sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Miguel Portas no Plenário do Parlamento Europeu

Mais uma brilhante intervenção do Eurodeputado Miguel Portas, eleito pelo Bloco de Esquerda. Desta vez no Plenário do Parlamento Europeu onde analisou o quadro decorrente das revoluções árabes notando que “todas as Primaveras chegam ao seu Outono, mesmo na Líbia”. 
Intervenção muito bem elaborada e imperdível!
JOÃO


Miguel Portas - Primavera Árabe
2011/09/14

Carregado por em 14 de Set de 2011


Miguel Portas analisou no plenário do Parlamento Europeu o quadro decorrente das revoluções árabes notando que “todas as primaveras chegam ao seu outono, mesmo na Líbia”, país onde a continuação das bombas da NATO, “apesar da existência de bolsas de resistência mínimas”, serve “para alargar o perímetro de negócios” e não garante “a segurança da revolução que chegou a Tripoli”. Ora se o BCE nada tem a dizer sobre isto, se acha que tomou as decisões correctas “e não tem nada a rever”, deduziu Miguel Portas, então “a realidade é que se enganou”.
O eurodeputado do GUE/NGL eleito pelo Bloco de Esquerda qualificou a Primavera Árabe como “o maior acontecimento mundial deste ano” e associou-se à eventual atribuição do prémio Sakharov a este movimento como “um valor simbólico”, porque “a União Europeia e os seus governos foram anos e anos cúmplices de regimes ditatoriais que oprimiram as aspirações de liberdade no mundo árabe”, situação em que sempre “se preferiram os negócios à liberdade, a repressão dos fluxos migratórios ao respeito pelos direitos humanos e até o silêncio à denúncia”.

Perante as novas situações, Miguel Portas interrogou-se “queremos realmente mudar ou apenas parecer que mudamos?”

E abordou em pormenor o processo líbio, desde a forma como foi “extravasado o próprio mandato da ONU” através da guerra aérea da NATO passando pela continuação actual dos bombardeamentos apesar “de as bolsas de resistência serem mínimas”, para “alargar o perímetro de negócios que a reconstrução das infraestruturas vai garantir aos diferentes governos envolvidos na guerra”. O eurodeputado prosseguiu então enumerando o que considera ser o conjunto de prioridades que deve mobilizar a União Europeia em alternativa à guerra.

Entre essas prioridades, Miguel Portas enunciou o apoio ao Conselho Nacional de Transição para que “este cumpra o que prometeu em matéria de reconciliação nacional e respeito pelos direitos humanos”; a preocupação pelo respeito dos direitos dos imigrantes na Líbia num quadro em que já 500 mil foram obrigados a fugir para a Tunísia e o Egipto, onde não dispõem das condições necessárias; a realização de uma “investigação independente” como suporte para a reconciliação nacional, uma vez que “não foram apenas as forças de Khaddafi e os aviões da NATO que mataram civis, no campo da insurreição também se cometeram actos indignos”; e o dever europeu de deixar “aos povos a condução dos seus próprios destinos”, sem “o papel de ingerência e de dois pesos e duas medidas”.

“Não podemos condenar a repressão na Síria e silenciá-la no Bahrein”, disse Miguel Portas. “Não podemos boicotar o petróleo na Síria e aceitá-lo no Iémen, aliás não devemos aceitar boicotes que prejudiquem as populações. Só desta maneira”, rematou o eurodeputado do Bloco de Esquerda, “a Primavera árabe o será, porque será obra dos próprios árabes”.

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