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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

DN | Fernando Tordo Responde ao Filho: "Não Entristeças, João" || Carta ao filho João Tordo | Facebook

Carta ao meu filho João. Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer. Perante a tua carta que a Eugénia e teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta.
Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês. ( grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou ) ela e os meus netos, aqueles sorrisos.
Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua. Beijo do teu pai fernando.


Maria João Baptista Silva Querido Fernando Tordo,
Não tenho o dom da escrita. Mas tenho o da indignação. E ontem fiquei profundamente indignada com a maioria dos portugueses.
Por isso, escrevi na minha página e no meu Blog isto, que dá uma ideia daquilo que eu penso sobre todo 
este assunto.
Com admiração e o desejo de muitas felicidades,
JOÃO

Continua
Para leres, clica AQUI!
_____________________

Gostei · há 3 minutos 

Queridos amigos,
Nos últimos dias tenho recebido centenas de mensagens e e-mails com votos de felicidades, que muito me comovem. Peço que percebam que estou em fase de adaptação e a começar a trabalhar, portanto responderei às vossas mensagens assim que fizer uma pausa.
Estarei em Portugal no fim de Abril para estar com a família e amigos e para as comemorações do 25 de Abril, mas mantenho-vos informados da minha vida profissional aqui no Brasil através desta página.
Deixo-vos uma fotografia da vista do meu quarto aqui no Recife, onde estão neste momento 30ºC e o Carnaval se começa a preparar.
Até breve,
Fernando Tordo



EMIGRAÇÃO

Fernando Tordo responde ao filho: 

"Não entristeças, João"

por Sofia FonsecaOntem263 comentários
Fernando Tordo responde ao filho: "Não entristeças, João"
Fotografia © Gerardo Santos/Global Imagens
O compositor respondeu no Facebook à carta que o filho, João Tordo, lhe escreveu, em que manifestava tristeza por alguns comentários que lera sobre o facto de o pai ter decidido emigrar.
"Muita gente se despediu com palavras de encorajamento. Outros, contudo, mandaram-no para Cuba. Ou para a Coreia do Norte. Ou disseram que já devia ter emigrado há muito. Que só faz falta quem cá está. Chamam-lhe palavrões dos duros", escreveu João Tordo no seu blogue. "E perguntaram o que iria fazer: limpar WC e cozinhas? Usufruir da reforma dourada?", acrescentou, lembrando que o pai, um homem com 65 anos de vida e 50 de carreira, teria uma reforma de duzentos e poucos euros, "mais uma pequena reforma da Sociedade Portuguesa de Autores".
No Recife, para onde emigrou na terça-feira, Fernando Tordo leu a carta. E hoje respondeu ao filho. "Não entristeças, João", disse-lhe através do Facebook. "Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua", acrescentou.
"Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer", constatou.
"Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta", garantiu.

Noticias ao Minuto | A Carta Emocionada Que Tordo Filho Escreveu a (e Sobre) Tordo Pai


Carta ao pai

por João Tordo, em 19.02.14
Ontem, o meu pai foi-se embora. Não foi e já volta; emigrou para o Recife
e deixou este país, onde nasceu e onde viveu durante 65 anos. A sua 
reforma seria, por cá, de duzentos e poucos euros, mais uma pequena 
reforma da Sociedade Portuguesa de Autores que tem servido, durante 
os últimos anos, para pagar o carro onde se deslocava por Lisboa e para os
concertos que foi dando pelo país. Nesses concertos teve salas cheias, 
meio-cheias e, por vezes, quase vazias; fê-lo sempre (era o seu trabalho) 
com um sorriso nos lábios e boa disposição, ganhando à bilheteira. Ontem, 
quando me deitei, senti-me triste. E, ao mesmo tempo, senti-me feliz. 
Triste, porque o mais normal é que os filhos emigrem e não os pais (mas 
talvez Portugal tenha sido capaz, nos últimos anos, de conseguir baralhar 
essa tendência). Feliz, porque admiro-lhe a coragem de começar outra vez 
num país que quase desconhece (e onde quase o desconhecem), partindo 
animado pelas coisas novas que irá encontrar. Tudo isto são coisas pessoais 
que não interessam a ninguém, excepto à família do senhor Tordo. 
Acontece que o meu pai, quer se goste ou não da música que fez, foi uma 
figura conhecida desde muito novo e, portanto, a sua partida, que ele se 
limitou a anunciar no Facebook, onde mantinha contacto regular com os 
amigos e admiradores, acabou por se tornar mediática. E é essa a razão 
pela qual escrevo: porque, quase sem o querer, li alguns dos comentários 
à sua partida. Muita gente se despediu com palavras de encorajamento. 
Outros, contudo, mandaram-no para Cuba. Ou para a Coreia do Norte. 
Ou disseram que já devia ter emigrado há muito. Que só faz falta quem 
cá está. Chamam-lhe palavrões dos duros. Associam-no à política, de que 
se dissociou activamente há décadas (enquanto lá esteve contribuiu, à 
sua modesta maneira, com outros músicos, escritores, cineastas e artistas, 
para a libertação de um povo). E perguntaram o que iria fazer: limpar WC's 
e cozinhas? Usufruir da reforma dourada? Agarrar um "tacho" 
proporcionado pelos "amiguinhos"? Houve até um que, com ironia insuspeita, 
lhe pediu que "deixasse cá a reforma". Os duzentos e tal euros. Eu entendo o 
desamor. Sempre o entendi; é natural, ainda mais natural quando vivemos 
como vivemos e onde vivemos e com as dificuldades por que passamos. O 
que eu não entendo é o ódio. O meu pai, que é uma pessoa cheia de defeitos 
como todos nós - e como todos os autores destes singelos insultos -, fez aquilo 
que lhe restava fazer. Quer se queira, quer não, ele faz parte da história da 
música em Portugal. Sozinho, ou com Ary dos Santos, ou para algumas das 
vozes mais apreciadas do público de hoje - Carminho, Carlos do Carmo, 
Marisa, são incontáveis - fez alguns dos temas que irão perdurar enquanto 
nos for permitido ouvir música. Pouco importa quem é o homem; isso fica 
reservado para a intimidade de quem o conhece. Eu conheço-o: é um tipo 
simpático e cheio de humor, que está bem com a vida e que, ontem, partiu 
com uma mala às costas e uma guitarra na mão, aos 65 anos, cansado deste 
país onde, mais cedo do que tarde, aqueles que o mandam para Cuba, a 
Coreia do Norte ou limpar WC's e cozinhas encontrarão, finalmente, a terra 
prometida: um lugar onde nada restará senão os reality shows da televisão, 
as telenovelas e a vergonha. Os nossos governantes têm-se preparado para 
anunciar, contentíssimos, que a crise acabou, esquecendo-se de dizer tudo o 
que acabou com ela. A primeira coisa foi a cultura, que é o património de um 
país. A segunda foi a felicidade, que está ausente dos rostos de quem anda na 
rua todos os dias. A terceira foi a esperança. E a quarta foi o meu pai, e outros 
como ele, que se recusam a ser governados por gente que fez tudo para dar 
cabo deste país - do país que ele, e milhões de pessoas como ele, cheias de 
defeitos, quiseram construir: um país melhor para os filhos e para os netos. 
Fracassaram nesse propósito; enganaram-se ao pensarem que podíamos 
mudar. Não queremos mudar. Queremos esta miséria, admitimo-la, deixamos 
passar. E alguns de nós até aí estão para insultar, do conforto dos seus sofás, 
quem, por não ter trabalho aqui - e precisar de trabalhar para, aos 65 anos, 
não se transformar num fantasma ou num pedinte - pegou nas malas e numa 
guitarra e se foi embora. Ontem, ao deitar-me, imaginei-o dentro do avião, 
sozinho, a sonhar com o futuro; bem-disposto, com um sorriso nos lábios. Eu 
vou ter muitas saudades dele, mas sou suspeito. Dói-me saber que, ontem, o 
meu pai se foi embora.
















______________________

Quando lutámos por um país democrático e com valores, e vermos os nossos pais - ou, como pessoas no meu caso -, os nossos filhos partirem, a desânimo, a dor, a desesperança, a falta de chão... são algumas das angústias e sentimentos que nos atormentam.
E ver os nossos artistas, aqueles que admiramos, amamos e de quem nos orgulhamos, também causa muita amargura.

Esta carta, de João Tordo ao seu pai, é sobre desabafos de um filho e sobre alguém que eu amo muito: Fernando Tordo.

Sobre a matéria do Notícias ao Minuto, só me apetece dizer que a vida privada das pessoas que me fizeram feliz e ainda fazem, através da sua arte, não me diz respeito. Nunca disse! E não compreendo como os portugueses vivem a vida dos outros, desta forma mesquinha e má.

Lamento que o Fernando Tordo tenha tido que abandonar o seu país, que é o meu que já abandonei um dia para por causa da ditadura, e do meu filho que abandonou, também, para sobreviver. Aqui não há condições. Só as há para os corruptos, vendidos, mal formados, ricos...

Com esta decisão de Fernando Tordo, e a reacção dos portugueses que se acham no direito de criticar tudo e todos e mal-dizer das opções de vida de cada um, eu confirmei o que sabia já: que os portugueses continuam pessoas pequeninas, mesquinhas, invejosas, más... e isso tudo advêm de sermos um povo inculto, começando pelo Presidente da República e acabando no Primeiro-Ministro. E se os portugueses começassem por fazer as suas críticas, lutas e escolhas nas urnas, democraticamente, indo votar e não elegendo sempre os mesmos que têm estado a acabar com o nosso Portugal!...


Cultura é o que faz falta!
Como o pão para a boca, a cultura é o pão da alma

JOÃO



Noticias ao Minuto - A carta emocionada que Tordo filho escreveu a (e sobre) Tordo pai


sábado, 15 de fevereiro de 2014

SHADOWS | 27 Minutos de Sonho | Vídeo


Não deixes de assistir a este grande espectáculo!

Fecha  os olhos durante 27 minutos e deixa desfilar as imagens que estavam arquivadas no mais longínquo do teu imaginário!!!

Que saudades!!!

JOÃO


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 25 de maio de 2012

VÍDEOS DE TODOS OS CANTORES DO MUNDO...

Jon Bon Jovi em Hallelujah
  
O Mário Silva enviou-me esta mensagem e eu repasso-a.
Fiquei com a tarde "estragada"! Estou só a abanar o capacete!...
Já ouvi o Jon Bon Jovi, o Caetano Veloso a solo e em duo, os Mettalica... Tantas músicas de cada um deles!
Gosto de todos... Os Mettalica, para mim, são uma paixão!
A canção dos Mettalica "Nothing else Matters" permanecerá, todo o resto da minha vida, no meu coração!
Aliás, o título é algo que me diz muito, quando me foco nalguma coisa...
O site é fabuloso! "Fabulástico", como eu digo...
Se gostas de música, não percas. Há um pouco de tudo!
JOÃO



Para salvar e guardar a sete chaves.
Impossível não repassar para os amigos(as).

DEPOIS DE ABRIR O SITE, APARECEM OS CANTORES.
ENTRETANTO, SE VOCÊ QUISER FAZER BUSCA DE UM PREFERIDO QUE VOCÊ NÃO ACHOU, É SÓ ESCREVER O NOME NA CAIXA QUE APARECE NO VISOR.
ABAIXO DO VÍDEO QUE VOCÊ CLICOU, APARECEM TODAS AS MÚSICAS DESSE CANTOR (SE VOCÊ DEIXAR ELAS IRÃO ABRIR TODAS EM SEQUÊNCIA)
 
Clica aqui:

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Morreu Robin Gibb [Douglas, Ilha de Man, 22 de Dezembro de 1949 — Londres, 20 de Maio de 2012] | Bee Gees - Stayin' Alive | Vídeo

Robin Gibb
Douglas, Ilha de Man 1949 — Londres 2012
 Bee Gees - Irmãos Gibb 
O mais velho, no meio, Barry Gibb, ainda vivo,
e os gêmeos Robin Gibb e Maurice Gibb
"Robin Gibb, de 62 anos, morreu domingo, depois de uma luta de dois anos contra um cancro no cólon e no fígado, anunciou um porta voz da família.
O cantor do grupo Bee Gees, internado num hospital de Londres, tinha sido sujeito a uma traqu
eostomia, há cerca de uma semana, depois de ter passado 12 dias em coma no mês passado." - Notícia do Expresso
Para mim, que desde o final da adolescência - 19 anos de idade - fui uma super fã, e para todos os fãs, todos os Gibbs que já partiram, e foram já 3, o Andy Gibb, e 2 do grupo Bee Gees, Maurice Gibb e, agora Robin Gibb, - que eram gémeos, sempre se manterão vivos, como diz a canção.

Foram únicos e serão únicos, mesmo depois da partida do último Bee Gee ainda vivo, Barry Gibb, por quem eu tive sempre uma especial doçura.
Para o Barry Gibb o meu coração chora. Deve ser uma desgraça sobreviver a todos os irmão queridos, ainda mais numa família tão unida como eles tinham.
Eu tenho dois irmão e uma irmã. Sou a mais velha. Detestaria sobreviver a eles!

Mais tarde escreverei sobre os Bee Gees e o Andy Gibb, que fez uma carreia independente dos irmãos.
Agora não consigo. Eu sou assim. Sinto a dor de uma forma intensa e quase paralizante.
JOÃO


Carregado por em 26/10/2009
© 2007 WMG
Stayin' Alive [Version 1] (Video)

 
Maurice Gibb (Bee Gees)
Douglas, Ilha de Man 1949 — Miami 2003

Andy Gibb
Machester-England - 1958-1988

Os três irmãos Gibb - Bee Gees,
e o irmão Andy GibbTanto os Bee Gees, como grupo musical, assim como o Andy, individualmente,
receberam muitos galardões na música.

sábado, 12 de maio de 2012

Bernardo Sassetti [1970-2012] | Entrevista 2005 | Links |

Bernardo Sassetti em Lisboa, em 2005
Fotografia: Pedro Cunha


Bernardo Sassetti
Informação geral
Nome completoBernardo da Costa Sassetti Pais
Nascimento24 de Junho de 1970
OrigemLisboa
País Portugal
Data de morte10 de Maio de 2012 (41 anos)
OcupaçãoCompositor/Pianista
InstrumentosPiano
Bernardo da Costa Sassetti Pais, conhecido apenas por Bernardo Sassetti, (Lisboa, 24 de Junho de 1970 - Praia do Abano, Cascais, 10 de Maio de 2012)[1] foi um compositor e pianista português. Era bisneto de Sidónio Pais e sobrinho-neto de Luís de Freitas Branco.



Ouvi ontem, pelas 14:00, na SIC Notícias. Inacreditável!
Ano negro para os seres especiais, em Portugal!
Estou, ainda, em choque! Dois anos mais do que o meu filho!
Um imenso lamento de todos nós que gostamos de cultura, que gostamos de artistas de grande qualidade e mérito...
Uma difícil aceitação... Não há palavras! Mas os amigos, alguns deles, fizeram questão de deixar frases com muitas palavras de elogio, de mágoa, de dor...
Estão aqui, neste artigo do Público.
http://lnk.ms/bnS1j
Deixo esta entrevista de Bernardo Sassetti ao Bodyspace.net, em Dezembro de 2005.
E uma bela entrevista com foto

Solidária com família, fãs e cultura portuguesa,
JOÃO


Entrevista Bernardo Sassetti
publicado em 14 Dez 2005 - 08:00


Um pouco mais de azul
Iniciou os seus estudos de piano clássico aos nove anos e agora, Bernardo Sassetti, é uma das figuras incontornáveis da música made in Portugal, mais concretamente do jazz. O pianista nascido em Lisboa em 1970 tem um currículo invejável, quer no que diz respeito a participações com grandes figuras nacionais e internacionais da música, quer na sua estreita relação com o cinema ou graças às inúmeras digressões realizadas um pouco por todo o mundo. Da sua extensa lista de marcos contam já discos como Nocturnos (em trio), Mário Laginha & Bernardo Sassetti (em duo) e Índigo (a solo). Ao aproximar-se o final de 2005, é apenas natural dizer-se que este foi mais um ano frutífero para Bernardo Sassetti: a juntar a Ascent (editado na Clean Feed), surge também a banda sonora do filme Alice, da sua autoria, dois dos muitos motivos de conversa desta entrevista que mistura propositadamente os sentimentos com a música, não fossem os discos de Bernardo Sassetti uma celebração da emoção.

O que recorda da altura em que começou a tocar piano? Em que altura sentiu que tocaria piano para o resto da sua vida?

É uma pergunta difícil... recordo-me que tinha algum talento para improvisar e que essa talvez fosse a principal dor de cabeça dos meus professores de piano clássico. Foi em 1992, 11 anos depois de ter começado os estudos de piano, quando me aventurei pela primeira vez em Londres. Foi também aí que comecei a perceber o significado da palavra humildade. Tocava todos os dias, tanto em público como em jam sessions organizadas pelos músicos com os quais me fui cruzando por lá. Londres foi, com toda a certeza, o ponto de viragem da minha carreira.

Desde essa altura até aos dias de hoje o rol de momentos importantes para si parece ser enorme. Que momentos destacaria de todos esses?

O convite de Paquito D’Rivera para tocar na United Nations Orchestra; a apresentação da 1.ª banda sonora ao vivo com orquestra (Maria do Mar de Leitão de Barros); o concerto no CCB a dúo com Mário Laginha; a apresentação na Culturgest do novo álbum Ascent; o concerto a três pianos com Mário Laginha e Pedro Burmester; e o momento mais importante de todos: o dia do nascimento da minha filha.

Sente Nocturno como um disco que teve um impacto especial junto do público? Sente-o como um disco especial da sua carreira?

Sinto que é um trabalho muito especial com o meu trio (Carlos Barretto e Alexandre Frazão), depois de estar quase 7 anos sem gravar em meu nome. É talvez o momento de viragem da minha carreira, ou melhor, aquele em que eu pensei “bom, agora já posso começar a fazer música!”.

Ascent, o seu novo disco, foi lançado a 1 de Outubro. Anunciou-o como o desafio mais pessoal da sua carreira. Como se manifestou esse sentimento mais pessoal na composição do disco?

Todo o trabalho foi visto como um todo desde que procurei os primeiros sons e o grande desafio foi atribuir a cada um dos intérpretes um lugar na música deste disco, como se de personagens de uma história fragmentada se tratasse. Os universos sonoros da música erudita e o discurso improvisado do jazz acompanham-me desde há muitos anos e esta foi talvez a primeira vez que os reuni num só disco. Foi também muito importante o trabalho do Nelson Carvalho no som; ele ajudou-me muito na produção e no desenho sonoro das transições de tema para tema.

A autoria do álbum é atribuída ao Bernardo Sassetti Trio2. Como foi conciliar os dois trios e as suas vertentes clássica e jazzística?

Foi fácil porque a ideia das histórias que se cruzam ao longo da gravação e o lugar de cada instrumento foram imediatamente compreendidos pelos músicos que nela participam. Em termos de disponibilidade e entrega dos músicos só posso dizer o melhor, apesar de saber que todos temos muito trabalho nas nossas carreiras e será difícil conseguirmos conciliar sempre as nossas disponibilidades para futuras apresentações.

Ascent, o seu último disco, foi dedicado a José Álvaro Morais, cineasta com quem trabalhou em Quaresma. Qual o motivo concreto dessa dedicatória?

O tema “Ascent” é dedicado a José Álvaro, pois foi ele que me chamou a atenção para o silêncio na arte e, também, para a contenção no acto de escrever música para cinema. Recordo aqui uma frase inesquecível que ele me disse por telefone, várias vezes: “Bernardo, não te esqueças que em cada subida há sempre uma descida”. Por outro lado, todo o disco é uma homenagem ao cinema em geral, nomeadamente a um dos seus maiores segredos: a montagem. São as tais histórias abstractas das personagens que se vão cruzando ao longo da música e que sugerem a montagem de um filme através de pequenos fragmentos. Sempre pensei que, um dia, gostaria de realizar um filme; ainda não aconteceu, dificilmente acontecerá, mas este disco elogia a presença do cinema na minha vida.

Aprecia o cinema pelas imagens que poderão estar interligadas com a sua música, a relação entre dois mundos distintos? Aprecia a fusão de linguagens?

Gosto muito dessa ideia; acho mesmo que o futuro está na comunhão das várias formas de arte, visuais e auditivas. No cinema, aprecio o facto de ser um trabalho de constante colaboração, naturalmente condicionado pelas imagens e pela narrativa; tenho aprendido muito nesta área e, sobretudo, com cada um dos realizadores com quem trabalhei, no sentido de encontrar um lugar artístico que possa impulsionar as tensões e distensões de uma história.
© Rodrigo Amado

Compôs recentemente a banda sonora do filme Alice… Como foi? Imagino que tenha tomado contacto com o filme ou pelo menos com a história anteriormente... presumo que tenha procurado adequar a sua música ao filme. Foi fácil?

O trabalho com o realizador Marco Martins, nesta sua primeira longa-metragem, foi fascinante. Passámos longas horas a falar sobre o filme e debruçámo-nos muito sobre a psicologia das duas personagens principais. O que mais me interessa na música para cinema é exactamente a ideia de poder transmitir musicalmente tudo o que está por detrás das imagens, nomeadamente o interior das personagens. Este é um processo complicado e a sua gestão pode levar meses até conseguir alcançar resultados interessantes e que possam servir o filme. A representação musical dos vários estados de espírito de um ser humano, mais do que a música circunstancial, é o que mais me atrai neste meio de colaboração artística. Neste filme, comecei por dividir a música em três capítulos diferentes: o primeiro é a rotina do Mário à procura da filha desaparecida, a sua obsessão e as suas passagens pela cidade; o segundo é a esperança de encontrar Alice, as câmaras de filmar e os vídeos que visiona noite após noite; o terceiro e último capítulo representa o desespero, a solidão e a indiferença estampada no rosto de todos aqueles por quem Mário se cruza na rua. Em Alice todos os inputs musicais centram-se quase sempre no interior de um pai que nunca desiste, na reacção contrária da mãe e no vazio máximo causado pelo desaparecimento da sua filha. A composição da música, assim como a sua edição, devem muito à mestria no trabalho de som da Elsa Ferreira (edição) e do Branko Neskov (mistura). A meu ver, o som deste filme representa o silêncio interior de um pai vs. o som agressivo que o rodeia diariamente na cidade de Lisboa.

Em que filme sentiu que a relação entre os dois mundos estivesse melhor conseguida da sua parte?

Alice, como já se percebeu, é um filme muito especial para mim; também gosto muito do trabalho com Margarida Cardoso em A Costa dos Murmúrios, com Mário Barroso em O Milagre Segundo Salomé e, claro, com José Álvaro de Morais em Quaresma. São todos projectos muito diferentes.

Ascent tem também uma relação muito próxima com a fotografia. O que é que nos pode contar acerca disso?

A fotografia é uma forma de expressão que me acompanha diariamente; não sou fotógrafo profissional mas sinto que a minha dedicação às imagens fotográficas passa muito pela ideia de poder servir a música que componho, sendo por isso um assunto muito sério; nesse sentido, tenho já ideias muito precisas sobre os dois próximos projectos de gravação e sobre cada um dos seus universos visuais. Pode-se dizer que tenho fotografado imagens que inspiram a música composta, ou vice-versa.

Disse recentemente que hoje em dia preocupa-se mais com o silêncio do que propriamente com o som. De que forma é que isso se revela na sua música?

O silêncio tem-se revelado como uma necessidade absoluta, porque é através do meu silêncio interior que nascem as primeiras ideias. São poucos os músicos de jazz que exploram realmente (repito realmente) esta forma de expressão musical – que é também uma enorme fonte de energia e uma forma de expressão muito orgânica e com a qual me identifico muito. Gosto sobretudo de criar uma música suspensa, quase intemporal em que o tempo de cada nota não é, nem deve ser, um dado adquirido. Mais relevante ainda é a importância que dou às ressonâncias do interior do piano e à preocupação que tenho com o som das notas e dos acordes. Este é só o princípio do princípio; uma das próximas gravações o dirá com mais certezas.

Tem dois projectos em mão neste momento; um com o grupo portuense Drumming e o outro com a Orquestra do Algarve. Em que consistem estes dois projectos e em que ponto estão eles?

O projecto com o Drumming está em fase avançada de composição; entraremos muito brevemente em estúdio num estilo musical completamente diferente do último disco, baseado no universo da percussão. O concerto para dois pianos e orquestra, com o Mário Laginha e a Orquestra do Algarve, vai ser apresentado em Lagos, a 11 de Fevereiro de 2006.

O duo que mantém com Mário Laginha é algo especial para si? Quais são os projectos futuros para esse projecto?

Adoro tocar em duo com o Mário; aprendemos muito a tocar em conjunto e o respeito pelas composições e formas de interpretar é mútuo. Projecto, projectos, projectos... tocar, tocar, tocar e continuar a desenvolver uma cumplicidade que me parece única; pensamos gravar num futuro próximo.
© Rodrigo Amado

O que acha do trabalho de improvisadores portugueses como o Manuel Mota, Sei Miguel, Carlos Zíngaro, Ernesto Rodrigues e Rafael Toral? Sente alguma ligação com o trabalho deles?

De todos os que refere, conheço melhor o Carlos Zíngaro. Ele tem um trabalho notável de exploração tímbrica a par com uma enorme procura pessoal. Sente-se-lhe uma vivacidade imaginativa na exploração de cada tema no preciso momento em que este é executado. Gosto muito de o ouvir. Aprendo com a sua música e fico mais alerta!

Como vê a quantidade e qualidade da música jazz feita em Portugal nos dias de hoje em comparação com os tempos em que começou a tocar?

Existe muita malta nova a tocar bem. E, sobre isso, devo acrescentar que o Hot Clube de Portugal tem feito um trabalho notável na divulgação e ensino deste tipo de música. É também muito importante incentivar as novas gerações e empurrá-las lá para fora, onde os meios artísticos são mais completos... respirar novos ares é sempre bom! Penso que deviam existir mais infra-estruturas de apoio aos músicos em Portugal, salas de ensaio a preço simbólico e espaços de encontro para que os músicos possam desenvolver os seus trabalhos, individualmente ou em grupo.

O número de festivais de jazz em Portugal tem crescido bastante ultimamente. Acredita na sobrevivência e qualidade de todos eles?

Acredito que sobrevivam; só tenho pena que as presenças portuguesas sejam tão (tão tão) minoritárias, nomeadamente na reunião de músicos locais com músicos estrangeiros. Não me refiro a presenças minhas, a solo ou em grupo; aliás, não tenho quaisquer razões de queixa; refiro-me aos novos músicos, alguns dos quais com enorme talento, que deviam ser mais apoiados pelas entidades organizadoras dos principais festivais de jazz. De uma coisa tenho a certeza: não é difícil pensar em projectos interessantes, basta fazê-los com continuidade. Mas hoje, infelizmente, tudo remete para fins comerciais e receitas de bilheteira. A meu ver, e salvo raras excepções, os ingredientes deveriam ser outros, as propostas (a músicos e públicos) mais exigentes e as receitas poderiam ser repensadas – de forma a contribuir mais para o pequeno meio do jazz português. Coisas boas… não posso deixar de referir os excelentes momentos anuais que são A Festa do Jazz no São Luiz e o Festival de Jazz do Valado; aí sim, respira-se a ideia de “família do jazz” em Portugal.

Os mitos dizem que a taciturnidade, a solidão e a noite são elementos essenciais para a escrita da música. Do que precisa Bernardo Sassetti para compor?

Os mitos são sábios e a noite é fértil... Para além de inspiração, só preciso de silêncio e de espaço mental para compor. Mesmo que não componha, posso ficar horas seguidas a olhar para o infinito. Também é bom saber que o telefone só muito raramente toca a altas horas da noite. Também gosto do vazio dos dias feriados em Lisboa...

André Gomes
andregomes@bodyspace.net

terça-feira, 17 de abril de 2012

"José Afonso: 25 Anos Depois" | Sugestões do Almada Informa | Post do Blog "A Certeza da Música"



No portal Almada Informa, em Bibliotecas, vem uma sugestão que eu copiei para esta página. Se quiseres ver, no sítio original, clica AQUI.

No Blog "A Certeza da Música", há um "post" sobre os 25 anos depois da morte de José Afonso. Esse "post" é de Joao Nuno Silva e publicado no dia 23 de Fevereiro de 2012. Diz assim:

«        Zeca Afonso - 25 Anos Depois

Passam 25 anos desde que o Zeca nos deixou, mas o que é certo é que a sua presença será sempre uma constante quer pela sua música quer pela força do seu pensamento.
Este texto que se lê nesta foto e que publico em baixo, fez-me inclusive lembrar recentes acontecimentos e atitudes, em que pessoas esqueceram o que eram contractos colectivos de trabalho, esqueceram o que eram empresas públicas e empresas privadas e chegaram a confundir tolerâncias de ponto com feriados, só para cumprir umas ordens tolas emanadas por umas criaturas ainda mais tolas, mas enfim, assim seguirão dobrando a espinha até acabarem a rastejar pelo chão, sem terem à mesma um tostão.
Aqui deixo as palavras do Zeca a ver se lhes desperto algum desejo de dignidade:

"O que é preciso é criar desassossego.
Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! Acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política.

E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reconduzidos à condição de homenzinhos e mulherzinhas.
Temos é que ser gente, pá!"
José Afonso, 1985
»

     
Nunca será demais falar sobre José Afonso. Lembrar e homenagear Zeca Afonso é um dever e uma honra!

JOÃO


"José Afonso: 25 anos depois" - Sugestões
Separador

Mês: abril
Horário: terça a sábado das 10h00 às 18h00
Local: Setor Multimédia – Almada e Feijó
 
Sugestões – "José Afonso: 25 anos depois"
 
Em abril, a Rede Municipal Bibliotecas, em Almada e no Feijó,
destaca o cantor e compositor José Afonso. Passados 25 anos
do seu desaparecimento, José Manuel Cerqueira Afonso
dos Santos, nasceu em Aveiro a 2 de agosto de 1929,
conhecido por Zeca Afonso, tornou-se um dos
compositores portugueses mais divulgados a nível mundial
e muitas das suas músicas continuam a ser gravadas
por numerosos artistas portugueses e estrangeiros.
Calcula-se que existam atualmente mais de 300 versões
de canções suas gravadas por mais de uma centena
de intérpretes, o que faz de Zeca Afonso um dos
compositores portugueses mais divulgados a nível mundial.
 
Sugestões:
 
Sugestões multimedia Abril 1
Autor: José Afonso
Editor: Movieplay
Ano: 1996
         
 
 
                                
Sugestões multimedia Abril 2                                                    
Autor: José Afonso
Editor: Movieplay
Ano: 1996
    
 
                                                
sugestões multimedia Abril 3
Autor: José Afonso
Editor: CNM
Ano: 1994
      
 
 
                                                                                              
Sugestões multimedia Abril 4
                                                 
Autor: José Afonso
Editor: Movieplay
Ano: 1996
    
 
                                     
Sugestões multimedia Abril 5
                                                    
Título: Fura fura
Autor: José Afonso
Editor: Movieplay
Ano: 1996
 
 
                                            
Sugestões multimedia Abril 6
                                                    
Autor: José Afonso
Editor: Movieplay
Ano: 1996
 
                                                                                                                    
Sugestões multimedia Abril 7
Autor: José Afonso
Editor: Strauss
Ano: 1994
       
 
 
                                      
Sugestões multimedia Abril 8
                                            
Autor: Madredeus... [et al.]
Editor: BMG-Ariola
Ano: 1994