terça-feira, 16 de março de 2010

Jean Ferrat (1930-2010) - Vídeo em Memória do Cantor/Compositor Francês das Causas da Esquerda

Jean Ferrat (1930-2010)
No passado Sábado, dia 13 de Março de 2010, morreu o compositor/cantor francês Jean Ferrat – compositor e cantor de canções de intervenção, com textos ligados a causas sociais e muitos com uma grande carga ideológica ligada ao comunismo que defendeu, mas sem nunca ter sido militante do Partido Comunista Francês, pois não concordava com tudo o que a organização do PCF fazia e dizia.
Nascido nos arredores de Paris, em 26 de Dezembro de 1930, e filho de um judeu russo deportado para o campo de concentração nazi de Auschwitz quando Jean Ferrat era ainda uma criança de 11 anos, ficou sempre agradecido a militantes comunistas que o salvaram. Terá sido por isso mesmo que, desde muito cedo, a sua escolha foi na direcção de temas de intervenção político-social. Foi, por isso, conhecido como o autor/cantor militante das causas da esquerda, não deixando de evocar as deportações para os campos de extermínio nazis, como Auschwitz, onde o seu pai veio a falecer.
Deixou cerca de 200 canções que, os da m inha faixa etária, muitas conhecerão e não vão esquecer jamais.
Esta é a minha contribuição para que este extraordinário cantor, compositor e ser humano não seja esquecido e seja conhecido pelos mais novos que nunca ouviram falar dele.
Jean Ferrat foi casado com uma cantora francesa falecida nos anos oitenta e estava há algum tempo hospitalizado, vítima de uma doença prolongada. Faleceu, pois, 79 anos de idade.
Reparem como ele é lindo na terceira idade!
Deixo um vídeo de Jean Ferrat com uma canção que chegou a ser proibida na rádio e televisão francesas.
JOÃO
JEAN FERRAT "NUIT & BROUILLARD"
Uma canção muito bela, dos anos 60, para não mais esquecermos!!!

sábado, 13 de março de 2010

Ainda vê o Trabalhador Imigrante como um Depreciável Estrangeiro?

Pode ser o contributo que cada um de nós pode dar para melhorar o mundo em que vive.

Maravilhoso e extraordinário é este Cartaz com uma admirável mensagem! Adorei!
Agradeço ao seu autor, que desconheço, e que dá, assim, o seu maravilhoso e precioso contributo para a eliminação de preconceitos, barreiras, xenofobias e racismo.
Peço a ti, que me lês, que partlhes esta imagem com a mensagem que extraíres dela.
Esta foto tem que dar a volta ao mundo!
Obrigada!
JOÃO

Clica 2 vezes para aumentares a imagem!

Cartaz de origem espanhola que, traduzido para cada país, anda a correr mundo.

Inês de Medeiros, Vice-Presidente da Bancada Parlamentar do PS, em Entrevista à Sábado: "Se Sócrates mentiu, nem acho que seja muito grave"

De facto, enviei este vídeo por mail, pensando que não o receberia aqui. Mas recebi e ainda bem.

Aconselho uma Vejam o que e ouçam com atenção o vídeo, clicando na hiperligação em baixo que está.

Eu vi o video e fiquei pasmada. Para além de Inês de Medeiros ter dito "Se Sócrates mentiu, nem acho que seja muito grave", Tudo o resto que saiu da sua boca, neste vídeo, deixa, de facto, um português ter vergonha de ser representado por esta deputada. Como deputada, Inês de Medeiros, não presta e não tem ética. Acho que, se é boa noutras áreas, como que explorar, porque na política vale ZERO!

JOÃO


Olá!
Maria João Baptista da Silva achou este vídeo interessante e recomenda Decidiu-lo:


Clique no link acima para ver o vídeo ou copie a linha com o endereço para o
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Sapo Vídeos

sexta-feira, 12 de março de 2010

Se Não Aconteceu... Podia Ter Acontecido! 11 de Março de 2010

Se Não Aconteceu... Podia Ter Acontecido!

Sem comentários, porque a imagem é deliciosa e fala por si!
JOÃO
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Energia em Estrasburgo - Vídeo de Marisa Matias em 11-Mar-2010

Bravo, Marisa Matias! Foi uma extraordinária intervenção clara, concisa e muito acelerada, como convém pelo tempo que deve poder dispôr. Adorei!
Obrigada!
JOÃO


Energia em Estrasburgo - 11 de Março de 2010
A intervenção de Marisa Matias no debate sobre o plano energético para redução de emissões de carbono.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Bullying: Fenómeno Camuflado - e muito mais comum...

É impossível ignorar mais! É impossível que as escolas finjam que não sabem o que se passa dentro de cada estabelecimento de ensino. É impossível que se queira culpabilizar os pais dos alunos que cometem o “bullying” quando os seus filhos não se comportam assim perante eles, ou são eles mesmos, os filhos, alvos de acções agressivas por parte dos pais.
Em qualquer caso, o que acontece nos Estabelecimentos de Ensino e nas imediações deles, trajecto casa/escola e escola/casa, compete à escola analisar e ter meios para actuar, com equipas interdisciplinares, compostas, sobretudo, por psicólogos que façam a avaliação dos casos e dêem apoio e acompanhamento aos intervenientes, como abusadores e o abusado.
Uma Escola Pública onde os valores éticos e a educação não são encorajados e observados, não serve para educar e ensinar os adultos de amanhã.
E estamos a ficar fartos dos Presidentes dos Conselhos Executivos não saberem de nada e de nada falarem. Então, não merecem o cargo que ocupam.
JOÃO

Bullying: fenómeno camuflado
Sara R. Oliveira
2010-03-11

A história de Leandro, o menino que se atirou ao rio Tua supostamente por estar cansado das agressões dos colegas da escola, colocou o bullying no centro das atenções. As escolas têm dificuldade em lidar com este problema e há investigadores que defendem uma campanha nacional de sensibilização.

Leandro tinha 12 anos, frequentava a EB 2,3 Luciano Cordeiro em Mirandela, e lançou-se ao rio Tua supostamente por ter sido vítima de bullying, agressões físicas e psicológicas de forma continuada e repetida, por parte dos seus colegas de escola. O alegado suicídio da criança chocou o país e o debate sobre a violência no interior dos portões da escola reacendeu-se. O que é necessário fazer? Justifica-se uma estratégia nacional? O Ministério da Educação deve definir regras para combater estas situações? As escolas estão preparadas para lidar com estes casos? Como devem ser tratadas as vítimas de bullying? Qual o acompanhamento a dar aos pequenos agressores? E qual deve ser o papel dos pais?

A história é demasiado triste. Leandro será a primeira vítima mortal de bullying. O Jornal de Notícias conta o episódio pela versão assustada do primo. Christian tem 11 anos e nesse dia viu Leandro a ser espancado por dois colegas mais velhos no recreio da escola. Não era a primeira vez que isso acontecia. Há cerca de um ano tinha estado internado no Hospital de Mirandela, depois de ter sido pontapeado na cabeça por colegas da mesma escola. Leandro terá dito que estava cansado e atirou-se ao rio. Não conseguiram salvá-lo. No fim, Christian deixa uma frase que resume uma realidade demasiado cruel: "Na escola todos batem em todos." O corpo de Leandro ainda não foi encontrado.

O Conselho Executivo da EB 2,3 Luciano Cordeiro remeteu-se ao silêncio. Elaborou um relatório interno que não foi totalmente conclusivo e a Inspecção-Geral de Educação está a recolher mais dados e a ouvir testemunhas para entender o que aconteceu. Os alegados agressores foram entretanto identificados e estão a ser acompanhados por um psicólogo da escola. A Direcção Regional de Educação do Norte abriu um inquérito para apurar o sucedido e quer ouvir mais gente para tentar refazer a história. O presidente da Associação de Pais garantia que Leandro não estava sinalizado e que não havia registo de episódios de bullying na escola. A família da criança desmentiu as afirmações, assegurando que já tinha ido à escola falar do assunto e que, até ao momento, nenhuma medida tinha sido tomada. A dor mantém-se.

Vai ao Teatro Extremo - ALMADA: Estreia “O Rei Vai Nu” para Maiores de 4 Anos!

Vai ao teatro em Almada...
E leva as tuas crianças!
JOÃO

Teatro Extremo - ALMADA
Estreia “O Rei Vai Nu”

O Teatro Extremo estreia em Março a peça “O Rei Vai Nu” (M/4) em co-produção com a Cultideias, a 38ª criação da companhia inspirada no conto “O Fato novo do Imperador” de Hans Christian Andersen, com direcção de Isabel Leitão, actriz residente da companhia com uma carreira de mais de 25 anos de teatro, cinema e televisão que com este espectáculo assina pela primeira vez uma encenação.

Hans Christian Andersen (autor de “O Patinho Feio”, “O Soldadinho de Chumbo” e “A Pequena Sereia”) retrata neste conto a história de um rei vaidoso e de dois espertalhões que vêem nisso uma oportunidade de enriquecer à custa de Sua Majestade, apresentando-se como sendo tecelões capazes de fabricar um tecido mágico e invisível aos olhos de quem não seja dotado de inteligência. No dia em que o rei sai à rua, vestindo as suas roupas novas, toda a multidão aplaude. Ninguém quer admitir que não vê nada. “Mas ele vai nu”, exclama um rapazinho. E as pessoas começam a cochichar. “Ele vai nu”, grita por fim todo o povo. E o rei não tem outro remédio senão admitir que as pessoas têm razão.

Nesta peça, o cenário é baseado numa caixa de costura que no decorrer da peça se vai alterando, à semelhança dos livros para crianças cujos personagens e situações saltam das páginas, à medida que as vamos virando.

A interpretação está a cargo de dois grandes actores do elenco da companhia, Bibi Gomes, distinguida pelo percurso no Teatro O Bando e em produções do Teatro Nacional D. Maria II, e por Rui Cerveira, conhecido do público pelas participações nas séries “Uma Aventura” e “Super Pai”. A música é assinada pela dupla Miguel Cervini e Duarte Cabaça, a luz é de Celestino Verdades, os figurinos de João Frazão. O cenário é de Élio Antunes e o movimento de Joana Bergano, dois jovens artistas que nos têm revelado o seu talento.

A peça integra o programa de actividades comemorativas do Centenário da República com o apoio institucional da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.

Ante-estreia em Almada, na sala do Teatro Extremo, com duas sessões no dia 20 de Março, às 21h30m e no dia 21 de Março, às 16h e estreia em Ponte de Lima, no Teatro Diogo Bernardes, integrado na rede de itinerância Cultrede, no dia 27 de Março, Dia Mundial do Teatro, data em que o Teatro Extremo celebra 16 anos de actividade.

"O Rei Vai Nu” apresenta-se em digressão nacional a partir de Março com actuações em Alcanena, Alcochete, Barreiro, Castelo Branco, Leiria, Moita, Montemor-o-Novo, Oeiras, Seia, Seixal e Sesimbra. Regressa a Almada em Outubro e Novembro de 2010 e Janeiro e Fevereiro de 2011, para temporada no Teatro Extremo.

Fonte: Rostos.pt

quarta-feira, 10 de março de 2010

Newsletter Nº 10 de 2010 - Bloco de Esquerda

 


Newsletter Nº 10 de 2010 - Bloco de Esquerda

 

Bloco apresenta 15 medidas para uma Economia decente

 

 

 

 

Louçã apresentou medidas alternativas ao PEC de SócratesFrancisco Louçã apresentou a resposta do Bloco de Esquerda ao governo sobre o PEC, demonstrando que é possível reduzir mais o défice, já este ano, e simultaneamente promover uma política de recuperação para a criação de emprego. Aceda aqui ao documento, em pdf. Ler mais.

 

Bloco inaugura sede nacional

 

 

 

 

Foto André BejaDurante a inauguração Francisco Louçã afirmou que "no começo da segunda década do Bloco de Esquerda, é muito maior o compromisso, é muito maior a responsabilidade concreta que cada um de nós tem na construção de uma esquerda nova e socialista". Ler mais. Ver fotogaleria de André Beja.

 

1º Encontro Nacional do Bloco de Esquerda do sector da Segurança Privada

 

 

 

 

Segurança privadaUm conjunto de militantes e simpatizantes do Bloco de Esquerda promovem o 1.º Encontro Nacional de seguranças privados no dia 13 de Março às 10h30 em Lisboa.

Ler mais...


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Tempo de Antena do Bloco

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Bloco propõe mais 16,9 milhões para o PIDDAC de Braga

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Eleições para a Coordenadora Distrital de Viseu

 

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Rita Calvário questiona Campo de Tiro em pleno Parque Florestal de Monsanto

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Rui Tavares: "Na UE não há economias periféricas"

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Bloco organiza audição pública sobre gestão escolar 

 

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Moção do Bloco aprovada por unanimidade na Guarda

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Contra o aumento de rendas: Bloco/Porto esteve com moradores do Bairro de Francos

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 Serpa - BE vota Contra Orçamento 2010 da Câmara Municipal

 

 

 

 

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segunda-feira, 8 de março de 2010

Centenário da proclamação do Dia Internacional da Mulher – Conclusão: faltam homens

C/conhecimento a  "Desfazer Nós, Criar Laços!..."

Olá pessoal!
O dia 8 de Março é um símbolo de lutas revolucionárias orquestradas por mulheres de fibra que não aceitavam as discriminações de que eram alvo. Muitas deram a vida nessas lutas. Muito devemos a essas mulheres e a muitos homens que estiveram ao seu lado nessas lutas.
No dia 8 de Março de 1910 foi proclamado o Dia Internacional da Mulher para que todos os anos se fizesse uma jornada mundial de acção em prol das mulheres oprimidas, pelos seus próprios direitos e contra todas as formas de discriminação a que as mulheres sempre estiveram sujeitas. Nunca devemos esquecer aquelas que, em muito países, ainda se encontram tão discriminadas que são levadas a uma submissão total perante pais, familiares, sociedade e marido, pela completa dominação masculina.
Basta! Todas nós, mulheres, temos que ajudar as que ainda se encontram em situações semelhantes.
E como eu já vi que a Maria João não colocou o seu querido Bartoon de hoje, deixo-o eu com a resposta à sua pergunta "mulheres a menos ou homens a mais?"
Resposta: homens a menos. Queremos mais homens! E já!
Aqui na Charneca de Caparica City está a chover a bué. Cheguei a casa a pingar. Nem o São Pedro é simpático com as mulheres.  Vê-se mesmo que é homem!
Abraço
Sara Antunes

No Dia Internacional da Mulher deixo a Autobiografia de Rosa Lobato Faria publicada no Jornal de Letras

O dia 8 de Março tem sido, de há 100 anos para cá, para comemoração do Dia Internacional da Mulher e não deve ser uma data festiva, para as mulheres receberem flores ou presentes simbólicos, mas para recordar e homenagear as mulheres que têm lutado por um mundo para que a diferença de sexo não sirva como pretexto para a mulher ser considerada inferior ao homem e subordinada a ele, merecendo ser tratada com igualdade, liberdade e justiça social.
Este dia deve, também, servir para informar as mulheres, por esse mundo fora, que muitos avanços já foram conquistados e que cabe às mulheres continuarem a sua luta, sabendo que em muitas civilizações há muito caminho para percorrer e que as mais informadas e com direitos já adquiridos podem ajudar essas que vivem como que completamente abandonadas pelas sociedades onde estão inseridas, através das suas experiências e exemplos.
Para comemorar este dia, trago-vos o exemplo que uma mulher exemplar, que eu muito admiro e que nos deixou recentemente:
A escritora, letrista  e actriz Rosa Lobato Faria, que partiu no dia 2, aos 77 anos.
Há cerca de dois anos Rosa Lobato Faria escreveu uma pequena "autobiografia" que foi publicada pelo Jornal de Letras e que copio para este Blogue.
Com afecto,
Joaninha
Autobiografia
de Rosa Lobato Faria

Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance.

Centenário do Dia Internacional da Mulher

É um lugar-comum referir-se que não deviam existir Dias Internacionais de X e/ou Y. Mas a importância deles, de facto, fazerem parte de uma agenda anual, é inquestionável.
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. E nem é um Dia Internacional qualquer. É o Centenário do Dia Internacional da Mulher. Há cem anos que este dia, uma vez por ano, se celebra e se fazem alertas e apelos para as desigualdades, crueldades e outras brutalidades que a mulher sofre e que a faz ser descriminada em relação ao homem.
Cem anos de luta e tantos objectivos ainda não conseguidos. No inconsciente colectivo de muitos de nós há uma desvalorização destes dias e, por outro lado, há aqueles que dizem que todos os dias são dias da mulher e, depois, tratam-nas como se elas não tivessem direito a direitos próprios e iguais aos homens.
Num mundo imperfeito, onde os valores básicos da mulher não são, em muitas partes do mundo, sequer contemplados, tem que existir o Dia Internacional da Mulher!
Para bem da mulher, para bem da sociedade, para bem do mundo, para bem da VIDA!
JOÃO

Centenário do Dia Internacional da Mulher

Cem anos passam desde que Clara Zetkin propôs o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher, na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas. Leia o Dossier aqui.

Muitas histórias se contam sobre a origem deste dia e muitas lutas importantes se seguiram. O Esquerda.net publica um dossier com o relato e a análise destes acontecimentos.
Cem anos passam desde que Clara Zetkin propôs o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher, aquando da II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas.

Muitas histórias se contam sobre a origem deste dia, mas “Em busca da memória perdida”, recontam-se os acontecimentos que marcaram o início da luta feminista desde o séc. XIX, que antecedem e são consequência da proclamação de um “Dia da Mulher”.

Na altura, dava-se início à organização política das mulheres, das mulheres socialistas e é sobre isso que Alexandra Kollontai, a famosa feminista russa, nos conta no seu texto publicado em 1920 - Uma celebração militante.

Uma sucessão de convulsões políticas entrelaça-se com os acontecimentos que dão origem ao 8 de Março como Dia (de luta) Internacional da Mulher. Em Estes caminhos que vão dar a Março… Helena Neves faz a análise política deste percurso e apresenta-nos uma cronologia das Memórias de alguns Marços.

Este é também o ano da III Acção Internacional da Marcha Mundial de Mulheres. Nadia Demond, entrevistada pelo Esquerda.net, conta-nos o que irá acontecer, fazendo um balanço nestes cem anos de luta contra o patriarcado – exemplo de uma vitória: “Agora há mulheres em todo o mundo que se reconhecem como feministas”. Violência contra as mulheres e Paz e desmilitarização são dois dos eixos principais da intervenção política desta III Acção Internacional.

No início deste mês de Março, reúne a Comissão das Nações Unidas sobre a Condição Jurídica e Social da Mulher, onde se fará o balanço dos 15 anos da última Conferência Mundial da Mulher, que teve lugar em Pequim. Sobre o balanço a fazer-se, Thoraya Obaid adianta já que “Temos de fazer o que está escrito”.

Invocando um balanço actual da evolução das políticas de género na Europa, Eva-Britt Svensson escreve sobre O Tratado de Lisboa e a (ausente) perspectiva de género na EU.

Como exemplo da diversificação e aprofundamento da reflexão feminista que tem vindo a acompanhar as mudanças da realidade social e o desenvolvimento do conceito de género, cruzando opressões, Carmen Gregorio Gil reflecte sobre a condição das Mulheres imigrantes.

O Grande Acto: Nascer Mulher! Centenário do Dia Internacional da Mulher

O Grande Acto: Nascer Mulher!

Sempre foi diferente - pelo menos em todos os países cuja história conheço -, nascer mulher! E aceitar ser tratada como um ser diferente, inferior ao homem, foi aceite, pela mulher, como uma situação normal, dependendo, claro, do local onde se nasceu.

Ao longo dos séculos as mulheres foram tratadas de forma diferente, não igualitária.

Tem sido preciso que as mulheres tenham lutado muito para conseguirem o estatuto de igualdade em relação aos homens.

Eu acho admirável e excepcional todas as mulheres que se impuseram, de alguma forma, para se afirmarem como iguais, que defenderam outras mulheres para poderem atingir a mesma igualdade, mesmo que isso tenha sido feito paulatinamente, em alguns países. Mas foi feito, de certo modo, em Portugal.

Eu sou daquelas que agradeço, também, a alguns homens terem estado e continuarem a estar ao lado das mulheres para que a mulher fosse considerada de igual forma como o homem.

Eu nasci em 1947 e nunca deixei que me considerassem diferente do meu irmão. Depois, mais crescidinha, nunca permiti que me considerassem diferente de qualquer homem. Tudo o que um homem podia fazer, eu podia também. E tive a felicidade de ter um pai que me apoiou no meu percurso e me aceitou como diferente da mentalidade vigente e me incentivou a ser como eu queria ser. Também tive a felicidade de ser filha de um ser único, um intelectual extraordinário, cujos amigos e amigas eram, também, do meu intelectual. Por isso, eu estava rodeada, até ter a minha própria vida, de mulheres e homens fabulosos, com mentes abertas e privilegiadas. Eu tinha, por isso, parte da minha vida facilitada! Só não me sentia bem no meio de certas mulheres que aceitavam que o estatuto da mulher era diferente e teria que ser assim, continuando, elas, a educar os homens para o machismo, para a discriminação e para a prepotência e sobre as mulheres.

Por isso eu digo que os piores inimigos das mulheres são as próprias mulheres.

Aqui em Portugal é assim: se uma mulher tem valor ou é diferente porque não aceita as convenções, ela é apontada por outras mulheres. Será inveja!? Eu penso que sim. Lamentavelmente a maioria das mulheres têm inveja das outras mulheres. E, em todo o mundo as mulheres poderiam já ter feito muito mais por elas próprias se estivessem unidas e se revoltassem contra as imposições que a sociedade impõe sobre elas. Dar a vida por esta causa, ao longo dos anos, era bem melhor do que viverem como vivem!

Como eu sempre achei e digo, não entendo como as mulheres continuam a educar os filhos homens a serem iguais aos homens que lhes impuseram as diferenças.

Mais: as mulheres se pensassem um pouco, e em vez de se juntarem às outras da mesma rua para falarem mal das vizinhas, se se unissem para pensar e passar a palavra que, se as mulheres quisessem, o mundo parava, a corrente chegaria a todo o mundo.

É verdade: se a mulher pára, o Mundo pára também. Pensem bem nisto!

Nunca eu seria capaz, por exemplo, de me deixar escolher por um homem! Eu é que escolhi sempre!

Eu, na minha vida, escolhi sempre tudo. Se estou mal, a culpa é minha. Mas sinto-me bem por dentro pois sou a única responsável pelo meu ser e pelo meu EU interior.

E se eu tivesse nascido noutro país, num país onde as mulheres têm que andar atrás do homem, tampar a cara, ter os filhos que o homem quiser, etc., eu teria desencadeado uma luta e teria dado a vida por esta causa:

A mulher tem que ter direito iguais! E mais nada!

E como isso ainda não acontece, e só por isso, e enquanto no mundo existir uma mulher que não tenha a igualdade como direito, eu celebro o Dia Internacional da Mulher e falo da MULHER.

Eu sou adepta daquela citação “Não sejas parte do problema! Sê parte da solução!... Por isso, MULHER, luta por ti própria. Começa por educar os teus filhos de maneira diferente!... E aceita que, se não fores audaciosa o suficiente para te rebelares, não critiques as mulheres que o fazem!

JOÃO

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Inimigo Público: Edição Comemorativa do 20.º Aniversário do Jornal Público

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Jorge Jesus exigiu 12 jornalistas brasileiros
e 7 argentinos para dirigir o PÚBLICO
Mário Botequilha
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A primeira página de "O Inimigo Público" na sua Edição Comemorativa do 20.º aniversário do Jornal Público.

Espero que achem graça!

Eu ainda não sei...

JOÃO

O PÚBLICO faz Hoje 20 Anos: PARABÉNS!

ao Jornal Público, que faz hoje 20 anos!
Deixo hoje, em especial, O meu querido Bartoon!
E, em forma de comemoração, deixo uma hiperligação para o post "Parabéns", de Daniel Oliveira no seu Blog "Arrastão".
Para ver o referido "post", clique aqui.
JOÃO

PUBLICO.PT - Bartoon - 05-Mar-2010
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