminetu Haidar, a activista saráui em greve de fome desde meados de Novembro, depois de Marrocos lhe ter confiscado o seu passaporte e a expulsar para Lanzarote, nas Canárias, acusando-a de ter renegado a sua nacionalidade marroquina.
Aminetu Haidar, é presidente de uma ONG que luta pelos direitos dos sarauís e escreveu no seu boletim de desembarque a morada “Sara Ocidental” em vez de “Marrocos”. Esse foi o seu "grande crime"!
Há 28 dias em greve de fome, com a sua saúde muito debilitada, ela recusa ser alimentada à força como as entidades espalholas desejariam para evitarem a sua morte.
Ontem, pela televisão, eu via-a e senti que é uma vergonha o mundo assistir a um assassinato político de um mulher sem conseguir fazer nada, por muito que alguns já tenham tentado... Eu sinto e sofro por essa mulher ainda jovem, com 42 anos, com dois filhos…
Desesperadamente peço a uma entidade superior a nós que a salve, pois não é justo não podermos fazer nada por ela e assistirmos ao seu fim, via televisão.
Deixo-vos a intervenção de José Manuel Pureza, na AR, no dia10 de Dez., 61.º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
JOÃO
No aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos
12-Dez-2009
Celebramos o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos quando aqui, à nossa porta, há uma mulher cuja firmeza de convicções a faz pôr em risco a sua vida como penhor da defesa intransigente dos seus direitos e dos do seu povo. Nada do que aqui dissermos hoje estará à altura da importância desta data se Aminetu Haidar morrer pelos direitos humanos.

A celebração do aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser uma revisitação da sua razão de ser antes de ser uma festa auto-satisfeita. Muito mais do que a codificação de um modelo de organização social, a Declaração Universal é um desafio ao reconhecimento de que a dignidade nunca está plenamente respeitada e que o caminho dos direitos está sempre incompleto.

Este não é, portanto, um dia para jurar fidelidade a nenhum credo social a não ser o da imperfeição permanente de todos os credos sociais. Este não é um dia para jurar fidelidade a nenhuma ordem jurídica mas sim para reconhecer que antes de serem lei (e tantas vezes depois de o serem), os direitos são sempre desordem e valeram sempre aos que por eles lutaram a desqualificação social, o estigma e a marginalização. Hoje é o dia para nos curvarmos diante dos dissidentes de todos os tempos - os escravos que escandalizaram os senhores, os trabalhadores assassinados em Chicago e explorados em todo o lado, as mulheres tidas como histéricas por reivindicarem o direito de votar, os defensores do ambiente apelidados de fundamentalistas pelos zeladores do business as usual e, mais que tudo, os milhões de anónimos lutadores contra as ditaduras, sejam as das polícias políticas nas ruas sejam as das polícias de costumes em casa. Este é o dia em que, mais do que orgulho por um património jurídico somos desafiados a ter vergonha por um património de práticas que amesquinham a dignidade e insistem em negar direitos e em discriminar pessoas - como continua a acontecer entre nós com, entre tantas outras, as discriminações civis associadas à orientação sexual ou as discriminações no acesso a bens públicos determinadas pela pobreza. A discriminação que nos inferioriza e a pobreza que nos discrimina são duas violações grosseiras dos direitos humanos - e não o reconhecer é provar que a Declaração Universal está longe, muito longe de ter encontrado raiz no nosso quotidiano.

A grande lição do Conselho da Europa foi a de testemunhar que o grande património dos europeus não é a construção de um mercado mas sim uma democracia sempre insatisfeita consigo mesma e uma abertura permanente ao primado dos direitos de todos. Não é outro o desafio que aqui queremos assumir ao celebrarmos o aniversário do Conselho da Europa: o de combater uma visão mesquinha e auto-glorificadora da Europa que prevalece em Portugal e de lhe contrapor um permanente juízo crítico que torne prático e não retórico o primado da democracia e dos direitos em Portugal e na Europa.

Também aqui, portanto, é de práticas e não de direitos abstractos que se impõe falar. E o teste à validade de todos os discursos sobre o património da Europa em matéria de direitos humanos faz-se hoje em Lanzarote: se deixarmos morrer Aminetu Haidar, invocando a razão de estado e a conveniência do bom relacionamento económico, não estaremos à altura do património europeu de direitos humanos. E esta celebração não terá passado dos discursos convenientes e de circunstância.

José Manuel Pureza, intervenção na Assembleia da República em 10 de Dezembro de 2009

Aminetu Haidar, Activista Saharauí, em Greve de Fome - Carta Aberta de Miguel Portal - 27 Novembro


Aminetu Haidar é uma activista saharauí nascida no Sahara Ocidental e que se encontra desde o dia 15 de Novembro p.p. em greve de fome, no aeroporto de Lanzarote, Canárias.

Aminetu Haidar está em protesto contra as autoridades marroquinas, que a impedem de regressar à sua terra natal, região ocupada por Marrocos desde 1991.

O Sahara Ocidental é uma Nação que vive uma situação dramática com algumas semelhanças à vivida por Timor-Leste, há anos atrás, quando a Comunidade Internacional se juntou numa luta intensa pela libertação do povo Timorense.

A causa desta mulher saharauí e do seu povo é de uma enorme importância e merece muitos apelos, muitas intervenções, muitas acções e, também, uma luta organizadamente desorganizada, a nível internacional, como o povo de Timor teve.

Deixo-vos com uma carta aberta de Miguel Portas, publicada no jornal, Sol no passado dia 27 de Novembro. Um extraordinário texto! Leiam-no se o não conhecerem já.

JOÃO

Carta aberta no Jornal SOL

Dirijo esta carta em primeiro lugar à nova embaixadora do reino de Marrocos. Só a urgência da circunstância me leva a torná-la pública. No aeroporto de Lanzarote encontra-se uma mulher que hoje entrará no seu 14.º dia de greve de fome. Conheci-a em Bruxelas e acompanhei-a durante a semana que esteve em Portugal. Essa mulher chama-se Aminetu Haidar. Vive em El Ayoun com a sua mãe, dois filhos e um irmão. Vive? Vivia. Até ter sido deportada no passado dia 12 de Novembro.

Eu sei que o Rei de Marrocos declarou recentemente que não renunciaria a um grão de areia do Sahara e que considera a sua parte ocidental como território do reino. Não é sobre isso que pretendo argumentar. O meu ponto é outro: sei que Aminetu Haidar levará o seu gesto até às últimas consequências e quero fazer o que puder para o evitar.

Como sabe, Aminetu Haidar foi detida pelas autoridades no aeroporto de El Ayoun porque no formulário de entrada escreveu ‘Sahara ocidental' onde se esperava que escrevesse ‘Marrocos'. Saiba, senhora embaixadora, que ela sempre assim procedeu antes. Mas mesmo que assim não tivesse sido, tal atitude não justifica detenção, confisco de passaporte marroquino e deportação. O que as autoridades do seu país, de que tanto gosto, fizeram, foi usar de um pretexto administrativo para impedir esta activista de regressar à sua cidade e à sua família sem terem que a prender de novo. Nem liberdade nem prisão, deportação. Porque Aminetu preencheu indevidamente os formulários de entrada...

Sem discutir a questão Sahara ocidental, reconhecerá que a causa de Aminetu Haidar - acreditar que os sarauís têm direito ao seu Estado - é pelo menos tão respeitável quanto a sua. Acresce que o activismo deste rosto da resistência saharauí é pacífico e decorre num contexto em que o diferendo se procura resolver pela via do diálogo mediado por instâncias internacionais. Invocar um procedimento administrativo para expulsar o símbolo de um povo da sua própria terra é algo que não honra quem o pratica. Por isso apelo. A morte de Aminetu Haidar pode ser evitada desde que ela possa regressar a sua casa.

Dirijo-me agora ao embaixador espanhol em Lisboa. Não é razoável que um país que não reconheceu a ocupação do Sahara ocidental pelo reino de Marrocos aceite a entrada contrariada de Aminetu Haidar em Lanzarote e lhe ofereça a condição de refugiada - porque ela não quer tal estatuto, mas ser cidadã na sua própria terra; e porque não é compreensível que Espanha aceite o papel que o reino de Marrocos lhe destinou - resolver o problema que ele próprio criou.

As linhas finais desta carta dirigem-se ao primeiro-ministro português e a Luís Amado: o que nos idos de 74 ocorreu nas areias do Sahara - a entrada de Marrocos após a saída dos espanhóis - lembra demasiadamente os acontecimentos de Timor Leste. Portugal só pode ter uma posição pró-activa neste caso porque nenhum negócio justifica o silêncio em matéria de Direitos Humanos. A realpolitik tem limites.

Miguel Portas, Jornal Sol de 27 de Novembro


Leia também a notícia no