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terça-feira, 18 de março de 2014

domingo, 29 de dezembro de 2013

DEMOREI, MAS VOLTEI! Estou bem Vivinha da Silva!

ESTOU BEM VIVINHA DA SILVA, OBRIGADA!

Àqueles que deram pela minha falta, venho informar que estou bem.

Tenho estado ausente por variadíssimas razões, de ordem pessoal e familiar. A saúde também tem ido abaixo, cá em casa. Até um dos gatos, a gata PINI, adoeceu 2 vezes. Coisas de mulher, espero, porque "mulher doente, mulher para sempre"!

A minha mãe tem-me feito afastar muito do Facebook e do meu Blog. Entre andar a dar-lhe umas luzes para ela utilizar bem o Skype, o correio electrónico e o Facebook, organizar as suas fotografias - que são muitas! -, no seu computador, e outras manutenções, ela esteve dois meses em Benguela com um irmão meu e está, novamente, por mais dois meses. Falta menos de um mês! 


Sou uma felizarda por a minha mãe estar de boa saúde mental e querer usar o computador para se manter em contacto com os seus filhos, quando estão todos longe dela.

Falo e/ou escrevo muito, via Skype, com a minha mãe, mesmo quando está em Portugal, porque mora em Lisboa e eu resido no concelho de Almada, na outra margem do Tejo, ou seja, na margem sul.

Os meus dois manos estão fora, um em Benguela, Angola, outro passa a semana em Espanha e vem aos fins-de-semana. O meu filho está bem longe, também. Em Luanda, Angola e esteve cá de férias cerca de um mês, em Julho. Também falo quase diariamente com eles via Skype. Fora um ou outro familiar que estou muito tempo sem ver, mesmo estando no mesmo país.

Acresce que, de há um ano para cá, estou a ter uma relação mais próxima com os meus netos - que a vida fez com que fossem afastados de mim e do pai! -, e é natural que passe algum tempo com os 3 netos, já jovens adultos, e me perca ao telefone com eles, também.

O dia não tem mais do que 24 horas e eu tenho os meu gatitos, também, para cuidar e mimar, fora o básico de uma casa. Como tenho sempre, quando saio da minha zona de conforte, dores e achaques que me impedem de ter minha capacidade a 100% dos 50% que tenho normalmente, há alturas que preciso, mesmo, que me sentar na cama cheia de almofadas para me ajudarem a suportar as dores. E, como o meu PC era de secretária, grande, com um monitor gigante para eu ver bem, e só há pouco tempo recebi um PC portátil, era complicado chegar a tudo! Sei - porque recebi mensagens nesse sentido -, que alguns amigos ficaram inquietos. Para não preocupar nenhum, resolvi fazer uma mensagens pública para o Facebook, onde só estive afastada por pequenos períodos, o maior por pouco mais de um mês. Agora, e para retomar alguma presença assídua no Blog, cabe fazer esta mensagem para aqui. Assim todos escusam de rezar pela minha alma, pois ainda estou por cá.

No entanto, para não haver mais preocupação por parte de alguns, não se esqueçam de me seguirem no Facebook, pois é lá que eu estou mais tempo e postarei sempre mais:


https://www.facebook.com/mariajoao.baptistasilva

Beijinho da

   JOÃO

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Noticias ao Minuto - Chuva Intensa Afecta Províncias de Luanda | Ontem


Segundo um entendido:

"Mário Silva · 64 years old

A drenagem pluvial é muito importante. E uma boa drenagem é muito importante para uma das cidades mais importantes de África e não é preciso despender muito dinheiro, Com base em valas e colectores pontuais é possível ver essa situação que tanto prejudica a Capital do País"

Eu só posso concordar!
JOÃO

Noticias ao Minuto - Chuva intensa afecta províncias de Luanda

terça-feira, 2 de outubro de 2012

DHL - UMA GRANDE INTERROGAÇÃO!!!




Hoje, Terça-Feira, dia 2 de Outubro, venho falar do meu estado de alma em relação a esta empresa: 

DHL

A DHL é uma marca da Deutsche Post DHL,
The Logistics company for the world

Pois é! A DHL é uma empresa e Correio Expresso! Indo ao site da DHL, http://www.dhl.pt/pt.html, podem verificar que é uma empresa que se considera muito bem... E segura!
O custo de um envio de 1 folha A4 é o dobro do custo que seria se a folha A4 fosse transportada pela EMS Internacional, empresa similar, mas dos CTT. Esta levava 42,22 Euros, e os três dias úteis para a entrega! Enquanto pela DHL me custou 89,97 Euros o envio de um documento, na Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012 que chegou ao destino, Luanda, a 18 de Setembro de 2012, em vez do dia 14, como me tinha sido dito, ou dia 17, como me foi referido pelo telefone como prazo garantido de entrega ao destinatário, em Luanda, depois de eu verificar que no dia 13 a encomenda estava na Alemanha, e no dia 14 estava a passear pela Espanha, Grã Bretanha, França e tinha, por fim, regressado a Portugal...
Enfim! A encomenda chegou no dia 18 às mãos do destinatário!

Entretanto surgiu a necessidade de um outro envio, urgentíssimo, de mais 6 documentos A4, no mesmo envelope. O preço seria o mesmo, por não exceder  um determinado peso: 89,97 E. E o envelope/encomenda, seria entregue ao destinatário hoje, dia 2 de Outubro.
Só que, desde o dia 29 de Setembro último, pelas 12:57, que não se sabe da encomenda/envelope. E, como eles mesmo dizem "
A localização online DHL é o modo mais rápido para saber onde está o seu envio. Oferecemos-lhe os detalhes em tempo real do percurso do seu envio, conforme vai passando pela Rede DHL no caminho para o seu destino. eu e o destinatário estamos em pânico com a falta de detalhes do resto do percurso do envio que fiz. Está perdido? Está detido? O que aconteceu?!
Isso mesmo perguntei eu, no Sábado e ontem à DHL pelo telefone 707505606. Sem respostas plausíveis. Ontem uma senhora chegou-me a dizer que devia ir no ar!!!! Mais tarde insisti em falar com um responsável pel DHL e falei com o Senhor João Pereira que não me disse onde a minha encomenda estava, mas ficou de me telefonar esta manhã com a resposta. Eu dei o limite para a chamada até à noite, para podermos dormir bem, tanto eu, como o destinatário. Mesmo comigo em estado de pânico ao telefone, já sabendo que eu era doente cardiovascular, já antes submetida a duas intervenções, depois de um enfarte, e estando eu a tomar comprimidos SOS para o coração durante a chamada telefónica, o senhor não achou por bem prometer-me dar-me as respostas às minhas questões: onde pára a minha encomenda!? Porque é que não estão, na Internet, os detalhes do resto do seu percurso, desde Sábado ao meio-dia?! Houve, ou não extravio da encomenda?!

Eu avisei o Senhor João Pereira que iria fazer uma exposição da situação no facebook, na página da DHL e na minha!

Vou substituir o número do envio por uns X´s para segurança dos documentos, se é que estarão seguros, neste momento!

MARIA JOÃO BAPTISTA DA SILVA





Localização de envios Expresso DHL

A localização online DHL é o modo mais rápido para saber onde está o seu envio. Oferecemos-lhe os detalhes em tempo real do percurso do seu envio, conforme vai passando pela Rede DHL no caminho para o seu destino.
Resultado da Localização
Nº Envio: 164683XXX Partiu das instalações da DHL em LISBON - PORTUGALSubscrever notificações de statusExternal Link / New Window
Sábado, Setembro 29, 2012 em 12:57
Origem: LISBON - PALHAIS - PORTUGAL
Destino: LUANDA - LUANDA - ANGOLA
Sábado, Setembro 29, 2012 Local Hora
13 Partiu das instalações da DHL em LISBON - PORTUGAL LISBON - PORTUGAL 12:57
12 Envio processado nas instalações da DHL em LISBON - PORTUGAL LISBON - PORTUGAL 11:57
11 Envio chegou às instalações intermédias da DHL em LISBON - PORTUGAL LISBON - PORTUGAL 10:19
10 Partiu das instalações da DHL em BARCELONA - SPAIN BARCELONA - SPAIN 08:35
9 Partiu das instalações da DHL em LEIPZIG - GERMANY LEIPZIG - GERMANY 04:24
Sexta-feira, Setembro 28, 2012 Local Hora
8 Envio em espera LEIPZIG - GERMANY 08:16
7 Envio processado nas instalações da DHL em LEIPZIG - GERMANY LEIPZIG - GERMANY 04:16
6 Envio chegou às instalações intermédias da DHL em LEIPZIG - GERMANY LEIPZIG - GERMANY 01:49
Quinta-feira, Setembro 27, 2012 Local Hora
5 Partiu das instalações da DHL em LISBON - PORTUGAL LISBON - PORTUGAL 19:58
4 Transferido por LISBON - PORTUGAL LISBON - PORTUGAL 19:57
3 Envio chegou às instalações intermédias da DHL em LISBON - PORTUGAL LISBON - PORTUGAL 18:20
2 Envio processado nas instalações da DHL em LISBON - PORTUGAL LISBON - PORTUGAL 17:59
1 Envio recolhido LISBON - PORTUGAL 16:14

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

RDP acaba com espaço de opinião que serviu de palco a críticas duras a Angola | http://www.publico.pt

Eu vejo sempre os Pró e Contras da RTP. Mas, na Segunda-Feira, dia 23 de Janeiro último, fiquei chocada, mesmo nauseada, com o programa que passou em directo de Luanda, completamente contido, onde não havia contraditório, só os "Prós", de uma sociedade anti-democrática, onde as aparências contavam, mas se esqueceram as misérias e corrupções dos governantes do povo angolano, que sofre de falta de tudo, desde Água Potável... até falta de Liberdade de Expressão, um dos direitos mais básicos dos Direitos Universais... A RTP em directo, em Angola, onde nem se pode lutar pelos Direitos Humanos!
Se não conheces ainda, lê a matéria do Público sobre a hipócrisia do governo português, a repugnante presença do Ministro Miguel Relvas, e o enfraquecimento da democracia em Portugal, que vai perdendo força, a cada dia, morrendo numa morte triste e lenta, que nós vamos aceitando...
É uma pena estarmos a ser "tomados" pelo poder político corrupto de Angola, na África.
Eles são, também, os poderes dos Sarkozy e Merkel desta Europa a que deveríamos pertencer em igualdade de circuntâncias. Vão ser, também, os poderes dos chineses, da China prepotente e não democrática da Ásia... País que vive numa ditadura escancarada!
Onde fica a soberania portuguesa...?! Onde estão os direitos e liberdades dos portugueses. Em que estado estão as mentes e vontades dos governantes de Portugal?! Nos mercados, nos interesses pessoais... Mas não foram eleitos para isso!!!
JOÃO
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Em causa estará polémica gerada por crónica do jornalista Pedro Rosa Mendes

RDP acaba com espaço de opinião que serviu de palco a críticas duras a Angola
24.01.2012 - 09:47 Por Maria Lopes, Victor Ferreira, Romana Borja-Santos


Uma crónica crítica em relação a Angola, do jornalista Pedro Rosa Mendes, terá levado a RDP a acabar com o espaço de opinião "Este Tempo", da Antena 1.

O jornalista Pedro Rosa Mendes confirmou, em declarações ao PÚBLICO, ter sido informado, por telefone, que a sua próxima crónica, a emitir na quarta-feira, será a última da sua autoria. “Foi-me dito que a próxima seria a última porque a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola”, diz o jornalista, por telefone, a partir de Paris.
“A ser verdade, esta atitude é um acto de censura pura e dura”, sustenta o jornalista, que aborda nessa crónica a emissão especial que a RTP pôs no ar na segunda-feira, 16 de Janeiro, em directo a partir de Angola. A chamada telefónica que serviu para anunciar-lhe o fim deste espaço de opinião foi feita por “um dos responsáveis da Informação” da Antena 1, continua o jornalista, que não quis especificar quem daquele departamento lhe comunicou aquela decisão.
Rosa Mendes critica a emissão do programa televisivo Prós e Contras da RTP feita a partir de Angola, com a participação do ministro português que tutela a comunicação social, o ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. Porém, o jornalista entende que “com tudo o que está em causa, foi uma crónica contida”. Aliás – prossegue –, a ser verdade que tenha sido dispensado por causa do teor desta crónica, essa decisão seria “muito estranha”, porque ele não foi “a única pessoa a ficar desagradada com a natureza e o conteúdo da emissão da RTP”. “Houve outras opiniões negativas nestes últimos dias”, aponta.
Contactado pelo PÚBLICO, o gabinete do ministro Miguel Relvas declinou comentar o assunto, limitando-se a dizer que "é uma decisão exclusivamente do foro editorial da RDP".
O PÚBLICO também questionou a administração da RTP, que respondeu por escrito: “A administração da RTP tem provas dadas, ao longo dos últimos anos, de não interferência na área editorial. Neste caso em concreto, a administração nem sequer tinha conhecimento do fim do contrato com o colunista Pedro Rosa Mendes”.
O director-geral da RTP, que também tem a seu cargo a RDP, confirmou ao PÚBLICO, por e-mail, que "foi decidido terminar com a série, e não apenas com o programa da autoria do Pedro Rosa Mendes". A decisão, acrescenta, "já estava tomada há algum tempo, antes do referido programa ter sido emitido", mas não especifica a data. "Os contratos dos colaboradores terminam dia 31 de Janeiro", afirma Luís Marinho, que garante que a administração "nunca" o abordou "sobre este assunto, muito menos manifestando qualquer desagrado pela crónica referida".

Crónica a cinco
A crónica em causa foi emitida a 18 de Janeiro e integra um espaço de opinião que a Antena 1 tem, com o nome de “Este Tempo”. É assegurado por cinco pessoas – Rosa Mendes, António Granado, Raquel Freire, Gonçalo Cadilhe e Rita Matos e, segundo Rosa Mendes, todos eles estariam a ser informados que a crónica vai acabar. O PÚBLICO contactou João Barreiros, director de Informação da Antena 1, e António Granado, um dos cronistas, sem sucesso. Já Ricardo Alexandre, director-adjunto de Informação da Antena 1 e responsável pelo programa, disse não ter comentários a fazer.
No entanto, hoje às 9h45, hora a que de segunda a sexta-feira o programa é transmitido, Raquel Freire aproveitou a sua crónica para anunciar que também foi informada que seria a última. A cineasta dedicou-a ao tema da liberdade, fazendo referência ao filme Good Night and Good Luck, que retrata um grupo de jornalistas que lutam pelo direito à informação e por denunciar alguns dos atentados políticos aos direitos fundamentais cometidos pelo senador Joseph McCarthy. Na crónica, Raquel Freire questiona “para que serve uma rádio pública e um serviço público?” se não for para servir as pessoas que não têm voz, adiantando duas respostas, em jeito de interrogação: “Para dar voz às pessoas ou para ser a voz do dono?”. O programa estava no ar há cerca de dois anos e os contratos terminariam agora. Durante esse tempo, diz Rosa Mendes, nunca lhe foi dado nenhum feedback dando a entender que houvesse temas que fossem tabu ou que tivessem sido fixados “limites de censura”.
Na polémica crónica, Rosa Mendes começa por recordar que a RTP “serviu aos portugueses” uma emissão especial em directo de Luanda e à qual chamou “Reencontro” e “na qual desfilaram, durante duas horas, responsáveis políticos, empresários, comentadores de Portugal e de Angola, entre alguns palhaços ricos e figuras grotescas do folclore local”. “O serviço público de televisão tem estômago para muito, alguns dirão que tem estômago para tudo, mas o reencontro a que assistimos desta vez foi um dos mais nauseantes e grosseiros exercícios de propaganda e mistificação a que alguma vez assisti”, continua. Carregando nas críticas, o jornalista afirma que reencontrou nessa emissão, não um país irmão, mas “a falta de vergonha de uma elite que sabe o poder que tem e o exibe em cada palavra que diz”.
Rosa Mendes é um dos jornalistas portugueses que mais escreveu sobre a corrupção em Angola. Foi, aliás, alvo de dois processos judiciais por difamação, um dos quais por trabalhos editados pelo PÚBLICO e em que o queixoso era o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos. O tribunal não deu razão ao líder de Angola, tendo a Justiça também decidido a favor de Rosa Mendes no outro caso, em que o queixoso era Arcadi Gaydamak, um milionário russo que tem passaporte angolano e foi acusado de vender armas a Angola.
Nos cinco minutos e 34 segundos que dura a crónica, Rosa Mendes mistura dados relativos à economia e à política do país com citações de alguns outros especialistas que estudaram o que se passa naquele país, que usa uma “maquilhagem sofisticada”, da qual se destaca “o batom da ditadura, parafraseando o jornalista angolano Rafael Marques”. Este último, ou alguém como ele, teria de estar presente num programa que fosse um “reencontro digno para ambos os povos e ambas as audiências”, sustenta Rosa Mendes. Alguém “que chamasse corrupção à corrupção e não, quase a medo numa única pergunta – e passo a citar – ‘um certo tipo de corrupção’, como fez Fátima Campos Ferreira”, a jornalista que apresenta o referido programa da RTP e conduziu aquela emissão.
Notícia actualizada às 11h20, 12h20 e 13h15 Acrescenta comentários do gabinete de Miguel Relvas, da administração, e do director-geral da RTP.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Artigo de um Angolano: "José Eduardo dos Santos - O Génio Incompetente" | CANALMOZ - Diário Digital * CANAL DE MOÇAMBIQUE - Semanário


Hoje vi, no Publico.pt, este artigo "José Eduardo dos Santos - O génio incompetente", escrito por um Angolano.
Li e adorei ver que há quem esteja a abrir os olhos em Angola e quem já tenha, há muito, os olhos bem abertos para a realidade do regime que existe em Angola. Pena é que não possam e/ou consigam fazer uma revolução!
Fui ao "CANALMOZ - diário digital * CANAL DE MOÇAMBIQUE - semanário" onde o artigo foi editado e percebi, então, que é um site de um Diário Digital moçambicano e que é, também, um Jornal Semanário, publicado em papel, e que sai às quartas-feiras.

Para veres, clica AQUI.
Vale a pena leres o artigo!
JOÃO




Segunda, 05 Setembro 2011 05:03   
Canal de Opinião
por José Desencantado (pseudónimo)

José Eduardo dos Santos
O génio incompetente
Só um génio incompetente é capaz de, passados mais de trinta anos a governar, justificar a pobreza do país com a herança do colonialismo

Luanda (Canalmoz) - Quando era criança eu amava o presidente José Eduardo. Aos oito anos já era da OPA, mas na altura não percebia nada de política e de como gerir um país. Já havia fome, mas gostava de ver quando ele ia jogar basquete no pavilhão da cidadela e dominava a bola no centro do campo antes de começar uma partida. Gostava daquela carinha laroca de menino mimado e ingénuo, que lhe fazia parecer puro. Na altura, aquela imagem e o seu silêncio iludia facilmente a fome que já sentia e me fazia acreditar que o futuro estava seguro nas suas mãos.
Talvez porque o amava quando era criança, quando me tornei homem, e entrei para a JOTA, e comecei a perceber de política e gestão, tive dificuldades em ver nele o ditador que a oposição acusava. Continuei a acreditar que ele era apenas o menino pobre e ingénuo do Sambizanga que lutou, cresceu e se tornou presidente, e que nos ia tirar da pobreza que o colono deixou como herança. Mas hoje, quando lhe ouvi dizer que a culpa da pobreza é do colono, e não do MPLA, para justificar a situação em que estamos, foi como se a venda que tinha nos meus olhos finalmente caiu e me permitiu ver pela primeira vez o Presidente José Eduardo dos Santos, que tanto amava quando era criança.
Hoje percebi que ingénuo era eu, não ele. Ele era um génio incompetente. Sim, só um génio incompetente é capaz de, passados mais de trinta anos a governar, justificar a pobreza do país com a herança do colonialismo. Só um presidente incompetente é que não percebe que a democracia e a liberdade de expressão estão além dos jornais e das associações da sociedade civil politicamente controladas, só um incompetente é que não percebe que o povo não precisa que alguém venha do estrangeiro para lhe dizer que aquele burburinho na barriga não é lombriga mas fome.
Só um incompetente insensível não percebe que a fome se sente como o frio e a dor.
O discurso do Presidente revelou o homem por detrás daquela voz insegura e permitiu perceber o porquê da crise de gestão e de liderança do país.
O discurso revelou um presidente amarrado ao passado, completamente falho de ideias para o futuro e, definitivamente, agarrado ao poder como uma criança à primeira bola.
Esse discurso revelou um Presidente que já não é capaz de compreender o seu povo, que fala sozinho e apenas para encher o seu ego, que prefere viver rodeado de mentiras e de mentirosos que o fazem acreditar que é um ser iluminado, este discurso revelou um presidente que não tem capacidade para perceber que está na hora de partir para dar alguma esperança a esse país.
O discurso do presidente revelou um homem que não se envergonha por ver gente morrer a fome, jovens sem esperança, famílias sem futuro, e prefere racionalizar a pobreza com discursos demagogos que já nem Fidel aceita proferir.
Depois de tantos anos a governar, José Eduardo dos Santos já não se devia preocupar com o presente, devia pensar no futuro, num futuro sem ele por cá, por força da lei da natureza e das rezas que várias famílias vêm fazendo para que ele vá embora, vivo ou morto. Depois de tantos anos, em que a paz foi o seu maior feito e nos devia fazer esquecer a fome que sentimos, José Eduardo dos Santos devia lutar para deixar um legado que lhe permitisse ser lembrado como um homem de bem.
Mas, como fizeram com a independência, José Eduardo tem sido capaz de transformar a paz numa coisa má. E, assim como os nossos pais ficaram com saudades do colonialismo quando viviam independentes, ele faz-nos ter saudades do tempo da guerra, porque naquele tempo parece que vivíamos melhor.
Quando José Eduardo dos Santos já não estiver cá entre nós, além do júbilo silencioso das nossas almas, a história do país será reescrita, a sua imagem será arrancada com raiva e alívio dos gabinetes pomposos dos bajuladores do sistema, a sua imagem será retirada do bilhete de identidade e do nosso dinheiro, a universidade do planalto deixará de ter o seu nome, a sua mãe perderá o nome do hospital em Viana, a sua esposa também, o seu pai deixará de ter o nome numa rua, a sua filha primogénita perderá os seus bens a favor do povo, a outra deixará de ser presidente do Benfica e quase dona da TPA, os outros podem continuar a cantar, mas só iremos comprar os discos se forem bons, e não haverá ministras da cultura a elogiar, se forem uma porcaria, ninguém lhe vai fazer estátuas e mausoléus, os seus seguidores vão começar a falar mal dele, contando os segredos bem guardados do regime, e ele será visto pela história como o homem vazio e ultrapassado e incompetente que hoje revelou ser. Depois da longa guerra civil, José Eduardo será lembrado como um dos maiores males do país.
Perante o quadro do país que ele próprio reconheceu, e tendo em conta a falta de resultados dos seus inúmeros programas, o mais sensato e democrático seria o Presidente José Eduardo assumir publicamente que não é capaz de fazer melhor e ir embora. Como diziam os gregos, ninguém dá o que não tem, e a verdade é esta: José Eduardo dos Santos já não tem (se calhar nunca teve) capacidade política e de gestão para levar esse país aos níveis de desenvolvimento que possibilitem uma vida melhor a quem aqui vive, principalmente a juventude. Não tenhamos ilusões, os gregos têm razão, ninguém dá o que não tem.
Foi de um cinismo escandaloso a ideia de usar os nomes de Agostinho Neto e António Jacinto para justificar a pobreza. Tenho muitas dúvidas que tenha sido o Mena Abrantes a escrever aquele discurso, sou dos que também acha que foi o próprio que escreveu, e só por isso hoje se mostrou como verdadeiramente é. Mas ele não percebeu que discursos desses já não servem para nada, já não passam pela crivo da juventude e já não servem para iludir a fome que sentimos há mais de trinta anos, e a falsidade demagoga como soaram as passagens poéticas daqueles dois homens, mostram bem o distanciamento de um ditador e de um verdadeiro líder.
É verdade que não há país no mundo em que não haja corrupção, mas o Presidente se esqueceu de dizer que são poucos onde a corrupção chegou ao nível do nosso país e se tornou tão endémica. Ele explicou de onde vem a pobreza, mas esqueceu de explicar de onde veio a riqueza dos seus filhos. Se calhar no congresso do partido vai aparecer a dizer que Angola não é o único país do mundo onde os filhos do presidente e os seus amigos ficam ricos do dia para a noite. Ele disse que não tem vinte biliões de dólares em bancos estrangeiros, mas não foi capaz de dizer quanto é que tem e como o conseguiu. E a tirada dos fantoches?
Será que ele ainda não percebeu que, a partir da sua casa e terminando no seu partido, ele está completamente cercado de fantoches? E que é ele que alimenta os fantoches? Olhemos para o MPLA. Para a velha e a nova geração. Já não falemos de Dino Matrosse, Kwata Kanawa e Rui Falcão, mas é com homens como Bento Bento, Bento Kangamba, o tal de Jesuino, jovens como Luther Rescova, o Norberto Garcia, o demagogo João Pinto que ele conta desenvolver este país?
Lembro que uma vez o camarada Lúcio Lara chorou em plena Assembleia Nacional quando se discutia a atribuição da vice-presidência a Jonas Savimbi, e na altura, entre lágrimas amargas, se perguntava como era possível que intelectuais da craveira de Jaka Jamba eram capazes de seguir um homem que queimava pessoas na fogueira. Hoje, com as mesmas lágrimas no coração, pergunto-me como é possível que homens como Roberto de Almeida, Dino Matrosse, Paiva Nvunda, Ferreira Pinto, se humilhem perante um ditador e cheguem a chorar de medo quando falam no seu nome? Como é possível que mulheres como Ângela Bragança, Rosa Cruz e Silva, Suzana Inglês, Luzia Sebastião, intelectuais como Pitra Neto, Carlos Feijó, Rui Ferreira, Gigi Fontes Pereira, Bornito de Sousa, Adão de Almeida, Cremildo Paka, Manuel Vicente, Políticos como Nandó, Higino Carneiro, Kassoma, e tantos outros, sejam capazes de estar ao lado, bater palmas, e integrar um partido e o executivo dirigido por um homem como esse? Como disse chorando na altura Lúcio Lara, «só pode ser feitiço». Talvez não o feitiço tradicional de Savimbi, mas o feitiço do dinheiro e do poder. Ou talvez, como eu até ontem, eles continuem ainda com a venda nos olhos e continuem a ver naquele presidente o homem que eu via quando era criança e ingenuamente
acreditava no futuro nas mãos de um génio incompetente.
(José Desencantado, com a devida vénia)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Angola: 14 ONG's Condenam Detenção e Tortura de Manifestantes | Manifestação em Luanda em 3 de Setembro 2011

Isto é monstruoso! Como podem os países democráticos receber os representantes do Governo de Angola...
Como podemos nós, portugueses, ter empresas com dinheiro sujo da família Eduardo dos Santos?!
Eu sinto uma revolta tão grande com estas detenções e a forma como elas estão a ser tratadas.
Esta matéria tem que dar a volta ao Mundo, por todos os meios possíveis.

Temos que ajudar o povo Angolano, nosso irmão!
Direitos Humanos para Angola, já!
JOÃO




Angola: 14 ONG's condenam detenção e tortura de manifestantes
14 organizações da sociedade civil angolana denunciaram as agressões e detenções de jovens e jornalistas na manifestação de 3 de Setembro. 21 detidos irão a julgamento sumário nesta quinta feira. Human Rights Watch alerta que existem 30 detidos incontactáveis e em paradeiro desconhecido. Eurodeputados do Bloco exigem informação.

sábado, 3 de setembro de 2011

Manifestação em Angola Travada Violentamente Pela Polícia | Protesto em Luanda Contra o Presidente Angolano José Eduardo dos Santos

Esta manifestação em Luanda correu ainda pior do que as anteriores.
Saúdo a coragem dos manifestantes... São muito poucos, num país tão grande e com tanta miséria. Mas um dia serão muitos mais!...
Quando acabará este regime de sanguessugas?!
Quando é que a maioria dos desgraçados - mesmo miseráveis angolanos -, terão água potável canalizada, comida para comer, casas dignas para habitar... E DEMOCRACIA? Quando será?!
Direitos Humanos para Angola, já!
JOÃO

Entre 100 a 300 pessoas participaram no protesto

Manifestação em Angola travada violentamente pela polícia

03.09.2011 - 20:18 Por João Manuel Rocha

A repressão de manifestantes que protestavam contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, em Luanda, provocou na tarde deste sábado um número indeterminado de feridos e a detenção, segundo a Polícia Nacional, de 24 pessoas.

Não havia à noite confirmação sobre o número nem o estado dos manifestantes feridos, mas o correspondente da RTP na capital angolana admitia que os seus ferimentos fossem ligeiros. Um comunicado da polícia citado pela agência estatal Angop indica que ficaram feridos três agentes e um oficial “por elementos não identificados”.

Para além de manifestantes foram agredidos jornalistas, incluindo elementos de uma equipa de reportagem da televisão pública portuguesa, cujo equipamento foi danificado.

Segundo o correspondente da rádio Voz da América, “a refrega tomou contornos de violência pura”, que não se verificou em outras duas manifestações realizadas já este ano contra o poder do Presidente angolano, no poder desde 1979.

O número de manifestantes que aderiu ao protesto foi quantificado entre uma centena e três centenas de pessoas, consoante os órgãos de informação.

O desfile, em que se reclamava a democratização do país e a saída do poder de José Eduardo dos Santos, foi autorizado. A violência terá começado quando parte dos participantes se desviaram do itinerário previsto e procuraram dirigir-se ao palácio presidencial para exigirem a libertação de um companheiro detido antes do início do protesto, que começou na Praça da Independência.

A Polícia Nacional informou que os ferimentos se registaram quando os seus efectivos “tentavam persuadir alguns cidadãos a não abandonarem o espaço” autorizado para a manifestação. Os contestatários só foram travados quando “reforços policiais que vinham de várias direcções” os interceptaram, segundo o correspondente da Voz da América, que descreveu os reforços como “homens à civil, fisicamente bem constituídos, que se supõe pertencerem às forças especiais”.

O repórter da RTP deu conta da intervenção de “elementos não identificados”, que actuaram de modo violento.

sábado, 2 de abril de 2011

Manifestação pela LIBERDADE DE EXPRESSÃO em Angola | Vídeo

Parece que esta manifestação aconteceu de forma tranquila, aparentemente sem casos para censurar. 

Pode não ter sido uma manifestação muito participada, mas foi corajosa e abriu o caminho a outras.

Direitos Humanos para Angola, já!

JOÃO

Manifestação pela Liberdade de Expressão em Angola

Os manifestantes formaram um cordão humano de mais de 300 pessoas durante a manifestação de hoje, 2 de Abril, à volta do Largo da Independência, em Luanda, para exigir Liberdade de Expressão. Ouviram-se gritos de ordem como "O povo, unido, jamais será vencido!" e "ZéDú Fora!".

~~~~o0o~~~~
De: | Criado: 2 de Abr de 2011
Manifestantes formam um cordão humano de mais de 300 pessoas durante a manifestação de hoje, 2 de Abril, à volta do Largo da Independência, em Luanda, para exigir LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
Ouvem-se gritos de ordem como "O povo, unido, jamais será vencido!" e "ZéDú Fora!".

HOJE - 2 de Abril | Manifestação Pela Liberdade de Expressão em Angola |

Eu desejo que esta manifestação aconteça, seja bem participada e decorra de forma ordeira, sem agressões e sem prisões, e também espero que a manifestação abra as portas à liberdade de expressão.
Urge que isso aconteça em Angola!
Direitos Humanos para Angola, já!
JOÃO

Manifestação pela liberdade de expressão em Angola

Um grupo de jovens deu a cara pela manifestação, convocada para este sábado às 13h em Luanda. Desta vez foi autorizada pelo governo provincial e conta com o apoio do antigo primeiro-ministro angolano Marcolino Moco e do escritor José Eduardo Agualusa. 
Este sábado está convocada para a Praça da Independência em Luanda, a partir das 13h, uma manifestação pacífica pela liberdade de expressão em Angola. Recorde-se que uma outra tentativa de manifestação contra o regime, sob o lema “Angola diz basta a 32 anos de tirania e má governação”, no dia 7 de Março, foi abortada pelas forças de segurança que prenderam 17 pessoas, incluindo quatro repórteres.
Ao contrário do 7 de Março, desta vez o protesto tem organizadores conhecidos que pediram autorização para realizar a manifestação ao Governo Provincial de Luanda.
Um dos responsáveis, Carbono Casimiro, disse à agência Ecclesia: “Tentamos sair a 7 de Março, mas fomos detidos injustamente, sem explicação nenhuma, sem o mínimo de justificação. Acredito que é por tentarmos nos expressar publicamente. Tão-somente por isso. Então isso gerou o motivo principal desta segunda tentativa de manifestação à liberdade de expressão”, acrescentou.
Massion Chitombe, outro jovem que convoca a manifestação, esclareceu que durante o protesto serão feitas alusões à situação política e social do país: “Não vejam a nossa posição como um acto de tentar desestabilizar o país. Não é o que nós queremos. Simplesmente vamos para lá pacificamente e vamos pedir que os órgãos de segurança estejam lá para evitar que haja actos de vandalismo”, reforçou.
No largo ou no “quintal”
De acordo como relato do Clube-K, na terça-feira o governador provincial pediu uma reunião com os organizadores, que não se chegou a realizar porque as autoridades vetaram a entrada de alguns dos elementos do grupo, contrariando a posição dos jovens, que entenderam que a reunião deveria ser na presença de todos os subscritores.
Informalmente, porém, os jovens falaram com um alto funcionário do governo provincial, Carlos Alberto Cavukila, que disse aos organizadores que o governo autoriza a manifestação, com a condição de que ela se realize no “parque” da Independência e não no largo, conforme fora pedido. O parque da independência é uma área de diversão fechada, a poucos metros do “largo Primeiro de Maio”, usada pelos músicos para apresentação de obras discográficas.
Os manifestantes recusam a condição do governo provincial de Luanda, sob alegação de que não podem se manifestar num “espaço fechado” ou seja, “num quintal”.
Apoios
Para o escritor angolano José Eduardo Agualusa, a manifestação de sábado em Luanda “é o princípio de alguma coisa: “O que me parece é que isto é o princípio de alguma coisa. A partir daqui, isto nota-se muito na Internet, no 'Facebook' também, há uma movimentação como nunca houve e as pessoas estão a dialogar, que era uma coisa que fazia muita falta em Angola”, disse à Lusa.
Por seu lado, o antigo primeiro-ministro angolano Marcolino Moco disse também à Lusa esperar que a manifestação abra as portas à liberdade de expressão: "desejo que a partir daí as autoridades tenham uma nova atitude perante o direito à comunicação, perante a liberdade da imprensa e a partir daí revejam outras atitudes incorrectas". O também ex-secretário-geral do MPLA classificou como "vergonhosa" a situação que se vive na imprensa estatal, que disse caracterizar-se por "bajulação ao poder" e que faz recordar o que se passava no período colonial.
Para o "rapper" angolano Mona Dya Kidi, um dos organizadores da manifestação, "(Angola) é uma democracia exercida com medo. A prova disso é que só tivemos 17 pessoas no dia 7. Num país democrático, que tem milhões de problemas, aparecerem 17 pessoas é óbvio que alguma coisa não está bem", disse.
"Ou todo o mundo está bem, economicamente, socialmente, ou há outra coisa por detrás. Então a democracia é exercida com medo. Um ou outro mostra a cara e que depois acaba por ser censurado, tal como nós fomos, detidos por exercer o direito à democracia", acrescenta. Mona Dya Kidi diz que desta vez a manifestação deverá correr melhor.

Mais informações sobre a manifestação aqui.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Artigo de Participante na Conferência «Não Partam a Minha Casa» | A COMUNA

O Governo Angolano do MPLA tem um sonho: “A destruição de um milhão de casas ate 2012”.
Se construíssem casas novas e realojassem as pessoas das casas que quer abater, então o sonho seria interessante. Mas não. Destruíram as casas de várias províncias de Angola - penso que em Luanda, Cabinda, Malange, Benguela, Huila -, deixaram as pessoas sem casa e vão fazer o mesmo às restantes províncias que ainda não tiveram a visita dos encarregados pela destruição... Mas vão chegar!
Quando as pessoas em Benguela marcaram uma manifestação para reclamarem da sua sorte e pedirem alojamento, a manifestação foi impedida!
Gostaria muito que Angola fosse uma democracia. Mas não é!
Deixo um artigo que é anónimo, por razões óbvias, mas que vem em "A Comuna".
JOÃO

 Não partam a minha casa  

17-Agosto-2010

Angola – o nascimento de um movimento pelo Direito à Habitação,

e a importância da integração de lutas locais, nacionais e globais.

Nos dias 29, 30 e 31 de Julho teve lugar em Benguela, Angola, a Conferência “Não Partam a Minha Casa” organizada e participada por organizações da sociedade civil angolana com a participação de comunidades afectadas por demolições e despejos forçados das províncias de Luanda, Benguela, Kwanza Sul, Huíla e Lunda Sul.

Cerca de 250 pessoas, durante três dias discutiram a realidade das demolições e despejos forçados, denunciaram abusos e atropelos graves à dignidade humana, ao direito nacional e internacional, direitos humanos, problemáticas sociais e territoriais em Angola, desenvolvimento das cidades, elaboraram propostas para o desenvolvimento da requalificação das cidades e para o reassentamento e realojamento dignos quando estes têm de existir, reivindicaram a devida compensação de todas e todos, afectados por esta realidade.

Foi a primeira iniciativa do género em que organizações diversas e comunidades afectadas por esta realidade se juntam, criticam abertamente a actuação das entidades governamentais, reivindicam direitos, fazem propostas, exigem a sua participação no melhoramento das cidades e num desenvolvimento equilibrado que chegue a todos e a todas. A partir desta conferência foi concertada uma estratégia de trabalho conjunto e de aliança de movimentos nacionais, internacionais e comunidades em torno do Direito à Habitação que daqui para a frente pretende combater e denunciar as demolições e despejos forçados, defender os direitos e dignidade das pessoas e trabalhar em conjunto, sempre que possível, com as entidades públicas para evitar as práticas que têm sido seguidas.
Esta iniciativa traz vários elementos importantes que vale a pena precisar: a perda do medo de denunciar e criticar abertamente por vários sectores que até há pouco tempo geriam com muito cuidado as mensagens que mandavam para fora; o aumento da consciência crítica e liderança de organizações e comunidades em processos sociais de transformação; o trabalho em aliança, quer seja em termos nacionais, quer seja em termos internacionais, que assume no contexto angolano uma importância crucial.

Vale a pena recuar um pouco no tempo e tentar perceber como surge então esta iniciativa. Primeiro a guerra que empurrou milhões de pessoas para as cidades em busca de protecção e as precipitou em enormes bairros auto-construídos e caóticos; depois a continuação do êxodo rural num país que continua até hoje a expulsar as pessoas das zonas rurais de várias maneiras, por interesses económicos ou por ausência total de investimento e políticas públicas nas zonas rurais; por fim, desde que a guerra acabou (2002) e se iniciou o processo de reconstrução nacional, o crescimento económico de Angola tem sido grande, devido aos recursos que tem e à entrada significativa de empresas e investidores que, em várias áreas, têm vindo a operar, neste novo El Dourado num mundo em crise. Porém, por maior que seja tal crescimento, não tem sido favorável ao desenvolvimento económico e social da grande maioria dos e das angolanas. É sobretudo com a expansão acelerada da cidade de Luanda e com a especulação imobiliária nesta que começam as primeiras demolições em massa há cerca de quatro anos atrás. Depois começam-se a dar em vários pontos do país, devido ao desenvolvimento de projectos económicos diversos, desde hoteis até à exploração mineira, ou a reabilitação de uma ferrovia. O que é certo é que já foram desalojadas milhares de pessoas, expulsas das suas casas perderam o seu maior investimento, os seus haveres, as suas formas de subsistência económica. Não recebem qualquer apoio ou compensação, por vezes ficam a viver nos escombros, outras vezes são atiradas para descampados e ficam em tendas, ou sob chapas, lentamente vão começando a construir uma nova casa com esforço próprio, num processo de formação de novos mussekes (bairros auto-construídos, sem planeamento, sem saneamento) cada vez mais longe dos centros urbanos. Neste processo ficam privadas de água potável, da sua subsistência diária, de alimentação, incluindo um grande número de pessoas mais vulneráveis como são idosos, doentes, mulheres sós com crianças, mulheres grávidas.

Em Março de 2010, iniciou-se na cidade do Lubango, mais um processo de demolições e despejos forçados, em plena estação de chuvas. 3080 famílias perderam as suas casas (muitas destas devidamente legalizadas). Desta vez o protesto, já várias vezes ensaiado, alastrou-se a muitos sectores. O que estava a acontecer no Lubango – a violência com que aquilo tudo aconteceu, onde morreram sete pessoas, mulheres deram à luz debaixo da chuva torrencial e, até hoje, as famílias não têm acesso à água e ainda não conseguiram reerguer as suas vidas – impulsionou uma nova onde de protestos, impulsionada inicialmente por uma pequeníssima organização de base, com vários sectores a juntarem-se depois e a reclamarem como inaceitável tal situação. Este protesto chegou também à cena internacional, através de uma rede de movimentos de base (No Vox) que organizou protestos junto de embaixadas de Angola em França, no Canadá, no Togo, no Japão, na Bélgica, tendo-se seguido depois em Portugal (pela Amnistia Internacional), assim como o envio de cartas ao Presidente da República, mobilização da comunicação social, etc.

A ampliação do protesto parece ter sido fundamental para as organizações nacionais ganharem força. A partir daqui uma cadeia de acontecimentos: uma primeira marcha é convocada na cidade de Benguela com o lema Não Partam a Minha Casa. Esta primeira marcha (25 de Março) foi reprimida, proibida pelas autoridades, os seus líderes ameaçados e visitados nas suas casas pela polícia e, no próprio dia, um forte aparato bélico por toda a cidade foi prontamente utilizado para dissuadir quem persistisse. A marcha foi cancelada. O protesto nacional e internacional intensificou-se. Os movimentos, sentindo que não estavam isolados, não desistiram e duas semanas depois convocam outra marcha a 10 de Abril. Desta vez aconteceu, e desta vez a polícia acompanhou os manifestantes, para orientar o trânsito e proteger. Foi um grande passo!

A partir daqui outra marcha se organizou em Luanda por moradores desalojados e a viver nos escombros há 4 anos, e a organização da conferência da sociedade civil em Julho aproveita o acadeamento destes processos, faz um balanço, aperfeiçoa e consolida um movimento nacional e internacional de luta pelo direito à habitação. Esta prática pode abrir caminho para outras causas, outras alianças, outras estratégias.

Angola continua a ser um país onde a liberdade de expressão encontra fortes obstáculos, a intimidação, o controlismo, a delação, o saneamento, a perseguição, o abuso de poder, a corrupção, o autoritarismo e a prisão continuam a ser amplamente utilizados. Apesar disso, os sem voz estão a conquistar a voz, e também a fala, estão a indignar-se, a organizar-se, a denunciar e a propor. É certo que as demolições e despejos forçados vão continuar em Angola, mas também é certo que as comunidades e os movimentos se estão a fortalecer, à custa de muita coragem, mas também por sairem do isolamento em que viviam. As redes internacionais podem jogar aí um papel fundamental, envolvendo-se, apoiando e até, de certo modo, protegendo os movimentos de base e de luta, que actuam em condições muito adversas, com pouquissimos recursos materiais e humanos, em situação de grande isolamento com os vários riscos e limitações que isso acarreta. São estes movimentos que têm feito a diferença em Angola desde Março e é importante ver a importância do desenvolvimento de solidariedades concretas e a integração destes além fronteiras.

Participante na conferência "Não partam a minha casa".