Mostrar mensagens com a etiqueta Baptista Bastos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Baptista Bastos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Batista Bastos sobre Cavaco Silva

  
From: mário fernando
Sent: Wednesday, January 29, 2014 9:35 PM
To: maria joão
Subject: FW: Batista Bastos sobre Cavaco Silva


Baptista Bastos sobre Cavaco Silva


«O dr. Cavaco consumiu vinte minutos, no Centro Cultural de Belém, a esclarecer os portugueses que não havia português como ele. Os portugueses, diminuídos com a presunção e esmagados pela soberba, escutaram a criatura de olhos arregalados. Elogio em boca própria é vitupério, mas o dr. Cavaco ignora essa verdade axiomática, como, aliás, ignora um número quase infindável de coisas.

O discurso, além de tolo, era um arrazoado de banalidades, redigido num idioma de eguariço. São conhecidas as amargas dificuldades que aquele senhor demonstra em expressar-se com exactidão. Mas, desta vez, o assunto atingiu as raias da nossa indignação. Segundo ele de si próprio diz, tem sido um estadista exemplar, repleto de êxitos políticos e de realizações ímpares. E acrescentou que, moralmente, é inatacável.

O passado dele não o recomenda. Infelizmente. Foi um dos piores primeiros-ministros, depois do 25 de Abril. Recebeu, de Bruxelas, oceanos de dinheiro e esbanjou-os nas futilidades de regime que, habitualmente, são para "encher o olho" e cuja utilidade é duvidosa.


Preferiu o betão ao desenvolvimento harmonioso do nosso estrato educacional; desprezou a memória colectiva como projecto ideológico, nisso associando-se ao ideário da senhora Tatcher e do senhor Regan; incentivou, desbragadamente, o culto da juventude pela juventude, característica das doutrinas fascistas; crispou a sociedade portuguesa com uma cultura de espeque e atrabiliária e, não o esqueçamos nunca, recusou a pensão de sangue à viúva de Salgueiro Maia, um dos mais abnegados heróis de Abril, atribuindo outras a agentes da PIDE, "por serviços relevantes à pátria." A lista de anomalias é medonha.

Como Presidente é um homem indeciso, cheio de fragilidades e de ressentimentos, com a ausência de grandeza exigida pela função. O caso, sinistro, das "escutas a Belém" é um dos episódios mais vis da história da II República. Sobre o caso escrevi, no Negócios, o que tinha de escrever. Mas não esqueço o manobrismo nem a desvergonha, minimizados por uma Imprensa minada por simpatizantes de jornalismos e por estipendiados inquietantes. Em qualquer país do mundo, seriamente democrático, o dr. Cavaco teria sido corrido a sete pés.

O lastro de opróbrio, de fiasco e de humilhação que tem deixado atrás de si, chega para acreditar que as forças que o sustentam, a manipulação a que os cidadãos têm sido sujeitos, é da ordem da mancha histórica. E os panegíricos que lhe tecem são ultrajantes para aqueles que o antecederam em Belém e ferem a nossa elementar decência.

É este homem de poucas qualidades que, no Centro Cultural de Belém, teve o descoco de se apresentar como símbolo de virtudes e sinónimo de impolutabilidade. É este homem, que as circunstâncias determinadas pelas torções da História alisaram um caminho sem pedras e empurraram para um destino que não merece. Triste Ré-pública, nas mãos de gente que a não ama, que a não desenvolve, que a não resguarda e a não protege!

Estamos a assistir ao fim de muitas esperanças, de muitos sonhos acalentados, e à traição imposta a gerações de homens e de mulheres. É gente deste jaez e estilo que corrói os alicerces intelectuais, políticos e morais de uma democracia que, cada vez mais, existe, apenas, na superfície. O estado a que chegámos é, substancialmente, da responsabilidade deste cavalheiro e de outros como ele.

Como é possível que, estando o País de pantanas, o homem que se apresenta como candidato ao mais alto emprego do Estado, não tenha, nem agora nem antes, actuado com o poder de que dispõe? Como é possível? Há outros problemas que se põem: foi o dr. Cavaco que escreveu o discurso? Se foi, a sua conhecida mediocridade pode ser atenuante. Se não foi, há alguém, em Belém, que o quer tramar.

Um amigo meu, fundador de PSD, antigo companheiro de Sá Carneiro eleitor omnívoro de literatura de todos os géneros e projecções, que me dizia:

"Como é que você quer que isto se endireite se o dr. Cavaco e a maioria dos políticos no activo diz 'competividade' em vez de 'competitividade' e julga que o Padre António Vieira é um pároco de qualquer igreja?"


Pessoalmente, não quero nada. Mas desejava, ardentemente desejava, ter um Presidente da República que, pelo menos, soubesse quantos cantos tem "Os Lusíadas."»


-->

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Artigo de Baptista Bastos: «A Indecência Como Factor Político»

Sempre gostei muito de Baptista-Bastos e da sua escrita, em livros e em artigos de opinião, das suas intervenções na televisão e na rádio...
Fica um desses artigos de opinião, do Diário de Notícias, em que Baptista Bastos escreve sobre o PSD e sem "papas" nos dedos/língua...

sábado, 16 de abril de 2011

Artigo de Baptista Bastos: «Eles Não Gostam De Nós. Só Gostam Deles Próprios»

Sempre gostei muito de Baptista Bastos e da sua escrita, em livros e em artigos de opinião, das suas intervenções na televisão e na rádio, das suas conversas de café... Assisti a algumas em que eu estava presente com o meu pai.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

CRISE | Desemprego | Pobreza - "A Lista de Cúmplices desta Barbaridade é Enorme"

Se Sócrates disse que o Mundo mudou em 2 semanas, eu digo que Portugal deu uma volta de 360º em 24 horas, depois de já ter dado, anteriormente, mil e uma voltas de 360º.
Desta vez os vários “Mini-PEC” dentro do próprio PEC são avassaladores. Vão desde os aumentos dos transportes, redução da prestação de cuidados de saúde, redução de direitos dos trabalhadores, redução de ajudas aos desempregados, redução do crescimento económico, aumentos dos impostos de selo para os que utilizam créditos, aumentos de todos os tipos de impostos...
Enfim, estamos completamente "lixados"! Os detentores das grandes fortunas vão ver os seus bens a continuarem a crescer e os que vivem do trabalho vão continuar a ver as suas posses a baixar e baixar... algumas abaixo do nível que separa uma vida decente e começa a pobreza declarada... Quanto aos desempregados, esses, coitados, além da fama que têm de não quererem trabalhar, os que ainda não perderam tudo, vão chegar à miséria absoluta ao ponto de, se não tiverem quem os ajudar, perderem, também, a saúde mental.
Eu já escrevi aqui que o Primeiro-Ministro tem mentido constantemente aos Portugueses, não quer assumir as culpas que tem tido na má governação, nem nas más políticas escolhidas, nem nas más práticas usadas para nos enganar e nem quer admitir, sequer, alguma vez pedir desculpas aos portugueses pela situação grave a que chegámos.
Mas há mais culpados pelo estado a que chegámos.
Fica a Frase do Dia.
JOÃO
----------------------------------------------------------------------
A FRASE
"A lista de cúmplices desta barbaridade é enorme. Andam todos por aí. Guterres trata dos famintos do Terceiro Mundo; Barroso, dos "egocratas" de barriga cheia; os economistas que nos afundaram tratam da vidinha, com desenvolta disposição. Nenhum é responsável do crime; e passam ao lado da insatisfação e da decepção permanentes, como cães por vinha vindimada"
Baptista-Bastos, "Diário de Notícias", 26-05-2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Governo é um Descalabro - Para Sócrates só não mudaram Judite de Sousa e José Alberto Carvalho

Escolhi estas frases por razões diferentes: a frase de "O Inimigo Público", para nos rirmos um pouco e, quem viu ontem a entrevista do José Sócrates na RTP1, percebe a razão. Durante toda a entrevista ele praticamente só referia que a Europa mudou em 2 dias... Como se tal fosse assim! Os problemas da Europa e do Mundo não mudaram em dois dias. Sócrates é que acabou com a sua teimosia... apesar de recusar pedir desculpas aos Portugueses!...
Como a entrevista foi feita pela Judite de Sousa e o José Alberto carvalho, os mesmos que o entrevistaram anteriormente, é óbvio o humor contido na frase, cujo artigo completo podes ver se clicares aqui.
A outra frase escolhida para a "frase do dia", pelo Público.pt, de Baptista-Bastos, vem da não responsabilização que Sócrates e o Governo acham que têm à cerca do estado a que o país chegou e, ao contrário da primeira frase, esta é para lermos com apreensão e procurarmos ler, atentamente, o artigo no Diário de Notícias. Nós estamos, de facto, numa crise Mundial. Mas Portugal está numa crise de valores éticos no Governo, nos deputados do partido do Governo e na governação a que temos sido sujeitos.
E, se não estamos pior, vale-nos a vigilância apertada dos partidos à esquerda do PS, com representação parlamentar.
JOÃO
----------------------------------------------------------------------
----------------------------------------------------------------------
Para Sócrates, tudo mudou excepto
Judite de Sousa e José Alberto Carvalho
Mário Botequilha
----------------------------------------------------------------------
A FRASE
"O Governo é um descalabro, e o PS um partido enfermo pelo poder. Há uma corrosão acentuada na sociedade portuguesa. A impostura adquiriu carta de alforria: ninguém é culpado, ninguém é responsabilizado. Quem nos acode?"
Baptista-Bastos, escritor, "Diário de Notícias", 19-05-2010

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Meditação sobre os suicidas da France Telecom: "Que sociedade estamos a construir? Que mundo vem aí?"

Olá a todos!
Nest blog já está um comentário sobre os suicidas de France Telecom.
Eu queria responder a esse comentário.
Mas não o faria com tanta eloquência como Baptista Bastos o faz.
Deixo pois um dos artigos deste autor.
Sara Antunes

Baptista Bastos
Meditação sobre os suicidas da France Telecom
"Que sociedade estamos a construir? Que mundo vem aí?" As perguntas, tornadas um pungente requisitório, foram, há dias, formuladas por um trabalhador da France Telecom, numa manifestação contra o processo de "reestruturação" da empresa, cujos resultados têm conduzido à barbárie. Vinte e quatro trabalhadores suicidaram-se, nos últimos dezanove meses, e mais treze foram socorridos quando se preparavam para pôr fim à vida.

Em nome da "competitividade" e em obediência às leis do mercado, um "gestor", Louis-Pierre Wenes, procedeu, a partir de 2005 (ele entrara na empresa em 2002), adjuvado por Didier Lombard, à "modernização" da empresa, o terceiro operador de telemóveis da Europa e o primeiro fornecedor de acesso à Internet.
A brutalidade das decisões não olhou a meios para justificar os fins. Diz a France Press que "o plano redundou num controlo cerrado dos funcionários, dos tempos de pausa, uma pressão insuportável por ganhos de produtividade e desumanização nas relações laborais. Os comunicados dos sindicatos sublinham a incerteza organizada sobre a permanência de cada posto de trabalho, mudanças forçadas de funções, pressões insidiosas para que os trabalhadores se demitissem ou aceitassem despromoções, tentando fazê-los responsabilizar-se por essas novas situações."

O "mercado", o "neoliberalismo" e a globalização atingiram novos patamares de infâmia. Em Portugal desconhece-se a estatística de suicídios causados por compulsões semelhantes, e o facto de estarmos à beira dos setecentos mil desempregados deveria preocupar, seriamente, aqueles que nos governam. A desumanização que se regista no mundo do trabalho explica-se pelo facto de o "homem de organização", quero dizer: o "gestor", não pode permitir-se ter princípios ou escrúpulos: deve, isso sim ter reflexos.
A degradação da vida empresarial resulta dessa cartografia de horrores que consiste nos objectivos a atingir, nas etapas que se tem de percorrer, e dos lucros que terão de ser rápidos e vultosos. O "gestor" é muitíssimo bem pago para ser um cão-de-fila. Um universo sem paixões, gelado, uma mistura de indiferença humana com uma selvajaria abstracta.

"Que sociedade estamos a construir? Que mundo vem aí?" As dramáticas perguntas adquirem um novo relevo, quando se sabe que as "soluções" aplicadas pelos tais "gestores" revelam-se ineficazes e conduzem as empresas, mais tarde ou mais cedo, à falência. À falência económica e financeira, porque a falência moral já habita no corpo de quem as dirige.

A "organização", o "grupo", correspondem a esse capitalismo predador, que mantém uma "democracia de superfície", feroz e impositiva, que tem aniquilado sindicatos, partidos progressistas, organizações cristãs recalcitrantes, homens e mulheres, sobrepondo uma cultura que provoca a renúncia de pensar. O poder económico a sobrepujar o poder político. Ainda há semanas, o eng.º Francisco Van Zeller, presidente da CIP, se opunha, veementemente, à casualidade de o PS estabelecer acordos, parlamentares ou outros, com o Bloco de Esquerda. A sobreposição chega a ser aberrante. E o desprezo pela democracia, mesmo tão fanada como a portuguesa, associa-se a um postulado segundo o qual estaríamos no fim das ideologias. É verdade que o PSD nunca foi "social-democrata" (quando muito, conservador-liberal), e o PS foge do socialismo como Satanás da cruz (salvo seja). Esta confusa apropriação indevida de nomes causou estragos irreparáveis na "democracia" que por aí está.

O panorama nacional é assustador. Salvam-se os bancos, em nome não se sabe muito bem de quê e de quem, e destroem-se vidas. O tema da emancipação da humanidade não perdeu prestígio nem poder. As grandes questões do trabalho, do capitalismo, das novas relações sociais, do desemprego e da subida da miséria e da fome são omissos nos chamados órgãos de informação. No caso português, a ausência destes temas obedece a indicações e a ordenanças. As mais radicais das ideias reaccionárias afloram em numerosos artigos, comentários e debates. É a "democracia de superfície" em toda a sua expressão. Repare-se que o caso da France Telecom mereceu medíocres chamadas de primeira página, e notícias reduzidíssimas no interior dos jornais. E este é um assunto que, pela sua natureza trágica e pela dimensão social que exprime, deveria adquirir enunciações mais amplas.

Há algo de dissolução rápida nas nossas sociedades. Quando os laços relacionais são tão abruptamente cortados, como na France Telecom, temos de perceber que o problema não é isolado. E que a ameaça começou a constituir como perigo imediato. Nomeemos os problemas e saibamos enfrentar os riscos decorrentes. A Imprensa e os jornalistas honrados têm uma palavra a dizer. Não será a última mas é, certamente, a mais importante. Se eu lhes merecer, contem comigo.