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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Reunião com População, Iniciativa da Autarquia, 23 Fev, 17 Horas

Para conhecimento

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Camaradas
Fica a divulgação para quem possa participar.
Saudações
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Notícia do Jornal da Região


A decisão do Governo de construir um porto de contentores na Trafaria recebeu a contestação dos autarcas, da esquerda à direita, do concelho de Almada.

Hoje, dia 23 de Fevereiro, pelas 17 horas, na Sociedade Recreativa Musical Trafariense , está marcado um encontro com a população, onde vão estar presentes a presidente da Câmara de Almada e a presidente da Junta de Freguesia da Trafaria.
O plano de reestruturação do Porto de Lisboa apresentado hoje, sexta-feira, pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, prevê a concessão do terminal de cruzeiros na margem norte e atira para a margem sul uma frente de contentores que "fere o desenvolvimento sustentado da nossa Trafaria", afirma a presidente da Junta de Freguesia, Francisca Parreira.
Para a autarca socialista esta decisão do Governo "é um crime ambiental". Lembra ainda que na Discussão Pública da Alteração ao Plano Regional de Ordenamento da Área Metropolitana de Lisboa ficou "consensualizado" que o futuro da freguesia passaria pela "requalificação urbana e valorização ambiental", assim como incentivar "actividades geradoras de emprego e de elevado potencial económico, designadamente turismo, pesca, recreio e lazer".
Entretanto a presidente da Câmara de Almada, Maria Emília de Sousa, após o anúncio do Governo, afirmou que a construção de um novo terminal de contentores na Trafaria é um "atentado ambiental gravíssimo" e prometeu recorrer aos tribunais para impedir a concretização do projecto. A eleita comunista lembra que "os autarcas do município de Almada há muitos anos que recusam a construção de um megaterminal de contentores na Trafaria".
"Crime imperdoável" classifica o presidente da concelhia do PS de Almada esta decisão do Governo. António Mendes chega a apelar à mobilização cívica para "não deixarmos comprometer o futuro" desta freguesia e de Almada. "Depois dos silos na Trafaria vieram os terminais de combustível e agora os contentores. "A cidade das duas margens não pode ter de um lado o lixo e do outro os luxos", afirma Uma opção que "o PS não vai deixar passar", acrescenta.
O terminal de contentores é também rejeitado pelo Bloco de Esquerda que vê nesta freguesia um potencial de desenvolvimento que passa pelo reforço das actividades económicas locais, recursos que estão "totalmente desaproveitados", nomeadamente a valorização turística.
Nem ao PSD de Almada agrada este modelo de desenvolvimento apresentado pelo Governo para a Área Metropolitana de Lisboa. "O concelho de Almada tem condições naturais únicas que podem ser um verdadeiro motor de crescimento económico", defende Nuno Matias, presidente da concelhia social-democrata. Por isso os deputados do PSD eleitos pelo distrito de Setúbal vão "solicitar com urgência uma reunião com o Governo no sentido de obter explicações sobre o que justifica esta decisão".
Querem assim saber que vantagens esta decisão do executivo de Passos Coelho terá para o país e para o concelho de Almada, particularmente para a Trafaria e Costa da Caparica. Duas localidades cujo "desenvolvimento passa pelo turismo". Por isso afirmam estar em "discordância" com a transferência dos contentores para o concelho de Almada.


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Bloco de Esquerda / Distrital Setúbal
setubal.bloco@gmail.com
www.setubal.bloco.org

[Bloco-Almada] Bloco de Esquerda Contra Transformação da Freguesia da Trafaria num "terminal de contentores"

Comunicado de Imprensa
Bloco de Esquerda - Almada

Bloco de Esquerda Contra transformação
da Freguesia da Trafaria
Num "Terminal de Contentores"

O Governo apresentou hoje o seu «plano de reestruturação do Porto de Lisboa» que, no essencial, anuncia a deslocação dos terminais de contentores - que em Lisboa se estendem desde Alcântara até ao Parque das Nações - para a Trafaria, no concelho de Almada. Tratando-se dum processo iniciado pelo governo PS de José Sócrates, constatamos que o mesmo encontra seguimento agora, com um governo PSD/CDS.
A Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda reforça o que sobre o mesmo assunto tornou público em Agosto de 2009, ou seja:
O Bloco de Esquerda não concorda com a construção de um terminal de contentores na Trafaria, e há anos que vem reivindicando o encerramento dos silos ali existentes (que são há muitos anos uma fonte de poeiras e ruídos que trazem problemas alérgicos e de respiração a muitas pessoas, causando problemas de saúde cujos custos não podem ser esquecidos, e provocando a destruição da praia e da paisagem)!
O Estudo de Enquadramento Estratégico da Costa da Trafaria, que teve como objectivo a promoção e requalificação da Freguesia da Trafaria, compatibilizando as suas vertentes turística, piscatória, habitacional, comercial, de serviços, de recreio e de lazer, com a preservação e valorização das características sociais e naturais desta freguesia, foi aprovado por unanimidade na Assembleia Municipal de Almada. Este estudo será inviabilizado no caso de se concretizar o plano hoje apresentado pelo Governo.
A Trafaria é uma freguesia com um enorme potencial, dotada de inúmeras valências, quer ao nível das suas praias, fauna e outros recursos naturais, quer no simples facto de se encontrar localizada numa zona privilegiada. Estes recursos estão totalmente desaproveitados, e isso é visível pelo abandono, quer dos Fortes localizados na Freguesia, quer do seu porto, o que em muito se deve ao facto do mesmo ser controlado pela Administração do Porto de Lisboa. Também os dois bairros residenciais (conhecidos por Bairros do 1.º Torrão e do 2.º Torrão), onde habitam mais de 40 famílias há quase 40 anos, e que se encontram em terrenos de domínio público sob jurisdição da APL, se encontram em condições bastante degradadas, e cuja situação urge resolver.
Em suma, a Trafaria precisa de ser requalificada tendo em conta as suas vastas potencialidades, e impedindo que a Freguesia perca população. Não precisa de ser transformada num terminal de contentores!
Com silos e contentores, quem perde é a população da Trafaria!

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Pela concelhia do Bloco de Esquerda de Almada
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Bloco de Esquerda / Distrital Setúbal

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Movimento Sem Emprego | MSE » All’s Fair in Love and (Class) War | Somos Todos Estivadores!


 All’s fair in love and (class) war 

Em consonância com a conhecida expressão inglesa, no amor e na guerra vale tudo e, sobretudo, quando se trata de guerra de classes. E é disso que se trata na crise em curso, uma guerra de classes de grande envergadura. Em Portugal neste momento esta guerra tem várias frentes.

Todas possuem importância na ofensiva do capital e dos seus gestores políticos neoliberais e todas têm importância para a defesa dos direitos da população trabalhadora pelos sindicatos. Contudo, está em curso uma batalha específica que pode determinar o curso da guerra – o conflito em torno da flexibilização do trabalho portuário e a greve dos estivadores.


O governo e o patronato estão a jogar com a ignorância e a indiferença do público para efectuar grandes transformações na operação dos portos mas, no Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal, uma associação que beneficia de uma sindicalização de quase 100% nos portos incluídos no seu âmbito, encontraram um obstáculo aos seus planos.

Este sindicato está convicto de que o Acordo para o Mercado de Trabalho Portuário celebrado pelas Associações dos Operadores, a UGT e a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários, bem como a legislação subsequente produzida pelo governo, visam a desregulação de normas estabelecidas para o seu trabalho e o funcionamento dos portos, um esvaziamento dos legítimos direitos conquistados pelos trabalhadores portuários e uma provável precariedade e redução do emprego dos trabalhadores cobertos pela contratação colectiva.

O governo e o patronato argumentam que a flexibilização do trabalho portuário é necessária para aumentar a competitividade dos portos portugueses, e vários grupos económicos fortes (nomeadamente o Mota Engil) estão posicionados para retirar os benefícios das transformações conseguidas, de forma a ampliar o seu espaço de intervenção nos portos.

É verdade que a competitividade dos portos portugueses poderia ser melhorada. Mas o governo e os empregadores põem o ónus da falta de competitividade sobre as normas de trabalho portuário. Todavia, será que o problema essencial da competitividade dos portos portugueses incide no custo do trabalho resultante da sua regulação?

Analisando dados comparados relativos à competitividade, destacam-se como mais relevantes os dados referentes aos custos comparados da exportação e importação de um contentor. De facto, em termos dos custos totais, Portugal está relativamente bem posicionado nos rankings calculados pelo Banco Mundial, encontrando-se em terceiro lugar em relação à exportação (atrás de Singapura e da Finlândia) e em sexto lugar em relação à importação (atrás de Singapura, da Finlândia, da Noruega, da Suécia e da Dinamarca). Em primeiro lugar, deveremos registar destes rankings a observação de que a competitividade não é, necessariamente, um resultado simples do grau de regulação do trabalho portuário e do custo do trabalho, sendo que os portos dos países escandinavos, com os seus fortes sistemas de relações laborais, se apresentam entre os mais competitivos.

Em segundo lugar, a contribuição do custo da movimentação da carga nos portos tem de ser relativizada. Efectivamente, Portugal não está muito competitivo neste indicador mas, mais uma vez, a superior competitividade dos países escandinavos em termos destes custos demonstra que o custo do trabalho não é, necessariamente, um factor que impede a competitividade. 

Factores como a gestão, a tecnologia e a logística entrarão, realmente, com mais peso neste cálculo. Sim, é possível aumentar a competitividade neste campo à custa da retribuição pelo trabalho portuário à moda chinesa - como fizeram os gregos no porto de Pireus, entregando uma parte da zona portuária à administração de uma empresa chinesa. Mas será uma solução inteligente? As condições de trabalho dos trabalhadores gregos sob gestão chinesa são muitíssimo precárias e há uma discrepância significativa no seu nível salarial em relação aos outros portos gregos, sendo essa a razão pela qual a gestão chinesa atingiu a sua melhoria de competitividade. Em terceiro lugar, é outra vez evidente, pelo posicionamento medíocre de Portugal em relação ao custo dos aspectos administrativos e burocráticos envolvidos na movimentação da carga, que o governo poderia fazer muito, neste domínio, para melhorar a competitividade dos portos portugueses.

Então, por que é que governo e o patronato canalizam os seus esforços para a flexibilização do trabalho portuário?

A resposta tem a ver com a ofensiva geral do capital, do governo e da troika, aproveitando a crise, contra o que resta de um modelo de relações laborais baseado na regulação do mercado do trabalho através da contratação colectiva. Também tem a ver com os interesses dos grupos económicos que estão prontos para se aproveitar de novas áreas de negócio portuário, abertas pela transformação das relações laborais estabelecidas.

Quanto ao custo do trabalho portuário, os estivadores grevistas estão a ser vítimas de uma campanha eficaz de desinformação (quiçá intoxicação!), na comunicação social, que procura isolar os estivadores e culpabilizá-los pelos direitos que têm conquistado desde a década de 1990, na sequência das mudanças tecnológicas nos portos. Nesta campanha várias celebridades mediáticas têm vindo a prestar um serviço ao governo e ao patronato. A mentira mais comum é de um sadismo terrível: a afirmação de que os estivadores chegam a ganhar 5000€ mensais! Quem poderia sentir simpatia ou solidariedade por trabalhadores braçais que ganham mais do que um professor catedrático?

A ideia transmitida é a de que estes trabalhadores são uns privilegiados que fazem greves fortuitas e que estarão a explorar os… empregadores!! Num programa recente no canal televisivo SIC Notícias, Sónia Almeida, mulher de um estivador, fez a pergunta relevante: “Em que é que estas figuras baseiam as suas afirmações difamatórias dos estivadores?”. Em primeiro lugar, relativamente à afirmação dos 5000€, trata-se (infelizmente) de uma ficção inventada. Não é verosímil que as categorias de estivadores em greve possam chegar a salários mensais de 5000€ com base em qualquer regime de trabalho normal, desde logo porque uma percentagem importante dos estivadores corresponde a trabalhadores eventuais que trabalham em função dos pedidos das empresas, podendo ser trabalhadores em situação precária ou temporária. Olhando para a tabela salarial actualmente em vigor e para o contrato colectivo, consegue-se fazer alguns cálculos simples: para ganhar 5000€ por mês um trabalhador da mais alta categoria (superintendente) teria de trabalhar 16 horas por dia, durante 30 dias seguidos, ou seja, o mês inteiro!

No entanto, os estivadores nas categorias de base na escala, ao trabalhar 16 horas por dia (um turno normal acrescido de um turno de horas extraordinárias), chegarão a ganhar, aproximadamente, entre 3030€ e 4450€. Se fosse possível trabalhar tanto, o trabalhador mereceria não só os 5000€ mas, ainda, o bónus de um Porsche, tal e qual o terceiro carro do seu patrão, e, por último, um caixão de ouro no fim do ano! Fala-se, assim, quer de um regime de trabalho a tempo inteiro quer de horas extraordinárias impossíveis de realizar. Portanto, aqueles, como Ângelo Correia, que vieram à televisão fazer afirmações deste tipo, têm a responsabilidade de demonstrar como tal seria possível, sobretudo porque os documentos do sindicato em causa (que tenho à minha frente) mostram que o salário mensal dos trabalhadores é de 1623,98€ na Figueira da Foz, 1538,96€ em Setúbal, 1787,28€ em Lisboa e 2183,48€ em Sines. O salário mensal mais alto detectado entre os sindicalizados, actualmente, é o de 2708,27€, correspondendo a um cargo de coordenador em Setúbal. Ao contrário do que foi afirmado, televisivamente, por Ângelo Correia, a nova legislação não visa uma redistribuição “mais justa” das horas extraordinárias de um conjunto de trabalhadores, supostamente privilegiados mas, antes, a redistribuição dessas horas a novas categorias de trabalhadores nas áreas de logística, os quais terão contratos precários de empresas de cedência de trabalho portuário, não tendo os mesmos direitos em relação aos estivadores sindicalizados. É assim que a legislação governamental visa precarizar o trabalho portuário em geral, tendo, por efeito de contágio, um impacto sobre as relações laborais dos trabalhadores sindicalizados. É, por isso, que os estivadores em greve prevêem despedimentos de uma grande parte dos trabalhadores eventuais (ou seja, os trabalhadores alocados, diariamente, pelas empresas de prestação do trabalho portuário aos armadores). Se permitirmos que isso aconteça nos portos, por contágio outros ramos de actividade sofrerão o efeito deste modelo de flexibilização das relações de trabalho.

Por outro lado, qual é o problema se um trabalhador ganhar bem, pelo serviço prestado, de trabalho duro, para uma empresa que faz lucro? É um pecado? A pobreza do proletariado do século XIX (ou em Portugal antes do 25 de Abril) será uma virtude melhor, uma meta para as relações laborais de hoje? Será que estas celebridades pensam que é preciso ser pobre para ser um operário honesto? Que argumentação perversa e mentalidade reaccionária! E qual é o problema se um trabalhador ganhar devidamente, devido à boa capacidade negocial do seu sindicato na contratação colectiva, por a sua alta produtividade permitir altos rendimentos ao seu empregador? Não é isso, supostamente, a virtude da função da contratação colectiva em democracia? Ou terá a burguesia perdido o apreço e a tolerância pela democracia e a negociação laboral?

Vários sinais deveriam ter acordado o movimento sindical quanto à seriedade da situação mas, lamentavelmente, ainda há pouco eco do conflito no debate sindical:

1) Na última semana, várias vozes do patronato pressionaram o Governo, frontalmente, reivindicando o recurso à requisição civil. Aparentemente, o governo vai tentar evitar o risco de um confronto aberto, optando, para obter o mesmo efeito, pela alteração dos critérios dos serviços mínimos, redefinindo-os. Em vez de incidirem apenas no tratamento de produtos perecíveis e de primeira necessidade, os grevistas terão ainda o dever de tratar de tudo o que é indispensável à economia nacional. Como tudo o que tem a ver com a exportação pode ser invocado como indispensável à economia nacional, nesta crise, o governo vai, efectivamente, retirar força ao direito à greve. Se isso acontecer todo o movimento sindical sofrerá as repercussões desta precedência.

2) Um representante do patronato veio várias vezes a público acusar, de forma policial, o PCP e a CGTP (como se fossem uma entidade única anti-nacional) de estar atrás da greve. Trata-se de uma táctica McCarthyista da mais elementar. Toda a gente sabe que o sindicato em questão é independente, “livre e democrático”, como rezam os seus estatutos, e que o PCP não tem influência na sua direcção. Algo diferente é que o PCP apoie, de alguma forma, a luta destes trabalhadores, o que os estivadores só poderão agradecer, como reconhecerão o apoio de todas as forças políticas que sustentem a justiça desta luta. E se há alguma convergência entre a greve e os objectivos políticos do PCP e da CGTP, isto é indicativo da situação política no país e não dos objectivos dos estivadores. Mas esse apoio valioso do PCP, e de outras forças da esquerda, de maneira nenhuma significa que se trata de uma greve fomentada por eles. Esta greve é uma resposta legítima de uma classe de trabalhadores que está a sofrer um ataque às suas condições de trabalho e de emprego. 

Trata-se de um conflito laboral importante e legítimo – que entretanto envolve alguma divisão sindical. O acordo sobre o trabalho portuário que abriu a porta à nova legislação foi assinado pela UGT e a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários. Embora este sindicato represente, em maioria, os trabalhadores do porto de Leixões, no conjunto de portos portugueses é minoritário. Quanto à UGT, a assinatura deste acordo é, infelizmente, consistente com a sua política de concertação a todo o custo, sendo muito compatível com a sua posição em relação à assinatura do "Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego". Evidentemente, há diversas estratégias sindicais para lidar com os problemas actuais da economia e do emprego. Ora, sem querer entrar no conflito ideológico que divide, disfuncionalmente, o sindicalismo português, é preciso, contudo, constatar que a greve dos estivadores é um conflito exemplar em resposta às reivindicações patronais para a flexibilização e desregulação das relações laborais em torno da competitividade. As repercussões desta situação podem – e vão ser de certeza - sentidas muito além dos portos.

A campanha dos empregadores procura isolar os estivadores em greve da mesma maneira (embora ainda mais radicalmente) que, no geral, se procura dividir os trabalhadores do sectores público e privado no contexto das políticas de austeridade. Também cada vez mais, nos ruídos produzidos na internet e na "opinião pública", outros trabalhadores do sector dos transportes em conflito, tais como maquinistas da CP, trabalhadores da Soflusa e da Transtejo, etc., estão a ser tratados em conjunto, como se fossem uma aristocracia de trabalho que tem uma vida privilegiada, e associam-se os conflitos, deslegitimando as reivindicações destes trabalhadores.

Os estivadores têm tido evidentes dificuldades em transmitir a sua mensagem. Embora se possa entender que entre sindicalistas da UGT haja um incómodo em relação ao conflito, devido à assinatura, pela UGT, do Acordo sobre o Mercado de Trabalho Portuário, surpreende a falta de empenho do resto do movimento sindical em torno da situação e, sobretudo, a falta de discussão do conflito. Como é que vão reagir se houver uma repressão dos estivadores em greve?

Em conclusão, sugiro uma reflexão sobre a história recente do movimento sindical internacional. Pensemos no sindicalismo americano, por exemplo, e o efeito que em 1981 a repressão, por Reagan, da greve dos controladores aéreos de PATCO, uma profissão reduzida de trabalhadores altamente qualificados e “privilegiados”, teve no declínio do poder negocial dos sindicatos norte-americanos, em geral, e na sindicalização. Consideremos o sindicalismo britânico e o efeito que a derrota em 1984 dos mineiros, outros “privilegiados”, teve nos recuos dos direitos dos trabalhadores desse país. Lembremos, então, o significado do lema sindical “solidarity forever”. Não se trata, apenas, de um slogan do passado histórico ou de uma ideia ideológica abstracta, mas de uma necessidade sindical!

Não esqueçamos o que o governo e o patronato tão bem entendem (e aplicam, se deixarmos): “vale tudo no amor e na guerra”... de classes!

Alan Stoleroff
26 de Outubro de 2012

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Comunicado de Imprensa - Acto de Solidariedade: Somos Todos Estivadores!



Comunicado de Imprensa

Acto de Solidariedade:
Somos todos estivadores!

Os estivadores estão em greve às horas extraordinárias porque o governo português aprovou uma nova legislação de trabalho portuário que terá implicações terríveis no futuro profissional e pessoal dos actuais e futuros estivadores.

A reestruturação do sector portuário tem vindo a ser apresentada como a grande aposta para o relançamento da economia nacional. Reestruturação e relançamento são eufemismo para flexibilização e cortes salariais de forma a relançar os lucros dos sectores exportadores à custa do corte no poder de consumo de quem trabalha. Por isso a luta dos estivadores tem uma implicação determinante na vida de todos nós. A sua vitória será, antes de mais, uma vitória contra a política de desemprego e carestia apregoada pelo governo como uma saída nacional. Polítca brutal de cortes em salários e pensões, devorados pela subida de impostos,destruição dos serviços públicos, despedimentos e privatizações que Passos Coelho, Paulo Portas e Vitor Gaspar querem aprofundar com o OE para 2013. Por isso as manifestações contra o Orçamento e a Greve dos estivadores fazem parte da mesma luta.

Somos todos estivadores hoje, porque a luta contra a precariedade, desemprego e a miséria é só uma!

Por isso nós, activistas de diversos movimentos e do mundo sindical, organizadores e participantes da Concentração “Cerco ao Orçamento” do passado dia 15 de Outubro, nos juntamos às concentrações de dia 31 de Outubro contra a aprovação do Orçamento de Estado. Para que as várias lutas contra este governo e austeridade convirjam, durante as concentrações organizaremos um acto de solidariedade com a luta dos estivadores, em S.Bento, onde lançarems um abaixo-assinado de apoio a sua luta.

Assinam:

Alexandra Martins – Plataforma 15 de Outubro
Alcides Santos - Movimento Sem Emprego
Ana Rajado – Movimento Sem Emprego
Délio Figueiredo – Comissão de Contratados e Desempregados do SPGL
João Pascoal – Comissão de Trabalhadores Santander-Totta
Renato Guedes - CADPP
Raquel Varela - Revista Rubra
Rui Viana - CADPP
Tiago C.- Plataforma 15 de Outubro
Renato Guedes - CADPP

Para mais informações:

Blog:
http://todosestivadores.blogspot.pt/

Evento no Facebook:
http://www.facebook.com/events/101711929992566/

Página no Facebook:
http://www.facebook.com/CercoASBentoEsteNaoEONossoOrcamento

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Crise e recessão - propostas do Bloco para salvar a economia

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Francisco Louçã comunica fim de mandato de deputado



Francisco Louçã sai do parlamento, invocando que "o princípio republicano marca limites à representação que tenho desempenhado". Na declaração, salienta que continuará na vida política "com os mesmos valores e com a mesma dedicação ao Bloco", frisando ainda: "saio exatamente como entrei, com a minha profissão, sem qualquer subsídio e sem qualquer reforma". Sobre o que fará a partir de hoje, Francisco Louçã antecipa a resposta "dedicarei o que sei e o que posso à luta por um governo de esquerda contra a troika"..
Ler mais.

OE'2013: "Não faltam motivos para apresentar uma queixa de inconstitucionalidade"

Esta segunda-feira, em Lisboa, na abertura das Jornadas Parlamentares do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda anunciou que o partido apresentará "medidas concretas e de confronto direto" com a proposta orçamental do governo e que "o Bloco não alimenta pântanos políticos", estando do lado da Constituição e por isso contra o memorando da Troika.Ler mais.

Comício Internacional - Europa contra a austeridade

Dia 9 de novembro de 2012, véspera da VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, vai realizar-se um comício internacional no Pavilhão do Casal Vistoso, Areeiro, Lisboa, com a participação de Alexis Tsipras, Jean-Luc Mélenchon e Gabriele Zimmer, respetivamente dirigentes da Syriza (Grécia), Parti de Gauche (França) e Die Linke (Alemanha).Ler mais.

Em Portugal está em perigo a pluralidade da comunicação social

Catarina Martins
No momento de maior fragilidade da comunicação social em Portugal, o Governo decide diminuir em 30% a subvenção pública à Lusa. O Estado desinvestir nos serviços públicos de comunicação social - Lusa e RTP será sempre um erro. Neste momento é um desastre.
Ler mais.

"Disciplina orçamental é pôr os bancos na ordem"

No Parlamento Europeu, Marisa Matias contesta a noção de "disciplina orçamental" que viola os contratos estabelecidos entre os Estados e as suas populações, citando o caso português.Ver vídeo.

Petição do Congresso das Alternativas para chumbar OE2013 já tem mais de 6.000 assinaturas

Apenas 48 horas depois da sua divulgação, a petição lançada pelo Congresso Democrático das Alternativas já ultrapassou as seis mil assinaturas. O documento apela aos deputados e ao Presidente da República a que rejeitem a proposta governamental de Orçamento de Estado para 2013.Ler mais.

Nacionalismos, direito a decidir e democracia

Desde a numerosa manifestação da Diada, a reivindicação pelo direito à autodeterminação e à independência passou para o centro da agenda política na Catalunha e no Estado espanhol. Artigo de Jaime Pastor.Ler mais.

26 de outubro

Sessão Pública: Expulsar a troika, recusar o orçamento

Com Francisco Louçã.
Ver cartaz
.Almada, Cova da Piedade
– Auditório do Estádio Municipal José Martins Vieira, 21h.

Debate: Que políticas para combater a troika?

Ver cartaz.Torres Novas, Sede do Bloco (R General José Vasconcelos Correia nº 10), 21h30.

Concentração contra a extinção de freguesias

Organização: Plataforma Nacional Contra a Extinção de Freguesias e a delegação de Setúbal da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).

Doclisboa'12

10º Festival Internacional de Cinema. Ver programação completa
Lisboa, de 18 a 28 outubro, na Culturgest, São Jorge, Londres e Cinemateca.

27 de outubro

Concentração de Protesto em Defesa das Autarquias Locais

Organização: Plataforma da Reforma Administrativa, STAL
- Sindicato dos Trabalhadores das Autarquias Locais, Federação de Coletividades do Distrito de Setúbal e Delegação Distrital de Setúbal da ANAFRE – Associação Nacional de Freguesias.
Setúbal, na Avenida Luisa Tody ( junto ao Coreto), 15h.

Debate: Crise no Cinema

Organização Doclisboa'12.
Lisboa, São Jorge - sala 2, 16h.

Debate: Desmontando a produção capitalista

Organização: Precário Inflexíveis.
Lisboa, MOB – Tv da Queimada 33 (Bairro Alto), 17h.

Concerto: Freddy Locks

Atua sozinho com guitarra.
Lisboa, MOB – Tv da Queimada 33 (Bairro Alto), 22h.

Doclisboa'12

10º Festival Internacional de Cinema. Ver programação completa
Lisboa, de 18 a 28 outubro, na Culturgest, São Jorge, Londres e Cinemateca.

28 de outubro

Doclisboa'12

10º Festival Internacional de Cinema. Ver programação completa
Lisboa, de 18 a 28 outubro, na Culturgest, São Jorge, Londres e Cinemateca.

Francisco Louçã Comunica Fim de Mandato de Deputado | Esquerda.Net | Vídeo

 S E M P R E ! 


Como é uma matéria que muito me diz, um facto muito sentido por mim e por tantos outros que, como eu, pensam que a saída de Francisco Louçã da participação nos trabalhos na casa da democracia, ou seja, na Assembleia da República, é uma perda muito grande e que nos causa uma imensa tristeza, deixo mais um artigo sobre o tema em questão.

Deixo o vídeo com a comunicação de Francisco Louçã. Imperdível! Nele, Francisco Louçã diz praticamente tudo o que é essencial e importante compreendermos! Nele Francisco Louçã apela à adesão no Bloco de Esquerda.

Fica, também, para memória futura, os dois "posts" que aqui ontem coloquei:



Francisco Louçã Comunicou o Fim do Seu Mandato de Deputado | PUBLICO.PT

Francisco Louçã: «Aos meus amigos, falemos do futuro»


Importante! Se queres salvar Portugal, se queres combater todos estes anos de corrupção, má governação e insensibilidade social:
  • ADERE AO BLOCO DE ESQUERDA!
  • FAZ PARTE DA MUDANÇA!
JOÃO
Francisco Louçã comunica fim de mandato de deputado | Esquerda



Publicado em 25/10/2012 por
Nesta declaração, Francisco Louçã salienta que continuará na vida política "com os mesmos valores e com a mesma dedicação ao Bloco", frisando ainda: "saio exatamente como entrei, com a minha profissão, sem qualquer subsídio e sem qualquer reforma".

Assembleia da República | 25.10.2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Francisco Louçã: «Aos meus amigos, falemos do futuro»




Notas de
Francisco Louçã
no Facebook




Aos meus amigos, falemos do futuro

a Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012 às 15:37 ·



Entreguei agora à presidente da Assembleia da República a comunicação do fim do meu mandato como deputado e não me venho despedir, venho falar-vos do futuro.
Saio do parlamento por uma razão e por mais nenhuma: entendo, para mim próprio, que o princípio republicano marca limites à representação que tenho desempenhado e exige a simplicidade de reconhecer que essa responsabilidade deve ser exercida com contenção. Ao fim de treze anos, reclamo a liberdade de influenciar o meu tempo: é agora o momento de uma renovação que fará um Bloco mais forte.
Não preciso de vos garantir que continuarei a minha vida política com os mesmos valores e com a mesma dedicação ao Bloco de Esquerda e à luta sem tréguas pela justiça social. É para aí que levarei sempre o meu Rocinante.
Mas também vos digo, para que não me perguntem nunca mais nestes tempos cinzentos, que saio exatamente como entrei, com a minha profissão, sem qualquer subsídio e sem qualquer reforma.
Quero aliás deixar cristalinamente claro, especialmente hoje, que não faço qualquer cedência ao populismo antiparlamentar: os partidos e personalidades que esperam obter ganhos com essa demagogia terão sempre a minha frontal condenação. Digo-vos por isso a minha verdade: também no parlamento encontrei alguns homens e mulheres extraordinários e respeito muito os adversários que sejam fiéis ao seu programa. E, por isso mesmo, reafirmo-vos convictamente, contra todo o populismo, que é um crime antidemocrático deixar diminuir ou deixar corroer o pluralismo político.
Ao longo destes treze anos, fui eleito cinco vezes e enfrentei cinco primeiros-ministros. Disse-lhes o que lhes tinha para dizer, em nome de muita gente. Fiz 1012 intervenções em plenário e os meus amigos lembrar-se-ão de algumas. Espero que os meus adversários também se lembrem.
Nunca deixei de votar de acordo com a minha consciência. Cumpri todos os meus compromissos com os eleitores. Apresentei, com o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, 606 projetos de lei. Alguns foram aprovados e mudaram a vida de muita gente e a cultura do país inteiro. Nestes anos começou a despenalização dos toxicodependentes, foram protegidas as mulheres que decidiram abortar, foi atacada a violência doméstica, avançou-se no difícil caminho da responsabilidade fiscal e da luta contra a corrupção, ergueu-se uma força contra a pirataria financeira, os jovens precários começaram a ter voz, os serviços públicos ganharam mais expressão na democracia, aproximamo-nos da paridade entre homens e mulheres nas eleições, reconheceu-se legalmente o casamento gay, houve empenho solidário contra o terror das guerras. Com estas mudanças, Portugal passou a respirar melhor.
Vivi com intensidade cada momento desta luta parlamentar, que é essencial para uma esquerda coerente. Agradeço a todas as deputadas e deputados do Bloco de Esquerda a força incessante que trazem a este confronto e tudo o que me ensinaram, e mais ainda o que vão continuar a fazer contra a política cínica do empobrecimento.
Não estarei no parlamento na discussão deste Orçamento, que é um exercício brutal de chantagem contra os contribuintes. Não se pode suportar a arrogância de um governo que quer cortar salários e pensões para entregar nove mil milhões de euros a uma dívida sempre galopante. Ninguém pode suportar a incompetência e a mentira. Por isso, combatemos o Orçamento com soluções radicalmente sensatas: o Bloco já apresentou um programa orçamental com propostas inovadoras, estudadas e exigentes, porque tem cada dia mais responsabilidade e quer ter mais responsabilidade.
Esse é o combate que levarei a todos os lugares da vida social onde puder chegar, e com a mesma energia. A política não se faz só numa sala, faz-se em toda vida, e o magnífico acordar da sociedade, que estamos a conhecer, mobiliza a República para a escolha que é o dever da democracia. Neste momento, só no país inteiro e com a força do trabalho é que poderemos vencer o Orçamento. Só na democracia toda se pode derrotar a bancarrota e demitir o governo. Estarei na cidade com os cidadãos a combater o orçamento do massacre fiscal.
E, se me perguntam o que farei a partir de hoje, quero responder-vos com toda a clareza: dedicarei o que sei e o que posso à luta por um governo de esquerda contra a troika e, para isso, ao esforço de criar pontes e caminhos novos, de juntar competências, de ajudar a levantar a força deste povo. Precisamos desse governo para romper com o Memorando e para defender Portugal, o Portugal do trabalhador e do contribuinte, de quem luta pelo seu povo e não aceita a humilhação da guerra infinita contra os salários e as pensões. Contribuirei intensamente para isso, porque para lá chegar é preciso convicção e uma paciência impaciente que nunca desiste. Nunca desisto nem me canso disso que é o essencial.
Por último, faço um apelo a todos os meus amigos: adiram ao Bloco de Esquerda. Agora, que é preciso força. Agora, que é preciso atitude. Agora, que é preciso imaginação. Agora, que é preciso querer vencer. Aí estaremos, todos, como sempre, com a mesma força da vida.
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Maria João Baptista Silva Não pude despedir-me das suas intervenções na AR! Hoje, por azar, tinha ido a uma consulta!
Mas quando li a notícia, vieram-me as lágrimas aos olhos. Compreendo-o. Mas esperava uma espécie de reviravolta... aquilo a que muito chamam, um "milagre"!
Pass
ei os olhos por tantos e tantos comentários sentidos. Tudo já foi, praticamente, dito.
Por isso passo, para aqui, o que enviei do Público, para a minha página do Facebook:
"Pois é! Nós ficamos muito mais pobres! Não há pessoas insubstituíveis. Mas não há duas pessoas iguais! E, que me perdoem todos os restantes, como Francisco Louçã não há nem haverá outro deputado. Tem qualidades intelectuais e capacidades de excelência, em todos os assuntos/matérias, que só os seres únicos têm.
Louçã é um dos meus SERES ÚNICOS!
A ele facarei eternamente grata pelo orgulho que me deu em ser bloquista!"
Obrigada, meu amigo!
JOÃO

Francisco Louçã Comunicou o Fim do Seu Mandato de Deputado | PUBLICO.PT


Francisco Louçã comunicou o fim do seu mandato de deputado. Sai com a máxima dignidade e ética política.

Como ele mesmo refere: “saio exatamente como entrei, com a minha profissão, sem qualquer subsídio e sem qualquer reforma”.

Pois é! Nós ficamos muito mais pobres! Não há pessoas insubstituíveis. Mas não há duas pessoas iguais! E, que me perdoem todos os restantes, como Francisco Louçã não há nem haverá outro deputado. Tem qualidades intelectuais e capacidades de excelência, em todos os assuntos/matérias, que só os seres únicos têm.

Louçã é um dos meus SERES ÚNICOS!

A ele ficarei eternamente grata pelo orgulho que me deu em ser bloquista!

JOÃO





Francisco Louçã abandona o Parlamento - Política - PUBLICO.PT


Francisco Louçã foi eleito deputado em 1999
(Foto: Nuno Ferreira Santos)